• sexta-feira, 26 de dezembro de 2014 17:18

    Hora de fechar as contas

    Por Jardel Hillesheim
    O ano foi difícil para os municípios região da Grande Santa Rosa. Acompanhamos, principalmente na finaleira de 2014, a apreensão dos prefeitos quanto ao fechamento das contas. Isso é oriundo principalmente da falta de repasses da esfera estadual e federal, o que deixa os prefeitos ainda mais preocupados.
    O ano foi difícil sim. Passamos pela maior enchente dos últimos 10 anos, que atingiu os municípios costeiros, deixando centenas de famílias desabrigadas. Onde o rio não atingiu, as chuvas dificultaram a agricultura, ou danificaram as residências. O ente público teve que fechar o cofre e cortar gastos. Mas será que os cortes ocorreram nos setores certos?
    Consultando o RH da prefeitura de Santa Rosa fui informado de que temos 11 secretários. Cada um recebe por mês R$ 6.817,75. No ano nós pagamos cerca de R$ 974.803,00. Em um mandato de quatro anos é pago aproximadamente R$ 4 milhões. Já os diretores são 23, sem contar a Fundação da Saúde. Cada diretor recebe R$ 4.268,15.
    Vicini criou 66 novos cargos, destes, três apenas tem nível superior. Quem são eles? O que eles farão? Isso o MP deve questionar nos próximos dias.
    Veja o exemplo, em apenas uma Secretaria fui informado que temos seis chefes. Vamos lá, um secretário, dois diretores, três chefes de setor. Ah sim, e seis servidores. Quanta gente mandando!!
    Termino o ano desafiando o prefeito corajoso em mudar isso. Para fazer esta pequena alteração não precisa só vontade. Precisa jogo de cintura, por que os partidos irão chorar. Afinal, quem nos representa? São os vereadores amantes dos cargos? São os partidos defensores da “teta”?
    É a hora de reformular o governo. É hora de cortar gastos, mas em setores certos.
    Em tempo: Inauguramos nesta semana a ciclovia. Estamos quase lá, em poucos anos seremos uma cidade do futuro. O Tape Porã foi prometido. A obra deve iniciar em 2015, só não se sabe o mês ainda. O ‘caminho bonito’ vai mudar esta imagem escura que temos, apesar de sermos uma cidade do interior. O tão sonhado asfalto está quase pronto, agora vamos mudar o foco e cobrar outros projetos.

    • Durante as férias de Clairto Martin a coluna será assinada por Jardel Hillesheim, redator do Jornal Nooreste. Durante as férias de Clairto Martin a coluna será assinada por Jardel Hillesheim, redator do Jornal Nooreste.
  • sexta-feira, 5 de dezembro de 2014 15:10

    A Senzala

    Atenção Ministério Público, denúncia de serviço escravo em Santa Rosa! Ou, então, considerem que minha capacidade de fazer leitura crítica está esgotada. É o que depuro depois da resposta enviada por email por uma servidora da Prefeitura à coluna da semana passada.
    Ela escreveu o seguinte texto: “Pois bem, quero convidar o senhor, e se quiser pode estender o convite a outros invejosos de plantão, para que venham passar uma tarde conosco aqui na Prefeitura Municipal de Santa Rosa, aproveitando para visitar e conhecer os setores das diversas secretarias, mas peço que comecem a visita pelo andar de baixo, “a senzala”, para que desfrutem da agradável temperatura do local onde trabalhamos, também peço uma última coisa que a visita seja realizada a partir do dia 06/01/2015, pois estaremos a disposição dos contribuintes das 7:30 às 11:30 e das 13:30 às 17:30”.
    Não me senti ofendido com o “senhor e outros invejosos de plantão”, até porque respostas ríspidas vêm com frequência após algumas colunas. Mas a palavra SENZALA soou impactante. Lembrou escravidão, em imagens vívidas. Fui ao Wikipédia: “As senzalas eram grandes alojamentos que se destinavam à moradia dos escravos, nos engenhos e fazendas no Brasil colonial e na monarquia, entre os séculos XVI a XIX”. Continuei a pesquisa. O site História Brasileira amplia esse conceito: “Além de abafadas (por possuírem poucas janelas cercadas com grades) também eram desconfortáveis pela grande quantidade de pessoas alojadas ali. Opa! Opa! Aí está o xis da questão.
    Deduz-se, pois, que a servidora se sente escravizada ou, pelo menos, em situação semelhante à época relatada. Deduz-se ainda que existe o andar de cima (se bem que a Prefeitura tem um segundo piso, mas somente na parte frontal) e que nele as condições de trabalho são diferentes, pois o “Senzala” está aplicado, especificamente, ao andar de baixo.
    Bem, esse é um pensamento pessoal, certamente, porém, o termo é forte e merece ser analisado ao contexto aplicado, ao trabalho na Prefeitura Municipal de Santa Rosa. A servidora emprega o termo para designar um local impróprio para o trabalho, devido a elevadas temperaturas a que são expostos, especialmente à tarde, sob aquele céu de zinco.
    Concordo em um aspecto com a servidora. O calor, naquela parte do prédio onde era o mercado da Cotrirosa, é de doer. Porém, discordo no tocante a usá-lo como argumento ao turno único. Ou então, que seja, por um ano, para que dê tempo de encontrar uma solução. Como classe, os servidores da “senzala” devem procurar o prefeito municipal, o vice, os secretários e vereadores para exigir melhores condições de trabalho, a começar pela instalação de um sistema de refrigeração de ambiente que permita exercer as funções com a dignidade merecida a qualquer ser humano. Cabe ao Município, no caso, administradores, resolver essa questão, independente dos custos que advenham dela.
    No mesmo email, assim como o fez no parágrafo já citado, a servidora vai reforçar o conceito que tem de mim (e de quem é contra o turno único). Escreve: “Invejosos existem sim em toda parte e sempre vão existir”. Eu sou invejoso, mesmo. Assim como são os empresários, como são as entidades de classe, como são todos aqueles que discordam da jornada reduzida e se mostram contrários, assumindo os riscos de apedrejamento.

