• segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015 08:54

    A nudez da política

    O ENEM deixou um legado muito peculiar ao mostrar que os brasileiros não sabem escrever. Por quê? Porque leem pouco. Ora, amigos, é interesse geral dos governantes que assim seja, pois, quanto menos esclarecido o povo, mais fácil de ser cabresteado. Porém, tão importante quanto ler, é o que ler!
    Um amigo emprestou-me um livro do juiz Márlon Reis (O nobre deputado). Li em três horas, absorto no conteúdo. Simples, incisivo, direto. Desnuda a política. Tem como subtítulo a frase: “Relato chocante e verdadeiro de como nasce, cresce e se perpetua um corrupto na política brasileira”. O doutor é um dos criadores da Lei da Ficha Limpa e ao que parece não se assusta com pouco chumbo.
    Uma obra fantástica. Deveria ser lida em todos os meios de comunicação do País para instalar uma corrente de indignação que permitisse sonhar com uma reforma política completa e verdadeira no País. O juiz Márlon Reis escreve com fluente facilidade, quase um romance, de fácil entendimento, porém é uma narrativa extraída de investigações pessoais. Aos poucos, tira a roupa do parlamento nacional.
    Chocante por simplificar o que parece complexo. Nós, jornalistas, de certa forma percebemos boa parte destas manobras, muito embora não tenhamos o alcance da maracutaia toda. O livro ingressa na podridão das emendas parlamentares, na criação de ONGs e OSCIPs de fachada, nos projetos inexistentes, etc, absurdos cometidos por parlamentares para se perpetuarem no poder. E mostra que a compra de votos é o menor dos crimes.
    É uma boa dica de leitura para o final de semana ou para as férias. Por falar em leituras, estão na praça dois novos livros de autores locais. Os Sucaneiros, de Vilmar Wiedergrün (sobre os homens que atuaram na SUCAM), e Nas Margens do Pensamento, do poeta Ariceu Simão Paiva. Há muito de crítica social neles também. Ariceu lança seu livro hoje , 20h, no SESC.

  • sexta-feira, 23 de janeiro de 2015 09:57

    ENEM “ TO” aí

    ENEM “to” aí é o melhor conceito que podemos extrair dos resultados do ENEM - Exame Nacional do Ensino Médio, divulgados na semana passada.
    Meio milhão de jovens brasileiros disse: “ENEM estou aí” para o ensino. Na verdade, foram bem mais, caso considerarmos os inscritos que deixaram de comparecer aos locais das provas. Nesse caso teríamos 20% que afirmaram completo desleixo, incompetência e desrespeito.
    É o resultado da conivência nacional com o analfabetismo funcional. Há anos os pesquisadores advertem que milhões de brasileiros estão inseridos nesta categoria. Sabem ler, mas não interpretam o que leram. Mas fiquem calmos, leitores, pois o fenômeno não é nacional. A UNESCO já se mostrou preocupada; a praga tem se alastrado pelo mundo.
    Investiu-se muito em educação no Brasil nos últimos anos, sim, porém é insuficiente. Educação e Cultura não andam lado a lado, fator determinante nesse processo de atrofia cerebral que acomete o brasileiro. E para piorar, nossos astros são analfabetos, dos atletas aos artistas mais bem pagos, uma raça híbrida, uma mescla genética de antas com burros (se é que os animais merecem ser ofendidos assim).
    Meio milhão de jovens brasileiros disse: “ENEM estou aí” para o ensino. No entanto, disseram também: ENEM “to” aí para a Língua Portuguesa. Praticamente um em cada 10 estudantes zerou a prova de redação. Não leram o edital, não respeitaram as regras e escreveram como se mascassem chicletes fazendo bolhas.
    Na prática, os avaliadores conferiram o que todos sabemos há anos: escrever corretamente e fazer leituras cotidianas é a coisa mais inútil que pode existir em um País semialfabetizado. Há milhares de analfabetos funcionais em posições bem mais confortáveis, profissional e financeiramente, que professores com 20 anos de estudos. E isso adentra aos corredores públicos também.
    O que conta é ter dinheiro. Estudo não garante “m...” nenhuma nesse País. Então, ninguém pergunta se o dinheiro veio do tráfico ou da corrupção. Pouco importa... O que realmente conta é ter dinheiro na conta (desculpem a redundância). Por isso, ser culto, saber ler e escrever é dispensável. Por isso tantos brasileiros dizem: ENEM “to” aí como a debochar daqueles que se esforçam para galgar alguns degraus.
    Claro que os governos, as escolas e os professores também têm sua dose de culpa nesse resultado, mas não se pode atirar ao colo dos outros a responsabilidade que é pessoal. Antes de ser coletivo, esse ENEM “to” aí é individual.
    A receita do bolo é essa: Junte à panela universidades que nada produzem, cursos superiores sem condições de qualificar, professores sem formação adequada e supervalorização da mediocridade. Adicione a nova regra ortográfica (uma baboseira urdida em gabinetes) e a aceitação de todas as grafias incorretas e modismos eletrônicos. Misture e eis que surge do forno um País à beira do abismo.

  • segunda-feira, 19 de janeiro de 2015 07:57

    Que mão está por trás dos loucos?


