• sexta-feira, 23 de janeiro de 2015 09:57

    ENEM “ TO” aí

    ENEM “to” aí é o melhor conceito que podemos extrair dos resultados do ENEM - Exame Nacional do Ensino Médio, divulgados na semana passada.
    Meio milhão de jovens brasileiros disse: “ENEM estou aí” para o ensino. Na verdade, foram bem mais, caso considerarmos os inscritos que deixaram de comparecer aos locais das provas. Nesse caso teríamos 20% que afirmaram completo desleixo, incompetência e desrespeito.
    É o resultado da conivência nacional com o analfabetismo funcional. Há anos os pesquisadores advertem que milhões de brasileiros estão inseridos nesta categoria. Sabem ler, mas não interpretam o que leram. Mas fiquem calmos, leitores, pois o fenômeno não é nacional. A UNESCO já se mostrou preocupada; a praga tem se alastrado pelo mundo.
    Investiu-se muito em educação no Brasil nos últimos anos, sim, porém é insuficiente. Educação e Cultura não andam lado a lado, fator determinante nesse processo de atrofia cerebral que acomete o brasileiro. E para piorar, nossos astros são analfabetos, dos atletas aos artistas mais bem pagos, uma raça híbrida, uma mescla genética de antas com burros (se é que os animais merecem ser ofendidos assim).
    Meio milhão de jovens brasileiros disse: “ENEM estou aí” para o ensino. No entanto, disseram também: ENEM “to” aí para a Língua Portuguesa. Praticamente um em cada 10 estudantes zerou a prova de redação. Não leram o edital, não respeitaram as regras e escreveram como se mascassem chicletes fazendo bolhas.
    Na prática, os avaliadores conferiram o que todos sabemos há anos: escrever corretamente e fazer leituras cotidianas é a coisa mais inútil que pode existir em um País semialfabetizado. Há milhares de analfabetos funcionais em posições bem mais confortáveis, profissional e financeiramente, que professores com 20 anos de estudos. E isso adentra aos corredores públicos também.
    O que conta é ter dinheiro. Estudo não garante “m...” nenhuma nesse País. Então, ninguém pergunta se o dinheiro veio do tráfico ou da corrupção. Pouco importa... O que realmente conta é ter dinheiro na conta (desculpem a redundância). Por isso, ser culto, saber ler e escrever é dispensável. Por isso tantos brasileiros dizem: ENEM “to” aí como a debochar daqueles que se esforçam para galgar alguns degraus.
    Claro que os governos, as escolas e os professores também têm sua dose de culpa nesse resultado, mas não se pode atirar ao colo dos outros a responsabilidade que é pessoal. Antes de ser coletivo, esse ENEM “to” aí é individual.
    A receita do bolo é essa: Junte à panela universidades que nada produzem, cursos superiores sem condições de qualificar, professores sem formação adequada e supervalorização da mediocridade. Adicione a nova regra ortográfica (uma baboseira urdida em gabinetes) e a aceitação de todas as grafias incorretas e modismos eletrônicos. Misture e eis que surge do forno um País à beira do abismo.

  • segunda-feira, 19 de janeiro de 2015 07:57

    Que mão está por trás dos loucos?


