• quinta-feira, 30 de outubro de 2014 17:50

    Para quem semeia ódio...

    Nós, humanos, não sabemos amar pela metade, por consequência, também odiamos por completo.

    Essa eleição deixou isso mais evidente. Por pouco não voltamos aos cenários federalistas, dos chimangos e maragatos passando a faca nos pescoços de adversários. “Menos, menos, Clairto!” pensará algum leitor. Não houve degolas porque o campo de batalha saiu da realidade e foi para o campo virtual. Só por isso! A guerra foi no Face, especialmente, mas também foi aos veículos de comunicação, aos blogs, aos sites em geral. E que guerra! Com todo tipo de ataque.

    O resultado das urnas não significa que acabou a revolta. Chimangos e Maragatos ficaram mais de três décadas entre ataques e ódios. É isso! É orar para que não fiquemos três décadas em trincheiras opostas, odiando como se fosse esse o objetivo da vida.

    Findou a eleição nacional, mas a pacificação está longe porque surgiu a Nova Era: a era do ranço. Ou a era dos miseráveis contra os que estão economicamente melhor estabelecidos. Ou a era dos santos na gloriosa luta contra os corruPTos. Ou a era dos ‘brasileiros’ contra os nordestinos. Ou a era dos moralistas contra os lacaios que sugam o governo.

    A eleição acabou, mas a raiva não. Os moralistas de plantão, de ambos os lados, continuavam no início da semana vociferando ódios. E não são pessoas incultas que estão atulhando as redes sociais com toda sorte de comentários raivosos; antes, são pessoas que se julgam esclarecidas. Ataques que suscitam contra-ataques. Vão construir o que com este ódio? A paz é que não. O desenvolvimento também não. Vão incitar uma revolta...

    Escrevi noutra crônica, há algumas semanas, que se pudesse, não votaria em nenhum dos candidatos. Diretamente, não me senti representado. Fomos, cidadãos gaúchos e brasileiros, obrigados a escolher entre os menos ruins ou aqueles que mais se aproximavam do que comungamos. Só para exemplificar: eu, por exemplo, não me vi espelhado na Marina, mas admiro o Beto Albuquerque. E aí, fazer o quê?

    O Brasil está dividido ao meio, não como a rede nacional mostrou naquele mapa. Não é metade pobre, metade rica. Não é metade nordestina, metade produtora de riquezas. O País está rachado entre: metade PT, metade antiPT. Simples assim! E, como não sabemos amar pela metade, por consequência, também odiamos por completo. Ou se é PT ou se está contra ele.

    Tolice isso. Não perdi ou ganhei eleição. Não votei para meu querer, votei para o Brasil. Não alterarei meus planos pessoais por conta do resultado. Acomodo cá e lá meus sentimentos e sigo meu caminho, ciente que escrevo minha história, que no final será contada por filhos e amigos, independente de governo que está ou estará no poder.

    Em tempo: o Facebook já está bem melhor para os usuários nesta semana, bem mais limpo e navegável. Agradecemos! E você, leitor, que não é político, que não ganha dinheiro dos políticos, que não tem ligação pessoal com os fatos, pense bem antes de entrar na guerra. Não seja usado por santos de plantão, nem pelos arautos dos oprimidos.

     

