• sexta-feira, 6 de março de 2015 17:00

    Que o prefeito não volte atrás

    O prefeito Vicini usou uma seringa boa para aplicar a vacina nos motoristas e alguns oportunistas. Doeu. Por isso a lamúria.

    Tenho acompanhado a torrente de críticas que se abateu contra o prefeito Alcides Vicini no que tange à ciclovia recém instalada. Porém, também há um contingente expressivo que o apóia nessa. Estou entre eles.

    Ainda que me tachem de vicinista, vou defender a ciclovia, não o prefeito. Não a ciclovia anterior, aquela que expunha todos os ciclistas ao risco constante, mas essa, a que está implantada, com sua mureta de proteção. Sem essa muralha haveria motoqueiros invadindo-a a toda hora, haveria carros usando o espaço em lentos passeios ou, pior, estacionados ali.

    Que o secretário Losekan e a equipe que dá suporte ao prefeito não deixem margem a cogitar voltar atrás na ciclovia. Os contrários que esperneiem. Alguns argumentam que esses blocos expõem o motorista de carros ao risco de colisões. Outros sustentam que é risco ao próprio ciclista em caso de queda. Não deixam de ter razão, porém, sem a barreira física o espaço não seria respeitado. Não somos civilizados a ponto de assimilar o avanço.

    Os garagistas não precisam deste espaço. Eram eles que usavam praticamente toda a extensão do estacionamento, de Cruzeiro ao Centro, transformado num imenso shopping de automóveis usados à venda. As empresas instaladas ao longo da Expedicionário também não precisam usar o espaço público para fim privado como fazem.

    Prefeito, não volte atrás como fez no estacionamento implantado pelo secretário Douglas, não se turve à pressão de uma dúzia. O próprio Lozekan já mostrou, em números, que os motoristas ganharam mais de um metro de largura na pista. Os acidentes iniciais foram imperícia ou imprudência. Ali, mais adiante, se for para incluir a ciclovia no Tape Porã, tudo bem, se discute isso... mas, até lá, ainda há muitos natais.

    O choro de agora é porque estamos tão habituados a pensar como cidade pequena que não abrimos mão do conforto estabelecido. Sabe, prefeito, que o senso coletivo é muito maior que a necessidade de dois ou três. O coletivo dos ciclistas vai aumentar se tiver segurança. Ainda mais com esse preço da gasolina! E, não sabemos mudar se não for sob pressão. Infelizmente, no Brasil a conscientização não resolve. O que resolve é a imposição.

    E espero mais, espero que complemente as mudanças na Avenida. Que retire os retornos que existem a cada 100 metros (esses sim são atentados, são risco constante) e impeça as entradas diretas nas vilas, como aquele pandemônio na entrada da Vila Flores. Ali é o caos. Toda mudança dói, sabemos. Vacina também, mas ela cura.

