• terça-feira, 6 de dezembro de 2016 09:05

    O vesgo e o pano pra manga!

    Que semana! Não bastassem todas as discussões acerca de Inter e Grêmio, em uma semana acompanhamos o caso da apreensão de alimentos vencidos nos mercados santa-rosenses (e a prisão dos servidores da Prefeitura), rimos ou choramos a morte de Fidel, vivemos o horror com a Chapecoense que impactou em todos, vimos a polícia baixando a lenha nos protestantes em Brasília e não vimos os deputados aprovarem a lei anticorrupção porque foi na surdina da madrugada (depois que eles alteraram tudo, em sua defesa pessoal), sem esquecer de mencionar o Senado que aprovou a PEC e o Moro que barrou 21 das 41 perguntas que seriam enviadas ao presidente Michel Temer no depoimento de investigação do Cunha.

    Estou carregado de ironia hoje e curioso para ver quantos irão à rua no domingo, dia 4, na manifestação verde e amarela contra a corrupção. Vou à esquina e observar se lá estarão os mesmos que se perfilaram em março e depois. Porque se a questão era combater a corrupção, sinto muito, mas o que sobrou é tanto ou mais podre que o que caiu. É tipo fruta picada por pássaro, bicha!

    Um cara que me manda email para festejar a morte do Fidel e mostra as benesses da ditadura no Chile e no Brasil. É isso que me irrita, essa doença nova desenvolvida pelos brasileiros que vesgueia o indivíduo. Esse mesmo moço bem-sucedido que chama Fidel de tirano e assassino (e ele foi isso também), não consegue ver as 30 mil mortes na ditadura argentina ou os 600 mil mortos pelos EUA e Inglaterra (os grandes civilizadores) na invasão ao Iraque. Ele é tão imbecil quanto o Trump, só não vê porque é vesgo.

    Socialmente, estamos tão “vesgos” que o impacto na imprensa e na comunidade tornou maior o furto dos quilos de carne feito por dois motoristas da Prefeitura (e um terceiro) que todo o risco oferecido pelos mercados ao vender produtos estragados. Tirou-se o foco dos comerciantes que transgridem para jogar pás de terra sobre aqueles que desviavam alguns quilos de comida.

    Claro que eles erraram e devem explicações à lei. Precisamos acabar com esse Brasil do “vou levar para casa, não dá nada, ninguém dará falta”. É o jeito do brasileiro de burlar as regras e depois se escandalizar com os políticos corruptos... E nesse contexto cabe perguntar: estando lá, fariam diferente? No entanto, olhando ao longe, até parece que o crime deles é muuuuuuito pior que o dos mercados. Isso é vesguice.

    Em um momento triste como este, em que choramos a tragédia da Chapecoense, devemos nos perguntar sobre o sentido da vida, sobre como queremos ser lembrados após nos tornarmos pó. A resposta deveria vir com termos como caráter, ética, grandeza, etc e tal. Quando times oferecem jogadores gratuitamente, times pedem para não rebaixar a Chape por três anos e o adversário oferece o título da Sul-americana dá para acreditar que é possível fazer diferente. Dá, mas é preciso sentir latejar dentro.

    P.S.: Tenho escrito, os políticos nacionais estão a semear uma revolta ainda maior que o Fora Dilma! É tanta podridão que sobra pano para muitas mangas.

