• sexta-feira, 1 de agosto de 2014 15:06

    Faixas de insegurança e outros riscos

    Riscos no asfalto. Eu imagino que seja assim que muitos motoristas veem as listras brancas pelas quais pedestres atravessam as ruas e avenidas da cidade. É como se não conseguissem atinar que esse código é um “reduza a velocidade, por favor”.

    Riscos altíssimos. Como se estão no solo? Sim, riscos elevados para pedestres, especialmente idosos que têm maior dificuldade de movimento. Ou para jovens desavisados, metidos, literalmente, dentro de seus aparelhos celulares no desfile que irrita quem dirige.

    Os atropelamentos em faixas de segurança (ou seriam de insegurança) em Santa Rosa são frequentes. Não é por falta da pintura dos riscos. É pressa mesmo, desrespeito à vida e ao próximo, descuido. O do fone no ouvido não se ama. O do volante não ama o outro.

    A escola municipal da Vila Santos já promoveu até caminhada na Avenida Expedicionário Weber para chamar atenção dos motoristas. Sem dúvida, aquele é um trecho de risco (no asfalto também) para quem se aventura a cruzar a via. Professoras da Prefeitura vão às escolas educar as crianças. E quem educa os barbados?

    Em Santa Rosa esses “riscos” representam alto risco.

    EM TEMPO: fui conferir as obras na Avenida, perto da Prefeitura. Motoristas que saem da Esplanada fazem cada “brageragem” que você até duvida que sejam humanos. Quanta imbecilidade na pressa para ganhar alguns segundos.

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    Há mais de ano escrevi uma crônica sobre o Parcão, quando um conhecido meu foi agredido ao passar no local. Relatei a contínua onda de violência que cerca o coração da cidade. Pequenos delitos, claro, mas todos ligados a uma só origem: drogas. A ação policial desta semana deu razão.

    Nesses locais públicos, precisamos de fardas o tempo todo. As pessoas respeitam a presença do uniforme, quase sempre. Aliás, a atuação da polícia tem que ser elogiada nesta operação de limpeza. Enfim, por alguns dias, o Parcão voltará a ser coletivo.

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    O meu vizinho aqui ao lado, o Bem-te-vi, registrou nas últimas semanas que a Câmara votará um projeto que cria a figura do diretor-geral que pode ser substituído, ao gosto do presidente. Sei não, mas não parece uma boa iniciativa.

    O diretor é aquela figura que centraliza a informação, que sabe os trâmites, que orienta nas dúvidas. Um advogado, com anos de profissão e trabalho nas esferas públicas seria prudente.

    O vereador é substituível a cada quatro anos. Já o diretor deveria permanecer, estar acima, não como alguém que manda ou que tem poder, mas que conhece as minúcias.

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    Autoridades da região viajam a Brasília nesta semana para assegurar, com todos os pingos nos “is”, as verbas prometidas ao aeroporto. O argumento primeiro pode ser este: uma comitiva com 17 autoridades, da região que mais produz colheitadeiras no Brasil, tem de viajar 500 quilômetros para embarcar em avião”

  • sábado, 26 de julho de 2014 11:26

    Nossas perdas, nossas memórias

    Uma crença popular, alimentada por uma série de coincidências bizarras, atesta que quando ocorre uma grande tragédia, logo é seguida por mais duas semelhantes. Maus agouros, sempre vêm em múltiplos de três, dizem. Verdade ou não, comentávamos isso lá em casa na semana passada. E lembrei disso na morte do Rubem Alves, estrela das nossas letras. Dois dias, dois grandes ícones falecidos. Antes dele, João Ubaldo Ribeiro nos deixara.

    Não lembro uma semana, uma época, em que tenhamos, como País, perdido três grandes ícones num espaço tão curto de tempo. João Ubaldo e Rubem Alves partiram quase ao mesmo tempo. E aí, amanhecemos com a tríade completa: veio a morte de Ariano Suassuna. Em cinco dias, a Nação ficou órfã de três escritores do primeiro escalão: João Ubaldo Ribeiro (Riacho Doce), Rubem Alves (obras na Educação) e Ariano Suassuna (Auto da Compadecida). Os 7 a 1 para a Alemanha são nada diante dessas perdas. Empobrecemos demais culturalmente sem eles.

