• sexta-feira, 27 de maio de 2016 11:13

    Pelo que você vive?

    Filosofo, talvez porque os dias sejam frios e as bergamotas estão no ponto, ou porque na “Ascensão do Senhor” pensemos na morte e na vida obrigatoriamente.

    Eu, como tantos outros, me pergunto: por que um homem como Alcides Vicini, do alto de seus 70 anos, com quatro mandatos de prefeito e sem mais nada a provar, concorrerá outra vez? O que faz um indivíduo desejar administrar todos os “pepinos” de uma cidade, 2 mil servidores e uma infindável romaria de “parceiros” políticos?

    Certamente não é o salário de R$ 18 mil, afinal, já fez seu pé de meia nestas décadas de trabalho. Nem a influência política, pois não precisa mais dela. Nos bastidores, é dado como certo que concorrerá. Por quê? Talvez a resposta esteja na pergunta que dá título a essa crônica: “pelo que você vive?”

    Em geral, as pessoas dizem “eu morreria por isso”. Ah, eu morreria por um filho, eu morreria pela minha mãe, etc. É a visão que nos vêm impressa pelo cristianismo, o Cristo a morrer por nós. No entanto, a questão que eu pretendia propor é outra: pelo que você vive?

    Não é um papo religioso. É uma linha de raciocínio acerca daquilo que dá alegria, que empresta cores ao nosso dia a dia. Eu morreria por algumas pessoas, acho, mas só algumas. Então, pelo que eu vivo? Talvez eu viva por essas pessoas! É muito, e também pouco, porque somos individuais e egoístas, queremos a chispa da história, da permanência, da lembrança.

    Vivemos por isso. A vida passa, ou passamos nós e, com algum esforço, teremos deixado dinheiro aos nossos filhos e uma condição melhor que a nossa inicial. Não basta! Queremos deixar a história, permanecermos depois de partir, figurar nas lembranças. Posteridade!

    Eu não o conheço, mas duvido que o Valdir Carpenedo viva pela fortuna que poderá agregar e, posteriormente, legar aos herdeiros. Certamente há motivos diversos, maiores, a começar por inscrever seu nome na história do Município e do Estado na lista entre os maiores visionários empreendedores. Isso faz um homem viver! Não penso em Virgílio Lunardi como um homem rico, mas como o cidadão que gerou energia elétrica em uma usina construída no Rio Pessegueiro. Isso permaneceu!

    Por que o Vicini concorrerá a um quinto mandato de prefeito? Poderia gozar merecidas férias, viajar, ser oráculo político, banhar-se em águas límpidas. Uns dirão que ele vive por Santa Rosa, que a cidade pulsa em suas veias. Uns dirão, o carinho e a popularidade fazem-no viver. Eu, no entanto, creio que ele vive pela própria vida, para manter em si essa vitalidade e deixar seu nome impresso de tal forma na história que jamais poderá ser ofuscado por estrelas que virão depois.

    E nessa lógica, do que se apaga, creio, mas apenas creio, que o PT não morreu. Há de se depurar a partir dos genuínos petistas, agarrar-se às bandeiras históricas e lutas de origem, sem casamentos espúrios. A Dilma “morreu” pelo PT. Creio que os “petistas de verdade” viverão pelo partido e até mesmo pela própria história, do contrário serão riscados dela.

  • sábado, 21 de maio de 2016 10:10

    A nova esperança

    Havia quatro pessoas no debate na Rádio Noroeste no sábado, todos ligados a entidades empresariais da cidade e região. É inegável que Temer guindado à presidência provocou, aí, uma onda de esperança.

    Mas, que esperança é essa?

    Apenas, que o Brasil volte a avançar, pois a inércia está alojada há mais de ano e meio em todos os setores da economia. Esse é o principal incômodo, associado não às pedaladas fiscais, mas aos escândalos de corrupção que vieram à tona nos últimos anos.

    Anotei, para revisões futuras, a frase do Aléssio: “se esse governo não fizer o dever de casa, iremos às ruas outra vez”.

    Percebo esse clima novo, esperançoso. Confesso, ele me alegra, afinal, o sonho de qualquer pai é acordar sabendo que os filhos viverão em um Brasil de mesa farta e boas refeições. Então, vou apimentar um pouco!

    A nova esperança é acabar com os desvios, roubos e a corrupção no Brasil, de modo que a Sérgio Moro sugere-se estátua em local de destaque em território nacional. É primor, então, varrer a casa outra vez, afinal o “Homem” levou ao Planalto ministros investigados na Lava-jato. E tem em sua base de apoio no parlamento figuras mais lisas que sabonete...

