• domingo, 12 de junho de 2016 11:00

    A geada, a greve e o turno único

    A geada não veio intensa, assim, na manhã de quinta-feira como um acaso. Fazia frio há dias, o solo estava mais seco e o céu límpido. Perfeito para a moldura se completar.

    A greve do magistério estadual não se implantou do nada. O governo sabia que em algum momento lidaria com ela na intensidade atual, porque as ideologias de comando do movimento são contrárias à sua, e porque a Brigada reprimiu o protesto no ano passado e porque parcela os salários há meses. A greve era favas cantadas!

    Mas, sempre o mas, quando a greve do magistério eclodiu, um dia após a posse do Temer como presidente interino, eu disse à Dé: “Que hora! Não tem como escapar do rótulo de greve partidarizada”. Bingo!

    Crer que não há componentes políticos na greve do magistério estadual é pôr óculos solares em noite sem lua. Basta ver quantos educadores e escolas aderiram à paralisação! Porém, dizer que os professores estaduais não têm razão em reivindicar melhores salários e condições de trabalho também é atestar cegueira. Educação nunca foi prioridade.

    O governo, no entanto, tem a simpatia da população nessa queda de braço, porque as greves são quase anuais e porque o discurso de que não possui dinheiro colou com a crise nacional que impacta no bolso do cidadão. Assim ficou fácil ao Sartori explicar e sustentar a fala de austeridade e parcelamento salarial.

    É o mesmo tom da crise nacional que permitiu ao Vicini sustentar tão prolongado turno único na Prefeitura: a crise nacional. Ele veio ao ar, na Noroeste, ontem para dizer que encerra o expediente reduzido no dia 30 de junho. Eu entendo o discurso de economia, os R$ 120 mil mensais gastos a menos que permitem pagar outras contas. Entendo, mas isso nunca me convenceu!

    Assim como nunca me convenceram as pedaladas fiscais. O PMDB tem Jucá, Sarney, Calheiros e Cunha atolados até o pescoço com os rolos da Lava-Jato. Por motivo igual, obstrução da Justiça, o senador petista Delcídio do Amaral foi varrido do parlamento. E agora, quem vai para rua para pedir a prisão e a cassação dos moços?

    Caso não ocorra o encerramento do mandato desses quatro, ficará ainda mais evidente que toda a movimentação do Congresso para depor a Dilma era apenas ideológica, era contra um partido, e não contra os corruptos.

    Não há nada mais fácil que bater o Haiti por 7 x 1. Cego vê goleada. Outros veem adversário inexistente.

    Venezuelanos catando comida no lixo é fato. A miséria por lá campereia solta. É o fracasso do socialismo sem capital.

    A geada ainda não afetou meus neurônios... Ainda dá para escrever que não queremos mais ser tratados como os bobos da história. Só isso!

  • terça-feira, 7 de junho de 2016 14:59

    Trabalhadores têm poucas expectativas com novo governo

    Para Gilberto Kieling, bancário aposentado e advogado, a crise política é o pior entrave ao desenvolvimento do Brasil na atualidade. É pouco esperançoso neste sentido. “Tende a continuar esse clima. Embora seja real, eu nunca vi a crise econômica com a dimensão que apontavam, inclusive com sinais de retomada do desenvolvimento. Então, creio que vai melhorar na economia, mas não por conta do governo que assumiu. Havia todo um clima de insegurança, estimulado por aqueles que apostavam no clima de quanto pior, melhor”, explicou.

    Os sindicalistas pegam pesado na argumentação. João Roque dos Santos, do Sindicato dos Metalúrgicos, lembrou que somente no ano passado o setor deixou 1.200 desempregados e outros 300 neste ano na região de atuação. “Achávamos que era o fundo o poço. E não era. Porém, eu tenho boas-novas, sim. Vou dizer em primeira mão, aqui no debate, que a AGCO vai contratar logo, logo, por conta da nova legislação ambiental que entrará em vigor e que vai obrigar a promover mudanças nos motores das colheitadeiras. E isso é para os próximos meses”, disse, mencionando com expectativa o mês de setembro deste ano.

    Nestor Kalsing, presidente do Sindicato dos Comerciários, justificou que a crise é política, totalmente, tanto que ela nasceu já na campanha da reeleição de Dilma. E só piorou desde então. Quanto ao cenário local do emprego e renda, disse que o comércio virou, mais ainda, setor de passagem. “Tínhamos, em média, 10% de trabalhadores que pediam demissão. Hoje, são31%. O principal motivo é o baixo salário pago pelo comércio e a falta de estímulos. Um indicativo disso se vê com as mulheres. Pagar uma doméstica e ir trabalhar fora é trabalhar para empatar”, explica ele.

