• sábado, 30 de agosto de 2014 08:58

    Que bicho é esse?

    Um “bichinho” muito estranho está em nosso meio. Deu pouco as caras até agora, no entanto, tem se manifestado onde menos se esperava, entre os jovens. Ainda não consegui definir se é um vírus, daqueles que passa rápido, feito gripe que nos tonteia e se vai sem marcas, ou se é uma espécie que andava em extinção, mas que conseguiu sobreviver e está se ambientando neste mundo novo. Certo é que está entre nós!

    Também não sei se esse “bichinho” pica, morde ou dá choque, porque, aparentemente, não deixa marcas. Mas, pelo visto, tem sintomas claros. Sei que, na maioria das vezes, começa com uma coceira (uma vontade danada de mandar tudo àquele lugar), depois passa a enjôo, cara de vômito e uma rejeição a tudo que oferecem prontinho para comer. Ainda é cedo para saber se os sintomas permanecem por meses ou são vitalícios. No entanto, percebe-se que os infectados apresentam certo grau de intolerância... a começar pelos discursos ensaiados.

    O “bichinho deu as caras” a primeira vez no ano passado, no meio dos movimentos estudantis que se espalharam pelo Brasil como um fogo abrasador. Passeou livre, infectou um bom número de pessoas e, antes de ser flagrado e acusado de incitar arruaceiros, ensaiou uma retirada de cena. Não quis se misturar aos falsos que se pareciam muito com ele. Nós, jornalistas, após algumas investigações de campo, descobrimos rastros da espécie por aí, sinal de que ele está em nosso meio.

    Dia desses esteve no programa Noroeste Debate uma meninada da USES e do Instituto Farroupilha para falar dos problemas e das virtudes do movimento estudantil. Fui surpreendido com o conhecimento político, com a noção clara sobre avanços e retrocessos no País e também com os valores que permeiam seus pensamentos, com forte ênfase da família e dos princípios advindos dos lares. Esses garotos, aparentemente, já foram atacados e são soropositivos.

    Quem está no poder, seja no município ou na esfera federal, está sofrendo com o bichinho. Ou com a falta que ele faz, principalmente, em regiões onde a natureza foi completamente extinta. É que as pessoas mais antigas ainda não se deram conta da presença do animal, muito embora estejam sentindo na pele os seus efeitos. As constantes quedas de secretários e diretores, os protestos constantes contra a venda de patrimônio público e exemplos como o da Câmara de Vereadores de Canoas, são exemplos claros de que a nova espécie está atuante. Alguns números da campanha política também mostram claramente o efeito desse danado, derrubando tudo o que encontrar pela frente.

    A espécie não quer nada assombroso, quer o seu habitat de volta. O bichinho tem infectado os jovens com maior frequência porque estes são mais propensos à novidade, embora o que eles pedem, depois de contaminados, é algo que eu imaginava que havia morrido de velha. Esse bicho, antigamente atendia pelo nome ética, sobrenome, dignidade. E, ao que parece, com as novas descobertas tecnológicas, tipo Facebook e redes, tem encontrado ambiente propício para se procriar. Em meio ao matagal do “rouba mas faz”, essa tal de ética tem se mostrado fogo puro.

  • sábado, 23 de agosto de 2014 16:10

    Sangue no asfalto

    Esquina em frente à Rádio Noroeste, segunda-feira à noitinha. O som de uma batida, um motoqueiro estendido no asfalto, sobre a faixa de segurança, e um motorista que não prestou socorro no local. Justificou-se depois; alegou que conduziu a esposa (ferida) ao hospital. Vi tudo. Ficamos no cenário até vir a polícia e a ambulância dos Bombeiros, os primeiros a chegar, como sempre! Somente isso, essa demora entre ligações e chegadas, renderia uma crônica...

