• sexta-feira, 15 de abril de 2016 14:08

    Semana culta em inculto país

    Sim, fôssemos um País culto não elegeríamos deputados estaduais e federais (e, por que não, vereadores?) pelo poder econômico ou pelo que representaram ao futebol ou na TV. A culpa dessa nhaca toda é do Lula, sim, mas também é do povo que se corrompe na hora da escolha e dá voz a hienas. Ocorre que, nessa bola a girar, a seta volta outra vez aos que detêm o poder, pois eles não pretenderam, jamais, dar acesso cultural ao povo. Pessoas a pensar são perigosas! Basta ver quem são os primeiros caçados (e cassados) quando se instala uma ditadura. Os intelectuais estão na mira, sempre. É simples, eles fazem o povo pensar um pouco além da comida que está no prato.

    Certa feita um professor de matemática me interpelou com a seguinte lógica: o ensino da literatura para nada serve nas escolas, deveria ser banido. Seríamos um País melhor, mais desenvolvido, se as pessoas tivessem condições de pensar a vida financeira adequadamente. Eu, escritor e professor, fiquei pasmo. Assim, como ele, centenas de outros pensam. É a lógica da comida no prato.

    Estamos, como País, devendo cultura ao nosso povo. Não carnaval, festas juninas e rodeios crioulos. Isso pode até ser cultura, popular e regional, mas é pão e circo. Com isso os romanos mantiveram o povo sob controle. A mídia, com apoio do governo, fomenta essa cultura. Ela rende turistas e mascara o essencial. Pão e circo é nivelar por baixo!

    A quem surpreenderam as denúncias do repórter da RBS a flagrar o vereador, empresários e produtores culturais envolvidos nas tramoias da LIC? Só a quem não faz cultura, porque todos os que estão nesse meio são sabedores que os empresários fazem essa exigência em troca do patrocínio (devolução do valor aportado do caixa da empresa). Ou seja, do seu bolso nada sai, apenas do governo.

    O Estado não coloca um centavo em cultura há tempos e piorou no ano passado. E será assim até o final deste governo, porque esperar algo dessa porta é acreditar em mula sem cabeça ou bicho-papão. Tenho dó do secretário de Cultura do Rio Grande. Não! Terei dó dos gaúchos.

    O governo federal cortou o que pôde. Repassou com um ano e tanto de atraso as verbas do Mais Cultura. Assim, em 2016 se investe o que deveria ser o crédito de 2015. É tapear, é mascarar que um ano foi inexistente, enquanto nós aplaudimos a próxima Olimpíada.

    Aqui o Musicanto deve ocorrer, sempre lembrando que ficou na inércia, na UTI, de onde assoma vez ou outra para regressar aos aparelhos logo em seguida. O Centro Cultural está não estando. CEU das Artes é aquela briga. O Fundo de Cultura vem, aos trancos e barrancos. Este ano...

    Porém, por pior que seja o cenário, ainda é o governo municipal quem tem investido em cultura. O Vale Livro é uma mostra, a Feira do Livro, as oficinas culturais mantidas, alguns centavos no prédio da Biblioteca e no Centro Cultural.

    No fundo, no fundo, ninguém quer investir em cultura. Governante algum quer correr o risco de ver o povo pensando. Povo não pode pensar! Sem conhecimento cultural, você vive pela boca dos outros. Vira um papagaio a reproduzir frases feitas. E aí o Brasil mergulha em um mar de lama desses e o Estado afunda, enquanto nós, olhamos o foguete ir pro espaço!

    Tire meia hora, vá à Feira do Livro. Apoie o Nando no Musicanto. Diga ao vereador e ao prefeito que não tolera mais o abandono. Grite! Até que o “meu” professor de matemática entenda que não somos números e que todos somamos nessa grande construção.

  • sábado, 9 de abril de 2016 08:42

    Por qual janela você olha?

    Os tempos estão bicudos, como há muitos não víamos. É o que se diz. E, vasculhando notícias que li nos últimos dias, apenas aquelas que dizem respeito ao nosso micromi-cromundo do santo roseiral, arrisco-me a fazer uma leitura.