    Em 2014, quando vivíamos em Santa Rosa o pleno emprego, tínhamos 23 mil pessoas no mercado de trabalho formal, segundo dados levantados junto ao CAGED. Agora são apenas 20 mil. Uma redução de 11,2% em apenas dois anos, acompanhando a tendência nacional. Quem trouxe os dados ao Noroeste Debate foi o empresário do setor de consultoria Renato Bastos Moraes. “Porém, o cenário é muito pior, principalmente se levarmos em conta aqueles que estão na informalidade e que não aparecem em nenhum levantamento oficial. Para estes, certamente a crise é ainda mais impactante”, argumenta. E mencionou ainda os acordos coletivos entre classes patronais e laborais que reduziram jornadas e impactaram diretamente nos salários dos trabalhadores. “O que se vê hoje é menos empregos e menor renda ao trabalhador”, resume.

    Ao que o sindicalista metalúrgico João Roque dos Santos completou: “Estão se valendo do cenário para achatar os salários outra vez. Agora se demite aqueles que têm rendimento maior para, logo ali adiante, quando houver retomada da produção, contratar outros com valores menores”.

    Em um ponto todos os debatedores concordam: as mudanças sinalizadas são ruins aos trabalhadores, mais uma vez chamados a pagar a conta. “Há três males a combater no país, na atualidade: a reforma trabalhista, a reforma previdenciária e o governo Temer”, disse Nestor Kalsing. João Roque acrescentou um quarto item, a terceirização da mão de obra no setor produtivo.

    A reforma da Previdência preocupa muito os sindicatos de trabalhadores. Kieling, que é presidente da OAB Santa Rosa, argumenta que ninguém sabe qual é a situação real. “Há estudos que apontam que a Previdência é superavitária. Essa caixa-preta precisa ser aberta antes de falar em reforma”, disparou. No mesmo tom da conversar, Nestor Kalsing lembra que em cinco anos a desoneração da folha de pagamento causou um rombo de R$ 125 bilhões à Previdência, de modo que imputar ao trabalhador a culpa pela falência é muito simplista.

    Por fim, Renato Bastos Moraes sinalizou algumas medidas que vê de maior urgência, a começar por levantamentos de dados com base na realidade local e que permitam traçar uma radiografia real da crise. “Números do CAGED e do Boletim de Emprego da Unijuí são insuficientes para nos dar parâmetros. É preciso ir mais fundo nas pesquisas, fazer outras perguntas. E, sim, o Poder Público e a Comissão Municipal de Emprego e Renda têm obrigação com isso e com medidas práticas”, disse.

    João Roque, que até a semana passada presidia a Comissão, disse que a entidade está ativa. A nova gestão está na mão dos segmentos patronais, muito embora tenha membros do setor trabalhista e do poder público. Mas cobrou intermediação da Prefeitura junto ao Ministério do Trabalho para medidas que ampliem o Seguro Desemprego ou assegurem condições dignas aos desempregados neste momento crítico.

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    Noroeste Debate tem o apoio de FEMA, Sindilojas, Kumon, Gráfica Coli e Gesso Noroeste.

  • segunda-feira, 6 de junho de 2016 08:27

    O Zelindo e o que fazemos na Noroeste

    O Zelindo não cabia em si na semana passada, tal o contentamento por figurar na pesquisa Top Of Mind, da Revista Amanhã. Eis algo a comemorar, de fato.

    A Top Of Mind é uma pesquisa séria, realizada anualmente, com indicativos estaduais em vários segmentos. De certa forma, faz uma radiografia do Rio Grande do Sul. Ao contrário de algumas centenas de prêmios que caçam níqueis junto a empresários e lideranças, esta acrescenta ao currículo. Registro isso, não para o Zé se gabolear, mas para contextualizar o leitor.

    Parabéns ao Zelindo! São décadas labutando na imprensa, consolidando um estilo que, concordemos ou não, tem encontrado eco na comunidade e junto aos patrocinadores. Não basta ter o horário nobre na mão, como tem, é preciso fazer com que produza um efeito social. E ele, o apresentador, produz. É ouvido, amado e odiado quase com a mesma intensidade.

    Uma pesquisa destas repercute em nós, na Noroeste e seus trabalhadores, porque o resultado nos diz que a comunidade: primeiro, ainda ouve rádio, e, segundo, ouve a Noroeste. Em tese, contar um fato pro Dias, pro Zelindo, pro Jairo, pro Face ou site do Jornal, produz efeito. Então, parabéns a todos nós que fazemos parte da Noroeste/Guaíra (EJN) em seus diversos ramos, pois os ramos fortalecem os galhos e, estes, o tronco.

    Eu não faço rádio como o Zelindo, tampouco como o Jairo, mas todos o fazemos porque acreditamos em algo maior que o jornalismo ou o retorno financeiro, fazemos por acreditar que é possível lutar por algo melhor como legado aos nossos filhos. Ao nosso modo, tentamos entender que tipo de rádio o povo quer para representá-lo e, claro, conectar esse sentimento com o rádio que a sociedade precisa.

