• segunda-feira, 26 de junho de 2017 07:31

    Ou careca ou zerado

    É uma dessas crônicas estranhas, que começa pela incrível capacidade que os cabelos caídos têm de agrupar em chumaços nojentos quanto caídos pelo quarto ou no piso do banheiro. Que nhaca aquilo. Nojo!
    Quando você sai à rua percebe que há uma crise econômica instalada. O Liminha fechou, o vestibular de inverno das instituições particulares mostra que o momento é preocupante, e as pequenas empresas estão sofrendo para se manter porque não tinham gordura para queimar.
    O que tem isso a ver com os cabelos espalhados pela casa? Nada. Tem a ver que essa crise econômica nacional não é econômica, ela é uma crise política. Lamentável é o fato de que hoje todos pagam a conta: quem trabalha, quem emprega e até os bons políticos. É uma conta alta de mais a ser paga por todos em nome de algumas dúzias de salafrários.
    Tem que fazer com eles, os salafrários, o que fazemos com cabelos: varrer ou sugar e jogar em um lixo, em sacola bem fechada. A cabeleira que vemos nos cantos é o nosso cenário político brasileiro atual; por mais que a gente pensa que limpou, eles (os cabelos) logo estarão ali “estuprando” nossos olhos.
    Não há meio-termo! Parece-me lógico que para não termos cabelos pelo chão, “emporcalhando” a casa, é preciso raspar a cabeça, zerar. Corte total.
    Copiaram? Entenderam?
    Sem reeleição...
    Não vote em ninguém que esteja em cargo político nas esferas do Estado ou Brasil. Zere. Precisamos zerar, limpar, deixar a casa a ponto de não olharmos com nojo para ela.
    E os bons? Que paguem o preço da omissão, o preço do silêncio e de, no mínimo, compactuar com os esquemas de poder que criaram esse monstro que envergonha os brasileiros perante o mundo.
    Alguém dirá que de nada adianta, que os cabelos crescem e tende a começar a sujeira novamente. Sim, isso é o ciclo, infelizmente. Mas aí, nesse tempo de casa limpa, a gente se acostuma com o cenário agradável, de modo que, se sujar, a gente limpa de novo. Zera outra vez!
    É isso, porque o povo está “careca” de tanto esperar honestidade desse bando de saqueadores.

     

  • sexta-feira, 16 de junho de 2017 09:15

    O lado chato do pastel

    Todo pastel sempre tem um lado chato, um lado plano. É
    o lado que estava espremido (oprimido) contra a base, batido contra a mesa ou o balcão durante a sua feitura. Eu sou o lado achatado do pastel.
    Em geral quando você come um pastel fora de casa, em alguma lancheria, não perceberá que pastel tem lado. É porque ele foi frito em elevada temperatura e inchou. Assim, parece que os dois lados são iguais.
    E ali, na pastelaria, entre tantos trajes diferentes, você também parece igual a todos. Mas não é.
    Você perceberá o lado chato do pastel se colocá-lo para assar, no forno. Esse ato de assar, devagarito, manterá o lado chato oprimido. Eu sou o lado chato do pastel.
    Eu sou o brasileiro, vítima de sistema corrupto, nojento, desse TSE de Gilmar Mendes, vítima do PT, PMDB e PSDB e outros Pês que roubaram bilhões e se aglutinam para seguir o saque. Eles são pastel feito em óleo quente, que incham rápido e pingam gordura. Esses são iguais.
    Parecemos iguais, mas não somos. E meu pensamento é bem mais saudável que o deles. E você?

