• sexta-feira, 12 de setembro de 2014 16:01

    Era uma vez...

    Antigamente, quando um texto começava assim, o leitor, já sabia que final teria... Assim, também há, na vida, assuntos que sabemos de antemão que terão certo desenrolar. Se é no andar da carroça que as abóboras se ajeitam, também é verdade que sacolejando demais, algumas caem fora. Não é vidência, é previsibilidade.

    Por exemplo, todos sabiam que determinado candidato, em nossa cidade, seria eleito vereador no pleito passado, mesmo aparecendo como novidade. Não era preciso bola de cristal para adivinhar. Um mais um é dois, simples. As urnas foram o final perfeito daquela história começada em “era uma vez”...

    É tipo assim: qualquer entendedor de futebol sabia que a Seleção Brasileira não chegaria à final da Copa (claro que ninguém esperava o fiasco!). Nunca convenceu, então, era fato que haveria queda. É a mesma linha de raciocínio que ter uma área verde com casas desocupadas e sem fiscalização: vai rolar invasão, ora.

    Então, pergunte cá e lá, entre seus conhecidos e amigos, se eles não tinham certeza que todos os fatos recentes, registrados nas últimas semanas, terminariam exatamente assim: “vão atear fogo naquele CTG em Santana do Livramento”. Pimba! Não é vidência, é previsibilidade! Nuvens muito escuras no céu e clima abafado são prenúncios de temporal, poxa!

    Seja franco contigo mesmo, vai dizer que não pensaste: “Isso não vai acabar bem. Alguma hora o Cláudio Schmidt vai levar uma surra!”. Pimba! Era chover no molhado. Raio pra cá, raio pra lá, trovão a toda hora... vai uma hora que a tempestade se completa. Não é vidência, é previsibilidade! É tipo assim: com os dias mais longos e o calor chegando, há boas chances de novos temporais.

    Nos dois casos, do CTG de Santana e do Cláudio Schmidt, embora bem distintas histórias, os personagens se movimentam de modo que o leitor preveja a próxima cena. Nem é uma questão de saber se há certo ou errado, se há vencido ou vencedor, se você está de um lado ou de outro! O que observo é que um fato puxa o outro, uma abóbora cutuca a outra, até tudo se alojar ou uma cair da carroça!

    “Era uma vez...” sempre tinha final feliz. Agora, com as muitas readaptações para a literatura e ao cinema, esse chavão pode não terminar bem assim...

    E, tenho cá para mim que os próximos capítulos destas histórias serão muito interessantes. Não creio que esse seja o ponto final.

    xxx

    Em tempo:

    leitura do Rio Grande continua idêntica: 65% de reprovação nas autoescolas.

  • segunda-feira, 8 de setembro de 2014 10:25

    Dama, xadrez e outros jogos

    Gosto de jogar damas e xadrez. Atrai-me a possibilidade de calcular com antecedência a jogada, imaginar o que o outro está planejando, algumas vezes entregar uma peça para ganhar outra em posição mais estratégica.
    Na vida, amigos, quase tudo é jogo. Sedução é jogo. Avançar no emprego é jogo. Imprensa é jogo. Claro, alguns, como dama e xadrez, sem maldade alguma. Em outros, como na atividade política, ingenuidade é falecida faz séculos.
    Então, quando se diz “vamos derrubar o Moroni”, pode ser algo “se não chiarem, vendemos”. Ou pode ser algo mais complexo ainda, uma jogada várias casas adiante. Ou seriam apartamentos? Ou nada disso, porque também é arte fazer o óbvio para ganhar o jogo por 1 a 0.
    Bah, ter uma dama feita é meio jogo ganho. Ter cartas na manga é possibilidade de xeque-mate. Por isso, quando alguém aparece com um catatau de granadas, é quase óbvio que outro alguém levantou uma cerca de arame farpado, provavelmente, bem na divisa que ele usava. Por isso tivemos tantas notícias nos últimos dias (que semanas vibrantes), sinal de que o jogo está bem calculado.
    Acreditar que o julgamento do Grêmio não tem ingrediente extra é ingenuidade. A TV quer o Koff ferrado porque ele durante muito tempo liderava a oposição. É um crime semelhante ao que cometeram contra o Inter naquele campeonato roubado pela CBF para o Corinthians. Qualquer maldade é mera coincidência. Aliás, alguém poderia explicar para os gaúchos porque o clássico Gre-Nal, na lista dos maiores do mundo, não foi transmitido ao vivo pela tal emissora do Rio Grande.
    Há perguntas que nem sempre se consegue responder. Eu não sei por que querem vender o terreno do Ginásio Moroni. Da mesma forma como não sei a quem interessa passar jogo do “Chorinthians” em cada rodada. Como saber o que se pretende com a desconstrução social em curso no Brasil? A quem interessa acabar com os valores da família? A quem interessa acabar com os regionalismos? A quem interessa termos um pensamento único neste país imenso?
    É tudo um jogo. Somos todos bonecos, marionetes, mesmo quando achamos que somos atores. Acima de nós certamente há outros que orquestram tudo, que riem da nossa inteligência porque já fizeram cálculos e avançaram várias casas no jogo que recém movemos a segunda peça.
    Contam que o xadrez foi inventado como se fosse reprodução de um campo de batalha. Discordo: xadrez é um campo político em miniatura, onde peões dão à vida pelos cavalos e bispos. O que vale é salvar o rei, afinal ele é o cara, mesmo quando nunca soube de nada.