    Pisaram as flores do jardim. Arrancaram as roseiras da inocência que a Europa cultivava. E os jardineiros querem vender estrume em vez de retrabalhar a terra para iniciar o novo plantio antes que venha a primavera...
    Para além das câmaras e das cortinas há mais envolvidos que os mortos, vítimas e algozes, dos atentados cometidos na semana passada na França. Cientes que há mãos a manipular as lentes dos fatos, devemos nos perguntar: que mãos estão por trás dos loucos? Quem financiou o esquema? Quem armou os malucos? Quem incitou o ódio racial e religioso a tal extremo?
    É preciso transpor a cortina de fumaça que permeia a janela para olhar além das cenas. Não, não é uma defesa aos terroristas, menos ainda do islamismo ou dos chargistas que ofendem um profeta venerado por milhões. É preciso ver o que as lentes não mostram e os medíocres repórteres fantoches do sistema não mostram.
    E nesse cenário, infelizmente a “Islamofobia” é apenas mais uma máscara para os verdadeiros problemas atuais do mundo: ganância e completa falta de amor à vida. Tudo é petróleo, gás, diamantes. São monstros com dentes de ouro emparedando estômagos vazios.
    É bíblico que não podemos colher trigo em campo onde plantamos vinhas. Semeamos guerras, colheremos guerras. As principais fábricas de armas do mundo estão aonde mesmo? Estados Unidos, França, Inglaterra, Rússia e China. É a indústria mais rentável do planeta. As guerras são necessárias para alimentar a economia, sustentar os luxos. Então precisamos inventar o inimigo ou alimentar alguns dementes para que se tornem monstros famintos dispostos a invadir nossos jardins.
    Por isso, a pergunta inicial poderia ser: O ocidente é vítima? Ou o ocidente semeou este ódio que lhe cai no quintal? Os 17 mortos na França são mais gente que os milhares de cristãos mortos na África pelos extremistas nas últimas semanas? Ou mais importantes que centenas de civis assassinados pelos separatistas armados pelos russos na Ucrânia? Por que esses países com lugar no Conselho Permanente da ONU não propõem uma verdadeira paz? É, amigos, eles têm jardins, mas não têm flores para vender...
    O que está acontecendo com o mundo? O que aconteceu com o homem que nada aprendeu com as loucuras nazistas, com o Aparthaid ou com o Khmer Vermelho? Onde está a ditosa liberdade apregoada pelos ocidentais? Em que países as pessoas são verdadeiramente livres, sem que tenham apontadas para suas cabeças as armas do regime comunista, dos radicais muçulmanos, dos narcotraficantes? A liberdade é ver o BBB.
    E por fim, no jardim que os extremistas já invadiram, estamos com medo de plantar rosas que logo serão pisoteadas. Antes de fechar a leitura, esqueça o todo, olhe para teu dedão do pé e pense: Por que estamos cada vez mais radicais? Por que estamos intolerantes com o próximo? Por que não temos tempo para nada? Por que os caminhos que levam ao pensamento estão fechados?
    Pisaram as flores do jardim. Virá uma nova primavera. A questão é saber quanto tempo durará esta estação. Atente aos sinais, atente ao esfriamento do amor... Ainda está em tempo de jogar sementes no campo...

  • sexta-feira, 26 de dezembro de 2014 17:18

    Hora de fechar as contas

    Por Jardel Hillesheim
    O ano foi difícil para os municípios região da Grande Santa Rosa. Acompanhamos, principalmente na finaleira de 2014, a apreensão dos prefeitos quanto ao fechamento das contas. Isso é oriundo principalmente da falta de repasses da esfera estadual e federal, o que deixa os prefeitos ainda mais preocupados.
    O ano foi difícil sim. Passamos pela maior enchente dos últimos 10 anos, que atingiu os municípios costeiros, deixando centenas de famílias desabrigadas. Onde o rio não atingiu, as chuvas dificultaram a agricultura, ou danificaram as residências. O ente público teve que fechar o cofre e cortar gastos. Mas será que os cortes ocorreram nos setores certos?
    Consultando o RH da prefeitura de Santa Rosa fui informado de que temos 11 secretários. Cada um recebe por mês R$ 6.817,75. No ano nós pagamos cerca de R$ 974.803,00. Em um mandato de quatro anos é pago aproximadamente R$ 4 milhões. Já os diretores são 23, sem contar a Fundação da Saúde. Cada diretor recebe R$ 4.268,15.
    Vicini criou 66 novos cargos, destes, três apenas tem nível superior. Quem são eles? O que eles farão? Isso o MP deve questionar nos próximos dias.
    Veja o exemplo, em apenas uma Secretaria fui informado que temos seis chefes. Vamos lá, um secretário, dois diretores, três chefes de setor. Ah sim, e seis servidores. Quanta gente mandando!!
    Termino o ano desafiando o prefeito corajoso em mudar isso. Para fazer esta pequena alteração não precisa só vontade. Precisa jogo de cintura, por que os partidos irão chorar. Afinal, quem nos representa? São os vereadores amantes dos cargos? São os partidos defensores da “teta”?
    É a hora de reformular o governo. É hora de cortar gastos, mas em setores certos.
    Em tempo: Inauguramos nesta semana a ciclovia. Estamos quase lá, em poucos anos seremos uma cidade do futuro. O Tape Porã foi prometido. A obra deve iniciar em 2015, só não se sabe o mês ainda. O ‘caminho bonito’ vai mudar esta imagem escura que temos, apesar de sermos uma cidade do interior. O tão sonhado asfalto está quase pronto, agora vamos mudar o foco e cobrar outros projetos.

