• sexta-feira, 16 de maio de 2014 15:49

    Bolsa Família gerou um bom debate

    O programa do Governo Federal e suas implicações em Santa Rosa foi o tema do Noroeste Debate na manhã do último sábado. Estavam no estúdio os três apresentadores (Clairto Martin, Gilberto Kieling e Rodrigo Colla), mais a professora Maria Cristina Siliprandi, que responde pelo Bolsa Família no município, o vereador Dado Silva, presidente do PT, e o empresário Jaime Mattiazzi.

    Maria Cristina trouxe dados comproba-tórios que hoje, por ano, o Bolsa Família injeta R$ 4 milhões e 400 mil na economia de Santa Rosa. Esse valor deve chegar próximo a R$ 5milhões com o aumento de 10% já anunciado pela presidente Dilma a partir de junho. Para se ter uma ideia do que isso representa, a Prefeitura tem orçamento anual de R$ 200 milhões.

    Jaime Mattiazzi, disse ser favorável ao programa, mas questionou bastante o que classificou como “estímulo a não buscar vida melhor”. Ao que Dado Silva respondeu que “talvez algumas pessoas não se sintam estimuladas a ir ao mercado de trabalho porque as empresas pagam mal”. Já a professora Maria Cristina sustentou que “percebemos, no quadro evolutivo, que já tivemos épocas com mais beneficiados, o que denota que houve avanços”.

  • sexta-feira, 9 de maio de 2014 08:59

    A moeda do futuro

    Há tantas mudanças sociais em curso que quando mal conseguimos definir o Hoje ele já está completamente alterado novamente. É vapt e já foi. Os valores éticos, morais e culturais acentuados durante séculos estão ruindo com uma celeridade que nos deixa perplexos.

    Então, em meio a esse turbilhão de novos conceitos, como pensar no Amanhã? O grifo ao termo é para dar a ele certa personalidade de ente, de ser, como se vivo fosse. Amanhã! Quando penso a respeito do futuro, nas questões da coletividade social, percebo que é quase impossível traçar qualquer norte. O que será, como será?

    Estou fazendo um curso com o Abdul Nasser para melhorar o meu desempenho pessoal. Lá falamos bastante sobre Amanhã. É implícito, mas falamos, a cada vez que nos reportamos aos sonhos. No entanto, este é um amanhã pessoal, no máximo extensivo ao núcleo familiar. A divagação aqui é sobre outro Amanhã, o coletivo.

    Onde pretendo chegar com esta reflexão filosófica, sem adentrar às teias da filosofia? Na moeda do futuro. A moeda como argumento de troca, como ferramenta para alcançar resultados.

    Moral, ética, verdade. Uma tríade simples. Ah, sim, essa é a moeda de troca do Amanhã... Ontem ainda falava com meu afilhado Carlos sobre isso. Ele está ingressando no mercado de trabalho, indo à luta, cheio de sonhos. Penso que a moeda do futuro seja retidão de caráter, ética, compromisso moral. Logo, logo as empresas pagarão fortunas para ter em seus quadros funcionários que tenham essas virtudes.

    Tão em falta nos dias atuais, as virtudes tendem a ser cada vez mais raras, salvo a sociedade corrija seu rumo “para ontem”. Não creio nessa mudança naturalmente, até porque temos uma reprodução cultural inversa, de cima para baixo, completamente podre em sua matriz. Então, aqueles que possuírem essa moeda “das antigas” para ofertar serão ricos. Ricos, sim, porque ninguém quer um gato ou cachorro que lhe fure os olhos.

    Há nas grandes empresas um pânico instalado, porque os trabalhadores estão vendendo segredos aos concorrentes, vendem informações ao inimigo. Opa! Olhe ao lado, pode ser que isso ocorra em Rosa Santa. Dinheiro apaga qualquer resquício de vergonha. A cultura não faz mais sentido na revolução porque os revolucionários ganharam dinheiro. O dinheiro comprou a ética. E, por fim, apodrecemos. Socialmente apodrecemos, politicamente já somos húmus e essa fermentação se espalha rápida.

    Podemos educar nossos filhos para que tenham valores. Podemos escolher nossos amigos de acordo com alguns princípios semelhantes. Mas não podemos estabelecer o mesmo no trabalho, a menos que sejamos patrões. Por isso, acho que logo, logo, os patrões pagarão muito bem àqueles em quem verdadeiramente possam confiar.

    Vender barato essa moeda hoje, pode custar muito caro Amanhã. Afinal, em geral, passados alguns anos as quinquilharias sempre ganham valor. Moedas, então, muito mais, principalmente quando são de ouro puro.

