• sexta-feira, 17 de abril de 2015 22:09

    Uma dezena de novos livros

    O lançamento do livro “Anjos Feridos”, de Edwino Walter Fehlauer, foi sensacional. É, até agora, o acontecimento cultural do ano. SESC lotado. Teatro de qualidade dirigido pela patronesse Maria Inez Flores Pedroso (que está por lançar dois novos livros seus). Mais uma exposição em memória ao autor (falecido) e uma obra de imenso teor literário coroaram a noite. Vale a pena ler os textos, sugar o que há nos vazios das palavras.
    Principio por isso para fazer uma referência à literatura como um todo. Em menos de meio ano a Editora Café Pequeno conclui ou está por concluir a publicação de mais de uma dezena de novos livros. Todos devem estar em circulação para a Feira do Livro de Santa Rosa, evento que acontecerá de 13 a 16 de maio, na Praça da Bandeira. Há mais, mas estou citando apenas os da Editora.
    É um cenário de pujança e continuidade dos projetos, do Fundo de Cultura, da ASES e outros agentes envolvidos. A Café Pequeno vive um momento ímpar que demonstra a força da literatura produzida no município. Muitos dos nomes que aparecerão com novos trabalhos são conhecidos do público, porém outros são promissoras estreias, com o a professora Raquel Carpenedo que brindará a comunidade com um “Diário Poético” ilustrado por ela mesma.
    A Editora promete surpreender os leitores pelo conteúdo de suas obras em gêneros pouco habituais entre autores regionais. Dois livros de suspense e terror vão ganhar destaque. Um vem da veia literária de Juliano Marques que produziu e ilustrou com maestria contos de terror reunidos na coletânea “Seus Pesadelos”. Outro nesta linha é “O Xis da Dúvida - o Xupa-cabra de Santa Rosa”, de autoria do renomado escritor Roque Aloisio Weschenfelder, que aposta no humor e nos leitores juvenis.
    O público leitor dos ensinos Fundamental e Médio será brindado com um livro muito especial: “Era uma vez um conto... agora eu conto”. A obra reúne textos e desenhos de 13 estudantes de escolas públicas (Francisco X. Giordani, Nossa Senhora de Fátima, Poli e Cruzeiro) que integram o Projeto Jovem Autor Santa-rosense - selecionado com apoio do Fundo Municipal de Cultura. Os alunos têm encontros quinzenais e contam com suporte técnico para desenvolver seus talentos.
    A Editora também conclui um livro de crônicas selecionadas no acervo do advogado Aquiles Giovelli. “Registro de um tempo” é uma compilação de textos escritos nos últimos cinco anos e divididos em crônicas políticas, crônicas sociais e outros apontamentos. É seu livro de estreia. A Café Pequeno assina também o livro “Nos rumos da ALMA”, da Associação Literária Mario Quintana, de Santo Cristo, uma coletânea dos escritores da entidade, mais os vencedores do concurso de poemas organizado nas escolas do município e alguns apontamentos colhidos com a terceira idade.
    Embora já conhecidos, pois foram lançados recentemente, são da Editora - em parceria com seus autores - os livros “Nas margens do pensamento”, de autoria do magistral poeta Ariceu Simão Paiva, “Planalto - Revivendo Histórias” (Projeto Mais Cultura nas Escolas - Clairto Martin), “Os Sucaneiros” de Vilmar Wiedergrün e “Anjos Feridos”, poesia de Edwino Walter Fehlauer.
    Para os meses seguintes a Café Pequeno Edições já trabalha em uma biografia do ex-prefeito de Santa Rosa Anacleto Giovelli (para julho), no livro de memórias dos 80 anos do Colégio Frederico Jorge Logemann (setembro) e no resgate histórico do Bairro Sulina, em edição com o apoio da Escola Nossa Senhora de Fátima (setembro). Também assinará no segundo semestre um novo livro do presidente da ASES, Magnus Langbecker, e um livro infantil da ASES - O Mágico Mundo dos Números - a ser publicado na Jornada Literária de Santa Rosa, evento que acontecerá em setembro, no SESC. E, assim, no condicional, coisas novas do Clairto e da Dé.

  • sexta-feira, 10 de abril de 2015 11:14

    A importância do debate

    Boa notícia para quem gosta de ver conversas acaloradas, discussão franca e pautas apimentadas: o programa Noroeste Debate voltará ao ar neste sábado.

