• sexta-feira, 12 de maio de 2017 15:39

    A boa escola pública

    Sou jornalista há mais de 20 anos. Tenho poucas e boas para contar dessa vivência. E hoje não escreverei sobre política. Cansei!

    Há muito os professores se queixa que tudo recai sobre a escola. Cabe ao professor tentar suprir a ausência da família - desestruturada e sem tempo. Ou ser norte em meio à sociedade violenta e dominada pela droga. E até mesmo, ao educador coube a missão de dar referências básicas de conceitos sociais que deveriam vir de casa.

    Sempre me apavoro com isso. É muita responsabilidade para a escola já tão precarizada e sobrecarregada. Meu pânico aumenta quando vejo leis que retiram poder do professor e abrem brechas a excessos dos estudantes. E meu pânico se torna imenso quando meninas adolescentes matam uma colega dentro de sala de aula.

    Estudei toda a vida em escola pública. Minha filha idem e o faz até os dias de hoje. Também convivo com as escolas públicas quase semanalmente, em atividades de palestrante ou gestor de projetos. E, felizmente, o que meus olhos veem em nada se assemelha ao que leio nos jornais e acompanho na grande mídia.

    Ouvimos a toda hora falar mal da qualidade da escola pública, dos professores desmotivados, das greves, do sucateamento da educação. Quem está com esta versão dos fatos deve ir para dentro das escolas, conhecê-las, e se preparar para rever conceitos.

    Estive por três dias no Instituto Estadual Cristo Redentor em Cândido Godói na semana passada, fui oficineiro e convidado a acompanhar o lançamento do livro da estudante Samara Wobeto. Voltei impressionado. Com a acolhida, com a organização, a limpeza, o carinho dos professores, as relações interpessoais, e o imenso suporte à aluna que se lança na literatura. Fantástico. Escola pública.

    Aqui em Santa Rosa, passei o sábado todo envolvido no dia da família do Poli. Impressionante como a escola é viva, como pulsa, como a comunidade a abraça. É mérito da escola, dos professores, dos pais. É um todo. Perdi a conta das atividades realizadas, de incentivos que vão da música ao esporte. Escola pública. E é assim com o Cairu, com o Bráulio e tantas outras.

    Volto ao ponto crucial... Elas, as escolas, não existem sem professores que se apaixonem e amem o que fazem. Muitas vezes basta um professor para mudar tudo... Um que ame mais que o salário (porque este, o salário, infelizmente, vai demorar a aumentar).

    Daí a impressão que tenho: se o governo fizesse um pouquinho mais, só um pouquinho, estaríamos no paraíso. E poderia começar pelo simples, injetando mais recursos naquelas escolas em que os pais não têm poder aquisitivo para auxiliar em melhorias.

    Não sei se construiremos um Brasil decente para nossos filhos, mas sei que podemos ensiná-los a pensar.