    A nova esperança é por um Estado mais enxuto e prático, que corta ministérios e 4 mil cargos de confiança. Precisava sangrar logo a cultura? Fica a ideia que não se deseja que as pessoas aprendam a pensar.

    A nova esperança tem quatro ou cinco boas mancadas em dois dias de governo, quando teve meses (sim, meses) para pensar em nomes e medidas que transmitissem segurança. Assim, dá a impressão que não sabe exatamente para onde irá.

    A nova esperança é um País com menos impostos, muito embora não tenham combinado com o “Homem” que sonha com a volta da CPMF.

    A nova esperança fala em reforma da Previdência sob clara pressão das centrais sindicais e cita um rombo da previdência é de R$ 81 milhões nesse ano.

    PONTO AQUI... A Associação Nacional dos Auditores-Fiscais da Previdência (Anfip), sindicato da tropa fiscalizadora do pagamento das contribuições patronais, calcula que a sonegação desvia de 30% a 50% da arrecadação do INSS. E que se o Brasil fechasse às portas à sonegação, roubos e desvios praticamente zeraria o déficit, incluindo também combate à informalidade.

    A nova esperança tem velhas caras, receitas carimbadas e um estranho casamento com aliados que há pouco se divorciaram, cheios de sorrisos plásticos e joviais como quem desposou uma jovem impoluta.

    Quanto aos empresários da região, a nova esperança é com o Ministro Osmar Terra, a somar com Moreira Franco e Eliseu Padilha, dentre outros que podem alavancar projetos eternamente engavetados como a ponte internacional, o aeroporto e a usina hidrelétrica.

    Que essa nova ESPERANÇA brasileira não vá perdendo sílabas na caminhada, que não se torne ESPERA.

  • sexta-feira, 13 de maio de 2016 17:41

    A partir de hoje

    A partir de hoje o Brasil não tem mais problemas, estão todos resolvidos! A festa popular é a maior que vi em décadas. É de comoção nacional.
    Noutro dia estava eu em um cruzamento da cidade, à espera do sinal abrir, quando, em direção paralela, um famoso advogado local cruzou o sinal fechado com sua bela camionete. Infrator impune. Show de bola. Essa é a demagogia de hoje. Amanhã ele bradará em favor do direito e de punição aos infratores e corruptos. Passar no sinal vermelho é assaltar um banco! Ou nós brasileiros entendemos isso e cobramos desta forma ou continuaremos mergulhados na fossa em que estamos.
    Não há como crer na seriedade de um Senado em que Fernando Collor e Renan Calheiros são arautos da moralidade. Não há como crer que haverá um Brasil diferente quando a maioria dos brasileiros elege o PT e o PMDB para governar, em um não ao PSDB. E, no ajeitar das melancias, o PMDB chuta o PT e dá lugar a quem? Ao PSDB! É desta forma que riem dos brasileiros aqueles que assumem o governo a partir de hoje.
    Ufa, estamos livres da Dilma e de todo o aparato petista! A partir de hoje acabaram nossos problemas econômicos, o desemprego e a inflação. Também não teremos mais profissionais médicos de planos de saúde a vender receitas para que clientes possam buscar gratuitamente nos postos do SUS a vacina contra a gripe. Ah, isso aconteceu no moralista e corretíssimo Rio Grande do Sul!
    Sou um desesperançado há muito tempo. Inclusive porque, como quase todos os brasileiros, espera que o moralista PT (dos discursos) acabasse com as velhas raposas que se fartavam há décadas com as uvas brasileiras. Bem feito, o partido acabou comido pelas próprias raposas.
    Esse dia talvez entre para a história como o “Dia do Eu Vou”. Porém, com o mesmo sentimento que imperou no “Dia do Fico”, aquele em que Dom Pedro I, para a felicidade geral da nação, deu voz aos clamores dos senhores de escravos, donos de minas e plantações de cana que não mais conseguiam pagar pesados impostos à coroa portuguesa.
    Vai mudar, de fato, o quê?
    Os países desenvolvidos apontam o Brasil como um dos mais burocráticos do mundo, alertando que isso é entrave para o nosso desenvolvimento... E um empresário metalúrgico me conta que para cada item novo que coloca na mão de um fornecedor terá de preencher 19 processos administrativos.
    Os governantes vão mudar esse cenário de exageros de papelada? Vão enxugar a máquina pública? Proporão um Estado prático e eficaz? Trabalharão para coibir desvios de verbas públicas? Terão moral para derrubar parlamentares envolvidos em crimes de corrupção, como o próprio Collor?
    Não, meus amigos não teremos um Brasil novo a partir de hoje. Não teremos um SUS melhor ou mais segurança pública! Teremos medidas populistas, como cortar alguns ministérios ou ajustar a economia. Nada mais! Por ora, o jogo é o mesmo, distribuir favores aos grandes partidos em troca de apoio. É repetir o filme que o PT exibiu, é jogar para o Congresso e o Senado.
    Nada espero da política atual, salvo se as pessoas compreenderem a importância do voto e elegerem prefeitos e vereadores sérios no pleito de outubro. Essa é a mudança que espero! Ou talvez sejamos (como somos hoje) salvos pelo judiciário. Talvez... Desde que consigamos entender que violar um sinal vermelho no semáforo é assaltar um banco, e ponto final!

