• segunda-feira, 18 de janeiro de 2016 08:35

    Essa onda de denuncismo

    O Anderson caiu por denuncismo e levou consigo a diretora da Vigilância Sanitária. Não foi o primeiro no atual governo que pagou preço alto por estar em função pública. E nem estou avaliando erros e acertos. A questão é: Essa é a nova sociedade, a que vigia a todos, o tempo todo.
    Abro o Face uma vez ao dia, mas sei que há pessoas que não fecham ele um segundo sequer. As outras redes sociais quase não uso, embora minha filha acorde e durma com o “Uats”. Muito embora leia jornais eletrônicos continuamente e busque informações onde for necessário, sei que outros realmente “furungam” até encontrar a podridão. Querem semear a flor do ópio. Prefiro uma margarida que a tragédia, prefiro o poema ao conto de terror. Não gosto da teoria do quanto pior, melhor.
    Mas chama atenção que com celulares, que mais parecem máquinas de espionagem ultramoderna, tantos são os seus recursos, todos os seres humanos do planeta se tornaram detetives da vida privada nos últimos meses. Tudo é motivo para denúncia, para expor alguém, de preferência alguém que esteja em função pública, melhor ainda se for algum político. Como é bom jogar pedras neles! Opa!
    Eu refletia sobre o marco de 2015. Pensava se foi o ano da volta da ultradireita brasileira, do Fora Dilma ou da maior crise econômica que o país enfrenta nas últimas décadas. Concluí que nenhum deles está no topo da minha lista. Eu e o Tuy concordamos: O que realmente mexeu com as estruturas nacionais foi a onda de denuncismo. Para nós que fazemos imprensa, foi o ano dos “pratos cheios”, transbordantes.
    Com um Facebook todos são repórteres, todos espionam a obra da esquina, todos xingam quem não recolheu o lixo, filmam as cenas do acidente de trânsito. O ruim é que, sem se dar conta, todos se tornam juízes, todos sentenciam e, (porque não pensar assim?) levam à morte social pessoas que sequer conhecem. Ou, então, que conhecem e realmente querem atingir.
    O ruim é que, mesmo sem querer ou sem se dar conta do efeito cascata, as pessoas espalham uma violência que não produz nada de bom, que produz raiva e desconstroi, que se enraizou e aumenta demasiadamente. No fundo, todos têm um interesse, mesmo quem diz que não tem. Todos têm sua pequena raiva, que se transforma em amargura, e atingem outros.
    O Anderson caiu por conta do denuncismo, dessa máquina que transforma policiais em bandidos, que torna todo político salafrário. Ontem era o nome do Bohn Gass que estava na rede nacional. Esta semana o Osmar Terra. E todos os “juízes” espalhando viralmente as manchetes. O problema, minha gente, é que para esse vírus “facerraivoso” não há cura. O ódio mata.
    O lado bom é que as denúncias provocam reação, mudanças de atitudes, ajustes, levam a medidas de controle e tendem a apresentar reflexos positivos nas urnas. Afinal, todos sabem que estão vigiados, o tempo todo, e que a velha forma do “jeitinho” está com os dias contados.

    Bem-vindos ao BBB da vida real.

  • sábado, 1 de outubro de 2016 09:23

    Ópio de manipulação social

    Que semana! Quantos temas para colunas: Eleições municipais, mudanças no ensino médio, mudanças na Previdência, a faculdade de Medicina para Ijuí...

    Com tudo isso, com tanto assunto que realmente nos interessa, os pensamentos das pessoas estão voltados ao futebol, esse ópio de manipulação social, especialmente aquelas pessoas do sexo masculino. O que mais tens ouvido em tuas conversas dos últimos dias? Rodada da Copa do Brasil? Grêmio e Renato? Ou as matemáticas sobre uma possível queda do Inter para a Série B?

    Por mais incrível que possa soar, esses assuntos futebolísticos estão mais na boca do povo que a eleição do próximo prefeito. O que dizer então quando o tema é a escolha dos novos/velhos representantes para a Câmara de Vereadores...

    A campanha nos municípios, enfim, ganhou contornos dramáticos, falas ásperas, acusações, denúncias. É do jogo esse catimbar na cobrança do pênalti. E, arrisco a dizer, devido às atuações severas do Judiciário, em muitos casos o pleito sequer vai encerrar no dia 02 de outubro, a arrastar-se até esclarecer alguns fatos.

    Futebol importa. Política não. Os brasileiros estão anestesiados, pasmados, sem entender claramente quais os ventos que sopram, o que há de vir pela frente no cenário nacional com as ditas reformas da Previdência e da Legislação Trabalhista. Para piorar esse torpor, temos coisas mais importantes a discutir, como a crise técnica no Chorintias, a luta do Vasco para sair da Segundona e a batalha do Inter na não ocupar o lugar dos cariocas!!!

    Somente o novo ensino médio proposto pelo Governo é pano para várias colunas, para refletirmos sobre a ideia mercantilista de que todo ser humano deve viver para trabalhar (uma escravidão moderna). Pensar dói e pode fazer mal aos mandatários, sejam eles quais forem. Pensar não pode!

    Outro tanto de prosa daria a decisão do MEC de conceder autorizações para quatro novos cursos de Medicina para o Estado. O Sindicato dos Médicos chia, diz que há médicos em demasia, apenas mal distribuídos. Não é o que se vê! Porém, a URI levou a faculdade de Medicina de Erechim. Já a UNIJUÍ ficou a ver navios na cidade de Ijuí. O governo preferiu a Estácio! Bah, que banho de água fria na comunidade regional!

