• sexta-feira, 14 de novembro de 2014 17:23

    Medida que agrada a poucos

    Não sei se deveria voltar ao assunto turno único, tema de um Noroeste Debate em manhã de sábado. No entanto,
    embora saiba que é infrutífero, sinto-me impedido a ele. Durante a semana uma pessoa veio até nós, empresa, novamente, irritadíssimo com o expediente reduzido na Prefeitura de Santa Rosa. Também o presidente de uma entidade empresarial da cidade, em prosa pessoal, fez um desabafo contundente na mesma linha.
    A comunidade deixou de se manifestar porque não há eco. É assunto morto. Nenhum prefeito vai se posicionar contra o turno único; é ir contra o funcionalismo público. O administrador sabe que precisa estar alinhado aos servidores para que o trabalho flua o mais naturalmente possível durante sua gestão. Na Câmara, idem, os vereadores não se manifestam contrários, não querem o incômodo de ficar ao lado da comunidade, e repassam aos demais a responsabilidade, porém o assunto não volta à pauta do dia. Enquanto isso, nós cidadãos e usuários, nos adequamos de meio em meio ano às alterações.
    Certa feita precisei de um pintor predial. Uma imobiliária deu-me um telefone. O moço atendeu e disse que poderia executar o trabalho, mas somente após as 14h, pois estava em turno único na Prefeitura. Até aí, tudo certo, nada ilegal. No entanto, na Secretaria em questão se alega que à tarde é muito quente para atividades ao sol. Pensei cá com meus botões: “Então as construtoras, todas, deveriam paralisar as obras que executam, afinal, seus pedreiros estão expostos o tempo todo”.
    Trouxemos ao debate da Noroeste, além do prefeito Vicini e do presidente do Sindicato, o Padilha, o vereador Geraldino Morin, de Tuparendi. Por quê? Porque o turno único se institucionalizou nas prefeituras da região, adotado ano a ano. O que era uma economia em ano de estiagem extrema tornou-se um período de meias férias ao quadro mais seletivo das administrações municipais. Morin criticou duramente a Prefeitura de lá por adotar expediente reduzido em cinco meses do ano. Caramba! Cinco meses!
    Gera, em Santa Rosa, em mais de quatro meses de turno único uma economia de R$ 400 mil, segundo argumentou o prefeito Alcides Vicini. Realmente faz muita diferença em um orçamento de R$ 220 milhões. Mas há municípios que desistiram do turno único porque comprovaram que não houve economia ou ela foi insignificante.
    O turno único não afeta o serviço essencial, argumentam seus defensores! É verdade, não afeta porque cerca de 60% dos servidores públicos não são contemplados com expediente reduzido, ou seja, é privilégio de aproximadamente um terço da categoria. Os demais trabalham oito horas, recebem por oito horas. Os beneficiados trabalham por seis horas, recebem como se fizessem oito, pois não há redução de salários e nem banco de horas, como se faz na iniciativa privada.
    Mais ainda. Contou-me um empresário que servidores de uma secretaria essencial teriam se prontificado a trabalhar à tarde, sem hora extra, para atender a demanda atrasada. Teria sido desautorizados. Mais ainda. Em reunião do Conselho Municipal de Saúde, nesta semana, abordou-se a possibilidade de empregar o turno único na área da saúde no mês de janeiro, como forma de adequar o calendário de férias dos profissionais. Sei não, mas num primeiro olhar me parece que o usuário do SUS será afetado, mais uma vez.
    No fundo, a medida agrada a poucos. Agrada aos servidores e seus familiares. Sei, estou com inveja do meio expe-diente, só por isso escrevo esta crônica..

