• sábado, 21 de maio de 2016 10:10

    A nova esperança

    Havia quatro pessoas no debate na Rádio Noroeste no sábado, todos ligados a entidades empresariais da cidade e região. É inegável que Temer guindado à presidência provocou, aí, uma onda de esperança.

    Mas, que esperança é essa?

    Apenas, que o Brasil volte a avançar, pois a inércia está alojada há mais de ano e meio em todos os setores da economia. Esse é o principal incômodo, associado não às pedaladas fiscais, mas aos escândalos de corrupção que vieram à tona nos últimos anos.

    Anotei, para revisões futuras, a frase do Aléssio: “se esse governo não fizer o dever de casa, iremos às ruas outra vez”.

    Percebo esse clima novo, esperançoso. Confesso, ele me alegra, afinal, o sonho de qualquer pai é acordar sabendo que os filhos viverão em um Brasil de mesa farta e boas refeições. Então, vou apimentar um pouco!

    A nova esperança é acabar com os desvios, roubos e a corrupção no Brasil, de modo que a Sérgio Moro sugere-se estátua em local de destaque em território nacional. É primor, então, varrer a casa outra vez, afinal o “Homem” levou ao Planalto ministros investigados na Lava-jato. E tem em sua base de apoio no parlamento figuras mais lisas que sabonete...

    A nova esperança é por um Estado mais enxuto e prático, que corta ministérios e 4 mil cargos de confiança. Precisava sangrar logo a cultura? Fica a ideia que não se deseja que as pessoas aprendam a pensar.

    A nova esperança tem quatro ou cinco boas mancadas em dois dias de governo, quando teve meses (sim, meses) para pensar em nomes e medidas que transmitissem segurança. Assim, dá a impressão que não sabe exatamente para onde irá.

    A nova esperança é um País com menos impostos, muito embora não tenham combinado com o “Homem” que sonha com a volta da CPMF.

    A nova esperança fala em reforma da Previdência sob clara pressão das centrais sindicais e cita um rombo da previdência é de R$ 81 milhões nesse ano.

    PONTO AQUI... A Associação Nacional dos Auditores-Fiscais da Previdência (Anfip), sindicato da tropa fiscalizadora do pagamento das contribuições patronais, calcula que a sonegação desvia de 30% a 50% da arrecadação do INSS. E que se o Brasil fechasse às portas à sonegação, roubos e desvios praticamente zeraria o déficit, incluindo também combate à informalidade.

    A nova esperança tem velhas caras, receitas carimbadas e um estranho casamento com aliados que há pouco se divorciaram, cheios de sorrisos plásticos e joviais como quem desposou uma jovem impoluta.

    Quanto aos empresários da região, a nova esperança é com o Ministro Osmar Terra, a somar com Moreira Franco e Eliseu Padilha, dentre outros que podem alavancar projetos eternamente engavetados como a ponte internacional, o aeroporto e a usina hidrelétrica.

    Que essa nova ESPERANÇA brasileira não vá perdendo sílabas na caminhada, que não se torne ESPERA.

