• sexta-feira, 6 de junho de 2014 14:27

    A Copa ainda não convenceu

    Enfim, durante a semana, apareceram algumas bandeirinhas e adereços em verde e amarelo para dar o tom de Copa do Mundo.

    Ora, em ano de Copa no Brasil, parece que pouco estamos apaixonados pelo evento. A euforia inicial do anúncio, lá nos tempos do Lula, nos foi roubada durante os anos seguintes, com obras superfaturadas, com gastos exorbitantes, com notícias desagradáveis de toda sorte. A alegria cedeu lugar à indiferença. E até desconfiança!

    Não desconfiança com o rendimento da Seleção em campo, não. Estão todos com uma pulga atrás da orelha, todos na expectativa que possa o povo voltar às ruas durante o evento, como foi na Copa das Confederações no ano passado. Ninguém está tranqüilo. Governantes armam exércitos nas capitais. Governantes sondam, vigiam cada passo. Governos (mesmo ateus) oram para que tudo dê certo.

    Oposição torce, insinua, aguarda. Torce para dar “bolor”. Mas também desconfia que nada acontecerá, que o povo ficará em casa. Sim, em casa, porque nos estádios uma “miniminoria” entrará. A oposição deve estar pensando: por que o comércio vendeu milhões de novos televisores, quase todos gigantes? Será que o povo vai ficar em casa vendo TV?

    Em Santa Rosa o comércio não se empolgou com a Copa. Os lojistas apostaram no Dia dos Namorados como fonte de renda. O amor vende mais que o amor pelo Brasil. O amor alimenta o sexo, o carinho, o companheirismo. O Brasil, o país, tem demonstrado pouco carinho com seu povo sofrido. É quase um divórcio. Não é de hoje. Até diria que éramos filhos sem pais. Hoje somos filhos adotados. Mas ainda falta muito até legitimar a pensão e o direito ao nome na certidão, ah, isso falta.

    Depois do Dia dos Namorados, daí creio que vamos namorar o Brasil na Copa. Algumas bandeiras mais, algumas cores. Mas ainda assim, desconfio, que não será como em outros anos. Claro, a Seleção tende a fazer bonito, e aí aquenta a relação conjugal, embora há um sentimento de desgosto com fatos políticos recentes, as velhas maracutaias de sempre, e nem é questão de partido, é generalizado. O povo cansou e aí o amor esfria.

    Por outro lado, estão todos tão envolvidos em seus negócios, suas necessidades, suas prioridades, que a Seleção é um passatempo. Não se sofre mais porque o Brasil ganhou ou perdeu uma Copa. Salvo as crianças em seu amor mais puro, afinal, temos mais o que fazer da vida.

    ***

    Em tempo: aquela ornamentação na Rótula do Taffarel para a Copa no Brasil é uma pérola. Que encanto!