  • segunda-feira, 5 de maio de 2014 08:36

    A Dé, o tempo e o mate

    Deveria escrever sobre a Fenasoja, sobre o agitado cenário da Cultura ou sobre as mudanças que o Vicini faz não-faz no Governo. Mas passa da meia-noite. Ouço Nenhum de Nós e a Dé está envolta em pintura. Há pouco mateávamos e falávamos sobre relógios e implicância (dela) com o tempo. Ou a ausência dele. Ou o escoar rápido dos minutos a cobrar resultados para ontem.
    Sou mais lerdo que a média, sei. Meus relógios ainda são antiquados, não leem segundos, no entanto, requerem poucos ajustes. Eles não entendem horários de verão, porque certo é certo, e pronto. Meus relógios não têm selo da Petrobrás ou de quaisquer empreiteiras.
    A relação com o tempo pode ser avaliada no fazer o mate. Em casa, sou eu quem prepara o chimarrão. É um ritual curioso e silencioso, quase sempre. É o tempo precioso do dia, vários minutos, entre o nada e a vida. Vida sim, porque esse é o meu tempo para pensar.
    Eu gosto de pôr a água para aquentar na chaleira convencional. Tenho a chaleira elétrica, a tal jarra, mas não a uso, somente quanto falta gás e, ainda assim, fico um tanto deslocado. A chaleira me dá o tempo de despertar de vez, de andar pela cozinha, secar uma louça, pensar no que vou fazer quando o mate estiver pronto. Tempo para ordenar as ideias.
    Tempo para simplesmente deixar o tempo seguir seu curso. Eu gosto de ser assim, porque sou lento mesmo, porque tenho essa poesia de apreciar pequenas coisas e não tenho quem me cobre pressa. É diferente de buscar resultados, de vencer metas, que isso também é importante.
    O Vicini, por exemplo, sabe que já correu quase um ano e meio de seu governo, que a sociedade espera dele determinados resultados. Eu também sei o que os Mallmann esperam, simples assim. Isso não impede o mate, nem o meu, nem o do prefeito.
    Catarina também toma mate, mais ainda se estiver por estas bandas há mais de três décadas. Ele sabe que água quente demais queima a erva, amarga o paladar, “pela a língua”. Mate é assim: se estiver mal feito, na base, tende a ruir a erva nas primeiras servidas e aí perde a graça, fica sem aparência e todo trancado.
    Por isso, nessa hora, na hora de fazer o mate, deixo o tempo ser dono do meu tempo. Acho que o atual governo está fazendo o mate usando a chaleira tradicional para aquentar água, pensando no que fazer quando o mate estiver pronto.
    E a Dé continua a olhar seus relógios.

  • segunda-feira, 28 de abril de 2014 09:33

    Melhores, mas desiguais

    Embora nem todos compreendam os dados apresentados na capa do Jornal Noroeste na edição passada, eles são ferramenta importante para universidades, Corede, Comudes e outros órgãos que “lêem” a região como um todo. E, antes que algum engraçadinho diga que são apenas números vazios de sentido, é preciso levar em conta que provêm de estudo da Fundação de Economia e Estatísticas do Estado.
    Então, quando o Jornal Noroeste cita que três municípios da Fronteira Noroeste (Grande Santa Rosa) estão entre os 100 melhores no ranking gaúcho do IDESE, faz referência a dados do tripé: saúde, educação e renda. Cruzando estes dados teremos um quadro que nos situa (como região) apenas na faixa intermediária, na linha entre 100 e 200 posições no estudo. No entanto, há municípios em situação bastante delicada, especialmente aqueles que têm o Rio Uruguai como divisor.
    Melhoramos, segundo avaliação do Corede, mas ainda estamos desiguais. Há bons números, como Horizontina e Tucunduva, mas há extremos como Alecrim e as portuárias, dependentes do dinheiro público. É uma triste realidade contra a qual lutamos há décadas. População envelhecida, pouco empreendedorismo e estagnação.
    Melhoramos, sim, mas abaixo do que ocorreu com o Estado, isso porque as ações de desenvolvimento ainda são isoladas. O Pedro Büttenbender não disse isso, no entanto a um fator que acentua essa partilha de miséria: concorremos entre nós, como se o inimigo fosse o município ao lado. Bom para Nova Candelária levar a empresa Chás Prenda, péssimo para Senador Salgado Filho, pois era um grande agregador de renda.
    O que precisamos é trabalhar alternativas conjuntas porque a população de toda a microrregião é duas vezes menor que tem sozinha a cidade de Caxias. Somos, como cidades, pequenos bairros que orbitam em torno do quase-nada. Não estou afirmando que Santa Rosa ou qualquer outra cidade seja inexpressiva, mas que nossa população é pequena demais para manter voos regulares em aeroporto e até mesmo para suportar mais empresas de grande porte, pois logo falta mão de obra.
    Pensar que somos bairros poderia ajudar a unir as vozes regionais. A prefeitura comum destes 20 municípios deveria ser uma entidade como o Corede ou outra qualquer, mas que pudesse determinar um caminho a ser seguido até gerar resultados. Creio sim que a foto melhorou, mas estamos em período de economia aquecida, há uma década em franco progresso. E quando houver um momento ruim, como tivemos nos anos 90, como será?
    Os avanços são lentos. Estamos longe. A logística influencia, mas também a terra ruim para produzir em larga escala. E, a distribuição de renda não é equilibrada. Sempre ela. Nem citarei Santa Rosa, usarei Horizontina, que é 11º no Estado em renda per capita. Mas, em investimentos em saúde aparece apenas na 333ª posição. Então, ser uma cidade rica não significa que tudo esteja bem para sua população.
    Santa Rosa, município que tem um terço dos habitantes da região, também tem muito a evoluir. É apenas o oitavo entre os 20 que compõem a microrregião. O melhor desempenho é em renda (105º lugar entre todos os municípios gaúchos) e mesmo assim um em cada cinco cidades está melhor que nós. Pioramos quando o estudo avança para saúde e educação.