• quinta-feira, 24 de março de 2016 16:27

    É Páscoa! Não se horrorize com Bruxelas!

    É Páscoa, eu quero meu chocolate! Quero algo mais leve que a volta da inflação, impeachment e as jateadas. Quero uma semana de Cristo, uma só.

    Não dá, né? Não dá porque acessamos Face, Whatts e páginas a toda hora. Abra qualquer site de notícias do Brasil, e provavelmente do mundo, e verá manchetes e mais manchetes sobre os atentados no coração da Bélgica e seus 31 mortos. Eu, porém, peço: É Páscoa! Não se horrorize com Bruxelas!

    É Páscoa, tente aliviar o coração com coisas leves, como o coelhinho e os ovos de chocolate. Porque de Jesus quase ninguém fala mais, a menos que queira dizer “me tiraram para Cristo”, provavelmente sem entender o martírio Dele. Afora ofertas e mais ofertas, o que vi da Páscoa até agora foram indígenas a vender macela e os comerciantes preocupados com a retração nas vendas.

    É Páscoa! Não se horrorize com Bruxelas! Nós temos os nossos bandidos também. Claro, eles não explodem bombas, apenas implodem o País e mandam pros ares o pouco de progresso que tínhamos.

    Buuuuummmmm!

    Por que tamanha repercussão mundial com a violência na Bélgica? Por que foi na Europa? Sim! E também porque quem faz a grande mídia vê os fatos abrigado em belos e majestosos prédios nas maiores cidades do Planeta, na cômoda e segura paz que o dinheiro pode comprar. E de lá, vende o que quer. Credo, que horror aquilo lá na Europa! Três páginas no ZH de hoje (quarta) e mais a capa. Que horror!

    Sabe quantas pessoas são assassinadas, todos os dias, no Rio Grande do Sul, aquele estado paradisíaco do Brasil? Chuta! Apenas 6. TODOS os dias! Nós, os gaúchos, contamos, em média, 31 mortos de forma violenta a cada cinco dias (sem contar um número igual em acidentes de trânsito). Ou seja, em uma semana morrem mais rio-grandenses do que aquelas infelizes vítimas no atentado de terça-feira. Não se horrorize por Bruxelas, se horrorize pelo Brasil Grande do Sul.

    Em apenas uma década o Rio Grande Amado do Sul teve alta de 70% no índice de assassinatos. Estamos em um dos dois estados da Nação que não conseguiram diminuir a violência. Somente no ano passado 2.226 pessoas foram exterminadas na onda de crimes que não existe, segundo nosso excelentíssimo governador.

    Quer mais para adoçar a Páscoa? O Brasil contou 60.000 assassinatos em 2014 (apenas 19 crimes por dia).

    Mas é Páscoa! Não se horrorize com Bruxelas! Nem com a violência que se entranhou no homem que deixou de amar a vida.

  • sábado, 19 de março de 2016 10:27

    Nós precisamos do Brasil

    Pretendia escrever sobre os protestos domingueiros, fazer uma leitura singular. Mas ocorreram tantos desdobramentos durante a semana que as manifestações do domingo ficaram no século passado.

    Não lembro ter visto um tempo tão turbulento em minhas quatro décadas de vida. Há um pouco de tudo nesse mar de lama, de crise política à crise econômica. E quem mais perde? O brasileiro.

    Até agora, o Brasil até suportou razoavelmente bem este ano e meio de agitações, embora todos digam que estamos quebrados, falidos. Porém, ainda estamos, economicamente, em pé. E imaginamos que é possível colocar esse gigante no seu rumo outra vez em um ano ou dois, porém, não se constroi nada em meio à guerra. E o que temos no País é uma “guerra”.

    Há muito vemos o Brasil perdido, atolado nesse lamaçal das roubalheiras políticas, que começaram nos propinodutos tucanos e tiveram seu auge, e que auge, nos dias petistas à frente da Petrobrás. O País está agitado, está tomado de sentimento pátrio como poucas vezes esteve, sim, mas também está parado. E parado em economia, com o dólar indo às alturas, significa afundar logo adiante.

