• segunda-feira, 13 de novembro de 2017 07:37

    Uma provocação a mais

    Quando escrevo que a dita “força política” de Santa Rosa é ficcional, chovem críticas e contestações ao meu rompante. Não é minha intenção provocar nenhum parlamentar, assessor ou etc, mas há cravos que são incômodos!

    Os defensores da nossa força dirão que temos milhões de reais em emendas parlamentares a comemorar, investimentos constantes na saúde e outras áreas. Estão corretos! Porém, em pontos cruciais, dá a impressão que perdemos sempre.

    Meu calcanhar de Aquiles (que não é o Giovelli) voltou a ser Santo Ângelo. Há bem poucos anos festejávamos conquistas notórias, uma após a outra, além de possuirmos um destacado potencial industrial em vantagem. No entanto, nos embates mais recentes, as Missões levaram ampla vantagem.

    Santo Ângelo voltou ao centro do mapa e Santa Rosa se posiciona perifericamente, a espiar os avanços. Sequer entramos para valer na disputa para ter o centro de distribuição da Fruki, que foi para lá. Isso faz pouco tempo. Depois, o Alibem anunciou financiamentos volumosos para ampliar a sua estrutura. A proporção de investimento para a planta de abate missioneira, até onde sei, é goleada contra a nossa. E, como todo bom sujeito picado por escorpião, eu tenho medo que haja mais nesse bicho, que o vento mude completamente de direção... Se é que me entendem, nesse caso!

    Não faz muito que Santo Ângelo levou a fatia do investimento prevista para aeroportos, deu de relho em nós. Levaram a modernização, levaram os voos de linha, estão, literalmente, vendo tudo Azul. Pois, nesta semana o Cajar Nardes anunciou mais grana para a mesma obra. E, como regionalmente não há movimentação para dois aeroportos, esse foi! Perdemos!

    Para não dizer que não falei das flores, os tais deputados federais do Rio Grande do Sul, deram um golpe de misericórdia em nossos sonhos de construir a ponte internacional em Porto Mauá. Ah, só para constar, são os mesmos deputados que vêm aqui dizer que defendem a nossa região e levam os nossos votos. Não interessa que não existe projeto da ponte, que não tem nada encaminhado de fato. Essa obra tem tudo para sair do papel agora, até porque se tem coisa que o Grupo Temer sabe fazer é mover pauzinhos rapidamente.

    Então, se não é força política, o que eles têm a mais que nós? Talvez políticos de sangue mais renovado, gente que ainda têm motivos para perseguir alguma coisa?

    Ou talvez conseguiram, enfim, fazer o que os municípios da Grande Santa Rosa jamais conseguiram fazer: formaram um bloco que pensa igual, todos por todos. Aqui, por enquanto é Santa Rosa x Horizontina x Três de Maio x Santo Cristo. O casamento nesse caso é um divórcio por completa “desunião” total de bens e sonhos!

  • sábado, 8 de julho de 2017 10:06

    A galinhada e o cemitério

    Calma! As palavras do título são meros acasos para reportar aos assuntos da coluna e, na verdade, sequer dizem o teor desta.
    Abro a net e me deparo com uma enxurrada de notícias ruins. Quadrilhas e mais quadrilhas de todos os pês que nos assaltam quase impunes. Traficantes, PCC, pacotes dos governos, brigas nas escolas, etc e tal. Credo! Pare esse trem que eu quero descer!
    Percebo então que mergulhamos tão profundamente em nossos aparelhos celulares e redes sociais que nem sempre sabemos onde está a margem na qual encontraremos um galho para nos agarrarmos. Aos poucos, nos afogamos nesse rio caudaloso da net a ponto de esquecermos se lá fora chove ou faz frio. É bem mais simples olhar o visor do celular que abrir a janela!
    Aqui entra na prosa a galinhada na casa do Sávio. Pouco importa a fartura da mesa, a nossa sociedade na Editora ou os negócios pendentes. Importa é que tiramos algumas horas para conversar, rir, prosear sobre os cães, os filhos e coisas de outrora. Sem Tv, sem celular, sem papo cabeça de jornalista e advogado. A galinhada é o momento pausa para a família. Não há o que pague isso que acompanha a galinhada.
    Pensava nisso ontem, quando peguei meus cães e fui esperar a Dé no estradão. Há poucos meses a minha filha percebeu um cemitério velho, praticamente abandonado, na terra dos Fehlauer. Pois, aproveitei a caminhada para ver de perto aquele santuário esquecido no meio da lavoura. Agora alguém começou a cercar a área que nem acesso tem mais. Vi túmulos estragados, lápides que não podem mais ser lidas, coisas quebradas.
    Ali não está mais a morte. Eu não a vi. Eu vi a nossa pressa. Quem se importa em visitar um cemitério onde estão parentes que há muito partiram? Quem para a perguntar ao vazio o porquê das coisas? Eu percebi a mudança da estrada velha que passava ali perto, eu percebi o êxodo rural que ceifou as comunidades do interior, e percebi o vento cantando canção com as folhas do azevém para os finados.
    Estamos assim, cemitérios pálidos! Pequenos municípios da região convivem com altíssimos índices de depressão. Não é apenas efeito do agrotóxico. É o abandono de quem ficou. É a solidão de quem não se junta para uma galinhada descompromissada, uma canastra com risadas soltas ou uma roda de prosa ao redor de um fogão a lenha.
    A sociedade coletiva está adoentada há anos. Ganhamos mais, vivemos mais anos, sonhamos mais e compramos nossas sofisticadas ilhas-net onde construímos castelos.
    Aceleramos tanto que sequer percebemos os vazios em nossos dias, em nossas almas. E quando os percebemos eles já são buracos imensos. Então, já não há mais margem, não há mais o galho do sarandi ao qual se agarrar.
    Junte-se. Juntem-se. Pague a galinhada se for preciso. Vale a pena. E ria, nem que for das tragédias.

