• sexta-feira, 29 de novembro de 2013 17:49

    A Santa Rosa centenária

    Depois de ler esta frase inicial, feche os olhos alguns segundos e reflita: como você gostaria que fosse Santa Rosa em
    2031?

    Opa! Antes, vá fazer um check-up geral de saúde, para estar vivo nesta data e soltar balões (se o Greenpeace deixar, claro!). Se você entrar pela porta do SUS, vá mais cedo à fila. Ser for usuário de plano de saúde, entre em outra fila - que não deixa de ser fila, só que chique. Se precisar de alguns exames específicos, agende muito antes, uns três meses pelo menos.

    Agora, sim, pode se deliciar e pensar no centenário do mais pujante município da Fronteira Noroeste. Sim, isso de região da Grande Santa Rosa já foi pro beleléu. As cidades vizinhas, filhas da mesma mãe, estão rebeladas e querem mudar o sobrenome. Direito delas, e nesse tempo do politicamente correto, melhor não facilitar.

    Não pense em trabalhar. Pense no lazer. Primeiro, pense em você andando pelos calçadões estreitos e cheio de defeitos da Avenida Expedicionário Weber. Depois, se você agora tem 40 anos, pense que estará com 58, já arrastando as chinelas, de modo que deverá dobrar os cuidados para não sofrer quedas ao tropeçar em algum calombo. Ah, sim, em 2031 será bem diferente, afinal o Tape Porã talvez esteja implantado.

    Se você for professor do município, beleza. Mas se for professor no município, porém pago pelo Estado, então ore, reze, faça promessa (para cumprir somente depois) para que um raio caia na cabeça dos governantes e seu salário seja adequado. Ah, saudades daquele tempo que "era bom negócio ser marido de professora". Se você for pai, instrua seus filhos a entrarem na corrente de oração, pois do jeito que a coisa está, pode ser que o professor tenha se tornado espécie em extinção no centenário.

    Teremos um aeroporto melhor em 2031, se o PAC não emPACar. Assim, os vereadores poderão viajar com maior comodidade e conforto, quem sabe até formando um consórcio regional para fretar voos coletivos já que os roteiros são quase sempre para Foz do Iguaçu e algumas cidades com a mesma capacidade de atrair aqueles que são ávidos por qualificação.

    Santa Rosa será uma cidade turística em 2031, pois terá aprendido a explorar as imagens de Xuxa, Taffarel e roteiros relacionados à imigração. Boa notícia para os agricultores, afinal, terão estradas em ótimas condições.

    Centenário em 2014

    Bem, deixando de lado o humor, Santa Rosa é uma cidade maravilhosa, próspera, polo em educação, saúde e geração de renda. Adoro esta terra. Por isso critico, por querê-la sempre melhor. E, para constar, em 2014 é o centenário da demarcação da colônia, daquele marco no Colégio Liminha. Então, aí serão 100 anos. Ou, lendo Tereza Crhistensen, 100 anos já foram duas vezes antes: havia índios aqui e havia mestiços nesses campos antes de 1914.

  • sexta-feira, 22 de novembro de 2013 14:50

    Uma coluna é pouca

    Uma coluna é pouca para tantas abordagens que se fazem necessárias, de modo apenas pontuo alguns tópicos separados nos últimos dias.

    -- Avenida América

    Sem dúvidas, a melhor notícia do atual governo nestes 11 meses de gestão. Moro em Santa Rosa há mais de duas décadas, tempo que ouço falar deste prolongamento, deste desafogo. Qualquer debate que projeta os 100 anos do município se torna inútil sem esta obra. Não é possível continuarmos somente com essa EME que está a Expedicionário.

    Musicanto

    Público foi, mas não para lotar. Era de esperar isso, afinal, o entusiasmo não existiu. Mas gostei do que vi no palco do Centro Cívico no Trilhas Musicanto. Qualidade e emoção com nomes locais e regionais. Apresentações como essas dos Quarteadores, só para citar uma, devem ser repetidas. Fantástico se estivessem em show no festival do ano que vem.

    Prefeitura velha

    A obra avança e tem, a comunidade, enfim, um vislumbre de utilização futura. Daqui da janela do Noroeste se vê o fluxo. A Cidade Interativa, em grupo, deveria visitar o local e conferir o estágio dos trabalhos. Sempre batalharam pelo espaço. É importante verificar se está de acordo com o projeto, afinal, as características do prédio estabilizado devem ser mantidas.

    Fundo de Cultura

    O ano encerra sem uma solução ao impasse criado pelo órgão de Controle Interno da Prefeitura ao apontar a comercialização de eventos e produtos culturais patrocinados pelo Fundo. Em tese, o show não pode cobrar ingresso, o CD e o livro devem ser de graça, etc. O Conselho e a Secretaria buscam uma solução, mas entre lançamento de edital, aprovação de projetos, início dos trâmites, vai-se a 2014. É um recurso que deixou de circular no meio artístico.

    Depósito de lixo

    Um empresário da construção civil enviou-me fotos de um depósito de restos de construção (entulhos) jogados em áreas indevidas. É muito, são dezenas de cargas. Santa Rosa possui uma central de triagem para operar essa separação e reaproveitamento. E mais, largar em qualquer local é crime. Cabe ao município e à Patram, quem sabe até à Fepam fiscalizar isso.

    Realmente Câmara

    Com 15 vereadores o parlamento municipal está mais ativo, mais equânime, produz bem mais que a legislatura anterior. Lendo as proposições ou ao ouvir as sessões percebe-se um intenso debate, claro posicionamento entre oposição e governo. Isso é salutar à comunidade. Vale a pena ligar o Rádio às segundas-feiras para ouvi-los. É ficar sabendo às quantas anda (ou não anda) o município.