    E não queremos que o Brasil se transforme em uma nova Venezuela, rica em petróleo e pobre a ponto de não ter papel higiênico para vender nos mercados.

    Não queremos que se transforme em uma nova Cuba que exporta médicos e impede seus cidadãos de irem além da ilha porque podem conhecer as maravilhas do mundo.

    Ou mergulhe em uma movimentação de forças com bandeiras antagônicas e que logo serão usadas como tacapes.

    Queremos o Brasil que é Brasil, que é nosso, multicultural e rico, visto com esperança pela humanidade porque ainda temos minérios, água e terra fértil em abundância.

    Os políticos que mergulharam o País nesse caos não precisam do Brasil, eles têm seus cofres cheios. Nós precisamos do Brasil porque não temos dinheiro para comprar passagens para “passar” algum tempo nos States ou nas praias caribenhas.

    Nós, os brasileiros, precisamos do Brasil, por isso é hora de desembarcarem todos aqueles que não o deixam seguir seu curso. Depois de tudo posto no cenário nacional, sim, o PT e Lula precisam deixar o poder central.

    Pelo bem do brasileiro! Porque não queremos uma convulsão social que se transforme em quebradeira e algo incontrolável. Porque tal como está serão mais três anos de horror. Porque não há mais esperança de melhora.

    Sim, também deveriam descer do Palácio o Temer, o Renan, o Cunha, o Sarney e tantos outros que lá estão. Inclusive os PP e outros Ps denunciados na primeira etapa da Operação Lava-Jato. E outros Malufes. Depois é com o povo. Haverá nova eleição logo adiante, e se for vontade do povo os que saírem pela porta da frente poderão voltar ao poder. É assim em qualquer democracia. E por enquanto, por enquanto, ainda a temos, a democracia.

  • sábado, 12 de março de 2016 08:49

    Não há mais jovens?

    Onde estão os jovens de outrora, aqueles que marchavam nas ruas exibindo cartazes? Não há mais jovens? Não há mais sangue nas veias? Não há mais pelo que lutar?

    As respostas a estas perguntas ajudariam a entender melhor este Brasil sacudido pelos fatos destes dois últimos anos. O silêncio dos jovens constrange, porque eles não estão apenas dizendo “xô política podre”, eles estão dizendo “nada importa”.

    A geração cresceu sem a ameaça do mango da ditadura, sem inimigos e com todas as liberdades, menos a liberação da maconha. O sexo é livre, votar se pode aos 16, assumir a condição sexual é menos traumático e quase todas as tolices caíram por terra. Ficou mais fácil ser jovem. E veio o ostracismo.

    O dinheiro não está mais ausente, o emprego nem tão complicado, não se precisa trabalhar aos 12 anos (como eu fiz), nem juntar cada centavo para pagar uma faculdade que mal garantia acesso ao Magistério. Ficou mais fácil ser jovem! A geração não precisou empunhar bandeiras, não precisou confeccionar cartazes, e quando o fez foi para exigir direito a usar o short curto.

    Penso nos jovens, porque vejo o chamado às massas para o movimento do domingo e lá estão os veteranos de outras batalhas. E alguns filhos deles. Acompanho a mobilização pelas redes sociais e percebo que todos os envolvidos estão na minha idade ou mais, os contra e os a favor do Fora 13. Há um vazio de uma geração inteira.

    Aos jovens, parece que não importa quem vai governar o País, quem estará no poder para fatiar o Brasil depois do PT. Os jovens têm o Face, o Instagram, o Whatts. Os jovens têm os youtubers para diversão e pais que pagam suas contas. Os jovens dormem em berço esplêndido como nunca dormiram antes. E tudo o mais não importa.

