• sexta-feira, 22 de janeiro de 2016 11:12

    Sem ginásio, sem futebol profissional

    Esse talvez seja um dos grandes dilemas da Santa Rosa atual. Não temos um ginásio de esportes com dimensões oficiais e estruturado para uma competição estadual.

    Quando eu era menino, nos potreiros da Giruazinho (e depois nos banhados da Vila Jardim e quadras das vilas) as partidas eram disputadas com uniformes: eram os “com camisa” contra os “sem camisa”. Os atletas eram escolhidos a dedo, quero esse - quero aquele e, não raras vezes, tinha um terceiro time à espera de entrar no jogo, no famoso dois vira, quatro ganha.

    Vi a cena reeditada noutro dia, enquanto passava a tarde com amigos na sede campestre do Clube Concórdia (que, por sinal, está aprazível). Com camisa versus sem camisa. E, logo, dois pensamentos passaram a disputar espaço em minha mente. Um: vem aí a campanha eleitoral 2016. Outro: não temos um ginásio esportivo à altura da cidade.

    Sabe-se que será Vicini (nesse momento “com camisa” porque está no poder e foi quatro vezes prefeito) contra os outros. Não que os outros não tenham camisa, mas entram em campo sem vestimenta porque perderam no par ou ímpar das urnas na eleição passada. A questão crucial, para ambos, será a escolha a dedo, na hora do “quero esse - quero aquele”. Outra questão é: teremos um terceiro time?

    Todos os fatores terão peso na eleição. Cada promessa não cumprida é um gol contra. Cada melhoria em serviços ofertados, um gol a favor. Melhorou a saúde, melhorou o trânsito, teoricamente 2 x 0. Centro Cultural parado 2 x 1. Continuamos sem um ginásio de esportes: 2 x 2. E assim podemos seguir a lista, ver até aonde irá o placar.

    Nesse jogo, em especial, quero citar o ginásio de esportes. Debatemos isso na manhã de sábado, com o secretário Luis Fernando Rabuske (Salsicha), o Sérgio Grizza (time da ASE), o Luis Carlos Volkmer e o Sávio Lenz (Papparella). A conclusão é que dois entraves se colocam no caminho da volta do futsal profissional em Santa Rosa: falta de apoio de patrocinadores e a inexistência de um espaço adequado para disputar campeonatos oficiais na esfera municipal.

    A discussão sobre a derrubada ou venda do terreno onde está o Ginásio João Batista Moroni emperrou, enquanto a estrutura se deteriora exposta ao tempo. Captar grana e construir a arena poliesportiva com recursos federais levará pelo menos três ou quatro anos. Sem uma jogada de mestre do Vicini e sua equipe essa partida seguirá tensa e sem vencedor ou então, com muitos perdedores.

    Na esfera privada, a quadra do Liminha, recentemente inaugurada, pode estar pronta em março. É uma alternativa, mas o ginásio comporta apenas 900 torcedores, é pouco. Outra opção seria uma parceria público-privada que permitisse ao município investir um valor (R$ 200 mil) em reforma e adequação do Dom Bosco, utilizando-o posteriormente. Parece mais plausível.

    A brilhante Taça Noroeste é muito pouco para uma cidade do porte de Santa Rosa e que apregoa o seu desenvolvimento em todo o Estado. E poucas janelas garantem tanta visibilidade quanto o futebol. Precisamos, todos juntos, encontrar uma alternativa para voltarmos a ter jogos (e colocar nossos meninos na vitrine outra vez).

    Enquanto isso já rola nos bastidores a escolha dos elencos que estarão no próximo jogo dos “com camisa” contra os “sem camisa”. A partida vai começar, logo, logo.