  • sábado, 6 de maio de 2017 11:24

    Pequenas grandes coisas

    Pequenas leituras dos últimos dias. Leituras de fatos. Tipo greve geral, ministros em Santo Ângelo e Feira do Livro. Estava
    na Feira do Livro, evento que vivo com meses de antecedência, de modo que pouco consegui acompanhar dos noticiários regionais e nacionais na semana que passou.
    Conversei com ativistas do movimento sindical às portas dos bancos, no entanto, afora isso, pouco da greve geral chegou até mim. Quem esteve nela assegura que foi muito exitosa. Opostos dizem que fracassou. Sinceramente, eu pouco esperava em termos de mobilização. Por quê? Porque tinha a chancela das centrais sindicais de trabalhadores, e por isso foi denegrida e desconstruída por boa parte da imprensa e por todos os grupos contrários ao PT e às centrais. E será assim se chamarem outras paralisações.
    Hoje, no cenário nacional, creio que somente um novo movimento genuíno, tipo aquele de 2013, nascido fora do MBL e das centrais, poderá impactar nas condutas do Governo Federal e mudar o quadro. Nada li na imprensa estadual ou nacional a respeito do protesto que recebeu ministros de Estado na abertura da Fenamilho, no final de semana.
    O vídeo postado no Facebook é bem assustador. Podem alguns dizer que foram uns poucos agitadores, que são sindicalistas ou alinhados com a oposição ao Governo, mas não se pode dizer que o fato deixa de ser preocupante. Há meses era pedra cantada que esse tipo de agressão/pressão aconteceria em relação aos políticos do Brasil. O novo governo nacional é velho em tudo, não caiu nas graças da população e granjeia alianças cada vez menos inocentes. Dá nisso! Certo é que a nação não merece tanta gente corrupta em posições de destaque, como também é certo que os brasileiros não querem uma nova Venezuela.
    Os brasileiros querem um país que lhes dê esperança! Por que o Governo não compreende isso? Esperança. Para tê-la carecemos de educação, segurança, trabalho e não morrer trabalhando. Há muitas notícias boas ao nosso redor, vou listar algumas do meu alcance, a começar pela Feira do Livro. Foi muito boa. Está de volta ao seu esplendor. Claro que há observações cá e lá, no entanto, somente dobrar a área de acolhida na área externa já muda todo o cenário. Houve espaço para convivência, e houve a convivência. Ela não se fez presente no ano passado. Então, é preciso elogiar sim os organizadores, do setor público e os voluntários.
    Os advogados Paulo Madeira e Aquiles Giovelli nos deram uma lição de como é possível caminhar das diferenças políticas para chegar à amizade. Fantástica figura o patrono professor Arnildo Rockenbach, orador dos mais elevados. Felicidade ver o ex-prefeito Anacleto gozando de saúde. As atividades noturnas da Feira foram de altíssimo nível. E daria para escrever umas cinco crônicas agradáveis desses quatro dias de evento. P.S. Aquela van dos ministros em Santo Ângelo, em seu sacolejar, parecia transitar em nossas estradas do interior.

  • sexta-feira, 28 de abril de 2017 17:04

    Uma cidade de grandes marcas

    Em semana de Feira do Livro julguei oportuno refletirmos sobre as marcas que vendem Santa Rosa para além das fronteiras do município. Por quê? Para chamar atenção à cultura...

    Qual é a nossa maior marca? Como sou natural de Salgado Filho, quando a gente perguntava lá era fácil: Chás Prenda (que hoje está em Nova Candelária). Aqui, em terra com 70 mil habitantes e de enormes riquezas, se torna um tanto mais dificultosa essa escolha. Musicanto, Fenasoja, Hortigranjeiros, Oktoberfest, Xuxa ou Taffarel?

    Cada um, certamente, tem uma resposta diferente à pergunta inicial, que varia do viés político, econômico e até social em que se encontra. Dá ainda para enveredar a outras áreas, citar personalidades atuais como Terra e Vicini (quase naturalizados), ou empresas como a CCL ou a GP, que nasceu aqui e hoje alcança o Brasil todo.

    Marcas são construídas em muitos anos, e algumas se eternizam mesmo depois de extintas como a Ferramis, a Ideal, o Prenda e o glorioso Dínamo. Longe, em qualquer canto do Estado, quando alguém falava “Dínamo”, logo emendava, de Santa Rosa.

    Então, o que vende nossa imagem além das fronteiras do Município? Hoje, acima de tudo: Fenasoja. A Feira é de todos, por isso se mantém tão viva.

    Quero, no entanto, deixar o registro feito por um amigo. Ele me contou que estava em viagem pela Argentina quando disse a um taxista de Oberá que era de Santa Rosa. Prontamente, o castelhano lhe respondeu: “Terra do maior festival de música da América Latina”. Ops! Imagine o susto desse vivente, que sequer curte o Musicanto, ao ouvir isso.