  • sexta-feira, 13 de maio de 2016 17:41

    A partir de hoje

    A partir de hoje o Brasil não tem mais problemas, estão todos resolvidos! A festa popular é a maior que vi em décadas. É de comoção nacional.
    Noutro dia estava eu em um cruzamento da cidade, à espera do sinal abrir, quando, em direção paralela, um famoso advogado local cruzou o sinal fechado com sua bela camionete. Infrator impune. Show de bola. Essa é a demagogia de hoje. Amanhã ele bradará em favor do direito e de punição aos infratores e corruptos. Passar no sinal vermelho é assaltar um banco! Ou nós brasileiros entendemos isso e cobramos desta forma ou continuaremos mergulhados na fossa em que estamos.
    Não há como crer na seriedade de um Senado em que Fernando Collor e Renan Calheiros são arautos da moralidade. Não há como crer que haverá um Brasil diferente quando a maioria dos brasileiros elege o PT e o PMDB para governar, em um não ao PSDB. E, no ajeitar das melancias, o PMDB chuta o PT e dá lugar a quem? Ao PSDB! É desta forma que riem dos brasileiros aqueles que assumem o governo a partir de hoje.
    Ufa, estamos livres da Dilma e de todo o aparato petista! A partir de hoje acabaram nossos problemas econômicos, o desemprego e a inflação. Também não teremos mais profissionais médicos de planos de saúde a vender receitas para que clientes possam buscar gratuitamente nos postos do SUS a vacina contra a gripe. Ah, isso aconteceu no moralista e corretíssimo Rio Grande do Sul!
    Sou um desesperançado há muito tempo. Inclusive porque, como quase todos os brasileiros, espera que o moralista PT (dos discursos) acabasse com as velhas raposas que se fartavam há décadas com as uvas brasileiras. Bem feito, o partido acabou comido pelas próprias raposas.
    Esse dia talvez entre para a história como o “Dia do Eu Vou”. Porém, com o mesmo sentimento que imperou no “Dia do Fico”, aquele em que Dom Pedro I, para a felicidade geral da nação, deu voz aos clamores dos senhores de escravos, donos de minas e plantações de cana que não mais conseguiam pagar pesados impostos à coroa portuguesa.
    Vai mudar, de fato, o quê?
    Os países desenvolvidos apontam o Brasil como um dos mais burocráticos do mundo, alertando que isso é entrave para o nosso desenvolvimento... E um empresário metalúrgico me conta que para cada item novo que coloca na mão de um fornecedor terá de preencher 19 processos administrativos.
    Os governantes vão mudar esse cenário de exageros de papelada? Vão enxugar a máquina pública? Proporão um Estado prático e eficaz? Trabalharão para coibir desvios de verbas públicas? Terão moral para derrubar parlamentares envolvidos em crimes de corrupção, como o próprio Collor?
    Não, meus amigos não teremos um Brasil novo a partir de hoje. Não teremos um SUS melhor ou mais segurança pública! Teremos medidas populistas, como cortar alguns ministérios ou ajustar a economia. Nada mais! Por ora, o jogo é o mesmo, distribuir favores aos grandes partidos em troca de apoio. É repetir o filme que o PT exibiu, é jogar para o Congresso e o Senado.
    Nada espero da política atual, salvo se as pessoas compreenderem a importância do voto e elegerem prefeitos e vereadores sérios no pleito de outubro. Essa é a mudança que espero! Ou talvez sejamos (como somos hoje) salvos pelo judiciário. Talvez... Desde que consigamos entender que violar um sinal vermelho no semáforo é assaltar um banco, e ponto final!

     

  • sábado, 30 de abril de 2016 09:13

    O Kieling não é petista

    Com Fenasoja começando eu deveria escrever um artigo sobre a Feira e seus 50 anos, sua importância para a economia regional. No entanto, quero partilhar uma preocupação banal...
    Um conhecido meu, em conversa de bastidores, após ver algumas postagens do Gilberto Kieling no Facebook, tascou o seguinte comentário: “Nunca pensei que ele fosse um PTzão como tem se mostrado”. E a sequência é praticamente esta: não vou mais ler os artigos dele porque vai defender os pontos de vista do PT.
    Aí está um dos nós que se produziu nesse Brasil atual: qualquer pessoa que se manifeste como indivíduo com preocupação social é rotulado de petista. Pensa valores da esquerda, é petista! E por ser petista tem que ser colocado à margem, sem direito à opinião que valha ser ouvida. E, por via de consequência, foi ferido todo o olhar social.
    Eu, por exemplo, se fizer defesa das cotas, sou petista, e como tal, não mereço crédito. Se manifestar apoio ao assistencialismo do Bolsa Família, devo ser banido da imprensa. Enfim, os movimentos produzidos nestes últimos anos demonizaram tudo que é projeto de alcance social, como se estes fossem o câncer do País. Não é o assistencialismo que afundou o Brasil. É a corrupção desse sistema político besta que dá poderes de Deus a demônios.
    A mídia de massa desse país, que sempre exibiu apenas um ângulo das questões, conseguiu produzir um efeito fantástico a partir do Mensalão e da Lava-Jato, conseguiu alinhar o pensamento da classe média-baixa (também pobre) com o pensamento dos mais ricos. Dessa forma, é feio defender qualquer tipo de bolsa, qualquer programa que mude realidades.
    O Kieling, presidente da OAB, advogado, grande escritor, não é petista. É um sujeito que vê além da cortina do seu apartamento. Mora em um bom lugar, tem filhos bem encaminhados na vida, goza de certo poder aquisitivo conquistado com seu trabalho. Poderia fazer coro com todas as vozes que clamam o fim de tudo que é social. No entanto, como indivíduo que pensa, que sofre as dores de séculos de desmandos e inércia, entende que é preciso construir bases de justiça social para um Brasil de futuro.
    Com a Fenasoja em curso eu pensava escrever um artigo sobre os entraves que nos colocam no rodapé do Brasil, que nos fazem crer que é melhor alugar o Rio Grande do Sul aos catarinenses que continuar crescendo feito cola de égua.
    Queria pegar pesado com a Ponte Internacional que nunca sairá, o aeroporto que morre à míngua porque o governo não fará nada e os acessos asfálticos aos municípios da região que seguem na interminável fila de espera...
    Mas, por que escrever um artigo em que os maiores beneficiados serão aqueles que já têm bom poder aquisitivo? Sim, porque ponte internacional, asfaltos e aeroporto interessam, primeiramente, à fatia mais abastada, os mais próximos a usufruírem os dividendos. A resposta é: escrever pelo olhar social.
    O mesmo olhar social que levou meu amigo a rotular o Kieling de PTzão. Melhor infraestrutura é um diferencial para mudar nossa realidade, mudar nossas vidas. Isso é olhar social. Não estão errados os poderosos a querer o melhor para si! Porém, cabe ao governo oferecer algo a mais a quem tem menos.
    Vida longa à Fenasoja! Outros 50 anos tão áureos. O mesmo desejo ao Kieling, este Kilieng!