  • segunda-feira, 18 de janeiro de 2016 08:35

    Essa onda de denuncismo

    O Anderson caiu por denuncismo e levou consigo a diretora da Vigilância Sanitária. Não foi o primeiro no atual governo que pagou preço alto por estar em função pública. E nem estou avaliando erros e acertos. A questão é: Essa é a nova sociedade, a que vigia a todos, o tempo todo.
    Abro o Face uma vez ao dia, mas sei que há pessoas que não fecham ele um segundo sequer. As outras redes sociais quase não uso, embora minha filha acorde e durma com o “Uats”. Muito embora leia jornais eletrônicos continuamente e busque informações onde for necessário, sei que outros realmente “furungam” até encontrar a podridão. Querem semear a flor do ópio. Prefiro uma margarida que a tragédia, prefiro o poema ao conto de terror. Não gosto da teoria do quanto pior, melhor.
    Mas chama atenção que com celulares, que mais parecem máquinas de espionagem ultramoderna, tantos são os seus recursos, todos os seres humanos do planeta se tornaram detetives da vida privada nos últimos meses. Tudo é motivo para denúncia, para expor alguém, de preferência alguém que esteja em função pública, melhor ainda se for algum político. Como é bom jogar pedras neles! Opa!
    Eu refletia sobre o marco de 2015. Pensava se foi o ano da volta da ultradireita brasileira, do Fora Dilma ou da maior crise econômica que o país enfrenta nas últimas décadas. Concluí que nenhum deles está no topo da minha lista. Eu e o Tuy concordamos: O que realmente mexeu com as estruturas nacionais foi a onda de denuncismo. Para nós que fazemos imprensa, foi o ano dos “pratos cheios”, transbordantes.
    Com um Facebook todos são repórteres, todos espionam a obra da esquina, todos xingam quem não recolheu o lixo, filmam as cenas do acidente de trânsito. O ruim é que, sem se dar conta, todos se tornam juízes, todos sentenciam e, (porque não pensar assim?) levam à morte social pessoas que sequer conhecem. Ou, então, que conhecem e realmente querem atingir.
    O ruim é que, mesmo sem querer ou sem se dar conta do efeito cascata, as pessoas espalham uma violência que não produz nada de bom, que produz raiva e desconstroi, que se enraizou e aumenta demasiadamente. No fundo, todos têm um interesse, mesmo quem diz que não tem. Todos têm sua pequena raiva, que se transforma em amargura, e atingem outros.
    O Anderson caiu por conta do denuncismo, dessa máquina que transforma policiais em bandidos, que torna todo político salafrário. Ontem era o nome do Bohn Gass que estava na rede nacional. Esta semana o Osmar Terra. E todos os “juízes” espalhando viralmente as manchetes. O problema, minha gente, é que para esse vírus “facerraivoso” não há cura. O ódio mata.
    O lado bom é que as denúncias provocam reação, mudanças de atitudes, ajustes, levam a medidas de controle e tendem a apresentar reflexos positivos nas urnas. Afinal, todos sabem que estão vigiados, o tempo todo, e que a velha forma do “jeitinho” está com os dias contados.

    Bem-vindos ao BBB da vida real.

  • sábado, 1 de outubro de 2016 09:23

    Ópio de manipulação social

    Que semana! Quantos temas para colunas: Eleições municipais, mudanças no ensino médio, mudanças na Previdência, a faculdade de Medicina para Ijuí...

    Com tudo isso, com tanto assunto que realmente nos interessa, os pensamentos das pessoas estão voltados ao futebol, esse ópio de manipulação social, especialmente aquelas pessoas do sexo masculino. O que mais tens ouvido em tuas conversas dos últimos dias? Rodada da Copa do Brasil? Grêmio e Renato? Ou as matemáticas sobre uma possível queda do Inter para a Série B?

    Por mais incrível que possa soar, esses assuntos futebolísticos estão mais na boca do povo que a eleição do próximo prefeito. O que dizer então quando o tema é a escolha dos novos/velhos representantes para a Câmara de Vereadores...

    A campanha nos municípios, enfim, ganhou contornos dramáticos, falas ásperas, acusações, denúncias. É do jogo esse catimbar na cobrança do pênalti. E, arrisco a dizer, devido às atuações severas do Judiciário, em muitos casos o pleito sequer vai encerrar no dia 02 de outubro, a arrastar-se até esclarecer alguns fatos.

    Futebol importa. Política não. Os brasileiros estão anestesiados, pasmados, sem entender claramente quais os ventos que sopram, o que há de vir pela frente no cenário nacional com as ditas reformas da Previdência e da Legislação Trabalhista. Para piorar esse torpor, temos coisas mais importantes a discutir, como a crise técnica no Chorintias, a luta do Vasco para sair da Segundona e a batalha do Inter na não ocupar o lugar dos cariocas!!!