    As cenas de uma guerra sempre impressionam pela sua extrema crueldade, por mostrar a outra face do homem. Talvez a verdadeira face daqueles que não foram tocados pela luz! Isso vale também à nossa guerra urbana de todos os dias, a guerra travada ruidosamente no trânsito desta cidade e de todas as demais do Brasil. É, sim, uma batalha campal conduzida por pessoas desprovidas de sentimento, por gente que ignora o sublime mandamento: amar o próximo.

    O trânsito é a nossa Síria. Nossos motoristas são os combatentes que tentam depor um ditador para instalar outra ditadura, pior ainda. Coitado daquele povo! Coitado do nosso povo! Estamos em guerras diferentes, sim, mas ainda assim, o combustível que move a matança é o mesmo: a falta de amor ao outro.

    Corpo estendido no asfalto, poça de sangue na faixa de segurança, moto retorcida na via pública, uma dezena de pessoas em volta do ferido para auxiliar no que fosse possível e imbecis insistindo em usar a Travessa Praça da Bandeira para cruzar com seus carros. Imbecis. Não consigo encontrar outra palavra para definir motoristas que vindos das ruas Cristóvão Colombo e Minas Gerais faziam contorno ao redor de todo o cenário como se ali não estivesse ocorrendo nada.

    Custa andar uma quadra a mais para fazer a volta? Precisa mesmo passar rente ao corpo e ao aglomerado de pessoas como se o acidentado fosse nada? Essa insensibilidade me chocou. Não pode ser simplesmente pressa dessa gente. É falta de sentimento, falta de amor! É “tô nem aí pro cara machucado!” Não foi um, foram vários motoristas em 15 minutos de cena, alguns até nos olhando com ferocidade, afinal, estávamos atrapalhando seu feliz deslocamento.

    Eis a nossa guerra! Eis uma foto do quanto “evoluímos” com todo o conhecimento adquirido ao longo dos séculos! Não estou ácido, leitores, estou realista. Enquanto houver tempo, semeie amor ao teu redor!

    A Guerra

    “Acidentes de trânsito deixaram mais de 536 mil pessoas mortas no Brasil em 10 anos. Foi o que contabilizou uma pesquisa do Instituto Alberto Luiz Coimbra de Pós-Graduação e Pesquisa de Engenharia, da Coppe/Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). A principal base de dados utilizada foi a da Seguradora Líder Dpvat (fonte: jornal O Povo)”.

    Esperança

    Esperança na geração que vem aí! Obrigado pais que levaram seus filhos pela mão para a Feira do Livro. Crianças pequenas, vindas pela mão do pai, dezenas em família! Um show à parte, especialmente no sábado. Nem tudo está perdido!

  • sábado, 16 de agosto de 2014 11:45

    Pela mão do pai

    Das imagens que gravei nestes dois dias iniciais da Feira do Livro, a que minha retina gravou foi um pai levando o filho pela mão para comprar livros. Impressionou porque essa é uma imagem freqüente, mas as crianças chegam acompanhadas de mães, avós, tias. Homens que fazem isso são raros.

    Nós, homens, incentivamos nossos filhos a jogar bola, a planejar a carreira, a pescar, “coisas de homens”. Não fomos instruídos a ensinar a eles as belezas escondidas nas entrelinhas de um livro ou a compreender a sensibilidade que emana de um ipê florido ao lado de uma prefeitura velha. Isso é “coisa de mulher” ou de poetas malucos.

    Nós, os brutos, não choramos a morte de entes queridos, mas abrimos covas profundas em nosso interior onde muitas vezes nos afundamos. Sentimos as mesmas angústias, mas quando não vemos a magia da vida, não encontramos luzes nos bretes dos túneis. Por isso as mulheres passaram a dominar os cenários, porque passaram a ler, a interpretar e a conquistar o universo interpretado.

    Aquela figura inicial do texto, talvez fosse apenas um pai com pouco tempo para o filho, querendo dar a ele um “entertimento” para suas longas horas de trabalho. Talvez fosse um pai que não lê. Talvez... Não conversei com ele, não colhi suas impressões, mas guardei a imagem em meu baú.