    Veio o advento das mídias sociais, do Face, do Whatts, dos sites que oferecem múltiplas opções, e as emissoras de rádio também foram obrigadas a se reciclar, se modernizar. O veículo rádio é vital. A pesquisa que colocou o Zelindo na lista das estrelas do rádio gaúcho também diz, nas entrelinhas, que a Empresa Noroeste faz a diferença na sociedade, é ponto de referência.

    Por quê? Porque não é a denúncia da moça na rede social que vai mudar a situação, salvo raras exceções. Ela quer criar o eco, mas sozinha não consegue. Para isso dará as linhas do fato, as coordenadas e alimentará as redes sociais, e o jornalismo da Noroeste segue as pegadas para soltar o grito... Somente depois virá o eco. E o eco transforma.

    A cidade que todos queremos e merecemos, aquele calçamento da Rua Limoeiro (finalmente executado), o medicamento no posto de saúde, a Ponte no Bela Vista, tudo isso também se constrói com a credibilidade do jornalismo, com o auxílio de uma imprensa que denuncia, não para achincalhar, mas para buscar solução a quem dela precisa. Ainda é a imprensa forte que nos impele para além das amenidades, para além da vida insossa e dos programas de TV que transformam todos em imbecis (ou zumbis, que estão muito em voga no cinema).

    Antes que mergulhemos completamente no ostracismo, no egoísmo de nossas vontades pessoais e contas bancárias gordas, devemos lutar até as últimas forças por algo melhor. Por isso faço rádio, para que o eco retumbe!

  • sexta-feira, 27 de maio de 2016 11:13

    Pelo que você vive?

    Filosofo, talvez porque os dias sejam frios e as bergamotas estão no ponto, ou porque na “Ascensão do Senhor” pensemos na morte e na vida obrigatoriamente.

    Eu, como tantos outros, me pergunto: por que um homem como Alcides Vicini, do alto de seus 70 anos, com quatro mandatos de prefeito e sem mais nada a provar, concorrerá outra vez? O que faz um indivíduo desejar administrar todos os “pepinos” de uma cidade, 2 mil servidores e uma infindável romaria de “parceiros” políticos?

    Certamente não é o salário de R$ 18 mil, afinal, já fez seu pé de meia nestas décadas de trabalho. Nem a influência política, pois não precisa mais dela. Nos bastidores, é dado como certo que concorrerá. Por quê? Talvez a resposta esteja na pergunta que dá título a essa crônica: “pelo que você vive?”

    Em geral, as pessoas dizem “eu morreria por isso”. Ah, eu morreria por um filho, eu morreria pela minha mãe, etc. É a visão que nos vêm impressa pelo cristianismo, o Cristo a morrer por nós. No entanto, a questão que eu pretendia propor é outra: pelo que você vive?

    Não é um papo religioso. É uma linha de raciocínio acerca daquilo que dá alegria, que empresta cores ao nosso dia a dia. Eu morreria por algumas pessoas, acho, mas só algumas. Então, pelo que eu vivo? Talvez eu viva por essas pessoas! É muito, e também pouco, porque somos individuais e egoístas, queremos a chispa da história, da permanência, da lembrança.

    Vivemos por isso. A vida passa, ou passamos nós e, com algum esforço, teremos deixado dinheiro aos nossos filhos e uma condição melhor que a nossa inicial. Não basta! Queremos deixar a história, permanecermos depois de partir, figurar nas lembranças. Posteridade!

    Eu não o conheço, mas duvido que o Valdir Carpenedo viva pela fortuna que poderá agregar e, posteriormente, legar aos herdeiros. Certamente há motivos diversos, maiores, a começar por inscrever seu nome na história do Município e do Estado na lista entre os maiores visionários empreendedores. Isso faz um homem viver! Não penso em Virgílio Lunardi como um homem rico, mas como o cidadão que gerou energia elétrica em uma usina construída no Rio Pessegueiro. Isso permaneceu!

    Por que o Vicini concorrerá a um quinto mandato de prefeito? Poderia gozar merecidas férias, viajar, ser oráculo político, banhar-se em águas límpidas. Uns dirão que ele vive por Santa Rosa, que a cidade pulsa em suas veias. Uns dirão, o carinho e a popularidade fazem-no viver. Eu, no entanto, creio que ele vive pela própria vida, para manter em si essa vitalidade e deixar seu nome impresso de tal forma na história que jamais poderá ser ofuscado por estrelas que virão depois.

    E nessa lógica, do que se apaga, creio, mas apenas creio, que o PT não morreu. Há de se depurar a partir dos genuínos petistas, agarrar-se às bandeiras históricas e lutas de origem, sem casamentos espúrios. A Dilma “morreu” pelo PT. Creio que os “petistas de verdade” viverão pelo partido e até mesmo pela própria história, do contrário serão riscados dela.