  • sábado, 25 de outubro de 2014 11:12

    Entre verdades, ódios e corridas

    Você que abriu esta página pensando que eu escreveria sobre as denúncias envolvendo o deputado Elvino Bohn Gass, certamente há de se decepcionar. Li tudo nos sites e jornais, do mesmo modo como você, e tirei lá minhas conclusões, as minhas verdades. No entanto, nessa corrida louca pelo voto, às vésperas da eleição maior do país, qualquer meia linha é motivo para amores e ódios, principalmente este último. E eu estou sem “saco” para ódios!
    As nossas fotos pessoais da semana são aquelas do acidente em Cruzeiro, o carro partido, as cenas de uma guerra urbana. Não pretendo transformar esta coluna em uma tese sobre o ódio, mas não consigo imaginar que alguém que ame a vida possa beber e se colocar ao volante! É tentativa de suicídio. Ou de homicídio. Em algum momento a Dé me disse isso e acrescentou: “é preciso estar vivo para curtir a vida”. Para que correr tanto? Para que viver “tão intensamente” o nada?
    Na verdade, minha reflexão é sobre quanto a nossa existência realmente muda com uma eleição. Que semanas para nossos ouvidos (e estômagos, claro.)! Nas ruas há tantos carros, tantos microfones, tanta amplificação que estamos saturados de verdades. Há mais de um mês somos bombardeados com toneladas de verdades. Tudo Verdade!
    Eu jamais qualifico o que vem destes debates entre políticos como mentiras. São absolutamente verdadeiros todos esses podres que se atiram ao ventilador. Cá e lá, na TV ou sobre os carros de som. Os arautos são verdadeiros, dos dois lados, e, logicamente, tudo o que dizem. Então, se o povo prestar atenção e aprender a ouvir, logo descartará os lixos e poderemos construir algo mais limpo ali adiante!
    É uma corrida pelo voto, onde vale colidir com toda intensidade! É uma corrida louca essa. Todos correm como se estivessem naquele carro que bateu no poste de concreto na Avenida Expedicionário Weber. Todos acentuam suas verdades até se espatifar e arrastar alguns à morte consigo. No contexto da política todos pensam que grandes mudanças virão diante da eleição de A ou B. Mentira! Muda o grupo que manda. As benesses mudam de lado. E tudo continuará à venda, nas vitrines, da mesma forma. Vendo ética! Compro deputado! É o sistema que está corrompido.
    A política é para o coletivo, para construir uma sociedade, não para entrar na tua família e ditar as formas como você vê o mundo. Chega de esperar sentado! A mudança começa diferente, começa por desligar a TV, mandar o filho ler, dar a ele consciência, mostrar os riscos que estão por trás das escolhas, indicar caminhos.
    Essa pista de corrida automobilística que se tornou a nossa Avenida Expedicionário Weber estava contada há meses, muito antes da eleição para prefeito. Muito antes da Kopp retirar as lombadas, muito antes de refazer o asfalto. Depois de três mortes e amputações, de vários outros pequenos acidentes, as lombadas eletrônicas vão voltar? Ou vão colocar redutores? Vão remover os retornos? Vão mudar as regras dos estacionamentos? Claro que vão, afinal, está tudo planejado! Não adianta esperar do poder público, dos governos (sejam quais forem)! Tchê, pega tua família e salva! Você certamente já ouviu aquele discurso “se o povo não sabe se comportar tem que ser punido, tem que ser educado na marra”. Blá-blá-blá. Onde está a fiscalização para que se aplique a Lei Seca nas saídas de festas? Tchê, senta ao redor de uma mesa e sustenta uma argumentação que inverta a lógica dessa joça. O governo não manda na tua casa!
    Domingo de eleições, de festa e ranços. Mudar, vai mudar, sim, independente de quem ganhe. A sociedade exige algo novo, mesmo que os velhos lá permaneçam. O povo está gritando “chega” há muito tempo. Mas lá dentro da tua casa, na tua vida, no teu dia a dia, muda pouco, quase nada. Afinal, pão na tua mesa, grana na tua conta, quem põe é tu. Eles, os tais, põem na deles, pode crer.

     

  • segunda-feira, 20 de outubro de 2014 08:26

    Por que não temos futebol profissional?

    Fiz exatamente esta mesma pergunta para gerar o Noroeste Debate da semana passada (programa na manhã do sábado, 10h). A provocação surtiu efeito, no ar e no Face através do qual busco interação com a comunidade. Divergentes em suas respostas, mas com olhares bem críticos, percebemos que a ausência de torcedores nos ginásios e estádios é o menor dos problemas a enfrentar.
    Farpas miraram a Administração pública, os que são contra a venda do Moroni, os dirigentes esportivos, os atletas, o alienamento dos jovens, etc. Sobrou ripa para quase todos! Daí se deduz que não há culpados, há limitações que precisamos vencer. Santa Rosa, tão gabola de seu voluntariado, não consegue unir forças em prol do esporte...
    Falta público, especialmente no futebol de campo. Mas clube do interior que pretender contar com essa renda para manter as contas em dia, esse sabe que nem precisa abrir as portas. É fato! Torcedor vai quando o time está bem, e olhe lá! Uma conta simples mostra nossa falência: em dois jogos em casa por mês, média de 500 pagantes a R$ 20,00 (e já dirão que é um horror esse preço), dará R$ 20 mil. Paga um terço das despesas. E todos nós sabemos que a média de público não chega a isso. E o resto da grana virá de onde?
    Então, como fazer futebol profissional? A primeira resposta que se apresenta como lógica é “com apoio da Prefeitura”. Descartada. O Município não pode aportar recursos devido a implicações legais. O Juventus recém agora está conseguindo sair de um “beco” em que se meteu por prestação de contas mal executada. Prefeitura pode apoiar a base, os meninos, como ação social e contribuir com estrutura, e só. O restante deve vir dos cidadãos.
    No “amor à camisa”? Beleza, dá para começar. Isso porque esse amor à camisa também custa caro, afinal tem fichamento do Clube e dos atletas na Federação, arbitragens, viagens, alimentação, materiais de treino e jogo, etc. Carlos Farias, diretor de Futebol do Juventus, foi jogador profissional e é um empresário bem-sucedido. Diz que precisa de R$ 60 mil por mês para dar conta das despesas. Putz, então lascou! Ajuda empresarial, de patrocinadores, é contar com ovo no “ó” da galinha. Sem chance!
    Mas Carlos Farias e a direção do Juventus acreditam que conseguirão fazer futebol com condições de ter um clube vencedor, na primeira divisão até 2019, e lucrativo. Colocaram no papel uma gestão empresarial, voltada ao lucro. O dinheiro viria da venda de atletas, parcerias com grandes equipes, patrocinadores e outras iniciativas. Apostarão em jovens, em pratas da casa, com baixos salários iniciais. O ganho virá na janela. Todos ganham à medida que o trabalho apresentar resultados, inclusive os sócios.
    A boa notícia é que Santa Rosa pretende voltar aos certames profissionais, em breve. O Juventus vai jogar o Estadual da Série C no próximo ano. Já monta time, tem treinador e constitui um planejamento empresarial. São corajosos. Mas tem um plano bom!
    O futsal tem um pepino maior a descascar! Santa Rosa não possui quadra que possa sediar jogos oficiais. A única que possui tamanho é a do Liminha, porém, ainda depende de liberações dos órgãos de segurança, segundo contou o empresário Sérgio Grizza. Voltar ao profissionalismo, somente em 2016. Até lá, incentivar as categorias de base e disputar certames regionais. Manter um time profissional, com talentos da casa, custará menos, talvez uns R$ 20 mil mensais (assim, no amor à camisa). Mas eles também sabem que têm um longo caminho pela frente.
    Em ambos, Juventus e futsal, o começo é quase do zero, dolorido, penoso, porém, com os pés no chão. Acho que os atuais dirigentes entenderam que não é possível tirar dinheiro do bolso, decretar falência pessoal, arriscar seu patrimônio em nome de paixões. Ou dará certo com profissionalismo e porque a comunidade abraçará, e isso inclui patrocinadores, poder público e voluntários, ou nunca se firmará. Mas, uma cidade próspera, uma das grandes do Estado, não pode ficar à margem...

