• segunda-feira, 11 de julho de 2016 07:52

    Noroeste: um museu que anda

    Sei que o Zelindo, o Madril, o Mauri e outros vão se zangar, mas é exatamente isso que somos: museus que andam.
    Eu ainda trabalhava na metalúrgica quanto o Hilário Freisleben falava sobre “ser e estar”. Foi a vez primeira que pensei no conceito. Depois, quando ingressei na Noroeste, e isso já tem mais de 20 anos, entendi com maior plenitude o sentido destas duas palavras. Praticamente todos os profissionais com os quais trabalhei ao longo deste tempo realmente “são” Noroeste. São apaixonados pelo que fazem e pela empresa. E SER é imensamente maior que ESTAR.
    Olhar ao redor é ver um museu que anda. São tantas as histórias que precisaríamos escrever vários livros para narrar apenas um décimo do que vimos e ouvimos. É museu do riso esse Mauri Carlos, uma lenda do rádio. Dezenas de páginas obteríamos do Jairo que já foi “Esportes” Madril, do Zelindo “Cadeira de Balanço” Cancian, do Brizola “Chicotinho do Povo”, do Elói “Bolsa de Automóveis” de Ávila, do Luis Carlos “Taça Noroeste” Volkmer... Essa lista não tem fim.
    Abrir os arquivos do Jornal Noroeste (que guarda cada uma de suas edições, do número zero até o atual) é remover a poeira dos cristais. Santa Rosa completa 85 anos como município emancipado. O Noroeste contou 45 anos - mais da metade. Os prédios construídos, as grandes obras, os projetos revolucionários, as polêmicas políticas, os personagens importantes que já nos deixaram... Tudo está em nossas páginas.
    O que cada um de nós que é Noroeste contaria em sua biografia, caso a fizesse? O que cada museu vivo deixaria para o futuro ver?
    Eu, enquanto cronista e redator, não narraria tentações a que são expostos os jornalistas, especialmente na questão da grana. Os convites chegam, sempre chegam. Os limpos, como trabalhos nas assessorias de comunicação, bem como os abomináveis. Não, nem todos os fatos podem ser contados, afinal, há uma imensa caatinga entre o pantanal e a praia.
    Certo é que não inventamos fatos, no máximo jogamos um pouco mais de lenha na fogueira. E claro, cada um escolhe seu jeito de contar... A outra parte fica por conta de quem lê e ouve a Noroeste. Sabemos o quanto nos amam e o quanto nos odeiam também. Mas nem ódio é, é antes um “não considerar”, já considerando... afinal, ainda que estejamos riscados em suas agendas, ainda estamos nelas.
    É um imenso prazer ter assinado coluna nestes anos todos ao lado do Gilberto Kieling, em espaço que já foi do professor Alcides Vicini e do escritor Charles Kiefer. É de um orgulho sem medida saber que convivi com Sávio Araújo e Paulo Forgiarini, com os saudosos Clóvis Cerutti, Carmen La Rocca, Adriana Reich, Aldi Brandão e tantas outras figuras gigantescas.
    Um imenso prazer ser foto em preto e branco neste museu!