  • sábado, 26 de novembro de 2016 10:47

    Moroni: colocando lenha na fogueira

    Colocando lenha na fogueira, que por ora não é a lenha do próprio Moroni, muito embora possa ser logo adiante.
    Foi bom o debate sobre o destino do Ginásio João Batista Moroni, considerando as premissas jurídicas envolvidas. Também surpreendeu a adesão da comunidade à enquete realizada pelo site do Jornal Noroeste. O tema fervilha em cada esquina. E, sinceramente, mediante as considerações da promotora, da ONG e da Prefeitura, não vejo solução no curto prazo. É imenso o abacaxi que o juiz terá para descascar.
    Não sei até que ponto a comunidade de Santa Rosa já se deu conta que há dois debates instalados acerca deste tema. E, da forma como estão postos, confundem-se a ponto de as pessoas imaginarem que se trata de apenas uma discussão. E não é. Uma situação é a preservação (ou não) do Moroni; outra é a necessidade de um ginásio novo, moderno e grandioso.
    Quem defende a preservação do ginásio tem em mente o aspecto histórico da Cidade Baixa, os espaços onde o povoamento iniciou e onde estão as raízes do Município. Não se trata apenas do Moroni, mas da memória afetiva de um todo. Nessa trincheira também estão aqueles que pensam que é possível reformar a estrutura e colocá-la em uso para fins de menor vulto, como era até a interdição. Esse é um debate.
    Outra discussão é a necessidade de Santa Rosa receber/construir um ginásio de grande porte, a tal arena multiuso. Concordo, precisamos sim dela, levando em consideração que o Ginásio Dom Bosco não comporta jogos em certames oficiais de futsal, apenas para ficar em um exemplo. Diga o Luis Carlos Volkmer ao organizar a Taça Noroeste sem saber se terá local para sediar a competição.
    Habilmente, o governo e as entidades esportivas têm amarrado os dois debates, vendendo à comunidade a ideia de que a construção de uma arena depende de se desfazer do terreno onde está assentado o Moroni. Observando assim, o impacto torna-se agradável. Ocorre que com R$ 3 milhões (quem deu essa cifra foi o prefeito) dá para construir apenas 25% do moderno empreendimento. O restante há ser buscado.
    Quem defende preservar e reformar (ou fazer outro ginásio de pequenas proporções ali) está pensando em utilizar o espaço para escolas, para CPMs, para pais e filhos, escolinhas esportivas, etc., que, se teme, não terão vez na arena.
    Sugiro, pelo que já ouvi nas esquinas, que se for à venda o terreno, que a Justiça conduza o processo de leilão, até mesmo ao bem dos envolvidos, porque não faltará quem aponte o dedo ao prefeito ou a empresários compradores. E, se o dinheiro entrar nos cofres da Prefeitura que haja rubrica apenas para este fim, sob pena de enquadramento na Lei de Responsabilidade Fiscal.
    Tanta coisa caindo numa semana só, e nem é brincadeira ligada ao esporte... É caindo pacote do Sartori no colo dos gaúchos, caindo Ministro da Cultura, caindo graúdo nas malhas da fiscalização sanitária... E pelo modo como sopra o vento, o que cai logo adiante é o Moroni.
    P.S: volto ao tema no debate deste sábado.

     

  • segunda-feira, 21 de novembro de 2016 08:22

    Dois anos de Sartori e a paciência

    Chamei alguns partidos ao Noroeste Debate para avaliar o Governo Sartori que está em meio caminho. E claro, como era de esperar, a temperatura subiu.

    Foi tenso o clima entre José Albino Rohr e Claudio Franke no estúdio da Noroeste. Isso porque o petista fez uma sustentação de que é prática dos governos do PMDB atrasar salários e vender patrimônio público - estatais. Ouvindo sua argumentação e puxando fatos à memória, vemos que é mesmo. Mas fazer o que diante de um Estado falido?

    Eu não sei. Não sou governo, não preciso ter as respostas. No entanto, vemos que já tivemos aumento de imposto nesse governo, tivemos mais pardais instalados na fúria de arrecadação, parcelamento dos salários por meses a fio, segurança pública caótica e proposta de venda de estatais. Só para citar algumas ações negativas. Se fosse um governo maravilhoso o PP e o PSDB não estariam ameaçando saltar do barco em 2017 visando concorrer na eleição do ano seguinte.

    Buenas, porém dou razão ao Claudio Franke quando disse: “O que espero do governo é que ele gere o básico, a segurança, a saúde e a educação. E nem isso consegue atualmente. Hoje o que temos em caixa mal custeia a máquina pública. Em tese o Estado deve atender o cidadão, e hoje atende apenas o próprio Estado. É preciso que a sociedade entenda isso e que todos os partidos se comprometam com a situação, governando com responsabilidade”. Todos os gaúchos pensam dessa forma.