  • segunda-feira, 12 de junho de 2017 08:31

    Dias de chuva

    ADona Mara publicou uma foto dela na cozinha a fazer calçavirada. Bah! Atiçou todas as memórias. Acho que dias de chuva são para alimentar saudade.
    Entre trabalho, muito trabalho, tento não pensar nas calças-viradas. Leio notícias do julgamento da chapa Dilma/Temer a temer que salvem eles. Eu e o Sávio damos mais alguns passos no livro da professora Ana Maria. Vou lá fora, no chuvão, tratar os bezerros e volteio no pátio.
    Dias de chuva são para fechar a casa e abrir o Facebook. Ali o fulano e a fulana reclamam a beça dos buracos na rua xis, outro posta fotos da rua ipselone, um terceiro reclama que os buracos fechados no sábado reabriram na segunda-feira, e outro vai mostrar o atoleiro do lajeado tal. Para tudo que eu quero descer desse trem!!!!! Está chovendo e eu só penso nas calças-viradas.
    Dias de chuva são para ficar mais lerdo, descascando bergamota sob o copado de um galpão e olhar os animais que dormem... e dormem... e quando estão acordados ficam inquietos, aborrecidos com tanto aguaceiro. E nós? Inquietos também? Não. O tamborilar da água é para acalmar...
    Os dias de chuva são especiais. Precisam ser aceitos como tais. Não dá para vivê-los como se estivéssemos a 30 graus de calor em céu azul. Dias de chuva são para nos lembrar que a velocidade pode não levar a cruzar a ponte, que talvez nem exista mais.
    Dias assim são para lembrar os bolinhos de chuva da infância, aqueles que mergulhávamos em açúcar (antes de falarem em diabetes). Dias de comer pipocas com melado, ou tomar mate doce ou com leite quente para acostumar as crianças ao amargo que nos dá a estampa crioula.
    Tudo isso vivi no meu Salgado Filho de piá. Dias assim eram de “festa” para o piazedo, dia de caçar ratos no galpão, dia de separar palha de milho para os colchões. E pro meu pai era dia de fazer cestos de taquaras ou trançar palha para as cadeiras de madeira.
    Chove faz dias. Eu me aborreço com as estradas que se foram, com as coisas que não consigo fazer, com a roupa secando atrás da geladeira. Sim, sou tal qual cada um de vocês.
    Mas em dias assim basta uma calça-virada para voltar ao tempo do “êpa”. Hoje em dias de chuva faço versos para tecer cestos de metáforas por onde escoará toda a água e ficará retido apenas o essencial.

     

  • sexta-feira, 26 de maio de 2017 08:49

    Uma crônica sobre a vida

    O Tuy volta e meia pede que eu escreva mais sobre a vida e suas nuances, que deixe de lado os temas políticos, que me aventure para dentro da selva que há em nós. Então, hoje é um bom dia para isso.

    Chove lá fora. Muito. Meus cães dormem enfastiados. Um sabiá laranjeira se esconde no taquaral. O Rio das Antas ruge cerro a baixo quase a sair da caixa. Tudo é poético. Só me falta grana para pagar as contas e para iniciar um ousado projeto cultural no Galpão das Letras.

    Hoje é um bom dia para escrever sobre a vida. Ou sobre as angústias. Acabo de receber um WhatsApp de meu irmão que lamenta a morte de seu cunhado de apenas 28 anos. Poxa, 28! Súbito assim como a morte, toda a beleza que vejo pela janela também desapareceu.

    As nuvens do céu baixam ao meu eu. O temporal muda de lugar.

    Em que momento tudo perdeu o sentido?

    Em que momento tudo em nossas vidas passou a valer o quanto podemos ganhar financeiramente, comprar e usufruir?

    Em que momentos aceleramos tanto que estar devagar se tornou ato criminoso?

    A Europa e o mundo estão apavorados com a depressão, com o isolamento e com a ausência ou falência dos sonhos entre os jovens que nem mais querem casar e ter filhos. Não é o capitalismo, não é o socialismo... É o vazio.

    Não há mais tempo para os amigos. Não há mais espaço para o lazer diário, o nosso momento se tornou o lazer do domingo - que são apenas 52 no ano. E os nossos vazios os preenchemos com celulares e a TV a cabo ou gatonet.

    Então, o choque vem quando perdemos alguém próximo, quando alguém parte para a eternidade e sentimos não a ausência, mas sentimos a nossa morte estando vivos.

    A morte de não fazer, a morte de não viver, a morte de estar sem tempo para curtir a essência porque todo o tempo é correr atrás da carreira e dos lugares mais elevados nas escadas.

    A mãe da minha aluna partiu aos 36 anos, na semana passada. O cunhado do meu irmão partiu aos 28 nesta semana. Já faz tempo que passei dessas esquinas nos caminhos da vida.

    E sempre penso que pode ser amanhã, que o próximo livro pode esperar mais algum tempo, que o melhor romance ficará para quando eu me aposentar e puder dedicar meses somente à escrita...

    Tudo pode esperar, menos o café com o Tuy, a galinhada com o Sávio e a caminhada com o Thor e a Mel.