  • sexta-feira, 28 de novembro de 2014 23:12

    E se fosse no Brasil?

    Vi, durante toda a semana, as imagens internacionais dos protestos que estão deixando o Obama preocupado. Os atos de indignação
    contra a morte de um negro praticada pelo policial branco (ente do Estado) conturbaram a nação. O povo foi às ruas porque há séculos luta contra o mesmo preconceito racial. Eis a diferença entre um País desenvolvido e um gigante eternamente adormecido: um povo que reivindica, que exerce pressão, que não deixa simplesmente passar a oportunidade de fazer história.
    E se fosse nos Estados Unidos a votação em que o parlamento do orgulhoso estado do meu Rio Grande aprovou em causa própria um projeto de aposentadoria privilegiada? Será que no Texas (o RS deles) eles continuariam pacificamente esperando o sol raiar no dia seguinte? Como podem homens e mulheres que se dizem íntegros usarem a política para legislar em causa própria? Alguém dentre eles conhece aquela frase do hino que diz assim: “mostremos valor constância” ou a outra “sirvam nossas façanhas de modelo a toda terra”? Até quando, Brasil?
    Em uma coisa concordo com o Zelindo Cancian: aqueles que votaram contra (parabéns pela coragem neste ato) vão renunciar ao benefício quando deixarem de atuar como legisladores, quando estiverem longe das câmeras e perto apenas de suas consciências? Vi, em Santa Rosa, vereador recusar salário após votar contra aumento. Isso é raridade! Mas que foi uma punhalada nos eleitores essa aprovação, isso foi... Por que não votaram esse projeto antes das eleições?
    E não posso deixar de ver certa semelhança com aquele episódio dos vereadores que aprovaram o aumento de salário na véspera da eleição...
    Cadê o povo nas ruas? Cadê o gigante? O povo está nas ruas, curtindo os carros novos comprados em suaves 60 parcelas ou correndo desesperadamente para garantir seu quinhão neste instante em que o cenário econômico favorece ganhar dinheiro. Mas cadê os jovens? Cadê os estudantes? Perderam o poder de fazer leitura crítica? Ou acham justo esse benefício como tantos outros que se autoconcedem os poderes legislativo, executivo e até o judiciário?
    Sabem quem fez a passagem dos coletivos santa-rosenses voltarem aos R$ 2,15? O Judiciário? Sim! Mas quem foi lá bater na porta da Justiça? Meia dúzia de cidadãos que assinam um movimento chamado Acorda Santa Rosa. Eles foram lutar por todos. Parabéns por essa doação. Nem estou discutindo o mérito quanto ao valor cobrado, estou apenas citando o exemplo de trabalhadores que deixaram a zona de conforto para reivindicar direitos para todos.
    Chega de cada um querer apenas ganhar a sua fatia no bolo, muitas vezes de formas nada éticas! Chega desses escândalos diários! Chega destas corrupções em todos os níveis de governos! Chega desse megaesquema para furtar da Petrobrás, assaltar o Brasil! Só o juiz aquele, do Paraná, acredita que nenhuma conotação política há para ser investigada.
    Não vamos produzir mudanças neste país com radicalismos extremos, mas também não teremos um Brasil verdadeiramente grande se não soubermos fazer valer a voz coletiva. Não podem alguns decidir por todos. Não podem alguns decidir para si próprios. É muito bom ganhar dinheiro, é muito bom construir carreiras, é muito bom subir na vida... mas é muito melhor se houver justiça, ética e direitos verdadeiramente iguais.
    Do jeito como está hoje a minha querida pátria amada, se aquele crime que abalou os Estados Unidos tivesse ocorrido no Brasil, dormiríamos placidamente, como fazemos todos os dias, porque estamos tão habituados que sequer sentimos as dores que nos assolam. Se fosse no Brasil o povo estaria em casa, exausto da lida diária, mas os bandidos queimariam ônibus, colocariam a população em pânico e se juntariam à quadrilha que saqueou a Petrobrás para exigir mais algumas benesses.
    EM TEMPO: Parabéns prefeito, pela coragem de acabar com o turno único. Sou invejoso sim, tanto quanto são todos aqueles que se manifestaram contrários. Um mês, se entende, cinco não!