    Pisaram as flores do jardim. Arrancaram as roseiras da inocência que a Europa cultivava. E os jardineiros querem vender estrume em vez de retrabalhar a terra para iniciar o novo plantio antes que venha a primavera...
    Para além das câmaras e das cortinas há mais envolvidos que os mortos, vítimas e algozes, dos atentados cometidos na semana passada na França. Cientes que há mãos a manipular as lentes dos fatos, devemos nos perguntar: que mãos estão por trás dos loucos? Quem financiou o esquema? Quem armou os malucos? Quem incitou o ódio racial e religioso a tal extremo?
    É preciso transpor a cortina de fumaça que permeia a janela para olhar além das cenas. Não, não é uma defesa aos terroristas, menos ainda do islamismo ou dos chargistas que ofendem um profeta venerado por milhões. É preciso ver o que as lentes não mostram e os medíocres repórteres fantoches do sistema não mostram.
    E nesse cenário, infelizmente a “Islamofobia” é apenas mais uma máscara para os verdadeiros problemas atuais do mundo: ganância e completa falta de amor à vida. Tudo é petróleo, gás, diamantes. São monstros com dentes de ouro emparedando estômagos vazios.
    É bíblico que não podemos colher trigo em campo onde plantamos vinhas. Semeamos guerras, colheremos guerras. As principais fábricas de armas do mundo estão aonde mesmo? Estados Unidos, França, Inglaterra, Rússia e China. É a indústria mais rentável do planeta. As guerras são necessárias para alimentar a economia, sustentar os luxos. Então precisamos inventar o inimigo ou alimentar alguns dementes para que se tornem monstros famintos dispostos a invadir nossos jardins.
    Por isso, a pergunta inicial poderia ser: O ocidente é vítima? Ou o ocidente semeou este ódio que lhe cai no quintal? Os 17 mortos na França são mais gente que os milhares de cristãos mortos na África pelos extremistas nas últimas semanas? Ou mais importantes que centenas de civis assassinados pelos separatistas armados pelos russos na Ucrânia? Por que esses países com lugar no Conselho Permanente da ONU não propõem uma verdadeira paz? É, amigos, eles têm jardins, mas não têm flores para vender...
    O que está acontecendo com o mundo? O que aconteceu com o homem que nada aprendeu com as loucuras nazistas, com o Aparthaid ou com o Khmer Vermelho? Onde está a ditosa liberdade apregoada pelos ocidentais? Em que países as pessoas são verdadeiramente livres, sem que tenham apontadas para suas cabeças as armas do regime comunista, dos radicais muçulmanos, dos narcotraficantes? A liberdade é ver o BBB.
    E por fim, no jardim que os extremistas já invadiram, estamos com medo de plantar rosas que logo serão pisoteadas. Antes de fechar a leitura, esqueça o todo, olhe para teu dedão do pé e pense: Por que estamos cada vez mais radicais? Por que estamos intolerantes com o próximo? Por que não temos tempo para nada? Por que os caminhos que levam ao pensamento estão fechados?
    Pisaram as flores do jardim. Virá uma nova primavera. A questão é saber quanto tempo durará esta estação. Atente aos sinais, atente ao esfriamento do amor... Ainda está em tempo de jogar sementes no campo...

  • sexta-feira, 26 de dezembro de 2014 17:18

    Hora de fechar as contas

    Por Jardel Hillesheim
    O ano foi difícil para os municípios região da Grande Santa Rosa. Acompanhamos, principalmente na finaleira de 2014, a apreensão dos prefeitos quanto ao fechamento das contas. Isso é oriundo principalmente da falta de repasses da esfera estadual e federal, o que deixa os prefeitos ainda mais preocupados.
    O ano foi difícil sim. Passamos pela maior enchente dos últimos 10 anos, que atingiu os municípios costeiros, deixando centenas de famílias desabrigadas. Onde o rio não atingiu, as chuvas dificultaram a agricultura, ou danificaram as residências. O ente público teve que fechar o cofre e cortar gastos. Mas será que os cortes ocorreram nos setores certos?
    Consultando o RH da prefeitura de Santa Rosa fui informado de que temos 11 secretários. Cada um recebe por mês R$ 6.817,75. No ano nós pagamos cerca de R$ 974.803,00. Em um mandato de quatro anos é pago aproximadamente R$ 4 milhões. Já os diretores são 23, sem contar a Fundação da Saúde. Cada diretor recebe R$ 4.268,15.
    Vicini criou 66 novos cargos, destes, três apenas tem nível superior. Quem são eles? O que eles farão? Isso o MP deve questionar nos próximos dias.
    Veja o exemplo, em apenas uma Secretaria fui informado que temos seis chefes. Vamos lá, um secretário, dois diretores, três chefes de setor. Ah sim, e seis servidores. Quanta gente mandando!!
    Termino o ano desafiando o prefeito corajoso em mudar isso. Para fazer esta pequena alteração não precisa só vontade. Precisa jogo de cintura, por que os partidos irão chorar. Afinal, quem nos representa? São os vereadores amantes dos cargos? São os partidos defensores da “teta”?
    É a hora de reformular o governo. É hora de cortar gastos, mas em setores certos.
    Em tempo: Inauguramos nesta semana a ciclovia. Estamos quase lá, em poucos anos seremos uma cidade do futuro. O Tape Porã foi prometido. A obra deve iniciar em 2015, só não se sabe o mês ainda. O ‘caminho bonito’ vai mudar esta imagem escura que temos, apesar de sermos uma cidade do interior. O tão sonhado asfalto está quase pronto, agora vamos mudar o foco e cobrar outros projetos.

    • Durante as férias de Clairto Martin a coluna será assinada por Jardel Hillesheim, redator do Jornal Nooreste. Durante as férias de Clairto Martin a coluna será assinada por Jardel Hillesheim, redator do Jornal Nooreste.