• sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014 17:17

    Quando sobram quartos

    Alguém soprou ao meu ouvido que as crônicas “Rescaldos” têm feito reiteradas críticas ao governo municipal, então, para não xingar a mãe de outra pessoa (algum míope), vou escrever sobre a minha...

    Não, a dona Cláudia não tem nada a ver com o governo. Até simpatiza com o prefeito, desde os tempos em que ele era meu professor, na universidade. Mãe é um coletivo, uma cópia de todas as boas mães, para as quais vai o texto.

    Fomos visitar uma tia em Porto Xavier no final de semana. Éramos dois casais e, mesmo assim, havia camas para todos. Fosse em minha casa, seria preciso “acomodar” o povo de qualquer jeito, afinal, camas só a nossa e a da Iça. Então, à hora do sono, enquanto pestanejava, punha-me a refletir sobre Argentino Luna e sua eterna “Mirá como são las cosas”.

    Minha sogra tem dois quartos “sobrando”, com cama de casal, sempre à espera de alguém. É a metade do número de seus filhos. Minha mãe tinha dois quartos extras; hoje mantém um. Então, ocorreu-e que elas são todas as mães, no aguardo de um filho que venha passar o final de semana, traga os netos e alguma alegria que complemente lembranças.

    Eu, meu irmão e meus três cunhados não temos camas a mais em casa. Falta espaço. Acho que quando sobram quartos adentramos no terceiro ciclo dos dias, com horas mais lerdas e vazios no mate. E, claro, “bons ouvidos”. Se não for paciência, é algum indício de surdez, porque jovens não sabem ouvir...

    Os mais jovens mal têm lugar para si. Os casais ampliam e ajustam onde é possível para abrigar seus sonhos. Mas, os avós sempre têm espaços a mais... no coração, nas lembranças, na geladeira cheia de bolos e guloseimas e nos quartos.

    Aos 40 anos...

    Quartos vazios pedem limpeza, atrapalham.

    Quartos vazios podem ser transformados em salas de trabalho.

    Quartos vazios não existem.

    Aos 60 anos...

    Quartos vazios têm colchas e lençóis cheirosos.

    Quartos vazios têm a vida das fotos e cartões de aniversário.

    Quartos vazios têm portas abertas.

    Então, dei-me conta: o que para nós é estorvo, para elas (as mães) é sempre espera.

    Enquanto isso...

    Esperamos o fim do turno único (fim mesmo)

    Fim do horário de verão.

    Que pare de faltar luz e água.

    Que os asfaltos novos permaneçam novos.

  • sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014 14:39

    É muita imbecilidade!

    Que não tem inteligência, tolo, idiota. Essa é a definição para imbecil encontrada no “amansa burro”. É a minha definição para dezenas de motoristas santa-rosenses (não a maioria, felizmente). Imbecilidade é mais que pressa, é mais que confiar no taco, é mais que andar acima dos limites permitidos. Imbecilidade é quando o motorista faz peripécias que só imbecis conseguem pensar. Se é que pensam!

    Estamos (radialistas) há semanas falando em acidentes, em exagero de mortes, em excesso de velocidade e bebida. Mas vai muito além. Se você reparar, não é rodovia ruim ou falta de sinalização que mata. É a imbecilidade. Mata é o imbecil que quer chegar antes, é o idiota que quer tirar vantagem, é a “anta” que pretender dar o jeitinho brasileiro onde não é possível.

    Exemplos de uma semana: na Rua João Dahne, sinal fechado e uma moto atravessa na diagonal, a centímetros do carro a quem estava aberta a via (imbecil); um carro voador ultrapassou uma automotriz sobre a ponte do Rio Santo Cristo, sem visão alguma de quem vinha da Linha Salto (idiota); uma Hilux entrou sem dar a mínima ao carrinho que estava contornando a rótula da Colombo (e dá-lhe buzina); um carro usou todo o acostamento para ultrapassar outro, pela direita, em Guia Lopes (suicida). Ou ainda, um esperto que furou toda a fila de carros no trevo de acesso, indo já na grama da valeta.

    Isso não é tirar vantagem. Isso não é por necessidade e pressa. Isso é imbecilidade. Eu queria que um dos motoristas autores destes “charques” que vi lesse essa coluna, para se sentir ofendido mesmo. Imbecis. Somente transplante de cérebro muda essa foto!

    Tem que mudar a lei, criminalizar a intenção, recolher o carro, meter no xilindró por uma semana, etc. Vejo a polícia muito empenhada em fazer blitz, em verificar documentação e extintores. Queria era ver os policiais de campana nas curvas perigosas, nos trevos, nas avenidas, e abordar esses imbecis. Multar o cidadão que está com algo vencido é fácil, ele não reage! Tem que mudar a concepção, sair da zona de conforto, pegar pesado com os imbecis que arriscam, não a vida deles, mas a minha e de milhares de outros que querem apenas chegar em casa ou no trabalho tranquilamente.

    UM: rótula da Quero-Quero é um risco ao motorista. Aqueles arbustos impedem completamente a visão.

    DOIS: certo está a Câmara em pegar no pé do órgão que responde pelos trevos. É tanto inço que vira mato.

    TRÊS: sinaleiras em alerta (piscando) em horário de pico é fogo!

    QUATRO: esses caminhões no centro deveriam ser proibidos.

    CINCO: só para lembrar que ao assumir o Vicini disse que trânsito seria sua bandeira principal.