  • segunda-feira, 24 de novembro de 2014 07:11

    Sucesso e crise do Musicanto

    Vínhamos pela rodovia a caminho de Santa Rosa. À nossa frente um caminhão carregado, até as últimas, com troncos de lenha. Havia risco! Bate aquela dúvida: ultrapassamos ou esperamos outro espaço. Perder alguns minutos para construir uma oportunidade adequada? Ou forçar a barra e, quem sabe, se arrebentar de vez? Esperar, às vezes, é necessário.
    O cenário cultural e econômico é o caminhão carregado de lenha no caminho do Musicanto. Lento, muito lento, a cena se arrasta há alguns anos, sem acelerar. Esse mesmo Festival que projetou Santa Rosa ao Estado e ao País, que nos legou identidade, é um adulto em crise de identidade. Ou talvez seja um motorista que está atrás, à espera de uma reta segura para pisar mais fundo.
    Ao Cláudio Joner, ao Nando Keiber, à equipe do espaço Multifeira, aos entes de governo, aos que se envolveram na organização do Musicanto, todos os elogios. O evento foi brilhante, saudosista, porém atual. Foi uma grande festa dedicada à música e à integração entre as artes. A nova experiência deu certo, sim, não custou uma fortuna e apresentou um formato que pode legar muito ao futuro.
    Teve mais público que nos anos anteriores, mas só pouco mais. Os mesmos de sempre e alguns convidados de convidados. E nesse ponto funcionou maravilhosamente bem porque queríamos ver novamente o Americanto, a Orquestra do Sesi, o Quartcheto, etc, todos com alguma ligação local. Também a gratuidade do ingresso precisa ser sustentada, porque acaba com aquela classificação elitista criada na comunidade, aquela que diz que o Festival é dos ricos e para os ricos. Portas abertas e trânsito livre fomentam essa mescla, esse todo que sempre se buscou com o evento.
    Mas (sempre o mas) faltou o clima que só os festivais criam, aquele que nos faz permanecer até o último instante no aguardo dos classificados, do vencedor, da entrega dos prêmios. Esse Musicanto de 2014 não produz contenda, mas também não planta raízes profundas. É uma festa, não um festival. Sou pela disputa, no estilo de anos anteriores, porém, preservando duas essências desta face criada pelo Joner: a cidade Multifeira e os shows com apelo sentimental aos espectadores, de qualidade, mas inseridos no imaginário do santa-rosense. Foramdois grandes acertos.
    Orlando não fez o Musicanto no último ano de seu governo porque não havia verba para isso. Preferiu não gastar dos cofres públicos. O Vicini não fez no primeiro ano de seu mandato porque não tinha recursos em caixa e nem captados para tal. E neste ano foi viabilizado somente aos 46 do segundo tempo. Há uma crise financeira, sim, porém é mais ampla que nossas divisas geográficas e nossos conceitos políticos, é com todos os festivais.
    Ano que vem não teremos Musicanto, se bem lembro o que disse o próprio prefeito na abertura daquela proposta caseira que se fez no ano passado. De dois em dois anos, então, no mesmo embalo de grandes eventos do Município, no qual ele, o prefeito, enquadrou o Encontro de Hortigranjeiros. Bem, por esta linha tênue, eu que nada tenho a ver com o Carnaval, deduzo que este evento também poderia ser de dois em dois anos, tendo em vista que a Prefeitura investe verbas públicas para garantir sua viabilidade. Quem não gosta da Feira do Livro pode argumentar pelo mesmo viés. Mas cá para nós, fazer Musicanto de dois em dois anos é empobrecê-lo no imaginário popular...
    Sei, caminhão carregado de lenha não se ultrapassa em curva... Aí é ficar atrás, algum tempo, com margem de segurança, mas quando visualizar uma reta, um espaço adequado, dá para fazer tranquilamente a passagem... Joner viu a reta, agora dá para acelerar ou...