    Somente o novo ensino médio proposto pelo Governo é pano para várias colunas, para refletirmos sobre a ideia mercantilista de que todo ser humano deve viver para trabalhar (uma escravidão moderna). Pensar dói e pode fazer mal aos mandatários, sejam eles quais forem. Pensar não pode!

    Outro tanto de prosa daria a decisão do MEC de conceder autorizações para quatro novos cursos de Medicina para o Estado. O Sindicato dos Médicos chia, diz que há médicos em demasia, apenas mal distribuídos. Não é o que se vê! Porém, a URI levou a faculdade de Medicina de Erechim. Já a UNIJUÍ ficou a ver navios na cidade de Ijuí. O governo preferiu a Estácio! Bah, que banho de água fria na comunidade regional!

    Governo quer 65 anos para aposentadoria (ou mais, à medida que a expectativa de vida aumentar). Eu topo, se mudarem as legislações políticas e para eles valerem as mesmas regras do SUS e salários compatíveis com o magistério! Postagens assim, na internet, não rendem comentários, estão vazios... como estamos vazios... E como futebol é o ópio de manipulação social, não teremos partidas no domingo. Rodada amanhã. Assim os brasileiros podem passar o domingo discutindo os resultados dos times. Eleição é um assunto tão chato.

  • domingo, 10 de janeiro de 2016 00:33

    O “S” tem que ser social

    Acompanho cá e lá as informações sobre a reestruturação que iniciou no SESI já faz algum tempo, acelarada nos últimos meses. E não posso deixar de escrever que ela me frustra.

    Se é verdade que faltou água aos Bombeiros ao atender uma ocorrência no feriado, o que já uma questão gravíssima, também é verdade que foi um lapso que certamente tem explicações técnicas, muito embora nem sempre toleráveis. Ainda assim, é um incidente, grave sim, mas não intencional.

    No entanto, a reestruturação do SESI é intencional, de modo que vem de um planejamento. Logo esta entidade que se constituiu, por muitos anos, em espaço central de convivência, lazer e cultura em Santa Rosa. E se afasta desse princípio, do S social. Quem vive ou viveu na cidade nas últimas décadas certamente terá alguma ótima lembrança de eventos festivos, campeonatos ou uso das dependências. Era um segundo coração do município.

    Aos poucos, mais recentemente, houve um distanciamento, um isolamento que vai além daquela muralha de concreto que levantaram ao redor da instituição. A comunidade cada vez mais longe, os serviços cada vez mais restritos, ao contrário do que faz o SESC que tem se tornado casa que acolhe a todos, especialmente no que tange a lazer e cultura.

    Há meses circula a informação, inclusive com envio de documento da Câmara de Vereadores às entidades, que o Governo Federal pretende acabar com o Sistema S (SESI, SENAI, SESC, etc). O assunto não é novo, se arrasta há décadas, sob o argumento da autossustentabilidade ou falta de recursos governamentais para dar suporte às ações.

    É verdade o fato. Mas nem tudo é questão de grana. A reestruturação em andamento vai além, é mudança de planejamento estratégico interno. O S do SESI acabará por perder seu sentido se deixar de ser social. A cidade não precisa da entidade somente para fazer qualificação de mão de obra, precisa dela para alcançar lazer e cultura, ensinar crianças e adolescentes caminhos que não sejam apenas produzir, produzir e produzir.

    Os melhores reflexos do SESI sempre foram os campeonatos que promoveu, a Orquestra e o SESI Show que é o celeiro de dezenas de ótimos músicos e artistas, alguns deles atuando em grandes bandas profissionais. E até este grupo está com os dias contados, ao que se conta. Nessas horas, penso que o Guidolin e o Anacleto, que tanto lutaram para trazer a Instituição a Santa Rosa, não devem estar felizes com os rumos que se desenham.

    Os mesmos empresários e sábios que comemoram o ajuste fiscal do Estado mediante o aumento de 1% no ICMS se posicionam contra a CPMF, o que é uma incoerência. Assim é incoerente ser S social e projetar o futuro sem ser social.