    • Durante as férias de Clairto Martin a coluna será assinada por Jardel Hillesheim, redator do Jornal Nooreste. Durante as férias de Clairto Martin a coluna será assinada por Jardel Hillesheim, redator do Jornal Nooreste.
  • sexta-feira, 5 de dezembro de 2014 15:10

    A Senzala

    Atenção Ministério Público, denúncia de serviço escravo em Santa Rosa! Ou, então, considerem que minha capacidade de fazer leitura crítica está esgotada. É o que depuro depois da resposta enviada por email por uma servidora da Prefeitura à coluna da semana passada.
    Ela escreveu o seguinte texto: “Pois bem, quero convidar o senhor, e se quiser pode estender o convite a outros invejosos de plantão, para que venham passar uma tarde conosco aqui na Prefeitura Municipal de Santa Rosa, aproveitando para visitar e conhecer os setores das diversas secretarias, mas peço que comecem a visita pelo andar de baixo, “a senzala”, para que desfrutem da agradável temperatura do local onde trabalhamos, também peço uma última coisa que a visita seja realizada a partir do dia 06/01/2015, pois estaremos a disposição dos contribuintes das 7:30 às 11:30 e das 13:30 às 17:30”.
    Não me senti ofendido com o “senhor e outros invejosos de plantão”, até porque respostas ríspidas vêm com frequência após algumas colunas. Mas a palavra SENZALA soou impactante. Lembrou escravidão, em imagens vívidas. Fui ao Wikipédia: “As senzalas eram grandes alojamentos que se destinavam à moradia dos escravos, nos engenhos e fazendas no Brasil colonial e na monarquia, entre os séculos XVI a XIX”. Continuei a pesquisa. O site História Brasileira amplia esse conceito: “Além de abafadas (por possuírem poucas janelas cercadas com grades) também eram desconfortáveis pela grande quantidade de pessoas alojadas ali. Opa! Opa! Aí está o xis da questão.
    Deduz-se, pois, que a servidora se sente escravizada ou, pelo menos, em situação semelhante à época relatada. Deduz-se ainda que existe o andar de cima (se bem que a Prefeitura tem um segundo piso, mas somente na parte frontal) e que nele as condições de trabalho são diferentes, pois o “Senzala” está aplicado, especificamente, ao andar de baixo.
    Bem, esse é um pensamento pessoal, certamente, porém, o termo é forte e merece ser analisado ao contexto aplicado, ao trabalho na Prefeitura Municipal de Santa Rosa. A servidora emprega o termo para designar um local impróprio para o trabalho, devido a elevadas temperaturas a que são expostos, especialmente à tarde, sob aquele céu de zinco.
    Concordo em um aspecto com a servidora. O calor, naquela parte do prédio onde era o mercado da Cotrirosa, é de doer. Porém, discordo no tocante a usá-lo como argumento ao turno único. Ou então, que seja, por um ano, para que dê tempo de encontrar uma solução. Como classe, os servidores da “senzala” devem procurar o prefeito municipal, o vice, os secretários e vereadores para exigir melhores condições de trabalho, a começar pela instalação de um sistema de refrigeração de ambiente que permita exercer as funções com a dignidade merecida a qualquer ser humano. Cabe ao Município, no caso, administradores, resolver essa questão, independente dos custos que advenham dela.
    No mesmo email, assim como o fez no parágrafo já citado, a servidora vai reforçar o conceito que tem de mim (e de quem é contra o turno único). Escreve: “Invejosos existem sim em toda parte e sempre vão existir”. Eu sou invejoso, mesmo. Assim como são os empresários, como são as entidades de classe, como são todos aqueles que discordam da jornada reduzida e se mostram contrários, assumindo os riscos de apedrejamento.