• segunda-feira, 4 de agosto de 2014 07:38

    Musicanto sem competição neste ano

    Isso já está definido e talvez seja a principal alteração. Além de confirmar o festival para o feriado da Proclamação da República, 15 de novembro (e dias anteriores), Cláudio Joner e sua equipe de trabalho determinaram que neste ano não haverá concorrência entre canções como em outros anos. É o cerne da discussão sobre os rumos do Musicanto, apenas mais uma ao longo destas três décadas de existência.

    Criado em 1983, por Erni Friderichs, com Luis Carlos Borges no comando, o Musicanto sempre foi inovador, ousado e polêmico. Em tudo. Essa trajetória foi lembrada por Cláudio Joner, Edemir Leite e Valdir Ribeiro no Noroeste Debate, no sábado passado. Todos ressaltaram a coragem daqueles precursores e dos que vieram após. “O legado positivo é imenso. As pessoas que criticam, tem apenas argumentos vazios. Muita gente nem sabe que por causa do Musicanto nasceu a Secretaria de Cultura, por exemplo”, explicou Joner, músico que sempre esteve ligado ao Festival, desde a sua origem.

    Mas, sem promover a competição entre músicas, como será o Musicanto deste ano? “Será uma multifeira. Ao redor do Centro Cívico pretendemos instalar a Cidade Musicanto, com espaço para artistas locais, inclusive de outras artes. Montaremos pequenos palcos externos e, o principal, o acesso a tudo será gratuito, inclusive dentro.

    O projeto é promover uma grande mostra da cultura brasileira e sul-americana, com shows de integração, debates e espírito mais festivo. “Há muitos eventos importantes que fomentam esse modelo. O que se vê é que festivais como o Musicanto estão em crise”, comentou Joner, citando vários exemplos.

    O modelo também é defendido por Edemir Leite, servidor da Secretaria Municipal de Cultura e duas vezes presidente do Musicanto. “Trabalhamos com tentativas em anos anteriores. Esta é mais uma. Se não der certo, no outro ano se volta atrás. O que temos em mente é que o festival precisa acontecer e a comunidade tem que se apropriar dele”, argumenta. Experiências anteriores foram lembradas como formar de explicar o fato de que o festival é “é um organismo vivo, em constante evolução”.

    Valdir Ribeiro, locutor da Rádio Guaíra FM e um dos maiores conhecedores da história dos festivais realizados no Estado, defende a competição no palco. Para ele, a disputa é essencial. Tem, inclusive, duas propostas diferentes, uma que valorizar os artista regionais, colocando-os em nível de igualdade com os “de fora” e outra que atrairia para o palco apenas músicos e grupos convidados, mas que deveriam apresentar uma música inédita para concorrer. Neste caso, eliminaria a triagem, mas valorizaria também o aspecto show.

    Joner também citou como negativo o compadrio que existe nos festivais, das triagens “viciadas” aos músicos que se especializaram em vencer, com pouco comprometimento com o novo. Valdir Ribeiro, igualmente, criticou esse aspecto, no entanto, sustenta que novas formas de competição devem ser buscadas.

    Em toda discussão sobre Musicanto, dois aspectos sempre se acentuam: elitismo e elevado custo. “Esse argumento de que o festival é feito para rico, para 500 pagantes, é muito simplista. Neste ano não haverá cobrança de ingresso e vamos ver se a comunidade responderá em maior número”, respondeu Joner. Tanto ele quanto Rodrigo Colla, debatedor, lembraram que a linha musical que foge aos padrões da alta popularidade (como o sertanejo universitário) afastam certo público. “Vemos que 80% das músicas não rodam nem mesmo nas rádios locais e em programas que deveriam fomentar esse tipo de cultura”, alfinetou.

    Quanto ao custo, superior a R$ 300 mil (em competição), a defesa veio de Valdir Ribeiro. “Investir pensando que deve gerar retorno para Santa Rosa é ofender a cultura. Não se faz cultura para dar lucro”. Ele também pediu a ampliação do Musicanto vai à Escola para que percorra a região.