  • sábado, 31 de maio de 2014 14:56

    Caminhões no centro

    Não é de hoje que o assunto está na boca das pessoas. Dias desses um empresário me chamou ao escritório, no coração da cidade, e do andar mais elevado, mostrou o trânsito de caminhões enquanto a tarde corria. E todos sabem que não é apenas na Rua Santa Rosa que eles passam. É em quase todas as vias principais. E engessam tudo.
    Algumas das grandes empresas estão instaladas no centro da cidade, então, é natural que caminhões transitem neste perímetro em meio aos carros populares. Natural até ali! Com o caos que é o trânsito de Santa Rosa nos horários mais acentuados de tráfego, é incoerente que veículos tão grandes atravanquem o caminho. É atravancar mesmo, porque impedem o tráfego normal de veículos menores.
    Noutro dia, às 11 e meia da manhã, fotografei dois caminhões bitrens que faziam manobras para ingressar no pátio de uma empresa na Avenida Santa Cruz. Horror! Vários minutos no mesmo cenário. Um motorista não tinha espaço para dar a ré e ficou na rótula, e ali parou tudo, em todas as suas direções. E olha o horário! Não foi a única vez que isso ocorreu. E sei também que não é com uma empresa específica. Outras têm o mesmo impasse.
    Noutro dia, numa sinaleira, um caminhão resolveu dobrar à direita. Dá para imaginar um colosso desses pondo em risco quem estava na faixa contrária e tornando-se dono de toda a via por vários segundos a mais. Com a Rua Santa Rosa fechada várias vezes nas últimas semanas, aquele fluxo foi para outras ruas. E tome impropérios. O nosso povo tem uma língua e dedos bem ágeis...
    Não é uma crônica contra os empreendedores. Pelo contrário. É pelo bem geral desta comunidade, que pede a mesma coisa: um planejamento urgente para que os caminhões grandes deixem de trafegar no centro. (Ah, e poderia acrescentar, por favor, não estacionar a pelo menos 50 metros de sinaleiras. Ali, quando um fecha a entrada, os carros ficam em fila única, dobro de tempo para sair.).
    Empresas grandes não podem ser movidas, entende-se, como é o caso da Cotrirosa e da Camera, que estão em áreas residenciais. E se fossem para outro local, logo logo a cidade se instalaria ao redor delas. Sempre foi deste modo. E não são essas duas, entendam, são dezenas de comércios, mercados, etc, que precisam dos caminhões. Algo precisa ser feito.
    Uma alternativa é o porto seco, do qual se fala há alguns anos, mas sem que esteja verdadeiramente nos planos da Administração. Seria interessante levar tudo a um local só e de lá escoar em caminhões menores. E não é apenas o trânsito que agradecerá. Os asfaltos também, pois sofrem imensamente com o peso extra!
    É competência do município resolver isso, afinal, em épocas de safras agrícolas é bem complicado o fluxo pelas principais avenidas que dão vazão o trânsito. Temos 44 mil veículos para poucas vias. E a abertura da Avenida América não vai resolver esse problema.
    É uma boa discussão na hora que o município reavalia o plano diretor, tem dois distritos industriais e precisa urgente solucionar o impasse de trânsito no coração da cidade.
    ***
    Em tempo: aproveitando a remoção dos trilhos, hora de iniciar o Tape Porã. A cidade e o futuro agradecerão.

  • sexta-feira, 23 de maio de 2014 15:52

    O Rio das Antas transbordou

    Mudar-me para o interior foi uma decisão corajosa, ousada, sonho de anos. Eu busquei sossego, mas com o propósito de fazer as coisas que sempre fiz: colunas e textos para o Noroeste, livros, um pouco de rádio, ler e viver como gosto. Mudar é uma escolha, quase sempre, a menos que sejamos pressionados ao novo. Mudar para fazer o que sempre fiz. Contraditório. Opa! Aí me bate a primeira dúvida: o Vicini deste momento estaria mudando as peças para voltar a ser o prefeito de antes, bem antes? Neste caso, em um ano e meio ele não foi exatamente ele na totalidade de seus desejos e vontades?

    Tá, mas não era do prefeito que ia escrever. Era uma crônica sobre o riozinho da baixada, perto da chácara onde moro. Em três meses com casa no campo, por três vezes já vi o Rio das Antas sair fora da caixa, invadir arredores. Literalmente, passa sobre a ponte, ruge tão forte que se ouve a um quilômetro. Quando isso ocorre, ou esperamos a água baixar para retomar o curso seguro de antes ou mudamos o caminho e fazemos um amplo retorno para voltar ao asfalto, a nossa via rápida.

    Quando o pequeno rio sobe tanto, vai levando o que encontra pelo caminho às suas margens. Especialmente plantações cuidadas com bastante carinho. Outra vez me vem à mente a imagem das mudanças no primeiro escalão do governo municipal. Fico pensando: seriam os secretários demitidos o Rio das Antas do prefeito Vicini nesta gestão? Seriam eles a barreira, a água além da margem?

    De volta ao interior, devo registrar que ainda não ficamos parados perto da ponte à espera de o rio baixar. A Dé, como motorista, teve sorte. Do contrário, se tivesse pressa ou estivesse atrasada, mudaria o caminho, certamente. Ou perderia prazos, perderia algum compromisso importante, se colocaria em maus lençóis.