    Essa de que coisas ruins sempre vêm em três, é do povo. Cientificamente, nunca provaremos o ditado, mas que fica uma pulga atrás da orelha, isso fica.

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    A semana foi de outra memória: os 45 anos do dia em que o homem pela primeira vez pisou no solo da lua. Sabe o que eu me perguntava? Como podemos ter ido tão longe, tão além da Terra, e não conseguimos entrar no coração dos homens? Como podemos ter fincado uma bandeira naquelas rochas mortas do espaço e não conseguimos penetrar nas mentes humanas para semear nelas um punhado de amor ao próximo?

    Como podemos conquistar a lua e pensar em conquistar Marte sem antes pararmos com a estupidez dessas matanças entre irmãos na Síria, no Iraque, na Palestina, na Ucrânia, na África e por todos os cantos do mundo?

    O solo da lua é estéril. O solo da lua é o coração dos homens.

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    A Cidade Interativa lembrou com algumas fotos na internet os 13 anos de atividades. Sempre foi mais odiada que amada na comunidade. Não os seus membros em si, mas a entidade. Ainda hoje há ventos de raiva quando o assunto é o prédio da Prefeitura velha.

    Mas poucos falam sobre o Parcão, nosso coração pulsante aos finais de semana, mantido para lazer pela ação da Cidade Interativa. Ou será que esqueceram que queriam colocar ali o mesmo terminal de ônibus que há semanas pretendiam construir naquele terreno da esquina, perto do Mercado Público?

    A Cidade Interativa foi sim pedra no sapato. Não nasceu para ser amada. Surgiu para o que faz, pensar o amanhã quando algumas mentes mal conseguem ver o hoje. Algumas vezes dói esse exercício de pôr o cérebro para pensar, principalmente para aqueles que o têm pequeno. Vida longa à entidade que nos lega o Tape Porã e o Centro Administrativo do Estado, no antigo Fórum. Vida longa a quem possui olhares críticos e ama o futuro, sem deixar de ver o passado com a grandeza que ele merece.

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    EM TEMPO

    Há que ser registrado que até agora os transtornos com as obras na Avenida Expedicionário Weber são pequenos com relação ao que imaginava. Ponto ao governo e à empresa que executa o trabalho.

  • sexta-feira, 18 de julho de 2014 14:30

    Sofredores da RS 334

    Alguém disse, noutro dia, que pego no pé da Administração Municipal com frequência e deixo de lado todos os problemas do Estado e da União. Está certo. Ocorre que este é um jornal de abrangência regional e, tão somente por isso, olha para aquilo que está mais próximo do leitor. Antes, as pedras caíam no telhado do Orlando; hoje no do Vicini. Ônus do poder.

    No entanto, é meia verdade essa acusação. Várias das colunas que escrevi ao longo destes anos aludiram a temas que extrapolam o umbigo do mundo. No início do ano, depois de voltar das férias, usei um tom mordaz ao fazer referência às péssimas condições de algumas rodovias, em especial a ERS Sepé Tiaraju ou ERS 344, como nós a conhecemos. É, o mítico herói guarani merecia uma homenagem à altura.

    Acompanho, e sugiro que vejam também, as postagens frequentes, no Facebook, feitas pelo “Grupo Sofredores da RS 344”. É bem interessante. Se é um movimento político? Não creio, até porque qualquer motorista que trafega seguidamente por esta via sabe que a coisa está feia. Tá bom, suavizei! Tá horrível! Ir daqui a Santo Ângelo é desesperador. À noite, então, por favor, motoristas, façam oração antes de sair de casa.

    Alguém dirá que o Estado está fazendo obras importantes na região, como os acessos a Porto Vera Cruz ou a Senador Salgado Filho. Outro alguém dirá que o Estado contribuiu com R$ 6 milhões no projeto do Vida & Saúde como forma de dar uma contrapartida ao que não pode fazer na rodovia. É, povo, ao que parece, não pode fazer. Nem é uma questão de não querer, é de não poder, por conta de uma ação jurídica. Peçam explicações aos bispos...

