• segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015 08:47

    O "pé" da cuia

    Quando a Taci, aqui no Jornal Noroeste, usou a expressão "não gosto de cuia sem pé", confesso, fiquei confuso.

    Cuia tem pé? O "pé" é aquele suporte para deixá-la em pé? Matutei alguns minutos nessa questão. Tolice perder tempo nesse questionamento sem pé nem cabeça. Sei disso, mas é justamente nessas questões de semântica que convencionamos aceitar muitas meias verdades. Meia verdade não é uma mentira. Ou seria? Bem, não vou fundir a cuca nessa analogia...

    Essas questões de semântica são plenamente empregadas em nossa língua, mais ainda no meio político, em todas as esferas. Calma, leitor, já chego ao cerne da reportagem publicada no portal Zulupa sobre gastos do Governo Vicini com cargos de confiança (CCs) e funções gratificadas (FGs).

    O PT/Governo nacional se especializou, fez doutorado já, em usar frases de efeito para induzir as pessoas a duvidarem de fatos amplamente verdadeiros. Então, os culpados sempre são vítimas. No caso da Petrobras, há claros indícios "de que os assaltantes apenas deram continuidade a um esquema montado em gestões anteriores". Em tese, afanaram porque outros afanaram antes. É justo seguir na rotina. Parabéns para quem é dos Olivistas, esse é da cepa!

    O atual governador gaúcho também usa a semântica quando diz que o Governo do Estado honrará os compromissos a partir de janeiro, sem dar calote. Está certo ele, muito embora as instituições de saúde pública esperem por recursos públicos em atraso dos serviços prestados nos meses finais de 2014. Vai ver que Tarso (o contratante das dívidas) não representava o Estado!

    Quando o Portal Zulupa publicou a matéria "Governo Vicini gasta valores recordes com CC’s e FG’s" está fazendo uso do "pé" da cuia. Nem tanto ao Céu, nem tanto ao Inferno. Os dados extraídos da transparência municipal são incontestáveis. Nem Vicini os questionou. O prefeito, no entanto, disse que a reportagem é equivocada ao não levar em consideração os aumentos salariais e a inflação do período. Com estes itens na conta a sua gestão estaria em gastos menores ou equivalentes ao Governo Orlando Desconsi.

    Vicini argumenta que encolheu a máquina ao cortar 12 cargos. É gasto a menos, sem dúvida. Mas nos dois últimos períodos Orlando gastou R$ 2 milhões com FGs e CCs ao ano. Vicini gastou R$ 2,38 milhões. É um aumento de 15% em dois anos. É a inflação ou aproximadamente o aumento dos servidores, porque os dois índices não podem ser usados na mesma conta. Fica elas por elas.

    É o "pé" da cuia. Encolheu a sua equipe inicial, mas o gasto, quase nada. Nem estou aqui questionando se é alto ou não este valor. Apenas relendo a notícia. Independente disso, com equipe mais enxuta Vicini ajustou as peças e consegue fazer um governo mais Vicinista. Tanto é verdade que desde a metade do ano passado cessaram quedas de pessoas que ocupavam postos do alto escalão. Agora reina uma unidade.

    Já eu, ao contrário da Taci, gosto de cuias que não tenham pé. Aquele suporte me irrita, talvez porque ainda haja em mim o gaúcho tosco, um tipo que faz o chimarrão sem o ceva-mate e prefira água quente.

  • sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015 15:26

    Restos de enchentes

    Não foi um ano como todos os demais, afinal tivemos grandes enchentes. Não é um início de ano igual aos anteriores, pois chove sem parar. Muitos prejuízos. Quem paga essa conta? Os estragos causados nas residências, nos carros e nas empresas poderiam ser evitados? Escrevo porque vem mais “pepino” para o Município descascar.

    Conto aqui com a ajuda do advogado Luís Augusto Felipetto. Ele é daqueles profissionais que acredita que judicialmente a Prefeitura, especialmente, deve responder pelos prejuízos dos cidadãos. Ponto comum. Concordo desde que fique comprovada a inércia, ineficácia ou inexistência do serviço público, decorrendo daí as perdas. Por isso, caso a caso tem que ser analisado.

    OK, você dirá que a Prefeitura não é responsável pelas chuvas, tampouco teria como evitar o que ocorreu. Concordo também. Mas é responsável pela limpeza dos rios e das margens, bem como por desobstruir continuamente as bocas de lobo e canais de escoamento da água. Não executar o serviço é omissão. Agora faz um serviço assim, bastante divulgado, inclusive, porém, em algumas áreas precisa ser um trabalho contínuo.

    Em uma conversa o advogado trouxe números que devem deixar o departamento Jurídico da Prefeitura de cabelo em pé. O escritório tem muitas ações ajuizadas contra o Município, todas referentes às “catástrofes” do ano passado. Simplifico a equação. São 18 ações, englobando 45 autores, uma ação para cada família que teve prejuízos com aquelas chuvaradas.

    O total de prejuízos materiais destas ações ficou estimado em R$ 180.153,68. Pouco! Mas, o cálculo não inclui danos morais. Essa conta, conforme o pedido de R$ 50 mil por autor chegaria a outros R$ 2,2 milhões. Mesmo que as famílias ganhassem um terço disso, ainda seria impactante nos cofres públicos e, conforme atesta o bacharel, há precedentes com valores elevados.

    O estrago nos cofres públicos pode ser muito maior se outros atingidos tomarem o mesmo caminho. Felipetto diz que há entre 20 e 30 famílias que fizeram contatos, participaram de reuniões de esclarecimento. O barulho está feito. Seu principal argumento é que o Município tinha conhecimento prévio da situação do leito dos rios e poderia ter evitado o dano.