  • segunda-feira, 2 de março de 2015 06:24

    A visão do Apocalipse

    Não vi discos voadores no céu, tampouco um apagão geral. Mas por um minuto pensei estar vendo um filme apocalíptico.
    Vi pessoas acometidas do pânico porque poderia faltar gasolina. Filas intermináveis nos postos de combustíveis, ruas trancadas, desordem e aglomerações sem fim. Quem estava a meio tanque foi encher! Pânico! A última vez que presenciei algo assim foi na vacinação contra a Gripe A quando milhares de pessoas formaram filas histéricas no centro em busca da dose salvadora.
    Não era o fim do mundo, não dessa vez. Era a greve dos caminhoneiros, tão pacífica e simples, tão incisiva a nos mostrar o caos provocado por estes sucessivos governos brasileiros vendidos às montadoras de automóveis internacionais e que, por causa disso, sucatearam as vias férreas. Sem carros, sem caminhões, sem petróleo o Brasil (e qualquer economia ocidental) afunda. Três dias de meia paralisação e vimos o prenúncio do Apocalipse.
    Afora dois ou três petistas de carteirinha, todos os demais brasileiros criticaram o aumento dos combustíveis quando ele veio. Chiamos, berramos, criamos piadas inteligentes para o Face; nada além disso. Ou somos covardes ou vemos nosso umbigo como centro do planeta! E em época de vacas gordas como esta, que se dane o coletivo!
    Onde estão os motoristas de pequenos carros (eu incluído, claro, embora nem carteira tenha)? E a sociedade organizada, a adesão voluntária a esse protesto que é nosso também? Apoiamos, concordamos com os caminhoneiros, acenamos para eles, mas não paramos. Seguimos para nossos trabalhos, nossas escolas, nossas jornadas cotidianas.
    Não paramos para parar o Brasil como deveríamos fazer para mostrar que nos importamos com os demandos, que estamos fartos desta roubalheira e dessa choldra política. Pior que isso, nos irritamos quando a fila no protesto se alonga e somos obrigados a ficar sem poder seguir viagem por 10 minutos.
    Estamos no limiar de uma oportunidade única de mudança. Nossa tolerância enquanto sociedade acabou faz muito tempo. A individual ainda vai, porém também está no limite. Mas ainda há um grande obstáculo a vencer antes que algo realmente aconteça, algo significativo, algo capaz de mudar o Brasil: precisamos vencer nossos umbigos.
    Não adianta xingar o Sartori por seus erros iniciais. Nem pedir o impeachment da Dilma no dia 15 de março. Nem entrar na primeira fila de posto que aparecer. Precisamos da coletividade.
    Quando pensei que era o fim dos tempos, o sinal revelador do Apocalipse, abro um site de notícias da capital e vejo coisa ainda mais sem noção. A Justiça devolveu o direito de exercer a profissão ao advogado de Passo Fundo que lesou seus clientes em R$ 100 milhões. Definitivamente, se não é o fim do mundo, é certamente o fim da ética e do resto da esperança que havia em mim quanto ao Brasil digno e justo.

  • segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015 08:47

    O "pé" da cuia

    Quando a Taci, aqui no Jornal Noroeste, usou a expressão "não gosto de cuia sem pé", confesso, fiquei confuso.

    Cuia tem pé? O "pé" é aquele suporte para deixá-la em pé? Matutei alguns minutos nessa questão. Tolice perder tempo nesse questionamento sem pé nem cabeça. Sei disso, mas é justamente nessas questões de semântica que convencionamos aceitar muitas meias verdades. Meia verdade não é uma mentira. Ou seria? Bem, não vou fundir a cuca nessa analogia...

    Essas questões de semântica são plenamente empregadas em nossa língua, mais ainda no meio político, em todas as esferas. Calma, leitor, já chego ao cerne da reportagem publicada no portal Zulupa sobre gastos do Governo Vicini com cargos de confiança (CCs) e funções gratificadas (FGs).

    O PT/Governo nacional se especializou, fez doutorado já, em usar frases de efeito para induzir as pessoas a duvidarem de fatos amplamente verdadeiros. Então, os culpados sempre são vítimas. No caso da Petrobras, há claros indícios "de que os assaltantes apenas deram continuidade a um esquema montado em gestões anteriores". Em tese, afanaram porque outros afanaram antes. É justo seguir na rotina. Parabéns para quem é dos Olivistas, esse é da cepa!

    O atual governador gaúcho também usa a semântica quando diz que o Governo do Estado honrará os compromissos a partir de janeiro, sem dar calote. Está certo ele, muito embora as instituições de saúde pública esperem por recursos públicos em atraso dos serviços prestados nos meses finais de 2014. Vai ver que Tarso (o contratante das dívidas) não representava o Estado!

    Quando o Portal Zulupa publicou a matéria "Governo Vicini gasta valores recordes com CC’s e FG’s" está fazendo uso do "pé" da cuia. Nem tanto ao Céu, nem tanto ao Inferno. Os dados extraídos da transparência municipal são incontestáveis. Nem Vicini os questionou. O prefeito, no entanto, disse que a reportagem é equivocada ao não levar em consideração os aumentos salariais e a inflação do período. Com estes itens na conta a sua gestão estaria em gastos menores ou equivalentes ao Governo Orlando Desconsi.

