• sexta-feira, 17 de março de 2017 15:58

    Um banheiro a R$ 3,00

    Em poucos dias fui duas vezes a Porto Alegre, em ambas me deparei com fatos curiosos que permitem compreender o quão complexo está ler o mundo de hoje.
    Na primeira ida, em minutos de espera na rodoviária, eis que vejo surgir o advogado Elizeu Holz que chegava de uma dessas aventuras pelo Brasil. Lá longe, a gente se encontrar, é coincidência. Não há mais fronteira, não há mais distância. E o que mais não há?
    Nesta semana, estou lá outra vez, comodamente sentado em salão repleto de “viajeiros tipo eu”, quando o noticiário estadual estampa matéria sobre a má conservação das estradas no interior do município de Santa Rosa. Opa! Não bastasse isso, depois repetem uma parte do conteúdo. Lá longe vou descobrir que nossas vias interioranas estão em situação bastante complicada!
    Por que escrevo sobre isso? Porque quando estamos longe de casa, em momentos de meia solidão na viagem ou em estações de bus, nos tornamos mais perceptíveis, ou mais sensíveis a fatos que geralmente passam despercebidos. Nessas horas não foge ao olhar aquela placa no acesso ao banheiro com a indicação R$ 3,00. Ela grita com a gente, mais ainda porque logo adiante há outra em que se lê Café R$ 1,00. Então é isso, pago mais para tirar a água do joelho que por um café?
    Nessa hora nos perguntamos: o que realmente é real nesse todo que nossos olhos e ouvidos percebem no jogo de sons e imagens que nos bombardeiam continuamente? É real o preço do café ou de um banheiro limpo? É real a Santa Rosa abandonada ou a do Tape Porã? Ou ambas, nas duas situações, e apenas muda quem vê e como vê?
    Os habitantes da aldeia capital comemoravam o anúncio de mais 500 policiais enviados do interior para reforçar a segurança na megalópole. E eu lá, sentado no banco da rodoviária, a me perguntar: e nós, do interior, podemos ficar expostos à violência? Ou essa onda de assaltos a bancos e carros fortes é na margem do Guaíba?
    O que é real nesse imenso mar de notícias que lemos todos os dias nas redes sociais e sites de conteúdo? Por que tanta urgência em vender nossas terras aos estrangeiros? Por que tanto empenho em fazer com que o trabalhador se aposente apenas aos 65 anos? Por que tantos privilégios para políticos e algumas castas? Por que a luta tão intensa para manter foro privilegiado?
    Não tenho respostas, tenho a minha leitura social. Ademais, nada disso importa mais ao todo, porque o todo não existe mais. O que importa é apenas o que me importa, afinal, EU sou o centro do mundo.
    O preço do café e da mijada, o encontro com o Elizeu e as estradas do nosso interior são apenas fatos meus... No fim das contas, é tudo mentira! Estamos sempre no mesmo lugar!

  • sexta-feira, 10 de março de 2017 16:34

    A eternidade do prefeito

    Vou riscar dois elogios ao prefeito e uma crítica, e trazer de volta à cena a Cidade Interativa. Simples assim.
    Quando Vicini assumiu a prefeitura, em 2013, escrevi uma coluna em que listava três obras que o colocariam em patamar diferenciado no tocante a obras deixadas para a posteridade. Citei o Tape Porã, a Avenida América e o Centro Cultural. Isto feito, não nessa ordem, necessariamente, o prefeito saltaria ao topo entre grandes homens que Santa Rosa conheceu. Sim, porque não basta ser o gestor tantas vezes, tem que assinar legado!
    Hoje, mesmo com tão pouco tempo de apropriação pela comunidade o Tape Porã é cartão postal do município, talvez o local mais querido pelas pessoas nos dias atuais. E se Vicini ou os prefeitos que o sucederem levarem o projeto adiante, com execução de mais obras e infraestrutura (e a arborização que somente o tempo trará), então teremos o espaço de lazer para nossos netos. Gol de placa do Vicini.
    Quando o projeto Tape Porã foi concebido pela Cidade Interativa (sim, foram os malas que sonharam isso) havia a visão de futuro, muito embora talvez nem mesmo aqueles que estavam no movimento conseguissem dimensionar exatamente quão grandioso seria o impacto do novo parque. Da mesma forma como foi com o Parcão.
    Ocorre o mesmo com a Avenida América, obra sonhada há décadas e que dormiu sobre a mesa de muitos prefeitos, porque sabemos que aciona o play do futuro. Não é de Vicini o mérito todo, não. Mas é dele o esforço para executar a maior parte da via, concluir e entregar para tráfego. Ninguém sabe o que acontecerá em seu entorno nos próximos anos, mas certamente uma nova cidade se desenha a partir dessa obra. Golaço.
    Tape Porã e Avenida América já são do cidadão santa-rosense. Sob minha perspectiva, falta o Centro Cultural. Sei que outros dirão que falta, antes, o ginásio esportivo para cinco ou 10 mil pessoas. É outra prosa! O Centro Cultural é o coração da cidade, é onde todos passam o tempo todo. É local que estará ligado ao Centro Cívico, à Biblioteca, à Praça Cívica, aos nossos principais eventos culturais, inclusive o Brique na Praça (que precisa urgentemente ser fomentado).
    Também o Centro Cultural é luta da Cidade Interativa, OSCIP adormecida nos dias atuais. E creio que todos os políticos certamente comemoram essa dormência. Por que escrevo isso? Porque apenas na última semana ouvi duas pessoas falarem com ganas de trazer a entidade outra vez à luz. Que notícia maravilhosa Dr. Facchin!
    Sim, Borges foi tachado de muitas coisas desagradáveis quando quis fazer o Centro Cívico, aquela babilônia no centro. Hoje se vê quem estava certo. Por favor, concluam o Centro Cultural e revitalizem esse entorno. E depois, por favor, tragam das cinzas o Musicanto.

