• sexta-feira, 28 de abril de 2017 17:04

    Uma cidade de grandes marcas

    Em semana de Feira do Livro julguei oportuno refletirmos sobre as marcas que vendem Santa Rosa para além das fronteiras do município. Por quê? Para chamar atenção à cultura...

    Qual é a nossa maior marca? Como sou natural de Salgado Filho, quando a gente perguntava lá era fácil: Chás Prenda (que hoje está em Nova Candelária). Aqui, em terra com 70 mil habitantes e de enormes riquezas, se torna um tanto mais dificultosa essa escolha. Musicanto, Fenasoja, Hortigranjeiros, Oktoberfest, Xuxa ou Taffarel?

    Cada um, certamente, tem uma resposta diferente à pergunta inicial, que varia do viés político, econômico e até social em que se encontra. Dá ainda para enveredar a outras áreas, citar personalidades atuais como Terra e Vicini (quase naturalizados), ou empresas como a CCL ou a GP, que nasceu aqui e hoje alcança o Brasil todo.

    Marcas são construídas em muitos anos, e algumas se eternizam mesmo depois de extintas como a Ferramis, a Ideal, o Prenda e o glorioso Dínamo. Longe, em qualquer canto do Estado, quando alguém falava “Dínamo”, logo emendava, de Santa Rosa.

    Então, o que vende nossa imagem além das fronteiras do Município? Hoje, acima de tudo: Fenasoja. A Feira é de todos, por isso se mantém tão viva.

    Quero, no entanto, deixar o registro feito por um amigo. Ele me contou que estava em viagem pela Argentina quando disse a um taxista de Oberá que era de Santa Rosa. Prontamente, o castelhano lhe respondeu: “Terra do maior festival de música da América Latina”. Ops! Imagine o susto desse vivente, que sequer curte o Musicanto, ao ouvir isso.

    Essa é a minha resposta à provocação inicial. O Musicanto é, junto com a Fenasoja, a maior marca que Santa Rosa criou ao longo de sua história. Em São Paulo ou na América Latina se falava e escrevia a respeito do Festival. Eis, aí a janela de mídia gratuita que o município tinha. Não se diz a toda hora que a Xuxa ou o Taffarel são de Santa Rosa. Mas, ao citar o Musicanto, sim e sempre a cidade aparecia (acontece onde?). Ao citar Fenasoja também é assim.

    Não é aceitável que se deixe morrer um festival tão plural e belo quanto este. É compreensível que a população quer saúde, asfaltos, estradas decentes para o interior. Mas, não pode o Município, sob esse argumento de prioridade, em um orçamento de R$ 300 milhões anuais abrir mão de executar o Musicanto. Com ou sem LIC ou Rouanet é preciso encontrar modo de realizar o Festival.

    Por fim: Aos poucos, a Feira do Livro entra no rol das nossas grandes marcas, felizmente está consolidada. Parabéns à Prefeitura sim, mas também à ASES que tanto fez pelo evento, e parabéns aos escritores que não medem esforços para lutar por seu espaço nessa seara tão ingrata.

  • segunda-feira, 24 de abril de 2017 07:46

    De mil e um assuntos pendentes

    Os assuntos para crônicas são tantos que é impossível condensálos em meia dúzia de linhas ou aglutiná-los por temas, a exemplo da lista do Facchin, a Reforma da Previdência ou a greve geral convocada pelas centrais sindicais para a próxima semana.

    No entanto, duas questões têm me inquietado bastante nos últimos dias, ambas com relação ao trânsito. Como estou em processo de habilitação, percebo bem mais o que me passaria distante em dias normais. Item um: o abandono do Estado (e União também) de trechos de extremo risco à vida nas rodovias da região. Item dois: algumas insistências do município com mudanças no trânsito.

    Ir de Santa Rosa a Mauá é quase impossível. Transitar atrás do Parque de Exposições rumo a Três de Maio, então, é uma loteria se for à noite ou com garoa. Zero marcação na pista e uma manta asfáltica amanteigada que escorrega de tão macia. Sem contar os trevos com mais buracos que plástico-bolha nas mãos de criança.

