• sábado, 26 de novembro de 2016 10:47

    Moroni: colocando lenha na fogueira

    Colocando lenha na fogueira, que por ora não é a lenha do próprio Moroni, muito embora possa ser logo adiante.
    Foi bom o debate sobre o destino do Ginásio João Batista Moroni, considerando as premissas jurídicas envolvidas. Também surpreendeu a adesão da comunidade à enquete realizada pelo site do Jornal Noroeste. O tema fervilha em cada esquina. E, sinceramente, mediante as considerações da promotora, da ONG e da Prefeitura, não vejo solução no curto prazo. É imenso o abacaxi que o juiz terá para descascar.
    Não sei até que ponto a comunidade de Santa Rosa já se deu conta que há dois debates instalados acerca deste tema. E, da forma como estão postos, confundem-se a ponto de as pessoas imaginarem que se trata de apenas uma discussão. E não é. Uma situação é a preservação (ou não) do Moroni; outra é a necessidade de um ginásio novo, moderno e grandioso.
    Quem defende a preservação do ginásio tem em mente o aspecto histórico da Cidade Baixa, os espaços onde o povoamento iniciou e onde estão as raízes do Município. Não se trata apenas do Moroni, mas da memória afetiva de um todo. Nessa trincheira também estão aqueles que pensam que é possível reformar a estrutura e colocá-la em uso para fins de menor vulto, como era até a interdição. Esse é um debate.
    Outra discussão é a necessidade de Santa Rosa receber/construir um ginásio de grande porte, a tal arena multiuso. Concordo, precisamos sim dela, levando em consideração que o Ginásio Dom Bosco não comporta jogos em certames oficiais de futsal, apenas para ficar em um exemplo. Diga o Luis Carlos Volkmer ao organizar a Taça Noroeste sem saber se terá local para sediar a competição.
    Habilmente, o governo e as entidades esportivas têm amarrado os dois debates, vendendo à comunidade a ideia de que a construção de uma arena depende de se desfazer do terreno onde está assentado o Moroni. Observando assim, o impacto torna-se agradável. Ocorre que com R$ 3 milhões (quem deu essa cifra foi o prefeito) dá para construir apenas 25% do moderno empreendimento. O restante há ser buscado.
    Quem defende preservar e reformar (ou fazer outro ginásio de pequenas proporções ali) está pensando em utilizar o espaço para escolas, para CPMs, para pais e filhos, escolinhas esportivas, etc., que, se teme, não terão vez na arena.
    Sugiro, pelo que já ouvi nas esquinas, que se for à venda o terreno, que a Justiça conduza o processo de leilão, até mesmo ao bem dos envolvidos, porque não faltará quem aponte o dedo ao prefeito ou a empresários compradores. E, se o dinheiro entrar nos cofres da Prefeitura que haja rubrica apenas para este fim, sob pena de enquadramento na Lei de Responsabilidade Fiscal.
    Tanta coisa caindo numa semana só, e nem é brincadeira ligada ao esporte... É caindo pacote do Sartori no colo dos gaúchos, caindo Ministro da Cultura, caindo graúdo nas malhas da fiscalização sanitária... E pelo modo como sopra o vento, o que cai logo adiante é o Moroni.
    P.S: volto ao tema no debate deste sábado.

     

  • segunda-feira, 21 de novembro de 2016 08:22

    Dois anos de Sartori e a paciência

    Chamei alguns partidos ao Noroeste Debate para avaliar o Governo Sartori que está em meio caminho. E claro, como era de esperar, a temperatura subiu.

    Foi tenso o clima entre José Albino Rohr e Claudio Franke no estúdio da Noroeste. Isso porque o petista fez uma sustentação de que é prática dos governos do PMDB atrasar salários e vender patrimônio público - estatais. Ouvindo sua argumentação e puxando fatos à memória, vemos que é mesmo. Mas fazer o que diante de um Estado falido?