    Vicini argumenta que encolheu a máquina ao cortar 12 cargos. É gasto a menos, sem dúvida. Mas nos dois últimos períodos Orlando gastou R$ 2 milhões com FGs e CCs ao ano. Vicini gastou R$ 2,38 milhões. É um aumento de 15% em dois anos. É a inflação ou aproximadamente o aumento dos servidores, porque os dois índices não podem ser usados na mesma conta. Fica elas por elas.

    É o "pé" da cuia. Encolheu a sua equipe inicial, mas o gasto, quase nada. Nem estou aqui questionando se é alto ou não este valor. Apenas relendo a notícia. Independente disso, com equipe mais enxuta Vicini ajustou as peças e consegue fazer um governo mais Vicinista. Tanto é verdade que desde a metade do ano passado cessaram quedas de pessoas que ocupavam postos do alto escalão. Agora reina uma unidade.

    Já eu, ao contrário da Taci, gosto de cuias que não tenham pé. Aquele suporte me irrita, talvez porque ainda haja em mim o gaúcho tosco, um tipo que faz o chimarrão sem o ceva-mate e prefira água quente.

  • sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015 15:26

    Restos de enchentes

    Não foi um ano como todos os demais, afinal tivemos grandes enchentes. Não é um início de ano igual aos anteriores, pois chove sem parar. Muitos prejuízos. Quem paga essa conta? Os estragos causados nas residências, nos carros e nas empresas poderiam ser evitados? Escrevo porque vem mais “pepino” para o Município descascar.

    Conto aqui com a ajuda do advogado Luís Augusto Felipetto. Ele é daqueles profissionais que acredita que judicialmente a Prefeitura, especialmente, deve responder pelos prejuízos dos cidadãos. Ponto comum. Concordo desde que fique comprovada a inércia, ineficácia ou inexistência do serviço público, decorrendo daí as perdas. Por isso, caso a caso tem que ser analisado.

    OK, você dirá que a Prefeitura não é responsável pelas chuvas, tampouco teria como evitar o que ocorreu. Concordo também. Mas é responsável pela limpeza dos rios e das margens, bem como por desobstruir continuamente as bocas de lobo e canais de escoamento da água. Não executar o serviço é omissão. Agora faz um serviço assim, bastante divulgado, inclusive, porém, em algumas áreas precisa ser um trabalho contínuo.

    Em uma conversa o advogado trouxe números que devem deixar o departamento Jurídico da Prefeitura de cabelo em pé. O escritório tem muitas ações ajuizadas contra o Município, todas referentes às “catástrofes” do ano passado. Simplifico a equação. São 18 ações, englobando 45 autores, uma ação para cada família que teve prejuízos com aquelas chuvaradas.

    O total de prejuízos materiais destas ações ficou estimado em R$ 180.153,68. Pouco! Mas, o cálculo não inclui danos morais. Essa conta, conforme o pedido de R$ 50 mil por autor chegaria a outros R$ 2,2 milhões. Mesmo que as famílias ganhassem um terço disso, ainda seria impactante nos cofres públicos e, conforme atesta o bacharel, há precedentes com valores elevados.

    O estrago nos cofres públicos pode ser muito maior se outros atingidos tomarem o mesmo caminho. Felipetto diz que há entre 20 e 30 famílias que fizeram contatos, participaram de reuniões de esclarecimento. O barulho está feito. Seu principal argumento é que o Município tinha conhecimento prévio da situação do leito dos rios e poderia ter evitado o dano.

    Buenas, o “pepino” está posto à mesa da Prefeitura. Claro, cabe à Justiça analisar caso a caso. Pode até mesmo dizer que o pedido é improcedente. No entanto, movi uma ação contra o Município, certa feita, devido a constantes problemas gerados por uma boca de lobo entupida e que me trouxe prejuízos. Houve indenização pelas perdas materiais e pelo dano moral. Os juízes, em todas as instâncias, entenderam que houve omissão do Poder Público. Pode não ser o caso aqui, mas, cada vez mais o Judiciário está se colocando ao lado do cidadão.