• sexta-feira, 21 de março de 2014 09:26

    Enfim, um brado de oposição

    A melhor oposição que vimos em Santa Rosa neste manda to do Vicini foi feita pelo engenheiro agrônomo Luis Pedro Trevisan quando denunciou a derrubada de árvores no perímetro urbano. Repercutiu tão forte que o secretário Amilcar Luconi, já meio claudicante, caiu. A outra postura mais frontal voltou a ser da OSCIP Cidade Interativa, renovada em membros e em disposição à queda de braço quando necessário.

    Tudo bem, mas politicamente?

    Oposição, aquela política, que contrapõem aliados e adversários, essa pouco se viu desde que Vicini assumiu. E não é por falta de espaço, como alguns querem fazer crer. Na Câmara e nos partidos políticos, poucos miados e quase nunca rosnados daqueles que impõem presença. Nem é questão de avaliar se a Administração faz ou não uma boa gestão, mas de chamar o debate que seja esclarecedor, que contribua.

    O que o Cláudio Schmidt fez esta semana, nos microfones da Rádio Noroeste, independente de seus motivos pessoais ou políticos, veio a chacoalhar o cenário. Houve um baita retruco do Douglas, e talvez nem pare por aí, já que ficaram muitas farpas no ar. Para quem gosta da política, prato cheio.

    Não foi o partido PMDB que veio à imprensa, mas um vereador. Mas poderia servir para o quadro como um todo analisar os resultados mais recentes e assumir uma postura que leve ao crescimento. O PMDB sempre foi a maior força que se opunha ao PP no município, ao contrário de muitos “Maria vai com as outras”. Quando Terra foi eleito prefeito (há 20 anos) o PT era um partido pequeno na cidade. Duas décadas depois o PT comandou a Prefeitura e hoje tem mais vereadores. O sinal de alerta deveria estar ligado...

    Mas como o PT daqui anda sestroso, sem muita vontade de comprar brigas mais expressivas com o atual governo. Deve ter suas razões. Na câmara, o PT se coça, pede explicações aqui e ali, mas não diz para que as quer. É tipo, juntar dados para comparar ou munição para guardar na trincheira.

    Diante desse quadro, é fácil deduzir que essa é a hora de o PMDB mostrar outra vez sua grandeza e aproveitar a deixa. Na última eleição para prefeito ficou longe, muito longe daquele partido forte que conhecemos. Ou aproveita agora (inclusive no fato de o PP não lançar candidato a deputado com base aqui) ou se tornará apenas uma força qualquer no cenário político daqui e do Estado. A história de lutas pede isso.

    Ou o PMDB volta a ser esta via forte e retumbante ou logo logo outro partido assume esta condição.

  • sexta-feira, 14 de março de 2014 20:35

    Demorou a vir uma greve

    O Alibem amanheceu com trabalhadores de braços cruzados na quinta-feira. Durante o dia havia piquete grevista em frente ao portão de acesso à planta industrial. Nenhuma surpresa, não apenas pelas informações já divulgadas na semana passada, mas porque o cenário é complexo há tempos.

    Como observador que faz leituras próprias, penso que a greve até demorou a acontecer. Ela não ocorreu em outro momento por completa apatia da direção sindical anterior. Simples assim. Como há um novo grupo no comando da entidade de classe, os ventos são outros.

    Ninguém é ingênuo de pensar que a imprensa conta tudo, nem sempre tem como. Mas o leitor e ouvinte de nossas rádios é inteligente, ele faz suas próprias leituras a partir dos fatos à medida que une os fios que os ligam.

    Por exemplo: é comum, quase diário, notas de que a empresa seleciona trabalhadores, com inúmeras vagas. Simples assim: quem tem como fixar-se em outro emprego, vai primeiro a outro. Nos bastidores, há anos desenrolava-se uma tentativa de remover a direção anterior do Sindicato. Junta um e dois, dá o cozido.
    No caso das vagas, é um conjunto de fatores que afasta os trabalhadores. Com o mercado em alta, com sobra de opções nas indústrias e no comércio local, as pessoas buscam assegurar ganhos e conjugar qualidade de vida. Vai longe a época em que se pensava unicamente em pôr o pão na mesa.

    Santa Rosa

    entre os piores

    O site do Ministério Público do Rio Grande do Sul publicou na terça-feira um mapa social com dados de cada município. O ano-base dos dados é 2010, com informações do censo do IBGE, Tribunal de Contas e outras fontes conjugadas. Deem uma olhada assim que for possível. Horror.

    Fiquei surpreso, negativamente surpreso ao conferir os números de Santa Rosa. Há de ter explicações do município para tais indicadores, leituras que talvez não possamos fazer a partir de números frios. Certo é que estamos muito “mal na foto”.

    Os números de Santa Rosa são um fiasco. Em investimentos em Saúde e Educação figuramos em 467 e 469 lugares entre os 496 municípios gaúchos. É pouco ou que mais? Não estamos mal, estamos entre os piores. A foto fica um pouco melhor quando o assunto é segurança.

     

  • sexta-feira, 7 de março de 2014 16:52

    Os juízes de Vicini

    Somos todos juízes, bons juízes, quando se trata de julgar o outro. Não seria diferente com a principal autoridade política do município neste instante em que lida com tamanha dor ao enfrentar o desaparecimento do filho Cristiano. É dor que ninguém quer para si.

    Julgar o outro. A simples palavra em si remete à imagem que crio cada vez que lembro a passagem em que Jesus se depara com os “justos” que iriam apedrejar uma mulher adúltera. O exemplo é um tanto forte para o contexto, sei, no entanto, na mesma intensidade com que surgem frases de apoio ao homem Alcides e sua esposa Elenir Vicini, também fazem eco comentários ácidos sobre a vida pessoal do prefeito.