  • sexta-feira, 31 de janeiro de 2014 15:47

    As pancadas de verão

    Nada melhor que um calorão santa-rosense, desses de não encontrar sombra que refrigere! Para ficar insuportável mesmo, é vir um daqueles pancadaços de chuva, de fazer rua virar rio no final de tarde. É aí que começa o “Deus nos acuda” em boa parte da cidade! Tá certo que a área urbana é um buraco, formado por inúmeras pequenas descidas que formam um descidão, mas sofrermos tanto é demais!

    O “bolor” maior vem das bocas de lobo entupidas ou inexistentes. Eu, particularmente, morador da Vila Oliveira, sofri cinco anos com constantes problemas, até ser ouvido depois de reiteradas reclamações. A água entrava em terrenos e casas, sem piedade. E não era quando chovia demais. Era em qualquer pancada mais expressiva.

    Em dezembro de 2013, quando começou a temporada de “valhei-nos Senhor!”, fiquei de cabelo em pé novamente. Ruas das vilas Oliveira e Beatriz pareciam rios. Minha mãe, que mora na Flores, e seus vizinhos sofrem com a Rua 10 de Novembro, aquela que margeia a lavoura. Aliás, a Flores, depois das obras realizadas pela Corsan, piorou e muito no aspecto bueiros. Teve até reunião para debater o problema. E quem “paga o pato” é o morador da baixada.

    O Miguel Oliveira publicou fotos na internet de ruas centrais da cidade num desses dias de torro d’água. A Rua Santa Rosa é um caos há anos nas proximidades do Hospital Dom Bosco. A Avenida Expedicionário Weber é quase um convite a passeio de bote inflável lá pras bandas da Bottolli sempre que dá um pancadaço. Anos assim!

    Choveu 90 milímetros no início de dezembro e Santa Rosa teve desabrigados... Piorou em janeiro, mas aí se dá um desconto porque foram quase 300 milímetros de chuva em um dia. No entanto, vão algumas perguntas básicas que qualquer governante deve fazer e, uma vez respondidas, pôr-se a resolver com sua equipe: Quando foram limpos - desassoreados - os leitos dos rios ultimamente? Os locais de constantes problemas (como a 10 de Novembro) são monitorados frequentemente? As bocas de lobo recebem atenção cotidiana? Não é possível criar uma equipe para ouvir todas as reclamações e resolver uma a uma?

    Soube que a Prefeitura, depois do caso feito, limpou bueiros e mostrou fotos das caçambas de lixo removidas. Sim, o povo tem sua parcela de culpa, ao não cooperar, e às vezes até sujar mesmo... Mas cabe à municipalidade manter olho constante no serviço de conservação, afinal, é para isso que nos cobra tão bem o IPTU.

  • segunda-feira, 27 de janeiro de 2014 15:11

    Tarso não vai para o Céu

    Esse papo de que não devemos procurar culpados após contar uma dezena de mortes nas estradas da região em apenas um final de semana é apenas para tentar abrandar a revolta dos familiares e amigos. É simplificar demais, é desprezar a dor que sentem. Culpados há, sim, muito embora, culpar não trará o ente querido de volta à vida.

    Um colega de imprensa falou em fatalidade, destino. Até pode ser, em um acidente ou outro. Mas no grosso da peneira, tem sempre algo a mais. Tem barbeiragem, tem bebida, tem excesso de velocidade, tem de tudo. E não é aumentando o valor da carteira de habilitação que vão melhorar alguma coisa!!!

    Acidente é falhar o freio e o motorista colidir o carro. Crime é beber e se colocar ao volante. Acidente é animal atravessar a pista, assim saído do nada, e obrigar a uma manobra inesperada. Crime é essa buraqueira nas rodovias que obriga o motorista a se expor a contorcionismos para chegar inteiro ao destino.

    Ah, sim, o título desta crônica? Fizemos 1.400 quilômetros em rodovias gaúchas em dezembro, nas férias. E, infelizmente, percebe-se claramente o que são BRs (bem conservadas) e o que são RSs (descasos). Aqui em Santa Rosa o Tarso disse, há três anos, que havia dinheiro para executar as obras. Então que mande fazer a recuperação destas rodovias que estão sob a jurisdição do Estado, fechar as crateras, pintar as faixas e colocar sinalizadores.

    Quando escrevo que o Tarso não vai para o céu estou fazendo referência aos péssimos asfaltos, responsáveis por muitas mortes no trânsito, de modo que o governador tem sim parte da culpa em muitas destas mortes... Ele e todos os órgãos e pessoas que têm alçada sobre isso. Culpa indireta, mas culpa.

    Isso se aplica ao trânsito local também. Um acidente na avenida de sempre também deve ser creditado a quem responde pelo trânsito, afinal, são pagos para solucionar, para minimizar os efeitos dessa guerra diária nas estradas.

    Perguntas básicas para antes de outro velório coletivo:

    Por que o governo não exige que as indústrias automobilísticas fabriquem carros decentes, com preços decentes? Essas latas de sardinha não resistem ao vento, quanto mais a uma pancada. Culpados, governo e indústrias.

    Por que o governo não manda reduzir a níveis baixíssimos os níveis de álcool nas bebidas? Culpados, governos, indústrias e bebuns...

    A lei seca continua fiscalizada? Nas saídas de bailes, de grandes festas, de casas noturnas, a Polícia também faz blitz? Culpados, forças policiais e agentes políticos.