• segunda-feira, 6 de junho de 2016 08:27

    O Zelindo e o que fazemos na Noroeste

    O Zelindo não cabia em si na semana passada, tal o contentamento por figurar na pesquisa Top Of Mind, da Revista Amanhã. Eis algo a comemorar, de fato.

    A Top Of Mind é uma pesquisa séria, realizada anualmente, com indicativos estaduais em vários segmentos. De certa forma, faz uma radiografia do Rio Grande do Sul. Ao contrário de algumas centenas de prêmios que caçam níqueis junto a empresários e lideranças, esta acrescenta ao currículo. Registro isso, não para o Zé se gabolear, mas para contextualizar o leitor.

    Parabéns ao Zelindo! São décadas labutando na imprensa, consolidando um estilo que, concordemos ou não, tem encontrado eco na comunidade e junto aos patrocinadores. Não basta ter o horário nobre na mão, como tem, é preciso fazer com que produza um efeito social. E ele, o apresentador, produz. É ouvido, amado e odiado quase com a mesma intensidade.

    Uma pesquisa destas repercute em nós, na Noroeste e seus trabalhadores, porque o resultado nos diz que a comunidade: primeiro, ainda ouve rádio, e, segundo, ouve a Noroeste. Em tese, contar um fato pro Dias, pro Zelindo, pro Jairo, pro Face ou site do Jornal, produz efeito. Então, parabéns a todos nós que fazemos parte da Noroeste/Guaíra (EJN) em seus diversos ramos, pois os ramos fortalecem os galhos e, estes, o tronco.

    Eu não faço rádio como o Zelindo, tampouco como o Jairo, mas todos o fazemos porque acreditamos em algo maior que o jornalismo ou o retorno financeiro, fazemos por acreditar que é possível lutar por algo melhor como legado aos nossos filhos. Ao nosso modo, tentamos entender que tipo de rádio o povo quer para representá-lo e, claro, conectar esse sentimento com o rádio que a sociedade precisa.

    Veio o advento das mídias sociais, do Face, do Whatts, dos sites que oferecem múltiplas opções, e as emissoras de rádio também foram obrigadas a se reciclar, se modernizar. O veículo rádio é vital. A pesquisa que colocou o Zelindo na lista das estrelas do rádio gaúcho também diz, nas entrelinhas, que a Empresa Noroeste faz a diferença na sociedade, é ponto de referência.

    Por quê? Porque não é a denúncia da moça na rede social que vai mudar a situação, salvo raras exceções. Ela quer criar o eco, mas sozinha não consegue. Para isso dará as linhas do fato, as coordenadas e alimentará as redes sociais, e o jornalismo da Noroeste segue as pegadas para soltar o grito... Somente depois virá o eco. E o eco transforma.

    A cidade que todos queremos e merecemos, aquele calçamento da Rua Limoeiro (finalmente executado), o medicamento no posto de saúde, a Ponte no Bela Vista, tudo isso também se constrói com a credibilidade do jornalismo, com o auxílio de uma imprensa que denuncia, não para achincalhar, mas para buscar solução a quem dela precisa. Ainda é a imprensa forte que nos impele para além das amenidades, para além da vida insossa e dos programas de TV que transformam todos em imbecis (ou zumbis, que estão muito em voga no cinema).

    Antes que mergulhemos completamente no ostracismo, no egoísmo de nossas vontades pessoais e contas bancárias gordas, devemos lutar até as últimas forças por algo melhor. Por isso faço rádio, para que o eco retumbe!

  • sexta-feira, 27 de maio de 2016 11:13

    Pelo que você vive?

    Filosofo, talvez porque os dias sejam frios e as bergamotas estão no ponto, ou porque na “Ascensão do Senhor” pensemos na morte e na vida obrigatoriamente.

    Eu, como tantos outros, me pergunto: por que um homem como Alcides Vicini, do alto de seus 70 anos, com quatro mandatos de prefeito e sem mais nada a provar, concorrerá outra vez? O que faz um indivíduo desejar administrar todos os “pepinos” de uma cidade, 2 mil servidores e uma infindável romaria de “parceiros” políticos?

    Certamente não é o salário de R$ 18 mil, afinal, já fez seu pé de meia nestas décadas de trabalho. Nem a influência política, pois não precisa mais dela. Nos bastidores, é dado como certo que concorrerá. Por quê? Talvez a resposta esteja na pergunta que dá título a essa crônica: “pelo que você vive?”

