• sexta-feira, 19 de junho de 2015 08:06

    Um pensamento fora de tempo

    Um pensamento fora de tempo porque a hora parece ser de crise e nestes momentos o que as pessoas menos querem é propor investimentos.

    Quando me atrevo a dizer que o pensamento é fora de tempo, é porque se o tempo é de crise e de ajustes nas contas públicas, a última ponta da corda é o segmento de turismo. Se não temos recursos para custear serviços essenciais como saúde e folha de pagamento dos servidores, como poderemos pensar em ações que estimulem um segmento que jamais soubemos explorar? Mas talvez seja justamente nessas horas, quando as nuvens anunciam frio, que devemos aproveitar esse andar mais lento para tirar as mãos dos bolsos e esfregá-las até aquecer.

    Sempre defendi que deveríamos, como cidade, investir pesado em turismo. Temos tudo para isso, principalmente porque somos o polo de uma microrregião e porque temos, naturalmente, elementos atrativos como o Rio Uruguai e uma série de eventos que atraem público, a exemplo do Musicanto e Fenasoja. Em breve a região contará com a barragem da usina elétrica. Todos creem que o Governo Federal vai bancar o investimento e com ele virão dezenas de outras perspectivas. E vamos esperar que Mauá e Alecrim colham todos os bons frutos ou vamos também preparar nosso pomar com antecedência?

    Se o tempo é de ajustes nas prefeituras, melhor ainda para falar em turismo, isso porque quando o ritmo de produção laboral está mais baixo, então é a hora boa para sentar e usar algumas horas com planejamentos. Hora de tirar do papel aquelas dezenas de sugestões que são anotadas há pelo menos duas décadas porque, lembro, a Claudete Mallmann (isso já faz anos) discutindo essa temática.

    Xuxa e Taffarel são apenas dois dos exemplos clássicos de como exploramos mal nossa economia turística. Godói tem praticamente só o assunto dos gêmeos e aparece 10 vezes mais nas fotos que nós. Por que não exploramos com a devida atenção o nome do Padre Arcanjo? Então, o que nos falta? Tirar as mãos dos bolsos e esfregá-las até aquecer.

    Amigos escritores estão escrevendo, aos cuidados do Juca, Magnus e Karla, um livro cuja temática é “contos santa-rosenses”. Buscamos pela memória alguns fatos e personagens pitorescos para transformá-los em histórias. Inventei, ajudado por alguns fatos bastante reais, duas histórias que exemplificam melhor isso.

    Pus no papel um conto sobre uma menina paranormal que atirava pedras e movia objetos com a força da mente. Bem singular, não? Pois é, tem tudo a ver com a santa-rosense Leonice Fitz, que infelizmente faleceu muito jovem. Mas há certa peregrinação ao seu túmulo, sabiam? A casa da família onde os fatos ocorriam, lá na Linha Boa Vista, ainda está lá, com suas madeiras a desbotar... Outro fato que transformei em texto de ficção é a passagem de Joseph Mengele na região. Ele esteve em Santa Rosa também. Há gente que o conheceu. Por que não explorar o “caminho do nazismo na microrregião?”

    Isso tudo poderia nos render bons filmes, bons livros, e visitas, claro, muitas visitas. É turismo latejando, é poço vertendo na terra fértil. Não adianta ter Diretoria e Conselho de Turismo, têm que ter investimentos impactantes, investimentos grandiosos neste segmento para que ele se torne realmente importante. É como se fez com o Vale-livro. Não adianta falar em livros sem incentivá-los. É a água toca o moinho... Aliás, moinho também é turismo...

  • sábado, 13 de junho de 2015 00:28

    Moroni, haitianos e outras farpas

    O final de semana é de Indumóveis no Parque de Exposições. Aproveitando a Feira da Construção Civil e o local onde ocorre, a Prefeitura lança hoje o projeto que desencadeará a edificação de um grandioso ginásio municipal de esportes que pretende utilizar também como Secretaria a área. Realmente precisamos da obra, nisso concordo.

    Mas (tem sempre um mas) como dois mais dois são quatro, obviamente voltará à tona nos próximos dias outro assunto cheio de farpas: a demolição do ginásio João Batista Moroni e a consequente “necessidade” de venda do terreno localizado na nobre esquina que faz frente à Praça da Independência, um filé imobiliário. O assunto dorme em silêncio, cercado de tapumes, há meses...

