• domingo, 6 de setembro de 2015 15:56

    É fácil jogar para torcida

    A imagem do atleta que faz um gol e corre à torcida a beijar o escudo do time na camiseta é perfeita para explicar certos atos políticos.

    Eu queria escrever uma crônica sobre o não desfile de 20 de setembro em Santa Rosa. Queria argumentar, não apenas porque sou favorável ao movimento que vai à rua, e no que ele é tão diferente do silêncio dos barrados no desfile da Pátria. Queria escrever sobre o orgulho do gaúcho. O imenso orgulho de todos nós. Então mudei de prosa.

    Mudei de prosa ao refletir no porquê de, após tantos atos “impopulares” do governador José Ivo Sartori, a sua popularidade ter aumentado. Estranho isso? Não. Ele sabe jogar para a torcida. Ele é talhado no marketing que guindou Lula, Getúlio e outros populistas. Tem que saber beijar o escudo até na hora de cometer pênalti.

    Nada melhor que usar o brio dos gaúchos, o orgulho ferido dos gaúchos. Sempre é gol. Dizer “Já pagamos essa dívida” é golaço. É afiar facas pra Revolução. E se for preciso conclamemos um novo 20 de setembro! E não faltará empolgados para defender a tese de separar o Estado do Brasil aos gritos de “salve o governador”.

    O povo está ao lado de Sartori. O Rio Grande está do lado do seu Governador. Acompanhe as redes sociais, as manifestações afirmativas e contundentes em defesa do salvador do Estado. Há até grandes empresários, contra o aumento de impostos, mas defendendo todas as demais atitudes. A culpa não é dele.

    A culpa é do PT. A culpa é do PTarso e PTilma. E nada mais fácil nos dias atuais para ganhar popularidade que erguer um cartaz com “Fora PT”. É fácil jogar para torcida, desde que possa ignorar que os principais jogadores do seu próprio time estão por empréstimo a fazer gols no time “adversário”.

    Quando diz que não há outra saída que não aumentar impostos, está jogando para a torcida. Se os deputados não aprovarem, estão do lado dos empresários e levam a culpa. Se aprovarem, as contas estarão salvas. Se rejeitarem, dão o argumento para as privatizações a caminho.

    Quando paga os salários dos servidores em parcelas, está jogando para a torcida. Está anotando golaço. Ele quer a greve, as paralisações, quer porque o povo ficará do seu lado. Quem leva a culpa é o servidor, “os vadios” que o deputado do governo xingou nesta semana. O povo diz em coro que não tem de onde tirar dinheiro, então, o homem está certo.

    A imprensa dos gaúchos, a que elegeu dois dos nossos três senadores, divulga a lista dos super-salários dos servidores e promove um clima fantástico, festivo, um clima de “servidor é tudo igual”. É gol para o governador. Só que a imprensa omite que ele é aposentado do parlamento gaúcho, com generoso salário.

    Quem está no governo ri à toa, ri porque as medidas impopulares são extremamente populares. É só cutucar o orgulho dos gaúchos. Aí sim, mexeu com os machos da espécie, mexeu em vespeiro. “Tamo junto, governador”.

  • segunda-feira, 31 de agosto de 2015 07:05

    Quem salvará os náufragos?