    Assim, olhando à distância, tenho a impressão que Vicini estava apressado, que não estava a fim de aguardar o Rio das Antas voltar ao nível de antes e resolveu ir por outro caminho. Ou esperou um tempo e como a chuva era intensa, resolveu arriscar-se em outra estrada.

    Faz bem, a cidade agradece, afinal, um bom motorista deve saber encontrar caminhos alternativos para levar em segurança aqueles que estão sob seus cuidados, neste caso, todos nós.

    Isso não quer dizer que o Rio das Antas fique plácido sempre, até porque é um trecho de muitas corredeiras. Ali sempre tem aquele barulho característico, sabe, aquele, de pedra raspando pedra. Talvez, na próxima chuva o riozinho saia fora da caixa outra vez, afinal, nossos invernos costumam ser de bastante água.

    xxx

    Sempre gostei da poesia, talvez porque ela me obrigue a pensar ou por tornar mais lindo o simples... No pensar da crônica, nasceram os versos.

    Além da ponte

    Subiu

    O rio

    E a minha pressa

    Afogou-se.

  • sexta-feira, 16 de maio de 2014 15:58

    Reforma política ou demolição?

    Estavam na sala do café o Nelmo, o Itálico e o Martins (Beto) a falar sobre política. São de partidos diferentes, têm argumentos diferentes. Entrei na prosa, na corrida,até a ponderar que há figuras podres em todas as siglas. Há sarnentos e mala(uf)s alojados em todos os Pês. São cânceres que devem ser combatidos com a quimioterapia do voto.

    Então, na hora de rabiscar esta coluna, lembrei a cena no café da Rádio e também outra, dos militantes ligados à CUT (intersindical dos trabalhadores), na Praça da Bandeira, no sábado, em pedido de reforma política. Registre-se, um movimento interessante, embora seja em ano eleitoral, ano de muitas promessas.

    Nós já tivemos o movimento Diretas Já. O slogan agora poderia ser Reforma Política Já! Esse sistema brasileiro não vai bem faz horas. Se os sistema produziu o Mensalão (idem no governo mineiro do PSDB) é porque dezenas de parlamentares, eleitos pelo voto, aceitaram se corromper. Só há corruptores onde há corruptos. E pronto.

    Talvez devêssemos ser mais radicais na proposta de Reforma, ousar propor mudanças ainda mais drásticas como reduzir o número de deputados federais e estaduais, reduzir o Senado a um terço (ou extingui-lo), acabar com pelo menos 50% dos teteiros que mamam em cargos públicos ligados aos parlamentos, entre outras coisitas.

    Aproveitando que na próxima semana ocorre em Santa Rosa o Feirão da Caixa, podemos pegar este gancho para a reflexão. O que é uma reforma? É um trabalho para reparar o que está podre, para tentar salvar o que ainda está bom. Opa! Premissa filosófica um: há algo podre, para ser removido na política nacional.

    Quem pode reformar? Quem realmente entende do assunto, especialistas. Ou se produzirá algo torto. Neste caso, quase nunca é o dono que pode reformar, por não conhecer a fundo a lida. Então, a reforma política não pode ser feita pelos políticos. Eles moram na casa! Tem que ser feita por especialistas, por técnicos, talvez pelo Judiciário, que ainda tem credibilidade.

    Moro em um galpão bem interessante. Para entrar com a mudança foi preciso reformar, mudar divisórias, pintar, reestruturar. Era possível porque estava razoavelmente bem feito. Ajudei o pedreiro, mas somente nas coisas que qualquer um poderia fazer. Ele não sabe escrever esta coluna; nem eu assentar pisos em linha reta. Então, reforma sim, mas feita com bases técnicas, para alinhar, deixar habitável. O parlamento, igualmente.

    Não era o caso lá de casa, mas quando uma construção está podre demais, às vezes é melhor demolir, por tudo abaixo e fazer novamente, no máximo aproveitando alguns materiais bons.

    Talvez seja este o caso do Brasil de agora.

    *****

    Por falar em reforma, a do Vicini é quase uma implosão.

    Se ele fincou bem as bases, beleza. Agora, se mexeu nos alicerces sem escorar, aí, meus amigos, aí desaba de vez.