     

  • segunda-feira, 6 de março de 2017 07:20

    A segurança está na praia

    Os oficiais da Brigada, até mesmo pela natureza do posto que ocupam, não dirão isso, mas nossas cidades interioranas ficam desprotegidas no verão.

    Há muito ouço falas, inclusive de parlamentares gaúchos, que apontam à falta de efetivo na Brigada Militar para que a corporação consiga dar conta de toda a demanda para impor segurança pública. É bem verdade que o Estado adotou algumas medidas alentadoras, fez concurso e demonstra algum empenho para reforçar o quadro.

    Também é verdade que o interior do Estado até é razoavelmente calmo se levarmos em conta o abandono a que estamos expostos, mais ainda nesta época do ano em que boa parte do efetivo é deslocada para as praias, para onde migra significativa parcela da população.

    O interior está calmo porque nosso povo é trabalhador e ordeiro. E porque os brigadianos e a nossa Polícia Civil são heróicos e competentíssimos. Não é mérito do Estado. É mérito de homens e mulheres que realmente vestem as fardas!

    O cenário está calmo “até ali”, pois Santa Rosa teve três assaltos em um só dia, na véspera do Carnaval... E dizem que foram mais, alguns sem registro (e parabéns à Polícia que logo trancafiou o meliante). Ali ao lado, em Alegria, houve ação pesada em agência bancária no feriadão. Teve outro município com o famoso “corredor humano” enquanto bandidos limpavam dois bancos. Calmo!

    Noutro dia estávamos na praça com os alunos quando fomos importunados seguidamente por um rapaz que hostilizava as pessoas. Ele fez o mesmo com três meninas que estavam de “converse” e com outros que tentavam desfrutar o espaço de lazer. Que-de-le o efetivo do módulo da BM?

    Os meliantes sabem que estamos desguarnecidos em dias assim, em que parte do já parco efetivo é deslocada para assegurar segurança aos veranistas. Os roubos e arrombamentos também aumentaram nos últimos meses, aproveitando a safra de viagens. E isso não é reflexo da crise, ou melhor, é reflexo da crise na segurança pública.

    Há muito a se repensar nesse todo da segurança pública. Entendo que a população da praia quintuplica nesse período do ano, mas deixar à mercê o interior também não é solução.

    Dia 31 deste mês haverá um evento da FEBAP para discutir as questões da segurança na região de fronteira dos três países. Hora boa de chamar nossos parlamentares e fazê-los participar do processo.

    Enquanto isso, presos em viaturas, algemados em latas de lixo ou trancafiados em carros que deveriam estar na rua...

  • sábado, 25 de fevereiro de 2017 09:46

    A espera é dos outros!

    Hoje, escrevo uma coluna simples, dolorida, e talvez poética, com pretensão de pedir aos educadores que a levem às salas de aula.

    Pleito estranho esse, certo? Admito que há certa falta de modéstia no desejo de ver o texto debatido em sala de aula, quem sabe por estudantes e professores do Ensino Médio. Jovens que estão na porta dos 18 anos, que mal saíram das fraldas e se inflamam com suas verdades. Bando de pirralhos que da missa sabem menos que o terço.

    Pretendo ser poético, sim, mas hostil a ponto de esperar que me xinguem em encontro de olhos nos olhos. Porque, talvez, se gritarmos, nos ouçam. Porque, sinceramente, duvido que os jovens ouçam os soluços dos pais daquele garoto de Cândido Godói, de 18 anos, falecido em acidente na madrugada de domingo. Há seis meses a mãe enterrou outro filho imberbe, também vítima de acidente. Estão ouvindo os gritos agoniados dela?

    É verdade, acidentes não ocorrem apenas com jovens. Mas, nos finais de semana, quase sempre.

    Até quando, jovens, farão sofrer os vossos pais e aqueles que os amam?

    Até quando, jovens, os pais deitarão a cabeça no travesseiro sem saber se vocês voltarão inteiros para casa?

    Quem parte, é fumaça ao vento!

    A espera é dos outros, dos que nos amam, que esperam que a gente volte.

    Eu, sinceramente, não compreendo tanta dureza nos corações, tantos cérebros cauterizados, tanta gente na tribo “comigo isso jamais acontecerá”.

    Há duas semanas, no sábado, houve cinco mortes em um único acidente de trânsito perto de Pelotas. Que horror aquilo! Uma notícia dessas acaba com o fim de semana da gente, mesmo que os mortos não sejam conhecidos. Aí você acorda no domingo e lê na web: “acidente em São Luiz Gonzaga deixa seis mortos”. Como pode?

    Aí lhes conto que eu vi o rapaz sair da aula de reciclagem no CFC e fazer três “eme” em 20 metros. Eu presenciei a cena. Vi a mulher, com mais pessoas no carro, estacionar na frente da autoescola, entregar a chave ao “todo-poderoso” que recém saía de uma aula porque estava com o direito de dirigir suspenso. Crime! Ele estava com carteira retida e foi dirigir. Depois não deu pisca para sair do estacionamento. E não deu pisca na esquina para dobrar à direita. O que se faz com um indivíduo desses? Prende, ora, prende porque ou ele se mata ou ele mata alguém...

    Perguntei ao tenente Azevedo, da Brigada, o que há com esse povo. Ele resumiu assim: negligência, impudência e imperícia. E eu acrescento uma lista que não termina nessa crônica.

    E nesse todo quem agradece é o Zé, da Funerária. Infelizmente.