    De todas as medidas anunciadas pelo Vicini no pacote de economias, a que “caiu” pior no ouvido da população foi o cancelamento do desfile. Quase todos discordam do prefeito.
    Pegou mal porque ninguém conseguiu entender que diacho de custo tão elevado tem um desfile cívico. Sem som, sem arquibancadas, sem ônibus para deslocar alunos, muitas escolas iriam. Iriam pelo orgulho. Iriam para ensinar aos pequenos, principalmente, que é preciso amar o Brasil.
    Pegou mal porque o que ainda nos resta, enquanto brasileiros, é esse amor pelo pano pátrio de nossas bandeiras. Pegou mal porque o que nos une em meio a tanta roubalheira e má-gestão política nacional é o amor pelo Brasil. Ainda educamos nossos filhos para amar a Seleção, para usar o verde-amarelo e respeitar a Pátria, essa mesma que vem sendo achincalhada.
    A Itália estava assim, afundada no caos. Quem salvou o País da Máfia e dos políticos corruptos que se ligavam aos bandidos? A Justiça. Pagando com a vida muitas vezes. Amor à causa, à Pátria. O Berlusconi era pior que a nossa corja e mesmo assim governava. E o que aconteceu? Os italianos resolveram ignorar o imbecil, ladrão e ordinário governo para construir seus rumos sem o governo. Conseguiram. E pararam de se lixar com os lacaios.
    Está tudo errado nesse Brasil rico e paupérrimo. A começar pelas indicações dos ministros e desembargadores dos tribunais de contas (Estado e União), a começar pelas emendas parlamentares, pensões vitalícias, imunidade parlamentar e tantas outras benesses, todas concedidas em benefício próprio. Temos Parlamentos podres, alinhados (sempre) com quem pode oferecer mais. Temos governos que trabalham para empresários e corporações. Ou um de nós vai comprar a CEEE? Ou a Petrobrás?
    Não, não chamem os militares de volta ao poder! Isso é tolice. Nem eles querem sentar nos tronos, estão bem como estão. Mas se orgulhe quando ouvir um comandante do Exército, no caso o coronel Carlotto - do Regimento San Martin - dizer em microfone de rádio: “O Exército existe para a Pátria. E o dia 7 de setembro é a data que a simboliza. Por isso nós faremos a parada cívica como em anos anteriores”. Parabéns! Não é para mostrar força, é para mostrar respeito e zelo.
    Estamos em navio que naufraga. Somos a Itália de ontem, em caos consolidado. Quem salvará os náufragos santa-rosenses? Ou os gaúchos ou os brasileiros? Quem os levará a uma ilha de terra firme? Quem impedirá que os semeadores do caos, esses que fazem política com o quanto pior melhor, vendam a Corsan e a Petrobrás? O super-homem, claro. O brasileiro. Nós todos, aqueles que verdadeiramente amamos este país.
    Eu tenho ido pouco aos desfiles de 7 de setembro, mas neste ano irei. E sugiro que todos se desloquem à Avenida para colocar ao longo dela o maior público de todos os anos. Assim daremos um recado impactante ao governo, o nosso e os nossos, que ainda queremos salvar o Brasil porque nós o amamos.

  • segunda-feira, 24 de agosto de 2015 08:26

    Eu durmo sempre do mesmo lado

    Quando você deita, se é casado, escolhe sempre o mesmo lado na cama? Acho que sim, tanto que o colchão chega a assumir as formas do seu corpo...

    Eu durmo sempre do mesmo lado, embora nem sempre consiga dormir tranquilo. É que, às vezes, como mais ou estou com problemas gigantescos, daí me sobrevêm alguns sonhos horripilantes. De que lado eu durmo? Do lado da Dé, ora. A Dé é povo, é reta, é faca na bota. Pau é pau, pedra é pedra. Ah, e quando ela precisa, usa óculos para reforçar a visão que é boa.

    Por isso, não me impressiona o jornalismo de alguns veículos de comunicação. Eu sei que têm lado. Sei em que rio bebem água. E, para muitos, a palavra isenção significa não pagar impostos. O pior é que os peixes que nadam em suas páginas acabam contaminados e podem estender a outros sua afetação.

    Eu, o cidadão, o pai de família e trabalhador, acesso todos os dias os sites do ZH e do Correio. Preciso estabelecer um comparativo para depois fazer a minha leitura dos fatos. Notícias nacionais, idem, pelo menos dois ângulos distintos. Por que faço isso? Porque sei que os governos não são para o povo. Nunca foram. São para alguns. Sejam quais forem os governos, eles também têm lado. Por isso há tanto barulho no País, porque os lados estão mais evidentes e contraditórios.

    Vi um jornalista regional fazer uma postagem em que ressalta a acertada decisão de Sartori em estabelecer o corte salarial dos grevistas, relativo aos dias paralisados. E lá, no seu espaço, inúmeros PMDBistas defenderam a atitude do governador. Pergunte a algum professor ou servidor estadual se ele concorda... Pergunte a você se concordaria em receber seu salário fatiado e atrasado.

    Imprensa que vê a inocência do Lula é marrom. Imprensa que vê erros apenas no Governo Dilma é podre. Imprensa que coloca o Cunha como paladino da moral é imoral. Imprensa tem lado? Imprensa tem jornalistas. E eles têm lado. Têm alguns que dormem sempre do mesmo lado na cama, outros mudam a cama de quarto, mas continuam a dormir no mesmo lado: o do poder.