    Sofredores da ERS 344 continuarão sofredores por mais algum tempo. E nem é por conta da chuva.

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    Estamos ferrados. Contribuintes sabem disso. Vi, noutro dia, uma charge na net em que uma pessoa olhava para dentro de um buraco no asfalto e perguntava: onde foi para o IPVA que paguei?

    As rodovias federais estão bem melhores na região, mas também tem alguns trechos complicados. As vias urbanas, um caos há anos e que já nos renderam o título de capital dos buracos, finalmente, estão em recuperação.

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    E, lá na ponta do iceberg, estão as montadoras de veículos e a opção do governo nacional de desenvolver o País focado na indústria automobilística. Não temos mais lugar para tantos carros, não temos estradas adequadas e não temos alternativas. Reféns!

    Não é ser pessimista, mas alguma hora isso tudo implode: Petrobrás, governo, indústrias automotivas e a economia. Quem tiver um tempo leia alguns artigos sobre as grandes cidades norteamericanas que eram movidas por estas indústrias....

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    Parabéns, motoristas. Ou melhor, só aos sensatos e educados.

  • sábado, 12 de julho de 2014 07:04

    É a falta de amor

    O fiasco do Brasil, o lixo nas ruas, a venda de casas populares, tudo isso tem uma mesma raiz: a falta de amor. É a falta de amor que produz tudo de ruim que há nesse planeta. Antes que alguém diga que estou errado, que o ódio é o fator preponderante, levo à inversão da matriz do pensamento. Não creio que uma guerra seja produzida apenas pelo ódio, mas pela total ausência de amor ao próximo. Vale o mesmo para a maioria das atitudes egoístas adotadas em todas as esferas, a começar pelas opções políticas, pois elas sempre levam em conta interesses e benesses pessoais. O povo que se lasque!

    E por mais que tenhamos 200 milhões de técnicos e entendidos de futebol analisando os fatos que levaram à humilhação história da Seleção Brasileira, não se fala disso: da falta de amor! Se “Felipão” (ou agora seria Felipinho?) tivesse escalado o Palmeiras da Vila Glória ou o Cruzeiro da Sulina, o Brasil não teria levado 7 x 1 da Alemanha. Paixão!

    Faltou vergonha, faltou raça, faltou amor. Mais que ao Brasil, se deve amar este povo sofrido, que carece de alegrias maiores para dar sentido ao todo. Somos um povo pobre, mas alegre e festeiro. Povo que precisa de pouco para ser feliz. Veja que sequer reagimos quando somos surrados, humilhados, não pela Alemanha, mas por um treinador esnobe e uma esquadra egocêntrica. Não procurem outras razões para explicar o fiasco. É falta de amor, sim.

    Olhe para a Seleção da Alemanha ou da Holanda, veja se há atletas como os do Brasil, mais preocupados com a cor ou o corte do cabelo que com o futebol que devem apresentar em campo. Primeiro o visual, o click na net, a pose! O que era aquele bigode ridículo do Fred, aquele cabelo do Neymar, aquela coloração do Daniel Alves e aquela imagem do Felipão com sombra no bigode do Murtosa? Dá para citar outros. Ego. Egos individuais. Banalidade de pessoas banais.

    Falta de amor sim. Grana demais nos bolsos? Também, porque se ganhassem salários como a maioria dos brasileiros talvez entendessem a dor dessa humilhação nacional. Mas vai além, bem além de grana. Se esses 7 x 1 tivessem ocorrido com a Argentina, lá teriam quebrado metade das cidades, os jogadores não sairiam à rua porque sofreriam na pele o escárnio do fiasco. Lá os atletas e o treinador seriam humilhados.

    Não é a Seleção que fez feio, fomos nós, todos nós, o Brasil. Faltou amor ao técnico que nos expôs ao ridículo e aos jogadores que poderiam sim “comer grama” para não fazer um fiasco desse tamanho.

    Há várias sombras por trás da cortina, há justificativas, mas não é aceitável tamanha ofensa a uma nação! Essa doeu, mesmo para quem não torceu pelo Brasil.