    E no final dessa leitura estamos nós, habituados à Regra do Jogo. As pessoas querem apenas viver em paz. As pessoas querem casa, TV e a comida para o mês. E um pouco de alegria. Por isso ainda vibram tanto com os times de futebol! As pessoas querem sossego e algo para se sentir bem. E é paz a palavra que não existe mais no dicionário de nenhum brasileiro há mais de um ano.

    Ah, sim, os jovens deveriam estar nas ruas no domingo, contra ou a favor do movimento. Deveriam estar para não sair de seus quartos daqui a 10 anos sem entender o que aconteceu. Deveriam estar no movimento para encerrar essa batalha que vem desde o início dos anos 90. Deveriam estar na rua para determinar a vitória, independente do lado que escolherem.

    Não sei se o governo cairá, se o PT se reerguerá ou se vão ser milhares de pessoas nas ruas no domingo. Sei é que eu sou brasileiro e quero paz.

  • sexta-feira, 4 de março de 2016 15:02

    O shortinho que realmente importa

    A discussão dos últimos dias foi o tamanho do shortinho das meninas do Colégio Anchieta. Eu li pelo menos 10 artigos sobre isso em dois dias em nossos jornais e sites. Será que nada mais há a discutir?

    Um passo para trás, vou puxar apenas três informações extraídas dos debates que promovo aos sábados de manhã na Rádio Noroeste.

    Faltam 13 bombeiros para o quartel de Santa Rosa, ou seja, falta um terço do efetivo. É óbvio que o trabalho vai atrasar em algum setor.

    Faltam 40% dos soldados ao efetivo da Brigada Militar no Município. E não é exceção no Estado. É regra! É evidente que teremos violência em alta.

    Dito pelo comandante da Brigada Ambiental: Entram agrotóxicos de uso proibido em nossa região. Crime duplo: contrabando e uso indevido.

    E você pensa em discutir o shortinho?

    No Noroeste Debate do último sábado trouxemos dados sobre o uso de agrotóxicos no Brasil. Vou traduzir o que se extrai da prosa: O Brasil é, atualmente, o país que mais usa agrotóxicos em todo o planeta. Porém, o Estado campeão é o Rio Grande do Sul. E, no território sulino, quem ocupa o topo do ranking? A região Noroeste. Ou seja, aqui somos campeões entre os campeões mundiais em uso de venenos na produção agrícola.

    Não se convenceu? Pois vou escrever de outra forma: produção agrícola significa cultivo de alimentos (soja, milho, trigo). Uma safra de soja leva 5 (cinco, five) aplicações de inseticidas, secantes e tais. Meus vizinhos fazem três safras ao ano. Então teremos 15 (isso mesmo, 15) aplicações por ano de produtos químicos. É mais de uma aplicação por mês. Acha isso razoável, amigo leitor?

    Então, aquele se sempre me joga pedras dirá: mas é necessário. Não é não. Em Giruá agricultores conseguem produzir com uma aplicação química apenas. Ah, sim, mas é na soja e no milho, e a gente não come isso... É verdade! A gente só usa o azeite de soja, come carne de bois, vacas e galinhas criadas com rações ricamente industrializadas com soja e milho.

    Clairto, tu és um mala! Sou sim. Os agricultores da região estão usando secante para acelerar o amadurecimento da soja, do trigo e do milho. Assim ganham uns 15 dias no ciclo final e podem fazer mais uma safra. Mata a planta, seca o grão. E aí, nada fica na semente?

    Vai ver que é coincidência que esta é a região no Brasil que mais usa venenos nas lavouras e está no topo nacional dos casos de câncer! Têm estudiosos da saúde pesquisando a relação neurológica entre casos de suicídio e uso de agrotóxicos em nossa microrregião...

    Por que discutir o shortinho? Porque precisamos encobrir os problemas reais, e nada melhor que uma maquiagem bem feita (ou um shortinho bem curto) para conseguir o resultado perfeito.

    Eu quero discutir o tamanho do shortinho, assim não preciso debater a coleta do lixo em Santa Rosa, como faremos no programa deste sábado.