     

  • sábado, 30 de abril de 2016 09:13

    O Kieling não é petista

    Com Fenasoja começando eu deveria escrever um artigo sobre a Feira e seus 50 anos, sua importância para a economia regional. No entanto, quero partilhar uma preocupação banal...
    Um conhecido meu, em conversa de bastidores, após ver algumas postagens do Gilberto Kieling no Facebook, tascou o seguinte comentário: “Nunca pensei que ele fosse um PTzão como tem se mostrado”. E a sequência é praticamente esta: não vou mais ler os artigos dele porque vai defender os pontos de vista do PT.
    Aí está um dos nós que se produziu nesse Brasil atual: qualquer pessoa que se manifeste como indivíduo com preocupação social é rotulado de petista. Pensa valores da esquerda, é petista! E por ser petista tem que ser colocado à margem, sem direito à opinião que valha ser ouvida. E, por via de consequência, foi ferido todo o olhar social.
    Eu, por exemplo, se fizer defesa das cotas, sou petista, e como tal, não mereço crédito. Se manifestar apoio ao assistencialismo do Bolsa Família, devo ser banido da imprensa. Enfim, os movimentos produzidos nestes últimos anos demonizaram tudo que é projeto de alcance social, como se estes fossem o câncer do País. Não é o assistencialismo que afundou o Brasil. É a corrupção desse sistema político besta que dá poderes de Deus a demônios.
    A mídia de massa desse país, que sempre exibiu apenas um ângulo das questões, conseguiu produzir um efeito fantástico a partir do Mensalão e da Lava-Jato, conseguiu alinhar o pensamento da classe média-baixa (também pobre) com o pensamento dos mais ricos. Dessa forma, é feio defender qualquer tipo de bolsa, qualquer programa que mude realidades.
    O Kieling, presidente da OAB, advogado, grande escritor, não é petista. É um sujeito que vê além da cortina do seu apartamento. Mora em um bom lugar, tem filhos bem encaminhados na vida, goza de certo poder aquisitivo conquistado com seu trabalho. Poderia fazer coro com todas as vozes que clamam o fim de tudo que é social. No entanto, como indivíduo que pensa, que sofre as dores de séculos de desmandos e inércia, entende que é preciso construir bases de justiça social para um Brasil de futuro.
    Com a Fenasoja em curso eu pensava escrever um artigo sobre os entraves que nos colocam no rodapé do Brasil, que nos fazem crer que é melhor alugar o Rio Grande do Sul aos catarinenses que continuar crescendo feito cola de égua.
    Queria pegar pesado com a Ponte Internacional que nunca sairá, o aeroporto que morre à míngua porque o governo não fará nada e os acessos asfálticos aos municípios da região que seguem na interminável fila de espera...
    Mas, por que escrever um artigo em que os maiores beneficiados serão aqueles que já têm bom poder aquisitivo? Sim, porque ponte internacional, asfaltos e aeroporto interessam, primeiramente, à fatia mais abastada, os mais próximos a usufruírem os dividendos. A resposta é: escrever pelo olhar social.
    O mesmo olhar social que levou meu amigo a rotular o Kieling de PTzão. Melhor infraestrutura é um diferencial para mudar nossa realidade, mudar nossas vidas. Isso é olhar social. Não estão errados os poderosos a querer o melhor para si! Porém, cabe ao governo oferecer algo a mais a quem tem menos.
    Vida longa à Fenasoja! Outros 50 anos tão áureos. O mesmo desejo ao Kieling, este Kilieng!