  • sábado, 2 de julho de 2016 11:55

    Os anúncios das pré-candidaturas

    Que semana! Em cada sala, em cada ambiente que adentrei, havia alguma conversa política, alguém para perguntar: quem ganha a eleição? Quem se elege vereador?
    Ora, o Santos empatou aos 37, e quando parecia tudo decidido o Grêmio foi buscar uma salvação aos 43 minutos finais. Bem assim está em Santa Rosa. Nada imutável ou martelo batido. O cenário é tão complexo que nem mesmo o anúncio de Orlando Desconsi, oficialmente pré-candidato, provocou marolas à beira-praia.
    O efeito do anúncio foi pequeno porque todos os santa-rosenses sabem, implicitamente, há meses que Orlando Desconsi concorre a prefeito. Aliás, sabem desde a eleição de 2012. Orlando se manteve em cena, nunca fugiu tacitamente do assunto. Deixou isso no ar. Por isso, o anúncio não chegou a ser surpresa!
    O assunto da hora é o PDT. A semana, assim como a anterior, vira e mexe traz à tona o PDT e suas movimentações. Para onde vai a sigla? Quem será o nome escolhido para uma eventual composição a prefeito ou vice? E, pelo que se sabe, está a mexer com os nervos de muita gente.
    Muito se fala sobre as eleições. Muito tenho ouvido sobre Orlando e Vicini, teoricamente candidatos. E perguntas mil sobre o PMDB. E sobre o Colla, que durante a semana fez seu ensaio.
    O que se diz é que Vicini não executou ou deu andamento vagoroso a obras e projetos deixados encaminhados por Orlando.
    O que se diz é que algumas pessoas, inclusive secretários, do governo Orlando, eram “malas” e que Orlando pouco saía do gabinete para ouvir as pessoas.
    O que se diz é que Orlando teria sua chance aumentada se pudesse descolar sua imagem da estrela petista. Isso é complicado, afinal, partido todos os candidatos têm.
    O que se diz é que Vicini não acabou com muitos vícios e usos do PP que vêm de décadas e que a cada regresso chama os mesmos ocupantes de cargos de confiança.
    Diz-se que uma pesquisa, não sei se registrada, mas que juram existir, teria mostrado empate técnico entre Orlando e Vicini nessa arrancada. E isso é recente. E dizem as boas línguas que a escolha do vice terá peso enorme na escolha final do eleitor.
    Diz-se que o fiel da balança poderia ser o PMDB, se ousasse vir com um nome forte e aliados de peso.
    E, no meio de tudo isso, há o Janor Duarte e toda a estrutura do Judiciário. E, da forma como foram as eleições recentes no Brasil, tenho minhas razões para crer que serviço não lhe faltará...

     

  • segunda-feira, 27 de junho de 2016 09:29

    Velhas e surradas histórias para brasileiro dormir

    Ouvimos as mesmas histórias de sempre enquanto tentamos dormir em paz e contamos carneirinhos.

    Sabem, a ponte internacional Porto Mauá (ou Porto Xavier, que seja!), essa não sai, por ora! É assunto para mais 10 anos, pelo menos. Foi o que disse o deputado federal Jerônimo Goergen no debate do sábado. A barragem, idem! Claro, baixou a lenha no Governo Dilma que falava e não fazia...

    Sabem, as ligações asfálticas sonhadas há décadas por Senador Salgado Filho, Porto Vera Cruz, Alegria e São José do Inhacorá (20% dos municípios da nossa microrregião sem asfalto), esses tardam de governo a governo. O que não tarda é o governo em anunciar novas/velhas medidas para fazer caixa.

    Caso alguém não tenha lido nos jornais da capital no final de semana, consta neles o projeto para instalar pedágios em duas rodovias estaduais de nossa região. Na ERS 342 (Três de Maio a Cruz Alta) e na ERS 344, entre Santa Rosa e Santo Ângelo. Pedágio, sim. Claro, prometem obras de ampliação da capacidade de escoamento.

    Outra vez esse discurso de entregar rodovias à iniciativa privada para fins de exploração. Cadê a OAB? O dinheiro do IPVA não é exatamente para essa finalidade? Instalar pedágios na nossa microrregião, já tão pobre e insignificante, que representa 3% do PIB e tem 2% da população do Estado?

    E a gente pergunta aos governos: Virá o aeroporto? Virão todas as ligações entre municípios? Virá a ponte internacional? Virá reforço ao efetivo da Brigada e dos Bombeiros que têm quadros limitados? Ou virá privatização das rodovias? Venda de estatais? Criação de novos impostos para colocar em dia os repasses à saúde?