    A Prefeitura não tem dinheiro em caixa para fazer o ginásio novo no Parque de Exposições, não agora, nessa chiadeira toda. Nem poderá contar com verbas parlamentares, afinal, o Governo Federal tem deixado claro que a tesoura está afiadíssima. Então, o discurso é: “Precisamos vender aquele terreno e investir nesta obra tão necessária para Santa Rosa”. Avisados estão, todos, os prós e os contrários.

    Já manifestei opinião em outra oportunidade, contrária à venda do espaço nobre. Até concordo que, na impossibilidade de recuperar o ginásio, deve-se demoli-lo, porém para edificar outro empreendimento destinado à finalidade pública no local. Sei, no entanto, que somos minoria nessa corrente.

    E por falar em obra, piada de mau gosto é a proposta que vem sendo urdida pelos advogados que representam as empreiteiras envolvidas no esquema de corrupção que abalou o País nesse ano. Devolver o dinheiro roubado, todo, em troca de perdão e manutenção de contratos com o Governo Federal. Só pode ser piada... Traduzindo: Roubo, mas se me flagram, devolvo, e fica tudo como antes, sem punição alguma. Mas se ninguém acusa, fico com tudo. Show de bola, exemplo a ser copiado mundo a fora...

    Outro tema cheio de farpas é a “invasão” de haitianos (e de países africanos também) em território nacional. Essa discussão é tola, com o perdão da palavra a quem pense o contrário, porque a imensa maioria dos habitantes desta região descende de imigrantes que vieram fazer o mesmo que os haitianos de hoje: um lugar para viver com dignidade.

    Estamos em crise, sim, mas fechar as portas é atirá-los à miséria, é negar a eles a oportunidade que nossos antepassados receberam aqui mesmo. Há sobra de tudo para quem compreende o que significa amar o próximo. Não falta emprego, nem terra nesse Brasil imenso... Falta seriedade aos governantes que não conseguem fazer a transposição do São Francisco ou minimizar a violência nas grandes cidades. Precisamos de mais amor e menos corruptos.

     

    EM TEMPO: ouçam o debate, neste sábado, a partir das 10h. A presença do negro na formação regional, preconceito e lutas.

  • sábado, 11 de julho de 2015 09:52

    Não vai ser fácil vender o Moroni

    Goooooollllll! É no Moroni, ginásio que viu muitas glórias. É gol dos preservacionistas da história...

    É a sensação que ficou (para mim) após findar o debate produzido na Rádio Noroeste para lançar luzes sobre as três correntes que se posicionam a respeito do ginásio de esportes João Batista Moroni: uma é pela preservação total, outra é pela manutenção do terreno e a de Vicini, que quer vender tudo. Fiquei com a sensação que não vai ser fácil o prefeito convencer a comunidade a concordar com seu posicionamento.

    O prédio está lá, cercado de tapumes, desde novembro do ano passado. Nesse tempo, nada se fez. E tudo segue na Justiça. O prefeito espera um temporal para que o ginásio caia e facilite as coisas pro seu lado. O Conselho de Cultura e a OSCIP Defender esperavam laudos técnicos para endossar a preservação. E a oposição política espera os desdobramentos para se mover.

    Nesse compasso de espera, o primeiro gol foi anotado pelos preservacionistas. A turma liderada pela Luciane Miranda recebeu dois descritivos técnicos, um do IPHAE e um de engenheiro ligado ao Ministério Público. Garantem que o prédio é de valor histórico e cultural e que pode ser reformado. Pode. É pepino para a Promotoria descascar. É de lá que virá o próximo movimento. Por ora, a bola segue na marca do cal.

    Foi um dos debates mais acalorados que produzimos nas manhãs de sábado. A possibilidade de venda da área sobre a qual está assentado o ginásio de esportes João Batista Moroni é uma cama de espinhos, nisso todos concordam. Vicini, Salsicha, Fonseca, Luciane Miranda e Osório trocaram argumentos contundentes, algumas vezes com farpas bem pontiagudas. Mas, discordam em quase tudo.

    Vicini insiste na venda do terreno através de leilão (o lote engloba também o espaço ao lado, o antigo Restaurante Chaleira Preta). Reformar custaria muito caro e o município não tem esse recurso em caixa, segundo ele. O prefeito quer conseguir R$ 2,5 milhões ou mais e iniciar a construção de um novo ginásio, aquele futurista, no Parque de Exposições. E refuta os dois laudos técnicos, por completo. Não vai levá-los em conta.