    Um ouvinte questionou se o Musicanto feito com verbas do município não apequena-rá outros eventos, como o Festival de Cinema. Em nome da Secretaria, Edemir argumentou que não. São questões diferentes, embora na mesma pasta. Disse que há patrocínios alinhavados e citou as empresas Corsan e RGE como possíveis parceiros do evento.

    O festival deste ano será oficialmente apresentado à comunidade no dia 22 de agosto, em jantar para imprensa e convidados, na sede da AABB. A intenção, segundo Edemir Leite, é promover um evento com show, como em anos anteriores, que já funcione como um catalizador de atenções. O nome do artista ainda não foi confirmado.

     

    OPINIÕES

    “Parabéns pelo debate maduro. Vejo o Musicanto como um divisor de águas da cultura de Santa Rosa e precisa ser visto como um grande investimento e não como custo”. Vilson Kunzler

    “Muito bom o debate. O mais

    importante de tudo e não deixar o Musicanto morrer... O povo é

    carente de cultura nativa gaúcha”.

    Vanusa Liesenfeld

    “Defendo a manutenção do Musicanto, independente se for mostra ou competição. O desafio maior é não deixar o Festival morrer. Esse evento sempre foi ousado e assim deve continuar”. Rodrigo Colla

    “Creio que sem a competição o festival perde um pouco do seu encantamento, depõe contra a sua origem. Quanto aos custos, sempre esteve em discussão que o evento é caro e para poucos. A verdade é que o Musicanto sempre foi maior que Santa Rosa e por isso encontra tanta resistência”. Clairto Martin

    “Estamos organizando uma programação bem diversa para promover um Santa Arte no Musicanto, com espaço para o artista e as manifestações culturais da cidade. Essa interação vai ajudar a criar um novo cenário no entorno do Centro Cívico”. Luciane Miranda

  • sexta-feira, 1 de agosto de 2014 15:06

    Faixas de insegurança e outros riscos

    Riscos no asfalto. Eu imagino que seja assim que muitos motoristas veem as listras brancas pelas quais pedestres atravessam as ruas e avenidas da cidade. É como se não conseguissem atinar que esse código é um “reduza a velocidade, por favor”.

    Riscos altíssimos. Como se estão no solo? Sim, riscos elevados para pedestres, especialmente idosos que têm maior dificuldade de movimento. Ou para jovens desavisados, metidos, literalmente, dentro de seus aparelhos celulares no desfile que irrita quem dirige.

    Os atropelamentos em faixas de segurança (ou seriam de insegurança) em Santa Rosa são frequentes. Não é por falta da pintura dos riscos. É pressa mesmo, desrespeito à vida e ao próximo, descuido. O do fone no ouvido não se ama. O do volante não ama o outro.

    A escola municipal da Vila Santos já promoveu até caminhada na Avenida Expedicionário Weber para chamar atenção dos motoristas. Sem dúvida, aquele é um trecho de risco (no asfalto também) para quem se aventura a cruzar a via. Professoras da Prefeitura vão às escolas educar as crianças. E quem educa os barbados?

    Em Santa Rosa esses “riscos” representam alto risco.

    EM TEMPO: fui conferir as obras na Avenida, perto da Prefeitura. Motoristas que saem da Esplanada fazem cada “brageragem” que você até duvida que sejam humanos. Quanta imbecilidade na pressa para ganhar alguns segundos.

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    Há mais de ano escrevi uma crônica sobre o Parcão, quando um conhecido meu foi agredido ao passar no local. Relatei a contínua onda de violência que cerca o coração da cidade. Pequenos delitos, claro, mas todos ligados a uma só origem: drogas. A ação policial desta semana deu razão.

    Nesses locais públicos, precisamos de fardas o tempo todo. As pessoas respeitam a presença do uniforme, quase sempre. Aliás, a atuação da polícia tem que ser elogiada nesta operação de limpeza. Enfim, por alguns dias, o Parcão voltará a ser coletivo.

