• sábado, 6 de maio de 2017 11:24

    Pequenas grandes coisas

    Pequenas leituras dos últimos dias. Leituras de fatos. Tipo greve geral, ministros em Santo Ângelo e Feira do Livro. Estava
    na Feira do Livro, evento que vivo com meses de antecedência, de modo que pouco consegui acompanhar dos noticiários regionais e nacionais na semana que passou.
    Conversei com ativistas do movimento sindical às portas dos bancos, no entanto, afora isso, pouco da greve geral chegou até mim. Quem esteve nela assegura que foi muito exitosa. Opostos dizem que fracassou. Sinceramente, eu pouco esperava em termos de mobilização. Por quê? Porque tinha a chancela das centrais sindicais de trabalhadores, e por isso foi denegrida e desconstruída por boa parte da imprensa e por todos os grupos contrários ao PT e às centrais. E será assim se chamarem outras paralisações.
    Hoje, no cenário nacional, creio que somente um novo movimento genuíno, tipo aquele de 2013, nascido fora do MBL e das centrais, poderá impactar nas condutas do Governo Federal e mudar o quadro. Nada li na imprensa estadual ou nacional a respeito do protesto que recebeu ministros de Estado na abertura da Fenamilho, no final de semana.
    O vídeo postado no Facebook é bem assustador. Podem alguns dizer que foram uns poucos agitadores, que são sindicalistas ou alinhados com a oposição ao Governo, mas não se pode dizer que o fato deixa de ser preocupante. Há meses era pedra cantada que esse tipo de agressão/pressão aconteceria em relação aos políticos do Brasil. O novo governo nacional é velho em tudo, não caiu nas graças da população e granjeia alianças cada vez menos inocentes. Dá nisso! Certo é que a nação não merece tanta gente corrupta em posições de destaque, como também é certo que os brasileiros não querem uma nova Venezuela.
    Os brasileiros querem um país que lhes dê esperança! Por que o Governo não compreende isso? Esperança. Para tê-la carecemos de educação, segurança, trabalho e não morrer trabalhando. Há muitas notícias boas ao nosso redor, vou listar algumas do meu alcance, a começar pela Feira do Livro. Foi muito boa. Está de volta ao seu esplendor. Claro que há observações cá e lá, no entanto, somente dobrar a área de acolhida na área externa já muda todo o cenário. Houve espaço para convivência, e houve a convivência. Ela não se fez presente no ano passado. Então, é preciso elogiar sim os organizadores, do setor público e os voluntários.
    Os advogados Paulo Madeira e Aquiles Giovelli nos deram uma lição de como é possível caminhar das diferenças políticas para chegar à amizade. Fantástica figura o patrono professor Arnildo Rockenbach, orador dos mais elevados. Felicidade ver o ex-prefeito Anacleto gozando de saúde. As atividades noturnas da Feira foram de altíssimo nível. E daria para escrever umas cinco crônicas agradáveis desses quatro dias de evento. P.S. Aquela van dos ministros em Santo Ângelo, em seu sacolejar, parecia transitar em nossas estradas do interior.

  • sexta-feira, 28 de abril de 2017 17:04

    Uma cidade de grandes marcas

    Em semana de Feira do Livro julguei oportuno refletirmos sobre as marcas que vendem Santa Rosa para além das fronteiras do município. Por quê? Para chamar atenção à cultura...

    Qual é a nossa maior marca? Como sou natural de Salgado Filho, quando a gente perguntava lá era fácil: Chás Prenda (que hoje está em Nova Candelária). Aqui, em terra com 70 mil habitantes e de enormes riquezas, se torna um tanto mais dificultosa essa escolha. Musicanto, Fenasoja, Hortigranjeiros, Oktoberfest, Xuxa ou Taffarel?

    Cada um, certamente, tem uma resposta diferente à pergunta inicial, que varia do viés político, econômico e até social em que se encontra. Dá ainda para enveredar a outras áreas, citar personalidades atuais como Terra e Vicini (quase naturalizados), ou empresas como a CCL ou a GP, que nasceu aqui e hoje alcança o Brasil todo.

    Marcas são construídas em muitos anos, e algumas se eternizam mesmo depois de extintas como a Ferramis, a Ideal, o Prenda e o glorioso Dínamo. Longe, em qualquer canto do Estado, quando alguém falava “Dínamo”, logo emendava, de Santa Rosa.