    Não é de hoje que as ruas são o cenário perfeito para as manifestações da massa, sejam elas operárias, políticas ou de uma classe específica. O que é grande não pode ficar restrito a uma casa, basta ver que o gênio agradeceu quando abriram a lâmpada mágica. O que é grande tem de sair às ruas, bufar, pegar corpo, fazer eco até ser ouvido.

    Não estou a favor deste ou daquele movimento. Estou me posicionando a favor dos movimentos, todos eles, como forma de promover o debate, de fazer com que as vertentes, as mais diversas, sejam ouvidas. Somente assim a sociedade poderá ver realizada a reforma política, a reforma tributária, rever a maioridade penal (se for o caso) e colocar em pauta assuntos que nós, brasileiros e pagadores de impostos, queremos discutir.

    Vou puxar, sim, a brasa para o meu assado, mas quero olhar além da cortina do imediatismo e pautar a sociedade como um todo. Agradeço às incontáveis pessoas que se manifestaram favoráveis à manutenção do Noroeste Debate, entendendo que não é pelo Clairto, mas pela necessidade de ter um espaço para discussões fundamentadas. Eis o cerne de tudo: é preciso que as pessoas estejam dispostas ao diálogo.

    Ao passo que chegamos ao auge da revolução tecnológica, o isolamento ou egocentrismo se avoluma. Apequenamos. Como sociedade, cabe questionar, sim. Por que não aceitamos mais o debate franco entre pessoas que pensam de forma diferente de nós? Por que não temos argumentos para refutá-los ou simplesmente por que as discussões não levam a lugar algum? Por que a postura alheia nos ofende tanto a ponto de nos cegar? Você senta em uma roda de prosa com gays ou com xiitas religiosos? Por que não?

    Ou debatemos as questões que nos irritam ou nos toldamos, nos metemos em nossos pré-conceitos. E é nessa ausência de diálogo (que cresce ao passo que a cultura mais clássica desaparece) que o pensamento rasteiro se faz dominante. Na verdade, os acéfalos (tá certo, a palavra aqui não seria bem essa) sempre foram maioria, porém, não tinham poder para se impor. Mas, a partir do advento da internet e suas incontáveis possibilidades, muitos acéfalos conseguem se impor, estabelecer um domínio que se estende até mesmo às artes em geral. Sem pensadores, sem debate. Sem debate, radicalismos são fortalecidos.

    Hora de irem à rua, todos os segmentos, para mostrar quão grande é o desalento com isso ou aquilo; não para derrubar presidente e dar golpe de estado, mas para bradar que percebemos os erros e queremos discuti-los com nossos representantes, deputados, senadores, secretários, governos. Vamos debater, na rua, na praça, na esquina, na frente do Centro Cívico.

    Então, tá, Noroeste Debate volta ao ar neste sábado, a partir das 10h. Sem mais dizer...

  • sexta-feira, 3 de abril de 2015 01:59

    Para um dia de Páscoa

    Não, não eram os ovos de chocolate e amendoins em casquinhas que adocicavam a Páscoa quando éramos crianças. Era a inocência que adocicava aqueles dias.

    A inocência migrou faz tempo para o pólo Norte, mas ainda guardo alguns rituais em mim, sem saber exatamente o que fazem adormecidos em meus baús. Supersticioso nunca fui, mas desde meninote acordava cedo para lavar meus olhos com o sereno colhido na grama antes de o sol raiar na Sexta-feira Santa. Mal nunca fez! Era o dia do silêncio solene, dos gritos retidos, de uma lentidão carregada de expectativas pelo sábado dos singelos presentes.

    A “marcela” que alivia minha dor ainda é colhida no dia santo, na sexta-feira de nosso Senhor, sempre no amanhecer. Posso buscá-la nos campos a qualquer dia, sei, e isso não mudará a eficácia do chá que guardo para o ano todo. É o meu remédio mais lembrado, afora a oração. Sempre achei que colher na Sexta-feira me torna mais cristão porque me traz à lembrança o significado de reverenciar um dia ao sacrifício. Não me torno mais santo, mas me humanizo na reflexão.

    Não tenho visto macela nos campos próximos da minha chácara. No interior desapareceu. A macela que cura minha dor não está sobrevivendo aos venenos utilizados nas lavouras de soja e milho. Não tem utilidade, não tem espaço. Da mesma forma, os dias santos não sobrevivem aos venenos modernos.