    Eu não sei. Não sou governo, não preciso ter as respostas. No entanto, vemos que já tivemos aumento de imposto nesse governo, tivemos mais pardais instalados na fúria de arrecadação, parcelamento dos salários por meses a fio, segurança pública caótica e proposta de venda de estatais. Só para citar algumas ações negativas. Se fosse um governo maravilhoso o PP e o PSDB não estariam ameaçando saltar do barco em 2017 visando concorrer na eleição do ano seguinte.

    Buenas, porém dou razão ao Claudio Franke quando disse: “O que espero do governo é que ele gere o básico, a segurança, a saúde e a educação. E nem isso consegue atualmente. Hoje o que temos em caixa mal custeia a máquina pública. Em tese o Estado deve atender o cidadão, e hoje atende apenas o próprio Estado. É preciso que a sociedade entenda isso e que todos os partidos se comprometam com a situação, governando com responsabilidade”. Todos os gaúchos pensam dessa forma.

    Nessa encrenca de argumentos, Vinicius Puhl, da executiva local do PCdoB, resumiu razoavelmente bem a conjuntura: “O Sartori não tem um projeto de desenvolvimento. E o Estado precisa ser indutor do desenvolvimento, não apenas gestor público”. É isso. Não esperamos que apenas pague as contas. Esperamos que o Rio Grande seja grande outra vez.

    Então, compreendemos o Governo Sartori e também compreenderemos o Governo Temer e quais os sucederem, desde que façam mudanças reais nas oligarquias que se estabeleceram na Assembleia Legislativa, nos parlamentos, no Judiciário, nas estatais, nas altas patentes militares e aposentadorias privilegiadas.

    Nós, povo, não conseguimos entender salários de R$ 40 mil ou aposentadorias até mais elevadas que isso. Não conseguimos entender que o assalariado tenha que trabalhar 40 anos ou mais para se aposentar ao passo que militares e outras classes têm carreiras bem mais curtas, e que políticos usufruem de mordomias e regalos que ofendem até mesmo a sultões e reis.

    Entendemos os políticos. Mas também eles precisam colocar de vez em suas mentes que estão semeando uma revolução. Há muita gente farta dessa piada de mau gosto.

  • segunda-feira, 7 de novembro de 2016 08:04

    A barbárie que habita em nós

    Se é verdade que em todos nós co-habitam lobos e cordeiros, cabe-nos indagar: por que o lado tenebroso da força tem obtido tantas vitórias?

    O Brasil está no topo do ranking mundial em vários aspectos negativos, como violência urbana, tráfico internacional de drogas, mortes em acidentes de trânsito e corrupção generalizada. Li ainda esta semana que são 300 registros diários de estupros no país (oficializados no sistema policial). Abusos sexuais aumentaram 29% nos metrôs de São Paulo. E por aí segue a lista...

    O lobo que habita em nós está vencendo a luta!

    É o efeito de muitos fatores, mas especialmente da banalização que tomou conta dos brasileiros. Esse “estou nem aí” se alastrou, se aprofundou. A internet deu uma baita força nesse quesito, a ponto de o criador do Facebook se dizer decepcionado com o usuário Brasil pelo uso que faz da rede. Especializamo-nos em trivialidades, em superfície, da música à TV, da net à vida.

    Penso nisso com frequência, na corresponsabilidade que tenho com tudo isso que ocorre no Brasil dos dias atuais. Sim, porque todos têm uma parcela de contribuição, seja por apatia ou por estar envolvido em atos. Somos construtores, todos.

    Penso nisso e me pergunto: Onde, enquanto sociedade, domamos ou refreamos nossos instintos mais sádicos e violentos? O que nos impele a sermos “bons”? A aplicação da Justiça, a espiritualidade desenvolvida, a construção cultural/educacional madura e a herança de valores. Basicamente é por aí.

