• segunda-feira, 2 de março de 2015 06:24

    A visão do Apocalipse

    Não vi discos voadores no céu, tampouco um apagão geral. Mas por um minuto pensei estar vendo um filme apocalíptico.
    Vi pessoas acometidas do pânico porque poderia faltar gasolina. Filas intermináveis nos postos de combustíveis, ruas trancadas, desordem e aglomerações sem fim. Quem estava a meio tanque foi encher! Pânico! A última vez que presenciei algo assim foi na vacinação contra a Gripe A quando milhares de pessoas formaram filas histéricas no centro em busca da dose salvadora.
    Não era o fim do mundo, não dessa vez. Era a greve dos caminhoneiros, tão pacífica e simples, tão incisiva a nos mostrar o caos provocado por estes sucessivos governos brasileiros vendidos às montadoras de automóveis internacionais e que, por causa disso, sucatearam as vias férreas. Sem carros, sem caminhões, sem petróleo o Brasil (e qualquer economia ocidental) afunda. Três dias de meia paralisação e vimos o prenúncio do Apocalipse.
    Afora dois ou três petistas de carteirinha, todos os demais brasileiros criticaram o aumento dos combustíveis quando ele veio. Chiamos, berramos, criamos piadas inteligentes para o Face; nada além disso. Ou somos covardes ou vemos nosso umbigo como centro do planeta! E em época de vacas gordas como esta, que se dane o coletivo!
    Onde estão os motoristas de pequenos carros (eu incluído, claro, embora nem carteira tenha)? E a sociedade organizada, a adesão voluntária a esse protesto que é nosso também? Apoiamos, concordamos com os caminhoneiros, acenamos para eles, mas não paramos. Seguimos para nossos trabalhos, nossas escolas, nossas jornadas cotidianas.
    Não paramos para parar o Brasil como deveríamos fazer para mostrar que nos importamos com os demandos, que estamos fartos desta roubalheira e dessa choldra política. Pior que isso, nos irritamos quando a fila no protesto se alonga e somos obrigados a ficar sem poder seguir viagem por 10 minutos.
    Estamos no limiar de uma oportunidade única de mudança. Nossa tolerância enquanto sociedade acabou faz muito tempo. A individual ainda vai, porém também está no limite. Mas ainda há um grande obstáculo a vencer antes que algo realmente aconteça, algo significativo, algo capaz de mudar o Brasil: precisamos vencer nossos umbigos.
    Não adianta xingar o Sartori por seus erros iniciais. Nem pedir o impeachment da Dilma no dia 15 de março. Nem entrar na primeira fila de posto que aparecer. Precisamos da coletividade.
    Quando pensei que era o fim dos tempos, o sinal revelador do Apocalipse, abro um site de notícias da capital e vejo coisa ainda mais sem noção. A Justiça devolveu o direito de exercer a profissão ao advogado de Passo Fundo que lesou seus clientes em R$ 100 milhões. Definitivamente, se não é o fim do mundo, é certamente o fim da ética e do resto da esperança que havia em mim quanto ao Brasil digno e justo.

  • segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015 08:47

    O "pé" da cuia

    Quando a Taci, aqui no Jornal Noroeste, usou a expressão "não gosto de cuia sem pé", confesso, fiquei confuso.

    Cuia tem pé? O "pé" é aquele suporte para deixá-la em pé? Matutei alguns minutos nessa questão. Tolice perder tempo nesse questionamento sem pé nem cabeça. Sei disso, mas é justamente nessas questões de semântica que convencionamos aceitar muitas meias verdades. Meia verdade não é uma mentira. Ou seria? Bem, não vou fundir a cuca nessa analogia...

    Essas questões de semântica são plenamente empregadas em nossa língua, mais ainda no meio político, em todas as esferas. Calma, leitor, já chego ao cerne da reportagem publicada no portal Zulupa sobre gastos do Governo Vicini com cargos de confiança (CCs) e funções gratificadas (FGs).