     

  • sábado, 23 de abril de 2016 09:54

    As tolices mais tolas ou a sabedoria do impedimento

    O impedimento da Dilma foi uma comédia séria, digna de concorrer ao Oscar. Tomei assento no sofá com certeza que veria exatamente o que vi. Não esperava nada diferente, nem mesmo o resultado! Quando um parlamentar se vangloria de estar no 10º mandato consecutivo (no poder desde a ditadura militar), evidencia-se que algo está errado com a política nacional. Então, Cunha conduzir o processo é perfeito!

    É preciso dizer que o PT começou a cavar o cenário atual muito antes de meter-se com as empreiteiras e cometer as pedaladas. Começou ao manter aliança com o PMDB e salvar raposas velhas como Sarney e Calheiros. E, também começou ao provocar antipatia até mesmo em quem lhe era simpático ao abrir discursos com “brasileiros e brasileiras” ou “trabalhadores e trabalhadoras”, como se o plural não incluísse o sexo feminino. Piorou ao mudar a própria língua portuguesa para usar o termo “Presidenta” como se ela precisasse gritar que é mulher. Alguém vê o Obama dizer que é negro? Coisas simples, mas que granjeiam antipatia e se acentuam nas horas em que o desgaste assoma.

    Porém, voltando à sessão do impedimento da Dilma, caso algum cineasta edite as melhores pérolas, terá sim um filme para concorrer ao Oscar.

    Mais cômico que os deputados trabalharem em um domingo foram todos os discursos em nome de Deus e da família (só para lembrar que assim começou 1964)! Os petistas também jogaram à plateia com a retórica “contra o golpe!”.

    Antes das frases, porém, há de destacar-se: a imbecilidade do Bolsonaro ao homenagear um coronel torturador; o cuspe do Jean Willys no Bolsonaro; o paulista que votou com farda da Polícia; as incontáveis acusações ao Cunha; o deputado fazendo o gesto do tiro, repetidas vezes (deveria sair preso dali) e até a deputada do PSD que elogiou o marido, do mesmo partido e prefeito de Montes Claros (Minas), moço foi preso no dia seguinte, pela Polícia Federal. Deve ser inocente!!!

    Pérolas do Dia Inesquecível:

    Atendendo pedido da maioria dos brasileiros.

    50 milhões de votos não autorizam o assalto ao País.

    Sim, porque o Brasil chegou hoje ao Juízo Final.

    Esse povo nas ruas não vem da Venezuela ou da Coreia.

    Pelos médicos tão perseguidos por esse governo.

    Em defesa dos milhões de desempregados.

    Aqui estão corruptos que se põem como arautos da moralidade.

    Um réu no STF conduzindo o processo.

    Eduardo Cunha, você é um gângster, como todos os que estão contigo. Cheira a escroto.

    Voto sim, pelos moradores de rua da minha cidade.

    Renovar as esperanças e propor o novo. (?)

    Nunca vi usar tantas vezes o nome de Deus em vão.

    Sim, pela minha inviolável consciência. (Aí!)

    O ladrão está sentado no banco da presidência desta casa.

    Pela paz em Jerusalém (????).

    Pela república de Curitiba (????).

    O impedimento da Dilma foi uma comédia séria, digna de concorrer ao Oscar. No entanto, o assunto é sério. O Brasil é que não é.