    Em geral, as pessoas dizem “eu morreria por isso”. Ah, eu morreria por um filho, eu morreria pela minha mãe, etc. É a visão que nos vêm impressa pelo cristianismo, o Cristo a morrer por nós. No entanto, a questão que eu pretendia propor é outra: pelo que você vive?

    Não é um papo religioso. É uma linha de raciocínio acerca daquilo que dá alegria, que empresta cores ao nosso dia a dia. Eu morreria por algumas pessoas, acho, mas só algumas. Então, pelo que eu vivo? Talvez eu viva por essas pessoas! É muito, e também pouco, porque somos individuais e egoístas, queremos a chispa da história, da permanência, da lembrança.

    Vivemos por isso. A vida passa, ou passamos nós e, com algum esforço, teremos deixado dinheiro aos nossos filhos e uma condição melhor que a nossa inicial. Não basta! Queremos deixar a história, permanecermos depois de partir, figurar nas lembranças. Posteridade!

    Eu não o conheço, mas duvido que o Valdir Carpenedo viva pela fortuna que poderá agregar e, posteriormente, legar aos herdeiros. Certamente há motivos diversos, maiores, a começar por inscrever seu nome na história do Município e do Estado na lista entre os maiores visionários empreendedores. Isso faz um homem viver! Não penso em Virgílio Lunardi como um homem rico, mas como o cidadão que gerou energia elétrica em uma usina construída no Rio Pessegueiro. Isso permaneceu!

    Por que o Vicini concorrerá a um quinto mandato de prefeito? Poderia gozar merecidas férias, viajar, ser oráculo político, banhar-se em águas límpidas. Uns dirão que ele vive por Santa Rosa, que a cidade pulsa em suas veias. Uns dirão, o carinho e a popularidade fazem-no viver. Eu, no entanto, creio que ele vive pela própria vida, para manter em si essa vitalidade e deixar seu nome impresso de tal forma na história que jamais poderá ser ofuscado por estrelas que virão depois.

    E nessa lógica, do que se apaga, creio, mas apenas creio, que o PT não morreu. Há de se depurar a partir dos genuínos petistas, agarrar-se às bandeiras históricas e lutas de origem, sem casamentos espúrios. A Dilma “morreu” pelo PT. Creio que os “petistas de verdade” viverão pelo partido e até mesmo pela própria história, do contrário serão riscados dela.

  • sábado, 21 de maio de 2016 10:10

    A nova esperança

    Havia quatro pessoas no debate na Rádio Noroeste no sábado, todos ligados a entidades empresariais da cidade e região. É inegável que Temer guindado à presidência provocou, aí, uma onda de esperança.

    Mas, que esperança é essa?

    Apenas, que o Brasil volte a avançar, pois a inércia está alojada há mais de ano e meio em todos os setores da economia. Esse é o principal incômodo, associado não às pedaladas fiscais, mas aos escândalos de corrupção que vieram à tona nos últimos anos.

    Anotei, para revisões futuras, a frase do Aléssio: “se esse governo não fizer o dever de casa, iremos às ruas outra vez”.

    Percebo esse clima novo, esperançoso. Confesso, ele me alegra, afinal, o sonho de qualquer pai é acordar sabendo que os filhos viverão em um Brasil de mesa farta e boas refeições. Então, vou apimentar um pouco!

    A nova esperança é acabar com os desvios, roubos e a corrupção no Brasil, de modo que a Sérgio Moro sugere-se estátua em local de destaque em território nacional. É primor, então, varrer a casa outra vez, afinal o “Homem” levou ao Planalto ministros investigados na Lava-jato. E tem em sua base de apoio no parlamento figuras mais lisas que sabonete...

    A nova esperança é por um Estado mais enxuto e prático, que corta ministérios e 4 mil cargos de confiança. Precisava sangrar logo a cultura? Fica a ideia que não se deseja que as pessoas aprendam a pensar.

    A nova esperança tem quatro ou cinco boas mancadas em dois dias de governo, quando teve meses (sim, meses) para pensar em nomes e medidas que transmitissem segurança. Assim, dá a impressão que não sabe exatamente para onde irá.

    A nova esperança é um País com menos impostos, muito embora não tenham combinado com o “Homem” que sonha com a volta da CPMF.

    A nova esperança fala em reforma da Previdência sob clara pressão das centrais sindicais e cita um rombo da previdência é de R$ 81 milhões nesse ano.