    O PT/Governo nacional se especializou, fez doutorado já, em usar frases de efeito para induzir as pessoas a duvidarem de fatos amplamente verdadeiros. Então, os culpados sempre são vítimas. No caso da Petrobras, há claros indícios "de que os assaltantes apenas deram continuidade a um esquema montado em gestões anteriores". Em tese, afanaram porque outros afanaram antes. É justo seguir na rotina. Parabéns para quem é dos Olivistas, esse é da cepa!

    O atual governador gaúcho também usa a semântica quando diz que o Governo do Estado honrará os compromissos a partir de janeiro, sem dar calote. Está certo ele, muito embora as instituições de saúde pública esperem por recursos públicos em atraso dos serviços prestados nos meses finais de 2014. Vai ver que Tarso (o contratante das dívidas) não representava o Estado!

    Quando o Portal Zulupa publicou a matéria "Governo Vicini gasta valores recordes com CC’s e FG’s" está fazendo uso do "pé" da cuia. Nem tanto ao Céu, nem tanto ao Inferno. Os dados extraídos da transparência municipal são incontestáveis. Nem Vicini os questionou. O prefeito, no entanto, disse que a reportagem é equivocada ao não levar em consideração os aumentos salariais e a inflação do período. Com estes itens na conta a sua gestão estaria em gastos menores ou equivalentes ao Governo Orlando Desconsi.

    Vicini argumenta que encolheu a máquina ao cortar 12 cargos. É gasto a menos, sem dúvida. Mas nos dois últimos períodos Orlando gastou R$ 2 milhões com FGs e CCs ao ano. Vicini gastou R$ 2,38 milhões. É um aumento de 15% em dois anos. É a inflação ou aproximadamente o aumento dos servidores, porque os dois índices não podem ser usados na mesma conta. Fica elas por elas.

    É o "pé" da cuia. Encolheu a sua equipe inicial, mas o gasto, quase nada. Nem estou aqui questionando se é alto ou não este valor. Apenas relendo a notícia. Independente disso, com equipe mais enxuta Vicini ajustou as peças e consegue fazer um governo mais Vicinista. Tanto é verdade que desde a metade do ano passado cessaram quedas de pessoas que ocupavam postos do alto escalão. Agora reina uma unidade.

    Já eu, ao contrário da Taci, gosto de cuias que não tenham pé. Aquele suporte me irrita, talvez porque ainda haja em mim o gaúcho tosco, um tipo que faz o chimarrão sem o ceva-mate e prefira água quente.

  • sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015 15:26

    Restos de enchentes

    Não foi um ano como todos os demais, afinal tivemos grandes enchentes. Não é um início de ano igual aos anteriores, pois chove sem parar. Muitos prejuízos. Quem paga essa conta? Os estragos causados nas residências, nos carros e nas empresas poderiam ser evitados? Escrevo porque vem mais “pepino” para o Município descascar.

    Conto aqui com a ajuda do advogado Luís Augusto Felipetto. Ele é daqueles profissionais que acredita que judicialmente a Prefeitura, especialmente, deve responder pelos prejuízos dos cidadãos. Ponto comum. Concordo desde que fique comprovada a inércia, ineficácia ou inexistência do serviço público, decorrendo daí as perdas. Por isso, caso a caso tem que ser analisado.

    OK, você dirá que a Prefeitura não é responsável pelas chuvas, tampouco teria como evitar o que ocorreu. Concordo também. Mas é responsável pela limpeza dos rios e das margens, bem como por desobstruir continuamente as bocas de lobo e canais de escoamento da água. Não executar o serviço é omissão. Agora faz um serviço assim, bastante divulgado, inclusive, porém, em algumas áreas precisa ser um trabalho contínuo.

    Em uma conversa o advogado trouxe números que devem deixar o departamento Jurídico da Prefeitura de cabelo em pé. O escritório tem muitas ações ajuizadas contra o Município, todas referentes às “catástrofes” do ano passado. Simplifico a equação. São 18 ações, englobando 45 autores, uma ação para cada família que teve prejuízos com aquelas chuvaradas.