    Antes, preciso registrar que, a trabalho, vou quinzenalmente a Boa Vista do Buricá, à tardinha. Invariavelmente, sou caroneiro porque a Dé sempre é a motorista. Fatalmente, os meus olhos sempre se deitarão sobre a paisagem à direita da estrada. Nesta condição de estar livre do volante, posso dar mais atenção a detalhes. Porém, a metade dos meus comentários a Dé não ouve, não assimila, porque está com foco noutro ponto: nas curvas, nos carros, etc.

    Certamente, nesse Brasil completamente dividido, um dos fatores mais determinantes é você saber através de qual janela você vê os fatos. É motorista? Ou é apenas o caroneiro? Fala, fala ou está com mão no volante?

    Depois, com cuidado, releia o Jornal Noroeste de hoje. Faça sua nova leitura.

    Mais de mil vagas fechadas em 2015 no município. Santa Rosa teve índices elevados de mortalidade infantil no ano passado. Teve 28 casos de dengue confirmados nestes últimos meses. Há suspeitas de Gripe A, Zika e ChikunCunha. É pouco?

    Então leia que a AGCO vai dar férias gerais por 45 dias (sem mencionar como isso repercutirá nos fornecedores?). Coisa pouca é bobagem, como se diz nos pampas, aí o Vicini vai acordar hoje com o Ministério Público questionando o tão questionável turno único.

    Mas, Clairto, tu só tens notícias ruins?

    Capaz! Recebi o boletim de empregos da Unijuí e fui rapidamente ver os números de fevereiro último. Ufa! Houve 856 admissões, contra 709 demissões. Saldo de 147 empregos gerados em Santa Rosa no mês em questão. Apenas o comércio cortou postos de trabalho. Que notícia alentadora. Alguém poderá dizer que não há mais quem demitir, mas o fato é que a economia se assentou. Não está melhor porque o Brasil está, há um ano, parado para tirar o PT do poder.

    Algumas edições atrás, o Jornal Noroeste contou que a Camera está retomando seu bom ritmo, estabilizada, exportando óleo e com a planta industrial a pleno vapor. A boa notícia é melhor ainda porque a safra regional de soja está em patamar como poucas vezes se viu, com propriedades colhendo entre 50 e 70 sacas por hectare. Os agricultores estão com a boca nas orelhas. E, na mesma esteira, há garantia de movimentação financeira na economia regional.

    No carro sou aquele que olha pela janela à direita, vê as coisas, comenta, ciente que a Dé não ouvirá 50% do que eu disse. Ela está concentrada, dá atenção ao que lhe é mais importante, naquele instante: dirigir com cuidado para que possamos chegar vivos ao nosso destino.

    Na vida, não sou PT ou anti-PT. Ser caroneiro tem suas vantagens, mas me obriga a olhar sempre pela mesma janela. E hoje, no meu Brasil, tenho medo dos motoristas.

  • quinta-feira, 24 de março de 2016 16:27

    É Páscoa! Não se horrorize com Bruxelas!

    É Páscoa, eu quero meu chocolate! Quero algo mais leve que a volta da inflação, impeachment e as jateadas. Quero uma semana de Cristo, uma só.

    Não dá, né? Não dá porque acessamos Face, Whatts e páginas a toda hora. Abra qualquer site de notícias do Brasil, e provavelmente do mundo, e verá manchetes e mais manchetes sobre os atentados no coração da Bélgica e seus 31 mortos. Eu, porém, peço: É Páscoa! Não se horrorize com Bruxelas!

    É Páscoa, tente aliviar o coração com coisas leves, como o coelhinho e os ovos de chocolate. Porque de Jesus quase ninguém fala mais, a menos que queira dizer “me tiraram para Cristo”, provavelmente sem entender o martírio Dele. Afora ofertas e mais ofertas, o que vi da Páscoa até agora foram indígenas a vender macela e os comerciantes preocupados com a retração nas vendas.

    É Páscoa! Não se horrorize com Bruxelas! Nós temos os nossos bandidos também. Claro, eles não explodem bombas, apenas implodem o País e mandam pros ares o pouco de progresso que tínhamos.

    Buuuuummmmm!

    Por que tamanha repercussão mundial com a violência na Bélgica? Por que foi na Europa? Sim! E também porque quem faz a grande mídia vê os fatos abrigado em belos e majestosos prédios nas maiores cidades do Planeta, na cômoda e segura paz que o dinheiro pode comprar. E de lá, vende o que quer. Credo, que horror aquilo lá na Europa! Três páginas no ZH de hoje (quarta) e mais a capa. Que horror!