    Então, o que vende nossa imagem além das fronteiras do Município? Hoje, acima de tudo: Fenasoja. A Feira é de todos, por isso se mantém tão viva.

    Quero, no entanto, deixar o registro feito por um amigo. Ele me contou que estava em viagem pela Argentina quando disse a um taxista de Oberá que era de Santa Rosa. Prontamente, o castelhano lhe respondeu: “Terra do maior festival de música da América Latina”. Ops! Imagine o susto desse vivente, que sequer curte o Musicanto, ao ouvir isso.

    Essa é a minha resposta à provocação inicial. O Musicanto é, junto com a Fenasoja, a maior marca que Santa Rosa criou ao longo de sua história. Em São Paulo ou na América Latina se falava e escrevia a respeito do Festival. Eis, aí a janela de mídia gratuita que o município tinha. Não se diz a toda hora que a Xuxa ou o Taffarel são de Santa Rosa. Mas, ao citar o Musicanto, sim e sempre a cidade aparecia (acontece onde?). Ao citar Fenasoja também é assim.

    Não é aceitável que se deixe morrer um festival tão plural e belo quanto este. É compreensível que a população quer saúde, asfaltos, estradas decentes para o interior. Mas, não pode o Município, sob esse argumento de prioridade, em um orçamento de R$ 300 milhões anuais abrir mão de executar o Musicanto. Com ou sem LIC ou Rouanet é preciso encontrar modo de realizar o Festival.

    Por fim: Aos poucos, a Feira do Livro entra no rol das nossas grandes marcas, felizmente está consolidada. Parabéns à Prefeitura sim, mas também à ASES que tanto fez pelo evento, e parabéns aos escritores que não medem esforços para lutar por seu espaço nessa seara tão ingrata.

  • segunda-feira, 24 de abril de 2017 07:46

    De mil e um assuntos pendentes

    Os assuntos para crônicas são tantos que é impossível condensálos em meia dúzia de linhas ou aglutiná-los por temas, a exemplo da lista do Facchin, a Reforma da Previdência ou a greve geral convocada pelas centrais sindicais para a próxima semana.

    No entanto, duas questões têm me inquietado bastante nos últimos dias, ambas com relação ao trânsito. Como estou em processo de habilitação, percebo bem mais o que me passaria distante em dias normais. Item um: o abandono do Estado (e União também) de trechos de extremo risco à vida nas rodovias da região. Item dois: algumas insistências do município com mudanças no trânsito.

    Ir de Santa Rosa a Mauá é quase impossível. Transitar atrás do Parque de Exposições rumo a Três de Maio, então, é uma loteria se for à noite ou com garoa. Zero marcação na pista e uma manta asfáltica amanteigada que escorrega de tão macia. Sem contar os trevos com mais buracos que plástico-bolha nas mãos de criança.

    Voltando ao município! Pintaram um estranho estacionamento no centro da Avenida América nas imediações do Sepé Tiaraju e Estádio, e colocaram contêineres de lixo. Eu e os instrutores da autoescola não compreendemos mesmo, afinal, a Avenida é para desafogar o trânsito e ali passa apenas um carro por vez. Uma boa sugestão ao Conselho e à Secretaria: chamar os instrutores para reuniões periódicas, uma espécie de consultoria, e assim terão especialistas no assunto.

    Mudando “cento por cento a prosa”, eu e alguns agentes culturais trocamos algumas palavras, recentemente, à espera de novidades. Estamos em abril, fechando um terço do ano, e não ouvimos uma palavra sequer da Administração com relação ao Fundo Municipal de Cultura. Sabemos que as chuvas causaram muitos danos, que há urgências maiores, mas o valor destinado ao Fundo estava em rubrica específica.

    A Feira do Livro está às portas, inicia na quarta-feira e se estende até sábado, no entorno do Centro Cívico e Biblioteca. Vá lá, mesmo que seja para conversar! E se for da área cultural, traga sugestões, porque só de trabalho o povo não merece viver.