    Orlando

    Fervem ódios e amores. Qualquer frase acorda a imbecilidade.

     

     

  • sábado, 9 de novembro de 2013 20:41

    Entre afagos e tapas

    Duas notícias que estavam inseridas em uma apenas, lidas nesta semana, são o tópico desta coluna: assassinatos e estupros.

    Ainda estou com a face corada de tantos tapas e afagos recebidos relacionados à coluna da semana passada, sobre o fato de sobrarem vagas nos cursos do Pronatec. Bom sinal, pois entre amores e ódios, tenho meia dúzia de leitores. No entanto, costumo pôr no papel o que penso.

    Li, em manchete garrafal, em jornais e sites, que o Brasil (esse País das mil Alices e suas maravilhas) somente no ano passado registrou mais de 50 mil estupros. CINQUENTA MIL! Dá um estádio, desses novinhos, construídos para a Copa do Mundo, lotado de mulheres vítimas dessa covardia. Oigalê!

    Estou usando ironia, sim, leitores. É o que resta a quem tem algum senso crítico. A mesma notícia dava conta que no ano foram registrados 47 mil assassinatos. É número daquela sangrenta guerra civil na Síria, com 100 mil mortos em dois anos. OPA! Estamos em guerra! Queremos intervenção da ONU no Brasil, já não é sem tempo!

    Há países que aplicam a castração em sujeitos que cometem estupros. Claro que não é simplesmente chegar lá e cortar fora! Mas têm certos elementos doentes, que tornam à prática, e isso aqui mesmo em Santa Rosa. Vai meia dúzia de meses e o cara ta na rua. Li na semana passada que um pai estuprou duas filhas adolescentes na capital. Fugiu depois. Mas voltou para estuprar a mais nova, a terceira. E aí, tem correção um tipo desses?

    Não tem! Que me desculpem os nossos deputados que participam das comissões dos Direitos Humanos, o Ministério Público e o Judiciário, mas levar em "banho-maria" os crimes desta natureza é ir contra a sociedade que paga os salários. A sociedade quer mais rigor, quer ficar segura, poder sair à rua, estar nas praças. Hoje, os criminosos são os brasileiros pagadores de impostos, encurralados pela maldade dos bandidos.

    É verdade que as prisões não dão dignidade e não recuperam ninguém. É verdade que todos merecem segunda chance, do contrário seríamos tão bestiais quanto às bestas que praticam os crimes. Mas também é verdade que as leis são frágeis e incentivam a criminalidade.

    Não adianta investir mais em polícia, como faz o Governo do Estado, se não mudar o sistema penal. Prisões dignas, sim, mas ainda assim, prisões.

    Entre tapas e afagos, seria muito fácil agir como um sabonete, como são determinadas pessoas e partidos políticos. Porém, não é este o meu modo de agir ou escrever.

  • sábado, 2 de novembro de 2013 00:00

    Sobram vagas?

    Está aí, nas páginas do Jornal, a notícia na íntegra, da oferta de vagas para cursos de qualificação profissional, sem que apareçam candidatos interessados. Dos quatro ofertados via Pronatec no Senat, nenhum fechou turma. E olha que tem dinheiro para lanche e vale-transporte gratuito.

    O que se passa?

    Motivo um, as bolsas do governo. Tem gente que simplesmente não quer trabalhar. Têm outros que, com pencas de filho, mal-e-porcamente dão conta de cuidar da piazada. Têm ainda os que se habituaram de tal forma à pobreza - aquela que não mata, mas também não leva a lugar algum - que simplesmente não querem mudar nada na vidinha de todo dia.

    Não estou batendo no "bolsa-isso-bolsa-aquilo". Sou a favor dos programas, porque cumprem um papel importante na distribuição de renda e assistência aos menos favorecidos. Mas que há excessos, isso há.

    Enquanto a estrutura do governo der conta de manter o sistema que rende votos, sem cobrar praticamente nada como contrapartida, está tudo bem. Aliás, a contrapartida já está sinalizada na equação: bolsa X voto X teta em governos X possibilidades múltiplas.

    Sobram vagas! Vagas!

    Logo ali, na mesma estrada, o SINE está com dezenas de vagas não ocupadas em empresas de Santa Rosa. Isso é inédito. Falta gente para trabalhar em quase todos os setores da economia. Quem tem qualificação só não está empregado se for por opção pessoal, tipo folga prolongada.

    Claro que tem o outro lado da moeda! Tem uma grande empresa na cidade, aquela enoooorme, onde as pessoas não querem trabalhar. Serviço puxado, jornada alongada, pressão e salários baixos. Conheço muitos que iriam para ela apenas como alternativa final.

    Os baixos salários não são exclusividade dessa gigante. Outros usam o mesmo artifício, sempre com mesma justificativa de duas décadas atrás: aumentos quebram a empresa. Fosse assim os salários em Caxias, Joinvile e outras cidades seriam como aqui. E não são.

    Por isso, a cada dia mais e mais pessoas estão ingressando como autônomos em várias frentes. Os ganhos são melhores, a jornada é mais liberal e é possível vislumbrar perspectivas. Isso também move as pessoas: sonhos!

    Esse é o motivo três para sobrarem vagas: pessoas sem sonhos. Quem tem sonhos se vira, grita, esperneia, se vira do avesso e agarra cada pedaço de esperança!