  • sexta-feira, 7 de novembro de 2014 15:04

    Xingando os cães

    Minha tia xingava os cães em alemão porque era a única língua que, aparentemente, eles (os animais, claro) entendiam. Quando alguém chegava no pátio ela saía em defesa do visitante e afastava os cachorros repreendendo-os com “aus hunt” ou qualquer outro imperativo que eles obedecessem. Simples e funcional.
    Quem não falava o idioma alemão certamente ficava a matutar no porquê de tal efeito. Importa é que funcionava, que os cães saíam do caminho. Ora, a tia falava mais a língua dos meus avós que o português. Por isso, é óbvio que com seus animais domésticos utilizasse a língua afetiva, e claro, com resultado eficiente.
    Minha memória buscou tia Regina essa semana, o modo peculiar de lidar com seus cães. Para quem ia visitá-la, há alguns anos, o importante é que surtia efeito esse ralhar em alemão com os animais. Eu pensava nisso porque associei o fato ao comportamento humano geral, pois as pessoas querem o feijão com arroz, o óbvio, o simples, aquilo que dê resultado. Naquele caso, o resultado era frear o avanço dos cães.
    Para a maioria dos brasileiros, o que é necessário, realmente, é posto de saúde que tenha médicos, condições de comprar as coisas básicas, sonhar com futuro, etc... A imensa maioria de nós, brasileiros, sabe que não terá direito à riqueza (aquela de ostentar), então, quer o simples direito a viver bem! E viver bem é ali onde está, onde sempre esteve.
    O que as pessoas querem é o feijão com arroz. O próximo governador nem precisa se preocupar com “mundo e fundos”, precisa entender que essa região quer a ERS 344 com asfalto em condições de tráfego. Quer acesso decente aos pequenos municípios. A língua que o povo entende é essa: o efeito simples no seu dia a dia. Em alguns momentos Tarso não entendeu isso!
    Vale o mesmo à Prefeitura. Já escrevi isso noutra vez: o município precisa criar uma central de atendimento, com um ou dois funcionários capacitados para ouvir o cidadão, anotar as demandas e fiscalizar se foram executadas. Sei que tem o Protocolo, as secretarias, etc. Mas as pessoas querem o feijão com arroz, a solução para o que está à sua porta. Tem gente que espera há anos, por uma tubulação na Vila Oliveira ou por uma simples abertura de vala para escoar a água da chuva na Vila Flores, simples a ponto de não ter a casa invadida pela água a cada cinco pingos que caem na cidade. As pessoas querem soluções simples, mas definitivas, não soluções que se dissolvam na primeira mínima borrasca...
    Alguém dirá que não quero escrever sobre mais um caso rumoroso na Prefeitura com abordagem do Ministério Público e investigações. Não quero mesmo, como não escrevi sobre o asfalto feito com verba da Corsan no governo Orlando e o episódio Bohn Gass. Tenho minha opinião, sim, mas não vou dar espaço a imbecis me xingarem na esquina simplesmente porque discordam da verdade.
    Minha tia xingava os cães em alemão porque era a única língua que eles entendiam... E, os eleitores xingaram alguns políticos com votos porque é a única linguagem que eles entendem...

  • quinta-feira, 30 de outubro de 2014 17:50

    Para quem semeia ódio...

    Nós, humanos, não sabemos amar pela metade, por consequência, também odiamos por completo.

    Essa eleição deixou isso mais evidente. Por pouco não voltamos aos cenários federalistas, dos chimangos e maragatos passando a faca nos pescoços de adversários. “Menos, menos, Clairto!” pensará algum leitor. Não houve degolas porque o campo de batalha saiu da realidade e foi para o campo virtual. Só por isso! A guerra foi no Face, especialmente, mas também foi aos veículos de comunicação, aos blogs, aos sites em geral. E que guerra! Com todo tipo de ataque.

    O resultado das urnas não significa que acabou a revolta. Chimangos e Maragatos ficaram mais de três décadas entre ataques e ódios. É isso! É orar para que não fiquemos três décadas em trincheiras opostas, odiando como se fosse esse o objetivo da vida.

    Findou a eleição nacional, mas a pacificação está longe porque surgiu a Nova Era: a era do ranço. Ou a era dos miseráveis contra os que estão economicamente melhor estabelecidos. Ou a era dos santos na gloriosa luta contra os corruPTos. Ou a era dos ‘brasileiros’ contra os nordestinos. Ou a era dos moralistas contra os lacaios que sugam o governo.

    A eleição acabou, mas a raiva não. Os moralistas de plantão, de ambos os lados, continuavam no início da semana vociferando ódios. E não são pessoas incultas que estão atulhando as redes sociais com toda sorte de comentários raivosos; antes, são pessoas que se julgam esclarecidas. Ataques que suscitam contra-ataques. Vão construir o que com este ódio? A paz é que não. O desenvolvimento também não. Vão incitar uma revolta...

    Escrevi noutra crônica, há algumas semanas, que se pudesse, não votaria em nenhum dos candidatos. Diretamente, não me senti representado. Fomos, cidadãos gaúchos e brasileiros, obrigados a escolher entre os menos ruins ou aqueles que mais se aproximavam do que comungamos. Só para exemplificar: eu, por exemplo, não me vi espelhado na Marina, mas admiro o Beto Albuquerque. E aí, fazer o quê?

    O Brasil está dividido ao meio, não como a rede nacional mostrou naquele mapa. Não é metade pobre, metade rica. Não é metade nordestina, metade produtora de riquezas. O País está rachado entre: metade PT, metade antiPT. Simples assim! E, como não sabemos amar pela metade, por consequência, também odiamos por completo. Ou se é PT ou se está contra ele.