    Voltando ao município! Pintaram um estranho estacionamento no centro da Avenida América nas imediações do Sepé Tiaraju e Estádio, e colocaram contêineres de lixo. Eu e os instrutores da autoescola não compreendemos mesmo, afinal, a Avenida é para desafogar o trânsito e ali passa apenas um carro por vez. Uma boa sugestão ao Conselho e à Secretaria: chamar os instrutores para reuniões periódicas, uma espécie de consultoria, e assim terão especialistas no assunto.

    Mudando “cento por cento a prosa”, eu e alguns agentes culturais trocamos algumas palavras, recentemente, à espera de novidades. Estamos em abril, fechando um terço do ano, e não ouvimos uma palavra sequer da Administração com relação ao Fundo Municipal de Cultura. Sabemos que as chuvas causaram muitos danos, que há urgências maiores, mas o valor destinado ao Fundo estava em rubrica específica.

    A Feira do Livro está às portas, inicia na quarta-feira e se estende até sábado, no entorno do Centro Cívico e Biblioteca. Vá lá, mesmo que seja para conversar! E se for da área cultural, traga sugestões, porque só de trabalho o povo não merece viver.

    Buenas, eu ainda pretendia escrever sobre a morte do juiz do Trabalho ocorrida em Porto Alegre, com todas as prerrogativas de enredo para um grande livro. Escrever sobre a questão dos crimes praticados por menores. E lembrar que para um silêncio de todos os entes, inclusive a imprensa, a respeito da morte daquele jovem monitor na Casa Lar. Mas isso tudo fica para mais adiante!

    Como registrei no princípio, linhas poucas para uma enxurrada de assuntos... OPS! Palavra imprópria para o cenário local. Chuva não!

  • segunda-feira, 17 de abril de 2017 08:33

    Quando o post resolve

    Por Jardel Hillesheim

    As redes sociais já mostram para que vieram. Talvez quem saiba utilizá-las de forma harmoniosa e sensata colha resultados satisfatórios. É um lugar para fazer amigos, rever parentes distantes e ainda reclamar de problemas na sua rua. As redes servem como um certo diário, onde expomos nossas alegrias, compartilhamos nossas reclamações e cobramos mudanças.

    Na madrugada do sábado para domingo não foi diferente. Sim, nem bem a chuva começou e as pessoas já pediam por socorro nas redes. Era 23h42min e um post dizia: “Socorro, a água está entrando em minha casa e não tenho como retirar as coisas”, lamentou uma internauta. Não estava na cidade, mas senti na pele a dor daquela senhora ao clamar por ajuda.

    No outro dia quando acordei, a primeira coisa que fiz foi visitar seu perfil no Facebook para saber se todos estavam bem. Seu segundo post foi: “Olá, já estamos na casa do meu irmão..., estamos bem, esperando a chuva passar para limpar a casa e ver o que poderemos reutilizar, mas acho que perdemos os móveis, a geladeira...”, lamentou.

    A segunda-feira chegou, e novamente a internauta postou, “Já estamos em casa, a geladeira estragou, os colchões e o guarda-roupa estão molhados, mas aos poucos reconstruiremos nossa vida”, disse. Sua publicação não ficou por aí não. “Moramos aqui há 15 anos, e sempre que chove sentimos o medo de ficarmos alagados, já fizemos reclamações diversas vezes, mas o Governo Municipal não faz nada”. Na verdade a situação só é vista como problema quando a chuva chega e deixa prejuízos.

    Ela não é a única a reclamar e exigir soluções. Diariamente lemos relatos de pessoas que estão descontentes com o asfalto das ruas, outras imploram para que no mínimo um calçamento seja colocado em frente a sua casa, evitando que seus filhos se embarrem em um dia de chuva, ao ir para a escola. Mas afinal, estamos certos em ser tão questionadores? Sim, estamos. Pagamos impostos ao comprar, desde uma caixa de fósforo a um carro, e todo este dinheiro deveria retornar em investimentos. Nós, da imprensa, somos alimentados diariamente por informações vindas de internautas, que vêem na rede social um espaço para serem ouvidos e atendidos.

    Talvez eles sejam nossos “Digital Influencer”, em português influenciadores digitais. São eles que reclamam da situação da nossa rua, do nosso posto de saúde e do nosso imposto ser investido em coisas improdutivas e desnecessárias. Há poucos dias uma publicação chamou a atenção para a construção de um quiosque no Tape Porã. Considerada desnecessária por muitos internautas, o prefeito teve que voltar atrás e dar uma “estacionada” no projeto. Afinal, se nós não nos apropriarmos do debate, como a venda de patrimônio público, a péssima qualidade de serviços públicos prestados, o exagero dos salários pagos para políticos, do que reclamaremos?