    Então pergunto outra vez: Em qual destes, estamos bem? Educação e Cultura sofrem agressões governamentais diárias dos Municípios, Estados e União. Em geral, as religiões não conduzem à espiritualidade. A população não sente segurança face à impunidade do sistema penal. E as famílias estão desestruturadas, os filhos têm pouca presença de valores legados pelos pais.

    É possível mudarmos essa realidade? Sim. Em quanto tempo? Em 30 anos ou mais. Começar por onde?

    Por estabelecer educação e cultura como demandas de prioridade a todos os cidadãos. Depois é preciso que se pare de legislar em causa própria, porque hoje os poderes constroem suas próprias leis e se cercam de regalias. É preciso propor mudança no código penal, que não se faz em dias, e construir prisões, o que demanda tempo e recursos. Somente assim a Justiça fará justiça.

    Isto feito, devemos voltar a dar valor à família e seus entes, dar valor aos valores reais, como ética, verdade e honestidade. E caminhar adiante, no processo que mergulha no indivíduo (o oposto dessa banalização), com educação e cultura, mas também com espiritualidade. Igrejas existem às milhares, denominações e seitas na mesma proporção, porém, entendimento, compreensão da fé e espiritualidade é outro papo.

    Não é pela reforma da Previdência e mexendo nos direitos dos mais pobres que vamos mudar o País, como nos fazem crer os políticos e as grandes mídias. A reforma tem que ir além da superfície. Tem que mergulhar na sociedade e no homem.

  • segunda-feira, 24 de outubro de 2016 07:57

    Os ditos e os não ditos de Vicini

    Eu, o Kieling, o Luciano Mallmann e o Jardel fizemos um pinga-fogo com o prefeito e o vice no debate, no sábado...

    Podem até xingar o prefeito Alcides Vicini por alguma obra não executada ou por adotar algumas medidas impopulares (turno único), mas ninguém pode xingá-lo por fugir de temas polêmicos ou oferecer meias respostas. Foi direto no alvo. Sem margem a interpretações, Vicini disse com todas as letras que quer demolir o Ginásio Moroni e vender o terreno em leilão. Claro, se o MP deixar. Só se contradisse um pouco, porque falou em investir os R$ 5 milhões no novo ginásio no Parque, muito embora tenha ido a Brasília buscar recursos federais para essa obra.

    Casas populares dependem da União. Segunda pista da Avenida América e Centro Cultural, também. Aeroporto, a mesma coisa. Tipo assim... Podem ser viabilizadas, mas, cá entre nós, tende a demorar um bom tantinho de tempo. A menos que “O Ministro” tenha conversas ao pé do ouvido com outros caciques.

    Quando Vicini diz que criará uma Secretaria de Agropecuária, de certa forma, reconhece que deixou a desejar com relação ao interior. Entende-se a calamidade das fortes chuvas em pelo menos dois momentos, mas os agricultores esperam mais que favores de A ou B.

    O “penta” prefeito não falou abertamente sobre alguns pontos, mas não desmentiu quando o Beto Kieling sugeriu que ele poderia voltar candidato à Prefeitura em 2024. Quem cala, consente. Ou, ao menos, pensará no assunto.

    É certo que dará “superpoderes” a Benvegnú, vice-prefeito e secretário “general” com alcance em várias pastas... É claro indício de que, indo bem, é o nome escolhido pelo partido/coligação para formar chapa majoritária em 2020. A bola está com ele.

    Entre os não ditos, o Alibem deve estar em seus pensamentos mais embaraçosos. A empresa construirá novo empreendimento. Vai que a empresa anuncie o investimento em outro município da região, o que faltamente traria redução de abates e empregos na planta local. É uma pedra pesada de carregar.

    Não disse, mas disse nas entrelinhas, que 2017 será um ano de poucos investimentos, sem grandes perspectivas além das atuais que, mantidas, já será feito a comemorar. Pensa, pelo menos deixou isso no ar, em um governo mais técnico e de resultados...