    Tolice isso. Não perdi ou ganhei eleição. Não votei para meu querer, votei para o Brasil. Não alterarei meus planos pessoais por conta do resultado. Acomodo cá e lá meus sentimentos e sigo meu caminho, ciente que escrevo minha história, que no final será contada por filhos e amigos, independente de governo que está ou estará no poder.

    Em tempo: o Facebook já está bem melhor para os usuários nesta semana, bem mais limpo e navegável. Agradecemos! E você, leitor, que não é político, que não ganha dinheiro dos políticos, que não tem ligação pessoal com os fatos, pense bem antes de entrar na guerra. Não seja usado por santos de plantão, nem pelos arautos dos oprimidos.

     

  • sábado, 25 de outubro de 2014 11:12

    Entre verdades, ódios e corridas

    Você que abriu esta página pensando que eu escreveria sobre as denúncias envolvendo o deputado Elvino Bohn Gass, certamente há de se decepcionar. Li tudo nos sites e jornais, do mesmo modo como você, e tirei lá minhas conclusões, as minhas verdades. No entanto, nessa corrida louca pelo voto, às vésperas da eleição maior do país, qualquer meia linha é motivo para amores e ódios, principalmente este último. E eu estou sem “saco” para ódios!
    As nossas fotos pessoais da semana são aquelas do acidente em Cruzeiro, o carro partido, as cenas de uma guerra urbana. Não pretendo transformar esta coluna em uma tese sobre o ódio, mas não consigo imaginar que alguém que ame a vida possa beber e se colocar ao volante! É tentativa de suicídio. Ou de homicídio. Em algum momento a Dé me disse isso e acrescentou: “é preciso estar vivo para curtir a vida”. Para que correr tanto? Para que viver “tão intensamente” o nada?
    Na verdade, minha reflexão é sobre quanto a nossa existência realmente muda com uma eleição. Que semanas para nossos ouvidos (e estômagos, claro.)! Nas ruas há tantos carros, tantos microfones, tanta amplificação que estamos saturados de verdades. Há mais de um mês somos bombardeados com toneladas de verdades. Tudo Verdade!
    Eu jamais qualifico o que vem destes debates entre políticos como mentiras. São absolutamente verdadeiros todos esses podres que se atiram ao ventilador. Cá e lá, na TV ou sobre os carros de som. Os arautos são verdadeiros, dos dois lados, e, logicamente, tudo o que dizem. Então, se o povo prestar atenção e aprender a ouvir, logo descartará os lixos e poderemos construir algo mais limpo ali adiante!
    É uma corrida pelo voto, onde vale colidir com toda intensidade! É uma corrida louca essa. Todos correm como se estivessem naquele carro que bateu no poste de concreto na Avenida Expedicionário Weber. Todos acentuam suas verdades até se espatifar e arrastar alguns à morte consigo. No contexto da política todos pensam que grandes mudanças virão diante da eleição de A ou B. Mentira! Muda o grupo que manda. As benesses mudam de lado. E tudo continuará à venda, nas vitrines, da mesma forma. Vendo ética! Compro deputado! É o sistema que está corrompido.
    A política é para o coletivo, para construir uma sociedade, não para entrar na tua família e ditar as formas como você vê o mundo. Chega de esperar sentado! A mudança começa diferente, começa por desligar a TV, mandar o filho ler, dar a ele consciência, mostrar os riscos que estão por trás das escolhas, indicar caminhos.
    Essa pista de corrida automobilística que se tornou a nossa Avenida Expedicionário Weber estava contada há meses, muito antes da eleição para prefeito. Muito antes da Kopp retirar as lombadas, muito antes de refazer o asfalto. Depois de três mortes e amputações, de vários outros pequenos acidentes, as lombadas eletrônicas vão voltar? Ou vão colocar redutores? Vão remover os retornos? Vão mudar as regras dos estacionamentos? Claro que vão, afinal, está tudo planejado! Não adianta esperar do poder público, dos governos (sejam quais forem)! Tchê, pega tua família e salva! Você certamente já ouviu aquele discurso “se o povo não sabe se comportar tem que ser punido, tem que ser educado na marra”. Blá-blá-blá. Onde está a fiscalização para que se aplique a Lei Seca nas saídas de festas? Tchê, senta ao redor de uma mesa e sustenta uma argumentação que inverta a lógica dessa joça. O governo não manda na tua casa!
    Domingo de eleições, de festa e ranços. Mudar, vai mudar, sim, independente de quem ganhe. A sociedade exige algo novo, mesmo que os velhos lá permaneçam. O povo está gritando “chega” há muito tempo. Mas lá dentro da tua casa, na tua vida, no teu dia a dia, muda pouco, quase nada. Afinal, pão na tua mesa, grana na tua conta, quem põe é tu. Eles, os tais, põem na deles, pode crer.