    Enquanto isso, o Brasil tão imenso em terras produtivas precisa importar feijão, trigo e arroz porque nossas terras são utilizadas apenas para milho e soja, e mais soja e mais soja que apenas deixam os grandes produtores mais ricos... Feijão caríssimo só pesa na mesa do pobre. Pobre de nós!

    Enquanto isso em POA o deputado Jardel vai à Justiça para evitar ser julgado em plenário. Nos bastidores pode sair ileso... Na “gatipal” Federal querem a todo custo barrar o jato que lava!

    Quem foi à rua com bandeiras verdes e amarelas pediu mudança! Pediu fim da corrupção e da velha política.

    E isso inclui a baixaria de distribuir um panfleto ridículo contra o ministro Osmar Terra. Ora, escreva isso tudo no Face, vivente, na cara e na coragem!

    É isso. Na dança de letras eu digito OBRAS que viram SOBRAS ou viram OBAS!

  • segunda-feira, 20 de junho de 2016 08:23

    Duas linhas mais sobre a greve

    Tenho que abrir a crônica com um pedido de desculpas aos ouvintes da Rádio Noroeste AM, pois na manhã do sábado, 11, não consegui ler as mais de 100 mensagens que chegaram ao celular da emissora enquanto apresentava o Noroeste Debate. Estava com sete convidados no estúdio, um clima “pegado” - mas respeitoso - e a comunidade a cutucar intensamente na rede social.

    Greve do magistério sempre rendeu muito pano para manga. Isso é fato. Não ficarei sobre o muro. Sou a favor da greve. Sou porque os professores têm que ganhar bem, muito bem, desde o primeiro dia em que assumem vaga, sabendo que terão reajuste anual com base nos índices inflacionários (pelo menos), sem precisar de greve. Sou a favor porque conheço a condição de trabalho nas escolas e nem sempre é a ideal, especialmente nas periferias, onde os pais não têm poder aquisitivo para mandar instalar climatizadores nas salas.

    Mas, sinceramente, o movimento grevista do CPERS já não tem mais eco social e caiu em descrédito na comunidade.

    Se querem resultado, a greve tem que marcar na veia, tem que sair para o desfile pátrio com protesto de fechar a avenida, tem que invadir o estádio do Grêmio ou do Inter em dia de jogo com cartazes e faixas que provoquem reação nacional! A greve tem que durar um ano, para que os estudantes percam um ano letivo e o bolo vire contra o governo. Ou isso, ou nada!

    Vale o mesmo com a meninada do “OCUPA”. Não é democrático fechar escolas. Como não é democrático o governo mandar reforçar a segurança na frente de escolas como se os estudantes fossem marginais. Sou a favor do movimento de ocupação, sim, mas ocupar o pátio, a quadra, os corredores com atividades culturais, com competições esportivas, com discursos que se estendam por uma manhã, com agitações filosóficas, com conscientização. A favor sim, porque sempre sou a favor de classes mobilizadas, de pessoas com o pensamento acordado....

    Das 100 mensagens que recebi, a maioria era contra a greve e trazia palavras pouco amistosas aos professores. Ninguém mais dá bola para a greve, e quando dá, fica ao lado do governo.

    Algo está errado. Algo está errado com o movimento do CPERS se há indisposição geral. E algo está errado com a sociedade se ela pensa que professor insatisfeito tem que procurar outra carreira. Certo é o governo pagar bem para que nossos filhos tenham educação de qualidade.

    Mas é fato que, como sociedade, precisamos discutir o plano de carreira e o piso do magistério, as aposentadorias aos 25 anos. Tem que discutir regras novas para quem vai ingressar agora, aquele que prestará concurso sabendo o que terá pela frente.

    A palavra é construção! Chega de “ismos”! Chega de brizolismo, petismo, getulismo, chavismo e, claro, esse selvagem capitalismo... O tempo é outro. É mais moderno, é de WhatsApp ou Messenger. Mais leve!