    O total de prejuízos materiais destas ações ficou estimado em R$ 180.153,68. Pouco! Mas, o cálculo não inclui danos morais. Essa conta, conforme o pedido de R$ 50 mil por autor chegaria a outros R$ 2,2 milhões. Mesmo que as famílias ganhassem um terço disso, ainda seria impactante nos cofres públicos e, conforme atesta o bacharel, há precedentes com valores elevados.

    O estrago nos cofres públicos pode ser muito maior se outros atingidos tomarem o mesmo caminho. Felipetto diz que há entre 20 e 30 famílias que fizeram contatos, participaram de reuniões de esclarecimento. O barulho está feito. Seu principal argumento é que o Município tinha conhecimento prévio da situação do leito dos rios e poderia ter evitado o dano.

    Buenas, o “pepino” está posto à mesa da Prefeitura. Claro, cabe à Justiça analisar caso a caso. Pode até mesmo dizer que o pedido é improcedente. No entanto, movi uma ação contra o Município, certa feita, devido a constantes problemas gerados por uma boca de lobo entupida e que me trouxe prejuízos. Houve indenização pelas perdas materiais e pelo dano moral. Os juízes, em todas as instâncias, entenderam que houve omissão do Poder Público. Pode não ser o caso aqui, mas, cada vez mais o Judiciário está se colocando ao lado do cidadão.

  • sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015 14:40

    Que tempo “loco”!

    Sair à rua nos últimos dias está bastante arriscado. Cuidado, galho caindo sobre a cabeça! É quase um filme de Hollywood onde somos atores principais. Poderíamos protagonizar uma série sobre aquecimento global, essa mentira difundida pelos ecologistas (ahã). Que tempo louco! Ventou várias vezes. Árvores caídas, casas destelhadas, Uruguai acima do nível. Loucura esse verão!
    A gente sequer sabe se leva ou não o guarda-chuva. Choveu praticamente todos os dias neste ano. E quantos temporais! Por via de dúvidas, leve o guarda-chuva, vai que você se veja obrigado a interferir em alguma briga na sala da OAB, em estilo “Tropa de Elite”. Claro, pouco vai ajudar. Melhor mesmo é balde de água gelada!
    Tempo louco também pros lados do Palácio Municipal, afinal o calorão que suscitou vários embates em tempos de turno único está com os dias contados. A notícia alvissareira é a instalação de climatizadores no andar de baixo, aquele que foi alvo de uma crônica que deixou gente muito irada comigo. Ufa, vai refrescar!
    Essas chuvas diárias fazem inço crescer dobrado. Lembrei disso quando vi a proposição do vereador Miro Jesse a pedir a construção de um pórtico no acesso à cidade para que as pessoas saibam onde estão chegando. Homem, aproveite e peça aos órgãos responsáveis para que façam uma operação limpeza nos trevos que estão com capoeira beijando as nuvens!
    Tá tudo tão maluco que até o Tape Porã está saindo do papel. Claro, de folha em folha um dia se faz o álbum! Isso lembra a ciclovia. Vai entender esse povo! Agora que está protegido para o ciclista está arriscado para os motoristas de carros. Adoram beijar aqueles blocos. Pior que isso, teve inclusive uma colisão frontal entre duas bikes, sério. Também com tanta distração nas calçadas, mais os ventos...
    Em tempo tão louco, nem se estranha o Carnaval ficar para março. Assim dá tempo de bolar algumas fantasias a tempo de se esconder do Teo Pereira de Santa Rosa que tem destilado fel extraído diretamente da serpente do Éden. Sinceramente, com tantos vendavais, ninguém mais estranha ventinho...
    Ouvi que um novo temporal poderia se desenhar ali para os lados de Giruá, no interior do Rincão Maciel, onde uma grande empresa exportadora estaria pensando em instalar uma indústria nova, grande, no meio do caminho entre Santa Rosa e Santo Ângelo, deixando órfãs do ICMS as duas cidades. Será? Sei não, mas nuvens há no céu.
    Isso que nem mencionei o calorão advindo da exploração petrolífera e as fantásticas apresentações do Grêmio e do Inter. Que tempo “loco”! É sol, chuva torrencial, vendaval e granizo. Oigalê 2015 que mostra os dentes com imensa fome. Se sair, melhor levar o guarda-chuva!