    Buenas, o “pepino” está posto à mesa da Prefeitura. Claro, cabe à Justiça analisar caso a caso. Pode até mesmo dizer que o pedido é improcedente. No entanto, movi uma ação contra o Município, certa feita, devido a constantes problemas gerados por uma boca de lobo entupida e que me trouxe prejuízos. Houve indenização pelas perdas materiais e pelo dano moral. Os juízes, em todas as instâncias, entenderam que houve omissão do Poder Público. Pode não ser o caso aqui, mas, cada vez mais o Judiciário está se colocando ao lado do cidadão.

  • sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015 14:40

    Que tempo “loco”!

    Sair à rua nos últimos dias está bastante arriscado. Cuidado, galho caindo sobre a cabeça! É quase um filme de Hollywood onde somos atores principais. Poderíamos protagonizar uma série sobre aquecimento global, essa mentira difundida pelos ecologistas (ahã). Que tempo louco! Ventou várias vezes. Árvores caídas, casas destelhadas, Uruguai acima do nível. Loucura esse verão!
    A gente sequer sabe se leva ou não o guarda-chuva. Choveu praticamente todos os dias neste ano. E quantos temporais! Por via de dúvidas, leve o guarda-chuva, vai que você se veja obrigado a interferir em alguma briga na sala da OAB, em estilo “Tropa de Elite”. Claro, pouco vai ajudar. Melhor mesmo é balde de água gelada!
    Tempo louco também pros lados do Palácio Municipal, afinal o calorão que suscitou vários embates em tempos de turno único está com os dias contados. A notícia alvissareira é a instalação de climatizadores no andar de baixo, aquele que foi alvo de uma crônica que deixou gente muito irada comigo. Ufa, vai refrescar!
    Essas chuvas diárias fazem inço crescer dobrado. Lembrei disso quando vi a proposição do vereador Miro Jesse a pedir a construção de um pórtico no acesso à cidade para que as pessoas saibam onde estão chegando. Homem, aproveite e peça aos órgãos responsáveis para que façam uma operação limpeza nos trevos que estão com capoeira beijando as nuvens!
    Tá tudo tão maluco que até o Tape Porã está saindo do papel. Claro, de folha em folha um dia se faz o álbum! Isso lembra a ciclovia. Vai entender esse povo! Agora que está protegido para o ciclista está arriscado para os motoristas de carros. Adoram beijar aqueles blocos. Pior que isso, teve inclusive uma colisão frontal entre duas bikes, sério. Também com tanta distração nas calçadas, mais os ventos...
    Em tempo tão louco, nem se estranha o Carnaval ficar para março. Assim dá tempo de bolar algumas fantasias a tempo de se esconder do Teo Pereira de Santa Rosa que tem destilado fel extraído diretamente da serpente do Éden. Sinceramente, com tantos vendavais, ninguém mais estranha ventinho...
    Ouvi que um novo temporal poderia se desenhar ali para os lados de Giruá, no interior do Rincão Maciel, onde uma grande empresa exportadora estaria pensando em instalar uma indústria nova, grande, no meio do caminho entre Santa Rosa e Santo Ângelo, deixando órfãs do ICMS as duas cidades. Será? Sei não, mas nuvens há no céu.
    Isso que nem mencionei o calorão advindo da exploração petrolífera e as fantásticas apresentações do Grêmio e do Inter. Que tempo “loco”! É sol, chuva torrencial, vendaval e granizo. Oigalê 2015 que mostra os dentes com imensa fome. Se sair, melhor levar o guarda-chuva!

  • segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015 08:54

    A nudez da política

    O ENEM deixou um legado muito peculiar ao mostrar que os brasileiros não sabem escrever. Por quê? Porque leem pouco. Ora, amigos, é interesse geral dos governantes que assim seja, pois, quanto menos esclarecido o povo, mais fácil de ser cabresteado. Porém, tão importante quanto ler, é o que ler!
    Um amigo emprestou-me um livro do juiz Márlon Reis (O nobre deputado). Li em três horas, absorto no conteúdo. Simples, incisivo, direto. Desnuda a política. Tem como subtítulo a frase: “Relato chocante e verdadeiro de como nasce, cresce e se perpetua um corrupto na política brasileira”. O doutor é um dos criadores da Lei da Ficha Limpa e ao que parece não se assusta com pouco chumbo.
    Uma obra fantástica. Deveria ser lida em todos os meios de comunicação do País para instalar uma corrente de indignação que permitisse sonhar com uma reforma política completa e verdadeira no País. O juiz Márlon Reis escreve com fluente facilidade, quase um romance, de fácil entendimento, porém é uma narrativa extraída de investigações pessoais. Aos poucos, tira a roupa do parlamento nacional.
    Chocante por simplificar o que parece complexo. Nós, jornalistas, de certa forma percebemos boa parte destas manobras, muito embora não tenhamos o alcance da maracutaia toda. O livro ingressa na podridão das emendas parlamentares, na criação de ONGs e OSCIPs de fachada, nos projetos inexistentes, etc, absurdos cometidos por parlamentares para se perpetuarem no poder. E mostra que a compra de votos é o menor dos crimes.
    É uma boa dica de leitura para o final de semana ou para as férias. Por falar em leituras, estão na praça dois novos livros de autores locais. Os Sucaneiros, de Vilmar Wiedergrün (sobre os homens que atuaram na SUCAM), e Nas Margens do Pensamento, do poeta Ariceu Simão Paiva. Há muito de crítica social neles também. Ariceu lança seu livro hoje , 20h, no SESC.