    Buenas, eu ainda pretendia escrever sobre a morte do juiz do Trabalho ocorrida em Porto Alegre, com todas as prerrogativas de enredo para um grande livro. Escrever sobre a questão dos crimes praticados por menores. E lembrar que para um silêncio de todos os entes, inclusive a imprensa, a respeito da morte daquele jovem monitor na Casa Lar. Mas isso tudo fica para mais adiante!

    Como registrei no princípio, linhas poucas para uma enxurrada de assuntos... OPS! Palavra imprópria para o cenário local. Chuva não!

  • segunda-feira, 17 de abril de 2017 08:33

    Quando o post resolve

    Por Jardel Hillesheim

    As redes sociais já mostram para que vieram. Talvez quem saiba utilizá-las de forma harmoniosa e sensata colha resultados satisfatórios. É um lugar para fazer amigos, rever parentes distantes e ainda reclamar de problemas na sua rua. As redes servem como um certo diário, onde expomos nossas alegrias, compartilhamos nossas reclamações e cobramos mudanças.

    Na madrugada do sábado para domingo não foi diferente. Sim, nem bem a chuva começou e as pessoas já pediam por socorro nas redes. Era 23h42min e um post dizia: “Socorro, a água está entrando em minha casa e não tenho como retirar as coisas”, lamentou uma internauta. Não estava na cidade, mas senti na pele a dor daquela senhora ao clamar por ajuda.

    No outro dia quando acordei, a primeira coisa que fiz foi visitar seu perfil no Facebook para saber se todos estavam bem. Seu segundo post foi: “Olá, já estamos na casa do meu irmão..., estamos bem, esperando a chuva passar para limpar a casa e ver o que poderemos reutilizar, mas acho que perdemos os móveis, a geladeira...”, lamentou.

    A segunda-feira chegou, e novamente a internauta postou, “Já estamos em casa, a geladeira estragou, os colchões e o guarda-roupa estão molhados, mas aos poucos reconstruiremos nossa vida”, disse. Sua publicação não ficou por aí não. “Moramos aqui há 15 anos, e sempre que chove sentimos o medo de ficarmos alagados, já fizemos reclamações diversas vezes, mas o Governo Municipal não faz nada”. Na verdade a situação só é vista como problema quando a chuva chega e deixa prejuízos.

    Ela não é a única a reclamar e exigir soluções. Diariamente lemos relatos de pessoas que estão descontentes com o asfalto das ruas, outras imploram para que no mínimo um calçamento seja colocado em frente a sua casa, evitando que seus filhos se embarrem em um dia de chuva, ao ir para a escola. Mas afinal, estamos certos em ser tão questionadores? Sim, estamos. Pagamos impostos ao comprar, desde uma caixa de fósforo a um carro, e todo este dinheiro deveria retornar em investimentos. Nós, da imprensa, somos alimentados diariamente por informações vindas de internautas, que vêem na rede social um espaço para serem ouvidos e atendidos.

    Talvez eles sejam nossos “Digital Influencer”, em português influenciadores digitais. São eles que reclamam da situação da nossa rua, do nosso posto de saúde e do nosso imposto ser investido em coisas improdutivas e desnecessárias. Há poucos dias uma publicação chamou a atenção para a construção de um quiosque no Tape Porã. Considerada desnecessária por muitos internautas, o prefeito teve que voltar atrás e dar uma “estacionada” no projeto. Afinal, se nós não nos apropriarmos do debate, como a venda de patrimônio público, a péssima qualidade de serviços públicos prestados, o exagero dos salários pagos para políticos, do que reclamaremos?

    Hoje uma pessoa questionadora, que promove o debate e mobiliza seus vizinhos na busca de solução para um problema, tem mais importância do que um vereador inativo, que sabe apenas garantir dois ou três cargos de confiança no governo municipal. Claro, podemos criticar, tudo dentro do respeito, e, prontos para ouvir a posição das pessoas sobre isso e aquilo. Posso falar como morador, mas não posso falar nem em nome da comunidade, sem que eu tenha um documento oficial me conferindo à responsabilidade. Talvez ainda falte um manual de “como não agir nas redes”.

    Olha que a moda está “pegando”. Até o “madurão” do prefeito Alcides Vicini criou sua página “Ao Vivo”, para responder aos apontamentos. Mas Vicini precisa entender que nem toda a população tem acesso a rede. Mas ser um prefeito que conversa, sempre será melhor que um prefeito que não vem para o debate.