    Páscoa e Natal são coelho e Papai-Noel. Não são mais dias santos. São dias para presentes. Essa apropriação capitalista das festas cristãs é veneno moderno semeado contra a família, o seio de tudo que é bom. Se Jesus desaparecer nestas datas, então estará ausente no todo, e Deus ocupará um espaço tão secundário em nossas vidas quanto o Salvador tem ocupado nestes dias santos.

    O meu menino inocente não perceberia a mudança. Ele pensaria que é a evolução social do presente século. O menino não veria a taça de veneno entornada nas antenas e satélites, nem a orquestração contínua contra os valores do cristianismo que são postos no lixo como se a sociedade futura não precisasse de referências.

    A TV e a net (a serviço de quem?) coordenam a construção da nova sociedade há alguns anos. Determinam padrões de comportamentos, debates de interesse, conduzem a multidão. Como resultado desse processo nós relativizamos tudo, aceitamos que o errado é apenas uma questão de ponto de vista e aceitamos todos os engodos que nos impingem porque já não temos força para ir ao vômito.

    A macela que cura minha dor não está sobrevivendo aos venenos utilizados nas lavouras de soja e milho. Da mesma forma, os dias santos não sobrevivem aos venenos modernos.

     

  • domingo, 29 de março de 2015 11:09

    Os caminhões no centro, de novo

    Uma boa discussão inicia pelo quilate daquelas pessoas que estão envolvidas nela. E a prosa do sábado, no finado programa Noroeste Debate, tinha peso. Daí que apontou um rumo ao assunto.

    O prefeito Alcides Vicini, o secretário de Mobilidade Urbana Carlos Lozekan e os representantes do Sintralog (sindicato patronal da categoria de transportes de cargas), empresários Clóvis Schneider e Arcanjo Schossler, apresentaram argumentos que podem encaminhar uma solução ao problema que vem de longa data e cada vez mais se agrava: a circulação de caminhões no centro da cidade.

    À medida que a cidade cresce em poder econômico e em quantidade de carros de passeio nas ruas, o problema se torna gigantesco. Basta ver a imensa discussão em torno da ciclovia. Em épocas de safras agrícolas, como agora, piora muito, especialmente porque as alternativas viárias são poucas. Neste caso em particular (escoamento da produção) Vicini e Lozekan apresentam uma proposta estudada pelo município que envolve os terminais da Coopermil, Cotrirosa e Cesa. Bem interessante a partir do momento em que se projeta o acesso pelos fundos, pela rodovia do parque.

    Em um ponto todos os participantes do debate concordam: é preciso disciplinar esse transporte, esse fluxo de caminhões pesados nas vias urbanas. Alguns desses gigantes de aço chegam a pesar 50 toneladas quando estão com carga máxima. É desproporcional à camada de asfalto que cobre a maioria das nossas ruas, recém refeitas e, enfim, boas para trafegar tranquilamente.

    Quem esteve no debate e quem contribuiu de casa acentuou alguns gargalos que se tornam incômodos em determinados horários, especialmente começo da manhã e meio-dia. Avenida Santa Cruz, com a Escola da Paz e várias lojas grandes, e Rua Santa Rosa, onde estão quatro grandes escolas particulares e também o Hospital Dom Bosco, merecem um olhar mais atencioso. Mesmo com as sinaleiras, é lento e perigoso transitar nestes picos. Sem mencionar a Avenida Expedicionário Weber, onde há dezenas de grandes empresas.

    Todos concordam em dois pontos: não podemos frear o desenvolvimento da cidade por conta de estabelecer um rigor que engesse as empresas, porém, é preciso disciplinar tamanho dos caminhões que trafegam, quantidade de eixos e horários mais adequados para cargas e descargas. Isso posto, fica patente que um porto seco é, por ora, um sonho e um terminal fora da cidade passa pela necessidade individual de cada empresa, afinal elas têm de arcar com o custo.

    Sempre haverá exceções no tráfego, claro, porque a necessidade leva a estar aberto ao diálogo. É o caso dos caminhões de concreto para obras urbanas e tais. Mas são exceções, não regra. O importante é que se iniciou uma discussão com o aval daqueles que estão diretamente envolvidos na economia que circula nos caminhões. A cidade agradece!