    Governo quer 65 anos para aposentadoria (ou mais, à medida que a expectativa de vida aumentar). Eu topo, se mudarem as legislações políticas e para eles valerem as mesmas regras do SUS e salários compatíveis com o magistério! Postagens assim, na internet, não rendem comentários, estão vazios... como estamos vazios... E como futebol é o ópio de manipulação social, não teremos partidas no domingo. Rodada amanhã. Assim os brasileiros podem passar o domingo discutindo os resultados dos times. Eleição é um assunto tão chato.

  • domingo, 10 de janeiro de 2016 00:33

    O “S” tem que ser social

    Acompanho cá e lá as informações sobre a reestruturação que iniciou no SESI já faz algum tempo, acelarada nos últimos meses. E não posso deixar de escrever que ela me frustra.

    Se é verdade que faltou água aos Bombeiros ao atender uma ocorrência no feriado, o que já uma questão gravíssima, também é verdade que foi um lapso que certamente tem explicações técnicas, muito embora nem sempre toleráveis. Ainda assim, é um incidente, grave sim, mas não intencional.

    No entanto, a reestruturação do SESI é intencional, de modo que vem de um planejamento. Logo esta entidade que se constituiu, por muitos anos, em espaço central de convivência, lazer e cultura em Santa Rosa. E se afasta desse princípio, do S social. Quem vive ou viveu na cidade nas últimas décadas certamente terá alguma ótima lembrança de eventos festivos, campeonatos ou uso das dependências. Era um segundo coração do município.

    Aos poucos, mais recentemente, houve um distanciamento, um isolamento que vai além daquela muralha de concreto que levantaram ao redor da instituição. A comunidade cada vez mais longe, os serviços cada vez mais restritos, ao contrário do que faz o SESC que tem se tornado casa que acolhe a todos, especialmente no que tange a lazer e cultura.

    Há meses circula a informação, inclusive com envio de documento da Câmara de Vereadores às entidades, que o Governo Federal pretende acabar com o Sistema S (SESI, SENAI, SESC, etc). O assunto não é novo, se arrasta há décadas, sob o argumento da autossustentabilidade ou falta de recursos governamentais para dar suporte às ações.

    É verdade o fato. Mas nem tudo é questão de grana. A reestruturação em andamento vai além, é mudança de planejamento estratégico interno. O S do SESI acabará por perder seu sentido se deixar de ser social. A cidade não precisa da entidade somente para fazer qualificação de mão de obra, precisa dela para alcançar lazer e cultura, ensinar crianças e adolescentes caminhos que não sejam apenas produzir, produzir e produzir.

    Os melhores reflexos do SESI sempre foram os campeonatos que promoveu, a Orquestra e o SESI Show que é o celeiro de dezenas de ótimos músicos e artistas, alguns deles atuando em grandes bandas profissionais. E até este grupo está com os dias contados, ao que se conta. Nessas horas, penso que o Guidolin e o Anacleto, que tanto lutaram para trazer a Instituição a Santa Rosa, não devem estar felizes com os rumos que se desenham.

    Os mesmos empresários e sábios que comemoram o ajuste fiscal do Estado mediante o aumento de 1% no ICMS se posicionam contra a CPMF, o que é uma incoerência. Assim é incoerente ser S social e projetar o futuro sem ser social.

  • terça-feira, 29 de dezembro de 2015 08:12

    Torres para o Natal

    Há algumas semanas medito sobre o agigantamento do Natal. E das cidades também. E o nanismo do amor a Deus...

    É um paradoxo. Da janela do estúdio da WebTvSul que dá fundos à Avenida Santa Cruz observo mais claramente a cidade enquanto o ribombar de um trovão sacode a tarde plúmbea. Assim que os olhos se habituam aos relâmpagos deslindam outras imagens, especialmente, colossais gigantes de concreto e aço que são rapidamente erguidos na Cidade Velha, em todas as nobres esquinas onde ora havia um casarão dos pioneiros.

    Não gosto do que vejo. Não pelos prédios em si, afinal, nada tenho contra o progresso (desde que civilizado). Meus olhos tão acostumados a reler tudo, o tempo todo, logo percebem que há mais gigantes disputando o mesmo espaço, disputando para ver quem se eleva sobre toda a paisagem, rumo às nuvens. São edifícios, são antenas das empresas de telefonia e as torres das igrejas construídas há décadas, no tempo em que a cidade se projetava ao novo centro.

    Este ano, fomos várias vezes a Boa Vista do Buricá, cidade que nos acolheu com projetos da Editora. Lá, a torre da igreja matriz é (e certamente, por muitos anos será) o ponto que se sobressai em meio ao concreto das casas e prédios. É a referência. É o orgulho. E já foi assim em Santa Rosa, porque as torres das igrejas ou seus campanários eram divisados a quilômetros de distância, um coroamento à majestade de Deus.

    Dali, do alto da WebTvSul, me dou conta que elas desaparecem em meio aos prédios gigantes e antenas de telefonia, engolidas nesse crescimento acelerado que Santa Rosa faz para o alto, na ligeira verticalização. Para cima, para cima, para as nuvens, que é tempo de fazer dinheiro.

    As torres foram engolidas pelo cimento e pelo concreto, e penso que isso ocorre com a nossa fé. Se Deus é imutável, o sentir do homem não é. A fé de outrora não é mais a mesma. Pela fé de outrora se pedia paz nos tempos de Natal. Hoje, no Natal que compramos de Hollywood (inclusive com neve em nosso verão), todos pedem presentes.

    Apequenam-se as torres das igrejas frente aos gigantes de ferro e cimento. Agiganta-se o mercantilismo. Vence o materialismo sobre a fé que se espreme para sobreviver, para manter seu encanto, para manter sua imponência e seu lugar. Então, com tudo aquilo que não se vende ou se compra, eu te abraço, querido leitor, neste Natal.