• segunda-feira, 21 de novembro de 2016 08:22

    Dois anos de Sartori e a paciência

    Chamei alguns partidos ao Noroeste Debate para avaliar o Governo Sartori que está em meio caminho. E claro, como era de esperar, a temperatura subiu.

    Foi tenso o clima entre José Albino Rohr e Claudio Franke no estúdio da Noroeste. Isso porque o petista fez uma sustentação de que é prática dos governos do PMDB atrasar salários e vender patrimônio público - estatais. Ouvindo sua argumentação e puxando fatos à memória, vemos que é mesmo. Mas fazer o que diante de um Estado falido?

    Eu não sei. Não sou governo, não preciso ter as respostas. No entanto, vemos que já tivemos aumento de imposto nesse governo, tivemos mais pardais instalados na fúria de arrecadação, parcelamento dos salários por meses a fio, segurança pública caótica e proposta de venda de estatais. Só para citar algumas ações negativas. Se fosse um governo maravilhoso o PP e o PSDB não estariam ameaçando saltar do barco em 2017 visando concorrer na eleição do ano seguinte.

    Buenas, porém dou razão ao Claudio Franke quando disse: “O que espero do governo é que ele gere o básico, a segurança, a saúde e a educação. E nem isso consegue atualmente. Hoje o que temos em caixa mal custeia a máquina pública. Em tese o Estado deve atender o cidadão, e hoje atende apenas o próprio Estado. É preciso que a sociedade entenda isso e que todos os partidos se comprometam com a situação, governando com responsabilidade”. Todos os gaúchos pensam dessa forma.

    Nessa encrenca de argumentos, Vinicius Puhl, da executiva local do PCdoB, resumiu razoavelmente bem a conjuntura: “O Sartori não tem um projeto de desenvolvimento. E o Estado precisa ser indutor do desenvolvimento, não apenas gestor público”. É isso. Não esperamos que apenas pague as contas. Esperamos que o Rio Grande seja grande outra vez.

    Então, compreendemos o Governo Sartori e também compreenderemos o Governo Temer e quais os sucederem, desde que façam mudanças reais nas oligarquias que se estabeleceram na Assembleia Legislativa, nos parlamentos, no Judiciário, nas estatais, nas altas patentes militares e aposentadorias privilegiadas.

    Nós, povo, não conseguimos entender salários de R$ 40 mil ou aposentadorias até mais elevadas que isso. Não conseguimos entender que o assalariado tenha que trabalhar 40 anos ou mais para se aposentar ao passo que militares e outras classes têm carreiras bem mais curtas, e que políticos usufruem de mordomias e regalos que ofendem até mesmo a sultões e reis.

    Entendemos os políticos. Mas também eles precisam colocar de vez em suas mentes que estão semeando uma revolução. Há muita gente farta dessa piada de mau gosto.

  • segunda-feira, 7 de novembro de 2016 08:04

    A barbárie que habita em nós

    Se é verdade que em todos nós co-habitam lobos e cordeiros, cabe-nos indagar: por que o lado tenebroso da força tem obtido tantas vitórias?

    O Brasil está no topo do ranking mundial em vários aspectos negativos, como violência urbana, tráfico internacional de drogas, mortes em acidentes de trânsito e corrupção generalizada. Li ainda esta semana que são 300 registros diários de estupros no país (oficializados no sistema policial). Abusos sexuais aumentaram 29% nos metrôs de São Paulo. E por aí segue a lista...

    O lobo que habita em nós está vencendo a luta!

    É o efeito de muitos fatores, mas especialmente da banalização que tomou conta dos brasileiros. Esse “estou nem aí” se alastrou, se aprofundou. A internet deu uma baita força nesse quesito, a ponto de o criador do Facebook se dizer decepcionado com o usuário Brasil pelo uso que faz da rede. Especializamo-nos em trivialidades, em superfície, da música à TV, da net à vida.

    Penso nisso com frequência, na corresponsabilidade que tenho com tudo isso que ocorre no Brasil dos dias atuais. Sim, porque todos têm uma parcela de contribuição, seja por apatia ou por estar envolvido em atos. Somos construtores, todos.

    Penso nisso e me pergunto: Onde, enquanto sociedade, domamos ou refreamos nossos instintos mais sádicos e violentos? O que nos impele a sermos “bons”? A aplicação da Justiça, a espiritualidade desenvolvida, a construção cultural/educacional madura e a herança de valores. Basicamente é por aí.

    Então pergunto outra vez: Em qual destes, estamos bem? Educação e Cultura sofrem agressões governamentais diárias dos Municípios, Estados e União. Em geral, as religiões não conduzem à espiritualidade. A população não sente segurança face à impunidade do sistema penal. E as famílias estão desestruturadas, os filhos têm pouca presença de valores legados pelos pais.

    É possível mudarmos essa realidade? Sim. Em quanto tempo? Em 30 anos ou mais. Começar por onde?

    Por estabelecer educação e cultura como demandas de prioridade a todos os cidadãos. Depois é preciso que se pare de legislar em causa própria, porque hoje os poderes constroem suas próprias leis e se cercam de regalias. É preciso propor mudança no código penal, que não se faz em dias, e construir prisões, o que demanda tempo e recursos. Somente assim a Justiça fará justiça.

    Isto feito, devemos voltar a dar valor à família e seus entes, dar valor aos valores reais, como ética, verdade e honestidade. E caminhar adiante, no processo que mergulha no indivíduo (o oposto dessa banalização), com educação e cultura, mas também com espiritualidade. Igrejas existem às milhares, denominações e seitas na mesma proporção, porém, entendimento, compreensão da fé e espiritualidade é outro papo.