    Hoje uma pessoa questionadora, que promove o debate e mobiliza seus vizinhos na busca de solução para um problema, tem mais importância do que um vereador inativo, que sabe apenas garantir dois ou três cargos de confiança no governo municipal. Claro, podemos criticar, tudo dentro do respeito, e, prontos para ouvir a posição das pessoas sobre isso e aquilo. Posso falar como morador, mas não posso falar nem em nome da comunidade, sem que eu tenha um documento oficial me conferindo à responsabilidade. Talvez ainda falte um manual de “como não agir nas redes”.

    Olha que a moda está “pegando”. Até o “madurão” do prefeito Alcides Vicini criou sua página “Ao Vivo”, para responder aos apontamentos. Mas Vicini precisa entender que nem toda a população tem acesso a rede. Mas ser um prefeito que conversa, sempre será melhor que um prefeito que não vem para o debate.

  • segunda-feira, 10 de abril de 2017 07:23

    O Deputado Comemora

    Nós todos, pelo menos aqueles que acompanham os noticiários, conhecemos algum deputado ou vereador que comemora. Isso mesmo!

    O Deputado Comemora (ou vereador) é aquele sujeito que ocupa bem o espaço que a mídia lhe dá. Em geral, ele jamais aparece com algum projeto relevante ou defende alguma bandeira em que ele creia. No entanto, aparece a toda hora na imprensa das pequenas cidades - que precisa de matérias para preencher suas colunas e programas de rádio. Fulano recebeu as soberanas da ExpoAlgumaCoisa e comemora. Fulano visitou a cidade e comemora. Projeto do governo foi aprovado e Fulano comemora.

    Nada mais inútil para a sociedade que um deputado ou vereador(a) que comemora. Por que isso, Clairto? Porque ele não está preocupado com os projetos relevantes. Ele se preocupa com a sua reeleição, de preferência que seja eterna - o que nem é tão difícil no Brasil em que há as tais emendas e verbas parlamentares. Esse Brasil em que um vereador ou parlamentar se elege pela oposição e “comemora” nos gabinetes do governo ao qual se opunha até o começo de outubro (gente assim tinha que perder o mandato na hora!).

    O Deputado Comemora não quer que mude absolutamente nada na política nacional. Está ótimo assim. Ótimo porque para quem está no trono, com assessores e grana pública à disposição, é tudo muito fácil. Por isso, toda essa conversa sobre reforma política não é interessante para eles. É interessante parecer ao povo que há uma reforma em curso, mas no fundo com intenção que pouco mude efetivamente.

    Por exemplo, o voto distrital, ele não entra em questão. Nem mesmo criminalizar o Caixa 2. Mas querem empurrar na reforma o fato de um político concorrer a dois cargos diferentes na mesma eleição. Que show isso! Assim o Deputado Comemora perde em um nível e assegura outro. E, ainda, querem insistir com o voto em lista, que nada mais é que autopreservação da espécie.

    O Brasil está no rodapé do mundo em tudo. E regrediu muitos anos em apenas dois. É como um doente, do qual os médicos não tratam adequadamente, pois tende a piorar rapidamente e “involuir” até o estado terminal. Isso o Deputado Comemora acha interessante. Mendicância agrada os políticos porque aumenta a dependência do favorzinho, tapinha nas costas e todas aquelas falsidades que o meio tão bem conhece.

    Precisamos da reforma trabalhista. Precisamos da reforma da Previdência. Precisamos da reforma política. Precisamos, porém, que ela seja comprometida com a sociedade toda, e não com as corporações. O que estamos presenciando é justamente o contrário: usa-se o argumento da necessidade, no entanto, as reformas estão a serviço das corporações (algumas delas bastantes criminosas).

    Enquanto isso, enquanto o povo assiste aos espetáculos na grande mídia, o Deputado Comemora usa todos os espaços de mídia nas pequenas cidades para seguir seu caminho para a décima quinta reeleição. E comemora!

    Pelo fim da reeleição já!