    Adultos ganham dinheiro. Crianças brincam, sonham. Por que não podemos criar uma ponte entre ambos? Por que não estabelecer um elo entre o materialismo e a inocência? Precisamos construir casas de dois andares, de alicerces fortes. Um pai que lê estabelece uma ponte, finca os primeiros degraus de uma escada por onde o filho acessará o andar acima. E quem sabe, da janela ou da sacada, ele veja bem mais longe.

    xxx

    Há famílias inteiras que vêm à Feira no final de tarde, num passeio que só a felicidade explica. É ir além do comércio do livro. É dialogar, é mergulhar, é conviver. Não sei o quanto espero em vendas, mas sei que esse partilhar vida e vivências não tem preço.

    xxx

    Em tempo:

    O primeiro dia da Feira foi tomado pela morte do Eduardo Campos. A tarde e a noite foram de comentários em torno do assunto. Certo é que um novo cenário se desenha. Melhor ou pior, em uma semana se saberá. Agora, quem sabe, o contexto eleitoral tome ares de eleição. Até agora, tudo era insosso.

     

     

  • sábado, 9 de agosto de 2014 09:15

    Por que acredito em Santa Rosa?

    Santa Rosa é uma cidade tal qual qualquer outra deste País, com bons políticos, com péssimos políticos, com gente ética, com lacaios de toda sorte, com gente sem compromisso algum, com gente que se doa o tempo todo...
    Quando você assimila isso, sofre menos no seu amor passional pela cidade. Quando escrevo cidade, é o seu todo, das gentes aos prédios. Quando você não se ilude, os tombos são menores, bem como as feridas abertas. Não que eu goste de todas as escolhas, aliás, sequer concordo com as da literatura, que é a “minha praia”. No entanto, se amo consciente, sofro menos.
    É como a Dé, pois à medida que conhece o marido, terá menos desilusões com as fraquezas que ele apresenta. E quando você sofre menos com as desilusões, passa a ter mais tempo para amar. É assim: posso não concordar com a Câmara pretender ter um diretor geral a cada ano, mas também admiro alguns legisladores por suas posturas. E sei que assim como nós passaremos, também eles, parlamentares, prefeitos, secretários, etc, figuras públicas, têm seu tempo contado, muito embora alguns aparentem eternizar-se nos cargos.
    As virtudes que me fazem crer em Santa Rosa e amá-la como cidade são muitas. Temos um povo com alto grau de envolvimento comunitário, trabalhador como poucos, com associativismo forte. Temos comprometimento, com ou sem autoridades para dar costado. Isso desenvolveu nossas principais marcas, da Fenasoja às entidades assistenciais. Apesar de todos os poréns, temos segurança. Temos bons artistas. Temos “ene” motivos para amar este lugar maravilhoso que completa 83 anos de emancipação ou, como afirmo há meses, 100 anos de instalação da colônia.
    É verdade que não temos bons asfaltos ligando a região, não temos aeroporto decente, não temos a ponte internacional. Mas, por outro lado temos uma safra de novos empresários, empreendedores comprometidos com o desenvolvimento da cidade e da região, gente que aposta aqui, gera empregos e se vincula ao todo. Voltamos a ter representatividade política em todas as esferas. Voltamos a olhar para o futuro sem estarmos assombrados pelo passado de glórias.
    O que não temos é importante, sim, mas pode ser resolvido. A Dé não tem uma mansão no campo, mas sabe que pode transformar o que tem em um rancho acolhedor, único, onde pode desfrutar de tudo que ama. Assim deve ser a nossa relação com Santa Rosa, de amor, ciente que não temos futebol profissional, mas podemos fazer a Taça Noroeste; não temos como acabar com o crime, mas podemos fortalecer o aparato policial; não temos ponte internacional, mas temos o charme de algumas cidades argentinas a poucas horas de nós.
    Nesta balança de prós e contras, quando deixamos de olhar o negativo e ressaltamos aquilo que gostamos, sofremos menos e amamos mais.