    Essa é a minha resposta à provocação inicial. O Musicanto é, junto com a Fenasoja, a maior marca que Santa Rosa criou ao longo de sua história. Em São Paulo ou na América Latina se falava e escrevia a respeito do Festival. Eis, aí a janela de mídia gratuita que o município tinha. Não se diz a toda hora que a Xuxa ou o Taffarel são de Santa Rosa. Mas, ao citar o Musicanto, sim e sempre a cidade aparecia (acontece onde?). Ao citar Fenasoja também é assim.

    Não é aceitável que se deixe morrer um festival tão plural e belo quanto este. É compreensível que a população quer saúde, asfaltos, estradas decentes para o interior. Mas, não pode o Município, sob esse argumento de prioridade, em um orçamento de R$ 300 milhões anuais abrir mão de executar o Musicanto. Com ou sem LIC ou Rouanet é preciso encontrar modo de realizar o Festival.

    Por fim: Aos poucos, a Feira do Livro entra no rol das nossas grandes marcas, felizmente está consolidada. Parabéns à Prefeitura sim, mas também à ASES que tanto fez pelo evento, e parabéns aos escritores que não medem esforços para lutar por seu espaço nessa seara tão ingrata.

  • segunda-feira, 24 de abril de 2017 07:46

    De mil e um assuntos pendentes

    Os assuntos para crônicas são tantos que é impossível condensálos em meia dúzia de linhas ou aglutiná-los por temas, a exemplo da lista do Facchin, a Reforma da Previdência ou a greve geral convocada pelas centrais sindicais para a próxima semana.

    No entanto, duas questões têm me inquietado bastante nos últimos dias, ambas com relação ao trânsito. Como estou em processo de habilitação, percebo bem mais o que me passaria distante em dias normais. Item um: o abandono do Estado (e União também) de trechos de extremo risco à vida nas rodovias da região. Item dois: algumas insistências do município com mudanças no trânsito.

    Ir de Santa Rosa a Mauá é quase impossível. Transitar atrás do Parque de Exposições rumo a Três de Maio, então, é uma loteria se for à noite ou com garoa. Zero marcação na pista e uma manta asfáltica amanteigada que escorrega de tão macia. Sem contar os trevos com mais buracos que plástico-bolha nas mãos de criança.

    Voltando ao município! Pintaram um estranho estacionamento no centro da Avenida América nas imediações do Sepé Tiaraju e Estádio, e colocaram contêineres de lixo. Eu e os instrutores da autoescola não compreendemos mesmo, afinal, a Avenida é para desafogar o trânsito e ali passa apenas um carro por vez. Uma boa sugestão ao Conselho e à Secretaria: chamar os instrutores para reuniões periódicas, uma espécie de consultoria, e assim terão especialistas no assunto.

    Mudando “cento por cento a prosa”, eu e alguns agentes culturais trocamos algumas palavras, recentemente, à espera de novidades. Estamos em abril, fechando um terço do ano, e não ouvimos uma palavra sequer da Administração com relação ao Fundo Municipal de Cultura. Sabemos que as chuvas causaram muitos danos, que há urgências maiores, mas o valor destinado ao Fundo estava em rubrica específica.

    A Feira do Livro está às portas, inicia na quarta-feira e se estende até sábado, no entorno do Centro Cívico e Biblioteca. Vá lá, mesmo que seja para conversar! E se for da área cultural, traga sugestões, porque só de trabalho o povo não merece viver.

    Buenas, eu ainda pretendia escrever sobre a morte do juiz do Trabalho ocorrida em Porto Alegre, com todas as prerrogativas de enredo para um grande livro. Escrever sobre a questão dos crimes praticados por menores. E lembrar que para um silêncio de todos os entes, inclusive a imprensa, a respeito da morte daquele jovem monitor na Casa Lar. Mas isso tudo fica para mais adiante!

    Como registrei no princípio, linhas poucas para uma enxurrada de assuntos... OPS! Palavra imprópria para o cenário local. Chuva não!