    Sabe quantas pessoas são assassinadas, todos os dias, no Rio Grande do Sul, aquele estado paradisíaco do Brasil? Chuta! Apenas 6. TODOS os dias! Nós, os gaúchos, contamos, em média, 31 mortos de forma violenta a cada cinco dias (sem contar um número igual em acidentes de trânsito). Ou seja, em uma semana morrem mais rio-grandenses do que aquelas infelizes vítimas no atentado de terça-feira. Não se horrorize por Bruxelas, se horrorize pelo Brasil Grande do Sul.

    Em apenas uma década o Rio Grande Amado do Sul teve alta de 70% no índice de assassinatos. Estamos em um dos dois estados da Nação que não conseguiram diminuir a violência. Somente no ano passado 2.226 pessoas foram exterminadas na onda de crimes que não existe, segundo nosso excelentíssimo governador.

    Quer mais para adoçar a Páscoa? O Brasil contou 60.000 assassinatos em 2014 (apenas 19 crimes por dia).

    Mas é Páscoa! Não se horrorize com Bruxelas! Nem com a violência que se entranhou no homem que deixou de amar a vida.

  • sábado, 19 de março de 2016 10:27

    Nós precisamos do Brasil

    Pretendia escrever sobre os protestos domingueiros, fazer uma leitura singular. Mas ocorreram tantos desdobramentos durante a semana que as manifestações do domingo ficaram no século passado.

    Não lembro ter visto um tempo tão turbulento em minhas quatro décadas de vida. Há um pouco de tudo nesse mar de lama, de crise política à crise econômica. E quem mais perde? O brasileiro.

    Até agora, o Brasil até suportou razoavelmente bem este ano e meio de agitações, embora todos digam que estamos quebrados, falidos. Porém, ainda estamos, economicamente, em pé. E imaginamos que é possível colocar esse gigante no seu rumo outra vez em um ano ou dois, porém, não se constroi nada em meio à guerra. E o que temos no País é uma “guerra”.

    Há muito vemos o Brasil perdido, atolado nesse lamaçal das roubalheiras políticas, que começaram nos propinodutos tucanos e tiveram seu auge, e que auge, nos dias petistas à frente da Petrobrás. O País está agitado, está tomado de sentimento pátrio como poucas vezes esteve, sim, mas também está parado. E parado em economia, com o dólar indo às alturas, significa afundar logo adiante.

    E não queremos que o Brasil se transforme em uma nova Venezuela, rica em petróleo e pobre a ponto de não ter papel higiênico para vender nos mercados.

    Não queremos que se transforme em uma nova Cuba que exporta médicos e impede seus cidadãos de irem além da ilha porque podem conhecer as maravilhas do mundo.

    Ou mergulhe em uma movimentação de forças com bandeiras antagônicas e que logo serão usadas como tacapes.

    Queremos o Brasil que é Brasil, que é nosso, multicultural e rico, visto com esperança pela humanidade porque ainda temos minérios, água e terra fértil em abundância.

    Os políticos que mergulharam o País nesse caos não precisam do Brasil, eles têm seus cofres cheios. Nós precisamos do Brasil porque não temos dinheiro para comprar passagens para “passar” algum tempo nos States ou nas praias caribenhas.

    Nós, os brasileiros, precisamos do Brasil, por isso é hora de desembarcarem todos aqueles que não o deixam seguir seu curso. Depois de tudo posto no cenário nacional, sim, o PT e Lula precisam deixar o poder central.

    Pelo bem do brasileiro! Porque não queremos uma convulsão social que se transforme em quebradeira e algo incontrolável. Porque tal como está serão mais três anos de horror. Porque não há mais esperança de melhora.

    Sim, também deveriam descer do Palácio o Temer, o Renan, o Cunha, o Sarney e tantos outros que lá estão. Inclusive os PP e outros Ps denunciados na primeira etapa da Operação Lava-Jato. E outros Malufes. Depois é com o povo. Haverá nova eleição logo adiante, e se for vontade do povo os que saírem pela porta da frente poderão voltar ao poder. É assim em qualquer democracia. E por enquanto, por enquanto, ainda a temos, a democracia.