    Não é pela reforma da Previdência e mexendo nos direitos dos mais pobres que vamos mudar o País, como nos fazem crer os políticos e as grandes mídias. A reforma tem que ir além da superfície. Tem que mergulhar na sociedade e no homem.

  • segunda-feira, 24 de outubro de 2016 07:57

    Os ditos e os não ditos de Vicini

    Eu, o Kieling, o Luciano Mallmann e o Jardel fizemos um pinga-fogo com o prefeito e o vice no debate, no sábado...

    Podem até xingar o prefeito Alcides Vicini por alguma obra não executada ou por adotar algumas medidas impopulares (turno único), mas ninguém pode xingá-lo por fugir de temas polêmicos ou oferecer meias respostas. Foi direto no alvo. Sem margem a interpretações, Vicini disse com todas as letras que quer demolir o Ginásio Moroni e vender o terreno em leilão. Claro, se o MP deixar. Só se contradisse um pouco, porque falou em investir os R$ 5 milhões no novo ginásio no Parque, muito embora tenha ido a Brasília buscar recursos federais para essa obra.

    Casas populares dependem da União. Segunda pista da Avenida América e Centro Cultural, também. Aeroporto, a mesma coisa. Tipo assim... Podem ser viabilizadas, mas, cá entre nós, tende a demorar um bom tantinho de tempo. A menos que “O Ministro” tenha conversas ao pé do ouvido com outros caciques.

    Quando Vicini diz que criará uma Secretaria de Agropecuária, de certa forma, reconhece que deixou a desejar com relação ao interior. Entende-se a calamidade das fortes chuvas em pelo menos dois momentos, mas os agricultores esperam mais que favores de A ou B.

    O “penta” prefeito não falou abertamente sobre alguns pontos, mas não desmentiu quando o Beto Kieling sugeriu que ele poderia voltar candidato à Prefeitura em 2024. Quem cala, consente. Ou, ao menos, pensará no assunto.

    É certo que dará “superpoderes” a Benvegnú, vice-prefeito e secretário “general” com alcance em várias pastas... É claro indício de que, indo bem, é o nome escolhido pelo partido/coligação para formar chapa majoritária em 2020. A bola está com ele.

    Entre os não ditos, o Alibem deve estar em seus pensamentos mais embaraçosos. A empresa construirá novo empreendimento. Vai que a empresa anuncie o investimento em outro município da região, o que faltamente traria redução de abates e empregos na planta local. É uma pedra pesada de carregar.

    Não disse, mas disse nas entrelinhas, que 2017 será um ano de poucos investimentos, sem grandes perspectivas além das atuais que, mantidas, já será feito a comemorar. Pensa, pelo menos deixou isso no ar, em um governo mais técnico e de resultados...

  • sexta-feira, 14 de outubro de 2016 10:15

    Dona Lígia tem razão

    Escrevo depois de ouvir uma entrevista feita por alunos da Escola Municipal Nossa Senhora de Fátima com a Lígia Maschio, senhora que tem uma vida toda ligada aos Clubes de Mães. Ouvi-la a narrar ações sociais, voluntárias, das incontáveis iniciativas nas periferias, dá-nos uma dimensão muito maior da miséria em que vivíamos há 30 anos.
    Uma, duas, três vezes dona Lígia lamenta que “estejamos mais egoístas”, menos dispostos ao trabalho voluntário nas comunidades. Coisas como visitar acamados, chegar na casa ao lado para saber se a idosa precisa de alguma ajuda, levar um alimento a famílias carentes.
    Há outro porém que precisa ser acentuado, dona Lígia! A cidade melhorou muito nestes últimos anos. Mais indústrias, mais empregos, mais casas populares, mais postos de saúde. Há contribuições de PP, PMDB, PT e outros tantos Pês. As coisas estão mais fáceis para todos e, por via de consequência, as pessoas cada vez mais egoístas, mais fechadas em seu mundonet.
    O Brasil também é outro nestas últimas décadas, em progresso iniciado quando o pica-fumo presidente Collor abriu as portas à importação em detrimento das estatais. PSDB fez sua parte ao estabilizar a economia e promover avanços. E, inegavelmente, o PT levou dignidade aos pobres com casas populares, Mais Médicos e estudo para filhos de mendicantes.
    Aquela pobreza extrema de quem vivia nas favelas da Agrícola e Auxiliadora praticamente desapareceu. O êxodo rural na região também acabou (porque não tem mais ninguém para evadir do campo). Os dias são de festa, talvez por isso não se leve tão a sério o papo de crise, porque já foi bem pior e temos viva lembrança disso!
    A má notícia é que vai piorar. Para os do andar de baixo, claro! Os políticos uniformizaram o discurso de caos no setor público, inclusive na região toda, e tanto repetem que passou a ser verdade inquestionável. Não é preciso ser mago para saber o que virá pela frente. Virá andar a ré. É um discurso padrão, repetido tantas e tantas vezes até que se torna verdade absoluta. De um dia para outro acordamos em um Estado quebrado. E um país saqueado por um único partido (uau!).
    A PEC 241 é fria, assim como a reforma previdenciária e tantas outras medidas que vão mudar o Brasil, para pior. Simples assim: sem investir, deixaremos de crescer. É tudo que as potências querem, que continuemos medíocres. E precisaremos saber se o povo “verde e amarelo” voltará às ruas ou baterá panelas em Copacabana.
    Pode um deputado federal dizer na TV que pobre “se não tiver dinheiro para pagar faculdade, que não faça”? Pode! Eles zombam de todos nós, enquanto nos esforçamos para levantar o braço e acionar o controle remoto na eterna troca de canais.