  • sexta-feira, 10 de outubro de 2014 14:59

    O corredor de favores

    O juiz Eduardo Busanello, que responde pela Justiça Eleitoral em Santa Rosa, defendeu a reforma política em entrevista que concedeu no Noroeste Debate, no sábado. Falou em necessidade de mudança.

    Concordo. Concordamos, quase todos, como sociedade, que o sistema atual não vai bem. Mas esperar o quê do Parlamento? Esperar que os deputados e senadores aprovem pontos que irão contra seus interesses particulares, contra seus mandatos? Por isso, as mudanças mais significativas na política nacional dos últimos anos se processaram por imposição do Judiciário.

    Uma reforma política real não poderia vir alinhavada dos políticos. Deveria ser construída pelo Judiciário e depois levada às urnas para um referendo popular. Por exemplo: releeição indeterminada é fria. Dois mandatos, no máximo, e cai fora! Felicíssima foi a Neusa Kempfer, depois do pleito, quando falou sobre a dificuldade de concorrer contra o poder estabelecido. Não tem como ir contra o corredor de favores!

    O Zelindo berrava muito contra os albergues. No entanto, as emendas parlamentares são tão ou mais nocivas nesse aspecto. Precisamos, para o bem do futuro desse País, acabar com o corredor de favores. É isso que vemos no Brasil de hoje, piorando ano a ano com essa salada de partidos nanicos que serve apenas para barganhar cargos e para confundir o eleitor. Meia dúzia de partidos chega.

    Felizmente elegemos representantes locais e regionais. Mas vá lá no site do Tribunal Eleitoral e veja quantos candidatos fizeram votos em Santa Rosa. Centenas! Aí perceberá que tal candidato, sem identidade nenhuma com o município, fez tantos votos aqui. Por quê? Porque a política segue o mesmo curso da atual sociedade, individualista, centrada nos interesses próprios.

    A eleição mostrou isso. Não estamos mais defendendo interesses regionais, nem interesses maiores que dizem respeito à coletividade. Estamos defendendo interesses de cargos xis para partido ipselone, de pessoas, que se traduzem em avanços apenas para meia dúzia. É isso mesmo, estamos produzindo um conceito de política onde o que conta é o bem individual, pracista, localizado.

    Esses políticos de fora, eleitos com votos daqui, nos mandarão uma ambulância, uma academia aberta, um troco pro calçamento na vila tal... Parece uma troca justa. Ocorre que, em troca, vão pressionar os governos em prol de si mesmos ou de uma minoria. Por isso não há espaço para novos, há espaço apenas para quem tem favores, para quem ter o poder econômico construído ao longo de décadas de tetas governamentais.

    Imagino que um juiz não será contra o auxílio-moradia de R$ 4 mil por mês. Então, quem pode ir contra é o poder político. Da mesma forma, um deputado ou senador não proporá reforma política. Então, que a proposta venha do Judiciário.