     

  • sexta-feira, 30 de junho de 2017 18:06

    Tenho que escrever sobre as notícias

    Escrevo ciente que me xingarão porque defendo os “bandidos”.Não que me importe com isso, porém me ofende a certeza de que há indivíduos potencialmente incapazes de ler o que realmente se esconde para além da camada rasteira das manchetes.
    O caso ocorreu há poucos dias. Massacre de pobres. No Brasil, claro. Que grande país é esse em que a TV mal noticia o assassinato de 10 posseiros (sem terras) em uma fazenda no Pará? E a mídia coloca o assunto à baila usando o termo “confronto armado deixa 10 mortos”.
    Não é uma coluna contra a polícia, até porque a respeito muito. É sobre aquele episódio. Dez mortos e nove armas recuperadas. Policiais contra MST? Para se perguntar: 10 corpos de posseiros perfurados à bala e nenhum ferido no lado dos policiais? Que confronto é esse? A OAB e o Ministério Público qualificaram como massacre.
    Toda a ação foi motivada porque queriam prender suspeitos de matar um segurança da fazenda.
    Não faz muitos dias nove agricultores sem terra foram chacinados porque um madeireiro (hoje foragido) queria as terras (griladas) para extrair toras.
    Até quando isso? Até quando a Justiça não será justa?
    Até quando os imbecis vão culpar o MST por tudo?
    Até quando os ‘doutores’ seguirão com seus discursos, repicados na mídia?
    O Brasil precisa ser justo, antes de mais nada. Ou nunca será nada!
    A questão é o certo e o errado. E nem me venham com essa de “depende de como se olha”.
    Agora é sobre a guria de São Luiz que sumiu em Porto Alegre num sábado, depois de avisar a família que regressaria naquele dia para o interior. Não embarcou. A mãe entrou em desespero. Celular desligado ou caixa postal. Dois ou três dias que a Polícia colocou o aparato para procurá-la.
    E no final, foi encontrada no hotel. Brigada com namorado... Não pensou na família? Não pesou as consequências? Quanto tempo da polícia desperdiçado, os custos disso. Quem paga?
    Os nossos jovens de hoje querem tudo... do seu jeito. O resto não importa... Um egoísmo que caminha para o vazio.
    A sociedade caminha para este vazio. Importa o que Eu quero e penso. Egoísmo que destrói.
    O caminho pede uma rótula, pede um retorno. Urgente! Voltar aos valores fundamentais, voltar a ter clara noção do que é certo ou errado, valorizar o que é bom.
    Isso me incomodou profundamente.

    P.S: Enquanto escrevia sobre fatos negativos perdi meu celular no centro da cidade. A dona Irís, da Morada do Sol, encontrou e me devolveu (sem cobrar nada). Ainda dá para acreditar nos humanos...

  • segunda-feira, 26 de junho de 2017 07:31

    Ou careca ou zerado

    É uma dessas crônicas estranhas, que começa pela incrível capacidade que os cabelos caídos têm de agrupar em chumaços nojentos quanto caídos pelo quarto ou no piso do banheiro. Que nhaca aquilo. Nojo!
    Quando você sai à rua percebe que há uma crise econômica instalada. O Liminha fechou, o vestibular de inverno das instituições particulares mostra que o momento é preocupante, e as pequenas empresas estão sofrendo para se manter porque não tinham gordura para queimar.
    O que tem isso a ver com os cabelos espalhados pela casa? Nada. Tem a ver que essa crise econômica nacional não é econômica, ela é uma crise política. Lamentável é o fato de que hoje todos pagam a conta: quem trabalha, quem emprega e até os bons políticos. É uma conta alta de mais a ser paga por todos em nome de algumas dúzias de salafrários.
    Tem que fazer com eles, os salafrários, o que fazemos com cabelos: varrer ou sugar e jogar em um lixo, em sacola bem fechada. A cabeleira que vemos nos cantos é o nosso cenário político brasileiro atual; por mais que a gente pensa que limpou, eles (os cabelos) logo estarão ali “estuprando” nossos olhos.
    Não há meio-termo! Parece-me lógico que para não termos cabelos pelo chão, “emporcalhando” a casa, é preciso raspar a cabeça, zerar. Corte total.
    Copiaram? Entenderam?
    Sem reeleição...
    Não vote em ninguém que esteja em cargo político nas esferas do Estado ou Brasil. Zere. Precisamos zerar, limpar, deixar a casa a ponto de não olharmos com nojo para ela.
    E os bons? Que paguem o preço da omissão, o preço do silêncio e de, no mínimo, compactuar com os esquemas de poder que criaram esse monstro que envergonha os brasileiros perante o mundo.
    Alguém dirá que de nada adianta, que os cabelos crescem e tende a começar a sujeira novamente. Sim, isso é o ciclo, infelizmente. Mas aí, nesse tempo de casa limpa, a gente se acostuma com o cenário agradável, de modo que, se sujar, a gente limpa de novo. Zera outra vez!
    É isso, porque o povo está “careca” de tanto esperar honestidade desse bando de saqueadores.