    Nessa encrenca de argumentos, Vinicius Puhl, da executiva local do PCdoB, resumiu razoavelmente bem a conjuntura: “O Sartori não tem um projeto de desenvolvimento. E o Estado precisa ser indutor do desenvolvimento, não apenas gestor público”. É isso. Não esperamos que apenas pague as contas. Esperamos que o Rio Grande seja grande outra vez.

    Então, compreendemos o Governo Sartori e também compreenderemos o Governo Temer e quais os sucederem, desde que façam mudanças reais nas oligarquias que se estabeleceram na Assembleia Legislativa, nos parlamentos, no Judiciário, nas estatais, nas altas patentes militares e aposentadorias privilegiadas.

    Nós, povo, não conseguimos entender salários de R$ 40 mil ou aposentadorias até mais elevadas que isso. Não conseguimos entender que o assalariado tenha que trabalhar 40 anos ou mais para se aposentar ao passo que militares e outras classes têm carreiras bem mais curtas, e que políticos usufruem de mordomias e regalos que ofendem até mesmo a sultões e reis.

    Entendemos os políticos. Mas também eles precisam colocar de vez em suas mentes que estão semeando uma revolução. Há muita gente farta dessa piada de mau gosto.

  • segunda-feira, 7 de novembro de 2016 08:04

    A barbárie que habita em nós

    Se é verdade que em todos nós co-habitam lobos e cordeiros, cabe-nos indagar: por que o lado tenebroso da força tem obtido tantas vitórias?

    O Brasil está no topo do ranking mundial em vários aspectos negativos, como violência urbana, tráfico internacional de drogas, mortes em acidentes de trânsito e corrupção generalizada. Li ainda esta semana que são 300 registros diários de estupros no país (oficializados no sistema policial). Abusos sexuais aumentaram 29% nos metrôs de São Paulo. E por aí segue a lista...

    O lobo que habita em nós está vencendo a luta!

    É o efeito de muitos fatores, mas especialmente da banalização que tomou conta dos brasileiros. Esse “estou nem aí” se alastrou, se aprofundou. A internet deu uma baita força nesse quesito, a ponto de o criador do Facebook se dizer decepcionado com o usuário Brasil pelo uso que faz da rede. Especializamo-nos em trivialidades, em superfície, da música à TV, da net à vida.

    Penso nisso com frequência, na corresponsabilidade que tenho com tudo isso que ocorre no Brasil dos dias atuais. Sim, porque todos têm uma parcela de contribuição, seja por apatia ou por estar envolvido em atos. Somos construtores, todos.

    Penso nisso e me pergunto: Onde, enquanto sociedade, domamos ou refreamos nossos instintos mais sádicos e violentos? O que nos impele a sermos “bons”? A aplicação da Justiça, a espiritualidade desenvolvida, a construção cultural/educacional madura e a herança de valores. Basicamente é por aí.

    Então pergunto outra vez: Em qual destes, estamos bem? Educação e Cultura sofrem agressões governamentais diárias dos Municípios, Estados e União. Em geral, as religiões não conduzem à espiritualidade. A população não sente segurança face à impunidade do sistema penal. E as famílias estão desestruturadas, os filhos têm pouca presença de valores legados pelos pais.

    É possível mudarmos essa realidade? Sim. Em quanto tempo? Em 30 anos ou mais. Começar por onde?

    Por estabelecer educação e cultura como demandas de prioridade a todos os cidadãos. Depois é preciso que se pare de legislar em causa própria, porque hoje os poderes constroem suas próprias leis e se cercam de regalias. É preciso propor mudança no código penal, que não se faz em dias, e construir prisões, o que demanda tempo e recursos. Somente assim a Justiça fará justiça.

    Isto feito, devemos voltar a dar valor à família e seus entes, dar valor aos valores reais, como ética, verdade e honestidade. E caminhar adiante, no processo que mergulha no indivíduo (o oposto dessa banalização), com educação e cultura, mas também com espiritualidade. Igrejas existem às milhares, denominações e seitas na mesma proporção, porém, entendimento, compreensão da fé e espiritualidade é outro papo.

    Não é pela reforma da Previdência e mexendo nos direitos dos mais pobres que vamos mudar o País, como nos fazem crer os políticos e as grandes mídias. A reforma tem que ir além da superfície. Tem que mergulhar na sociedade e no homem.