    PONTO AQUI... A Associação Nacional dos Auditores-Fiscais da Previdência (Anfip), sindicato da tropa fiscalizadora do pagamento das contribuições patronais, calcula que a sonegação desvia de 30% a 50% da arrecadação do INSS. E que se o Brasil fechasse às portas à sonegação, roubos e desvios praticamente zeraria o déficit, incluindo também combate à informalidade.

    A nova esperança tem velhas caras, receitas carimbadas e um estranho casamento com aliados que há pouco se divorciaram, cheios de sorrisos plásticos e joviais como quem desposou uma jovem impoluta.

    Quanto aos empresários da região, a nova esperança é com o Ministro Osmar Terra, a somar com Moreira Franco e Eliseu Padilha, dentre outros que podem alavancar projetos eternamente engavetados como a ponte internacional, o aeroporto e a usina hidrelétrica.

    Que essa nova ESPERANÇA brasileira não vá perdendo sílabas na caminhada, que não se torne ESPERA.

  • sexta-feira, 13 de maio de 2016 17:41

    A partir de hoje

    A partir de hoje o Brasil não tem mais problemas, estão todos resolvidos! A festa popular é a maior que vi em décadas. É de comoção nacional.
    Noutro dia estava eu em um cruzamento da cidade, à espera do sinal abrir, quando, em direção paralela, um famoso advogado local cruzou o sinal fechado com sua bela camionete. Infrator impune. Show de bola. Essa é a demagogia de hoje. Amanhã ele bradará em favor do direito e de punição aos infratores e corruptos. Passar no sinal vermelho é assaltar um banco! Ou nós brasileiros entendemos isso e cobramos desta forma ou continuaremos mergulhados na fossa em que estamos.
    Não há como crer na seriedade de um Senado em que Fernando Collor e Renan Calheiros são arautos da moralidade. Não há como crer que haverá um Brasil diferente quando a maioria dos brasileiros elege o PT e o PMDB para governar, em um não ao PSDB. E, no ajeitar das melancias, o PMDB chuta o PT e dá lugar a quem? Ao PSDB! É desta forma que riem dos brasileiros aqueles que assumem o governo a partir de hoje.
    Ufa, estamos livres da Dilma e de todo o aparato petista! A partir de hoje acabaram nossos problemas econômicos, o desemprego e a inflação. Também não teremos mais profissionais médicos de planos de saúde a vender receitas para que clientes possam buscar gratuitamente nos postos do SUS a vacina contra a gripe. Ah, isso aconteceu no moralista e corretíssimo Rio Grande do Sul!
    Sou um desesperançado há muito tempo. Inclusive porque, como quase todos os brasileiros, espera que o moralista PT (dos discursos) acabasse com as velhas raposas que se fartavam há décadas com as uvas brasileiras. Bem feito, o partido acabou comido pelas próprias raposas.
    Esse dia talvez entre para a história como o “Dia do Eu Vou”. Porém, com o mesmo sentimento que imperou no “Dia do Fico”, aquele em que Dom Pedro I, para a felicidade geral da nação, deu voz aos clamores dos senhores de escravos, donos de minas e plantações de cana que não mais conseguiam pagar pesados impostos à coroa portuguesa.
    Vai mudar, de fato, o quê?
    Os países desenvolvidos apontam o Brasil como um dos mais burocráticos do mundo, alertando que isso é entrave para o nosso desenvolvimento... E um empresário metalúrgico me conta que para cada item novo que coloca na mão de um fornecedor terá de preencher 19 processos administrativos.
    Os governantes vão mudar esse cenário de exageros de papelada? Vão enxugar a máquina pública? Proporão um Estado prático e eficaz? Trabalharão para coibir desvios de verbas públicas? Terão moral para derrubar parlamentares envolvidos em crimes de corrupção, como o próprio Collor?
    Não, meus amigos não teremos um Brasil novo a partir de hoje. Não teremos um SUS melhor ou mais segurança pública! Teremos medidas populistas, como cortar alguns ministérios ou ajustar a economia. Nada mais! Por ora, o jogo é o mesmo, distribuir favores aos grandes partidos em troca de apoio. É repetir o filme que o PT exibiu, é jogar para o Congresso e o Senado.
    Nada espero da política atual, salvo se as pessoas compreenderem a importância do voto e elegerem prefeitos e vereadores sérios no pleito de outubro. Essa é a mudança que espero! Ou talvez sejamos (como somos hoje) salvos pelo judiciário. Talvez... Desde que consigamos entender que violar um sinal vermelho no semáforo é assaltar um banco, e ponto final!