    Luciane Miranda não quer nem ouvir falar nessa possibilidade de venda e demolição. Fonseca também não. A diferença entre ambos é que o vereador aceita derrubar o prédio se não houver outra alternativa, mas mantendo a área sob domínio público para outros projetos. Já o Osório teme que o Moroni se transforme em caso semelhante à Prefeitura velha, um baita problema que se arrasta por década.

    Não apenas pelas posturas enérgicas de Fonseca e Miranda, mas também pela quantidade de mensagens recebidas via Facebook e celular, imensamente favoráveis a ambos, creio que não vai ser fácil o Vicini conseguir vender o imóvel. Ainda mais se com R$ 600 mil é possível reformar o Moroni e devolvê-lo à comunidade para uso. A bola segue na marca do cal, à espera da juíza (no caso, promotora).

    Por ora, assim posto, o pênalti favorece Luciane Miranda.

  • domingo, 7 de junho de 2015 09:35

    Nos perdemos na burocracia

    Tudo complicado demais, tudo cheio de leis demais, tudo engessado, tudo chato demais.

    Nesse país do “nada podemos, mas eles podem tudo” um dos maiores incômodos é o excesso de trâmites e fiscalizações. Tudo para quê? Teoricamente para evitar que os políticos e seus amigos colocados no poder lesem os cofres públicos. Ou para que o cidadão faça mau uso da sociedade. Mentira. Na verdade, tudo para abrir novas torneiras, novos gotejamentos por onde a verba possa sumir.

    O Brasil não é um país competitivo nos dias atuais por conta de seus excessivos impostos que atravancam algumas áreas, mas também porque há leis demais, há papéis demais, há deuses demais a quem devemos pedir autorizações. Quando o empreendedor pensa que venceu uma etapa, vem outra, e assim prossegue o martírio, até que ele praticamente desista.

    São asneiras em demasia, muitas delas para emparedar o cidadão, para que possa gerar uma multa ou uma ação judicial que impacte em verba para os cofres públicos. Morre alguém de forma estranha e lá vai algum político inteligente criar lei para garantir a segurança no elevador. Se alguém morrer ao abrir uma garrafa de cerveja com os dentes, engasgado, por exemplo, daqui a pouco um nobre proporá que o líquido seja vendido em embalagens plásticas ou coisa semelhante.

    Se vivêssemos rigidamente dentro dos princípios constitucionais, para cumprir todas as leis que criaram, não sairíamos de casa, não nos moveríamos do lugar. E talvez criassem então uma lei para dizer que estamos consumindo o ar do planeta sem contrapartida alguma e exigissem o pagamento de alguma cota.

    Na verdade são pequenas leis, muitas vezes idiotas, que nos levam algum dinheiro e nada acrescentam à nossa vida. Lembram dos kits de primeiros socorros exigidos dos motoristas? Pois é, para quê?

    A questão não é nova lei para cada “pum” que o indivíduo solta. A questão é punir o sujeito se o “pum” dele derrubou um prédio. É simplificar. Mudamos todo o sistema legal em função do incêndio na Boate Kiss. Engessamos tudo. Está complicado fazer uma festa, abrir uma empresa ou promover um evento. A questão é punição exemplar a quem excedeu, a quem provocou a tragédia. Mas no Brasil se faz o inverso, criamos leis que pouco acrescentam e novas faculdades de Direito para formar advogados que encontrem brechas nas leis criadas.

    É a mesma lógica para motoristas que bebem, dirigem e matam. Se assumiram o risco, incorreram em tentativa de homicídio. É cadeia, meses de cadeia pelo menos. Simples assim. Sim, o sistema carcerário está superlotado. Coloque essa gente a trabalhar, a gerar alguma renda. Aí criamos a Lei Seca, que o bom cidadão respeita e os bebuns continuam burlando... e matando nas rodovias.

    Alguém me disse noutro dia: “Não precisamos que o Governo nos ajude. Se não atrapalharem está ótimo”. É isso. Queremos viver. Precisamos de um país menos chato, de um governo mais simples, de uma vida mais simples, de gente menos chata. Precisamos rir. Chega de bombas sobre nossas cabeças e peso sobre nossos ombros.