    Sou obrigado a dizer que não concordo com toda a lista de cortes e ajustes feitos pelo Vicini para diminuir os gastos, a começar por cancelar o Desfile da Pátria e o Festival de Cinema. Embora eu, sempre contra o turno único, até consiga entendê-lo nestas circunstâncias da Prefeitura. Sou contra a venda do Moroni, mas aplaudo o investimento no Tape Porã e o esforço para manter a folha dos servidores em dia. E nisso não sou sabonete, sou coerente.

    Eu também tenho lado, claro, e a Dé o sabe claramente. Aí, se quer me deixar indisposto, é entrar na cama e pretender ficar no meu lugar.

  • sexta-feira, 14 de agosto de 2015 10:35

    Bandeira para o 16 de agosto

    Domingo vai ter panelaço, marchas, carros de som, piscapisca de luzes em prédios e muito aproveitador infiltrado no protesto.

    Um segundo para pensar: a crise brasileira é econômica, política ou ética? (.......) Seu segundo acabou. A pergunta abriu o debate no sábado passado, na Rádio Noroeste. O Beto Kieling acha que o Brasil vive uma crise política, afinal, segundo ele, o brasileiro nunca foi lá muito moralista, sempre disposto a se valer do sistema. O presidente da OAB local, Guinter Heinkel, vê uma crise de ética (ou a falta dela). O professor Renê Schubert Júnior e o acadêmico de Direito Vitor Faccin dizem que há os dois.

    Vou além: as três crises vieram a uma só vez. O colapso econômico abalou o Brasil. A guerra política detonou com a governabilidade. E a ausência de ética faz o resto do serviço. Sim, porque pior que a falta de recursos e as diferenças ideológicas é ter que lidar com partidos apodrecidos, tomados por vermes que ontem perderam a eleição e hoje já se vendem para aqueles que conseguiram o poder. Gente assim não conhece a palavra ética.

    Está claro para quem acompanha as notícias estaduais e nacionais que vivemos uma crise econômica. Ainda esta semana questionei proprietários de empresas metalúrgicas da cidade e percebi que há um tom bastante desalentador. O ano está perdido para estas indústrias, pior que isso, com sérios prejuízos à existência de algumas delas. Outras também vão mal das pernas, como a Camera e a Vier, tradicionais marcas nossas. Não dá para negar a crise econômica.

    Está claro que o Sartori não tem dinheiro no caixa do Estado para pagar as contas, do contrário não daria o calote no Governo Federal. O que não está claro é o projeto que ele tem para os próximos anos, salvo, vender estatais e fazer com que os servidores públicos sejam vistos como “aqueles que têm salários exorbitantes”. E olha que ele tem a simpatia do maior grupo de comunicação do Sul do Brasil, tão silenciosa em críticas neste caótico momento. Não dá para negar a crise econômica.

    Mas dessa letargia financeira sairíamos se houvesse coerência de discurso, alinhamento de esforços e diálogo. Porém, a crise política em que o País mergulhou impede construção de “pontes”. Pontes requerem alicerces que não estejam atoladas no barro. E para construí-las é necessária a contratação de empreiteiras, o que sabemos, não é fácil neste momento, pois estão encrencadas.

    A crise política nada mais é que uma estiagem provocada pela Polícia Federal e os entes do Judiciário, responsáveis por secar as fontes de onde jorrava “água” pura e esverdeada, diretamente escoada para os bons mercados europeus. Sem grana, sem votos no Congresso e no Senado. Sem Mensalão, sem acordos. Votos requerem dinheiro, não disponível no momento.

    Simplificando: há uma crise econômica bastante expressiva e, nela, tudo se tornou negociável, inclusive pessoas, especialmente aquelas ligadas a determinados partidos de aluguel. Desta vez não direi, não vá ao protesto. Embora, cá entre nós, derrubar o governo não vai contribuir em nada, afinal o governo é quem menos manda nessa joça toda.

    Vá ao protesto, mas leve bandeira sua. Verdadeiramente sua. Tenho minha bandeira para o 16 de agosto: “Eu quero ética no Brasil”.