    Não estou abrindo defesa a Vicini. Sei quase nada a respeito dele, salvo o que é de domínio público. Uma vez estive no apartamento em que mora. Sempre me relacionei bem com o Sílvio e o Leonardo, com os quais tive boas prosas, ao passo que com Cristiano quase não falei. Chiados sobre a vida dos moços ouvi muitos. Verdade? Alguma coisa certamente sim, mas também é fato notório que a voz do povo aumenta outro tanto.

    Por que escrever isso? Porque nesta hora há milhares de juízes e advogados em suas casas, nas esquinas, em qualquer reunião, a falar sobre o “sumiço do filho do prefeito”. E a cada dia mais e mais histórias são contadas. Julgar os outros, é fácil, fácil.

    Dia Comercial da Mulher

    Nós, sociedade que importamos o modelo Estados Unidos de viver e nos comportarmos, nos tornamos especialistas em comércio. Esse tal Dia da Mulher (o de hoje) está um agrado aos comerciantes e talvez até cause algum constrangimento às feministas mais extremadas que iniciaram todo esse movimento há algumas décadas.

    O sentido real da data estava correto, estava no caminho de valorizar o espaço e a voz da mulher, era resposta às centenas de anos de dominação e condição completamente indigna ao que representam. O Dia da Mulher nasceu do olhar social e político, pela consciência coletiva, com legitimidade, tanto é que ainda hoje não foi estabelecido equilíbrio total entre homens e mulheres.

    Mas os magos da propaganda conseguiram deturpar a data. O movimento social pela igualdade foi transformado em movimento romântico, como o Dia das Mães, Dia dos Namorados, Dia das Crianças. As grandes marcas, o comércio em si, faturam cada vez mais em cima desta data. Nesse ritmo, logo, logo, o Dia da Mulher será apenas outro Dia da Vovó, Dia do Padeiro, etc.

    Será que os olhos da nossa geração verão nascer o dia em que os humanos olharão a face do outro sem distinguir qual o seu sexo, qual a sua nacionalidade, qual a cor da pele? Enquanto esse dia não nasce ainda precisamos bradar aos quatro ventos: parabéns mulheres que estão em nossos dias.

  • segunda-feira, 3 de março de 2014 11:10

    Xuxa não deve nada a Santa Rosa

    Antes de desistir do texto por antipatia à Xuxa, creia, a crônica não é sobre ela, especificamente. O tema é o turismo em si.

    Ou, melhor, nossa completa falta de tino com ele.

    Dia desses, disse a uma pessoa que Xuxa não deve nada a Santa Rosa. Houve debate acalorado. É sempre polêmico mexer nesse tacho. Mas a verdade é que a Rainha dos Baixinhos é. E pronto. Goste eu ou não, tem fama, e como tem. Quem precisa olhar para ela somos nós, coletivo, deste município que teve a sorte de ser a cidade onde ela nasceu e viveu parte de sua infância. A verdade é simples: ela não tem obrigação alguma em fortalecer o turismo daqui. Quem precisa correr atrás somos nós. E já perdemos uma década, pelo menos, entre discussões infrutíferas entre prós e contras.

    Vi, em pleno horário comercial, dois marmanjos pararem um carro de uma empresa, em frente ao pórtico. Ambos foram fotografados cheios de sorrisos. Certamente era para levar aos filhos e dizer: "estive na cidade onde nasceu a Xuxa". Outro dia, eu mal chegara à praia, quando identifiquei minha origem a um comerciante (50 anos ou mais) e ele saiu com essa mesma frase.

    E não é diferente com Taffarel. Eles não precisam gritar a plenos pulmões que são daqui. Nós precisamos construir alternativas, projetos, museus, roteiros de lugares, enfim, tudo que for possível, para "berrar ao mundo" que estes dois, entre outros, são daqui. Nós precisamos explorar estas marcas.

    Por que isso agora? Porque há décadas ouço falar em turismo e muito pouco se fez de efetivo. Temos muitas riquezas naturais e culturais a explorar, mas é preciso constância e projetos. E, as iniciativas devem nascer aqui. Ninguém virá de fora colocar esforço ou recursos onde nós devemos pôr.

    Sábado fizemos um roteiro pelo interior. Visitamos casarões, moinhos e cachoeiras em Santa Rosa, Senador Salgado Filho e Ubiretama, enchemos os olhos e a alma. Está tudo interligado, no caminho por onde vieram os colonos alemães, suecos, húngaros e outros. Ao findar o trajeto, cansado, sim, percebi que é impossível contar sobre este nosso município sem passar pelo caminho das raízes.

    Da Esquina Ipiranga (quase no costado do Rio Comandaí) onde está a casa comercial da família de Alfredo Leandro Carlson até o local onde era a moradia do pastor Lehenbauer há dezenas de histórias para contar. Muito ainda está em pé. Muito está por cair. Outro tanto já foi ao chão, em irreparável dano, como o "castelinho" da comunidade onde Lehenbauer morou.

    Então, quando afirmo que Xuxa não deve nada a Santa Rosa, quero fomentar a discussão sobre a responsabilidade coletiva em fazer turismo, em manter viva a memória e valorizar tudo que diga respeito a Santa Rosa.

    UMA IDEIA -

    as prefeituras deveriam criar projetos de subsídio, incentivo financeiro mesmo, para quem preservar imóveis antigos. Se dá bolsa isso e bolsa aquilo, então hora de pensar numa bolsa história.