  • sábado, 4 de outubro de 2014 13:34

    Eles nos representam?

    Eu queria escrever uma crônica simples, sobre a intensidade das chuvas, sobre os estragos, sobre as inevitáveis catástrofes e as evitáveis também (ou pensam que a gente não vê onde falhou o sistema que deveria nos proteger?). Mas, entre tanta água suja e lodaçal, ocorreu-me que não devo deixar de lado a política, as eleições.

    Então brotou em mim a pergunta: eles nos representam?

    A torcedora gremista que xingou o “Aranha” representa o Grêmio? Sim, mas apenas até decidir ofender! A ofensa é uma decisão pessoal, ora! Quando um vereador resolve apresentar um projeto que é de interesse pessoal, ignorando aquilo que pensam seus eleitores, ele deixa de representá-los e os ofende! Eles pensam que, uma vez eleitos, podem tudo.

    Realmente é uma pergunta que não cala: eles, os eleitos, nos representam? Não quando se colocam com o rei na barriga, se servem do bom e do melhor e não nos convidam à festa. E como tem desses! Tanto é que mais de 23% das pessoas não votaram ou anularam sua participação no pleito, em 2010. E, pasmem, esse número cresce a cada ano. Entendeu? Um em cada quatro brasileiros não quer nem saber da eleição, não aparece, anula, diz “cansei”! São os inconformados, os que pensam exatamente assim: “eles não me representam!”

    Eles nos representam, sim, mas apenas porque escolhemos os que julgamos “melhores ou menos piores” entre aqueles que nos foram postos na lista. Talvez, por isso, infelizmente, não são poucos que depois de colocados em seus tronos representam seu cetro, apenas isso! São os tipos “Heman”: “Eu tenho a força!”.

    Eleição deveria ser aberta. Eu escolheria votar no meu sogro ou na minha esposa. Ou no Madril ou no Paulinho. Aí seria democrático. E talvez fosse mais fácil olhar o sistema sem partidos, afinal, servem apenas para barganhar em nome de meia dúzia.

    Eu queria escrever uma crônica simples, sobre a intensidade das chuvas, mas aí pensei que este é o ano das chuvas ou talvez “Ano do choro de Deus”. Porque doído está, ah está!

  • sábado, 30 de agosto de 2014 08:58

    Que bicho é esse?

    Um “bichinho” muito estranho está em nosso meio. Deu pouco as caras até agora, no entanto, tem se manifestado onde menos se esperava, entre os jovens. Ainda não consegui definir se é um vírus, daqueles que passa rápido, feito gripe que nos tonteia e se vai sem marcas, ou se é uma espécie que andava em extinção, mas que conseguiu sobreviver e está se ambientando neste mundo novo. Certo é que está entre nós!

    Também não sei se esse “bichinho” pica, morde ou dá choque, porque, aparentemente, não deixa marcas. Mas, pelo visto, tem sintomas claros. Sei que, na maioria das vezes, começa com uma coceira (uma vontade danada de mandar tudo àquele lugar), depois passa a enjôo, cara de vômito e uma rejeição a tudo que oferecem prontinho para comer. Ainda é cedo para saber se os sintomas permanecem por meses ou são vitalícios. No entanto, percebe-se que os infectados apresentam certo grau de intolerância... a começar pelos discursos ensaiados.

    O “bichinho deu as caras” a primeira vez no ano passado, no meio dos movimentos estudantis que se espalharam pelo Brasil como um fogo abrasador. Passeou livre, infectou um bom número de pessoas e, antes de ser flagrado e acusado de incitar arruaceiros, ensaiou uma retirada de cena. Não quis se misturar aos falsos que se pareciam muito com ele. Nós, jornalistas, após algumas investigações de campo, descobrimos rastros da espécie por aí, sinal de que ele está em nosso meio.

    Dia desses esteve no programa Noroeste Debate uma meninada da USES e do Instituto Farroupilha para falar dos problemas e das virtudes do movimento estudantil. Fui surpreendido com o conhecimento político, com a noção clara sobre avanços e retrocessos no País e também com os valores que permeiam seus pensamentos, com forte ênfase da família e dos princípios advindos dos lares. Esses garotos, aparentemente, já foram atacados e são soropositivos.

    Quem está no poder, seja no município ou na esfera federal, está sofrendo com o bichinho. Ou com a falta que ele faz, principalmente, em regiões onde a natureza foi completamente extinta. É que as pessoas mais antigas ainda não se deram conta da presença do animal, muito embora estejam sentindo na pele os seus efeitos. As constantes quedas de secretários e diretores, os protestos constantes contra a venda de patrimônio público e exemplos como o da Câmara de Vereadores de Canoas, são exemplos claros de que a nova espécie está atuante. Alguns números da campanha política também mostram claramente o efeito desse danado, derrubando tudo o que encontrar pela frente.

    A espécie não quer nada assombroso, quer o seu habitat de volta. O bichinho tem infectado os jovens com maior frequência porque estes são mais propensos à novidade, embora o que eles pedem, depois de contaminados, é algo que eu imaginava que havia morrido de velha. Esse bicho, antigamente atendia pelo nome ética, sobrenome, dignidade. E, ao que parece, com as novas descobertas tecnológicas, tipo Facebook e redes, tem encontrado ambiente propício para se procriar. Em meio ao matagal do “rouba mas faz”, essa tal de ética tem se mostrado fogo puro.