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    O meu vizinho aqui ao lado, o Bem-te-vi, registrou nas últimas semanas que a Câmara votará um projeto que cria a figura do diretor-geral que pode ser substituído, ao gosto do presidente. Sei não, mas não parece uma boa iniciativa.

    O diretor é aquela figura que centraliza a informação, que sabe os trâmites, que orienta nas dúvidas. Um advogado, com anos de profissão e trabalho nas esferas públicas seria prudente.

    O vereador é substituível a cada quatro anos. Já o diretor deveria permanecer, estar acima, não como alguém que manda ou que tem poder, mas que conhece as minúcias.

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    Autoridades da região viajam a Brasília nesta semana para assegurar, com todos os pingos nos “is”, as verbas prometidas ao aeroporto. O argumento primeiro pode ser este: uma comitiva com 17 autoridades, da região que mais produz colheitadeiras no Brasil, tem de viajar 500 quilômetros para embarcar em avião”

  • sábado, 26 de julho de 2014 11:26

    Nossas perdas, nossas memórias

    Uma crença popular, alimentada por uma série de coincidências bizarras, atesta que quando ocorre uma grande tragédia, logo é seguida por mais duas semelhantes. Maus agouros, sempre vêm em múltiplos de três, dizem. Verdade ou não, comentávamos isso lá em casa na semana passada. E lembrei disso na morte do Rubem Alves, estrela das nossas letras. Dois dias, dois grandes ícones falecidos. Antes dele, João Ubaldo Ribeiro nos deixara.

    Não lembro uma semana, uma época, em que tenhamos, como País, perdido três grandes ícones num espaço tão curto de tempo. João Ubaldo e Rubem Alves partiram quase ao mesmo tempo. E aí, amanhecemos com a tríade completa: veio a morte de Ariano Suassuna. Em cinco dias, a Nação ficou órfã de três escritores do primeiro escalão: João Ubaldo Ribeiro (Riacho Doce), Rubem Alves (obras na Educação) e Ariano Suassuna (Auto da Compadecida). Os 7 a 1 para a Alemanha são nada diante dessas perdas. Empobrecemos demais culturalmente sem eles.

    Essa de que coisas ruins sempre vêm em três, é do povo. Cientificamente, nunca provaremos o ditado, mas que fica uma pulga atrás da orelha, isso fica.

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    A semana foi de outra memória: os 45 anos do dia em que o homem pela primeira vez pisou no solo da lua. Sabe o que eu me perguntava? Como podemos ter ido tão longe, tão além da Terra, e não conseguimos entrar no coração dos homens? Como podemos ter fincado uma bandeira naquelas rochas mortas do espaço e não conseguimos penetrar nas mentes humanas para semear nelas um punhado de amor ao próximo?

    Como podemos conquistar a lua e pensar em conquistar Marte sem antes pararmos com a estupidez dessas matanças entre irmãos na Síria, no Iraque, na Palestina, na Ucrânia, na África e por todos os cantos do mundo?

    O solo da lua é estéril. O solo da lua é o coração dos homens.

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    A Cidade Interativa lembrou com algumas fotos na internet os 13 anos de atividades. Sempre foi mais odiada que amada na comunidade. Não os seus membros em si, mas a entidade. Ainda hoje há ventos de raiva quando o assunto é o prédio da Prefeitura velha.

    Mas poucos falam sobre o Parcão, nosso coração pulsante aos finais de semana, mantido para lazer pela ação da Cidade Interativa. Ou será que esqueceram que queriam colocar ali o mesmo terminal de ônibus que há semanas pretendiam construir naquele terreno da esquina, perto do Mercado Público?

    A Cidade Interativa foi sim pedra no sapato. Não nasceu para ser amada. Surgiu para o que faz, pensar o amanhã quando algumas mentes mal conseguem ver o hoje. Algumas vezes dói esse exercício de pôr o cérebro para pensar, principalmente para aqueles que o têm pequeno. Vida longa à entidade que nos lega o Tape Porã e o Centro Administrativo do Estado, no antigo Fórum. Vida longa a quem possui olhares críticos e ama o futuro, sem deixar de ver o passado com a grandeza que ele merece.

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    EM TEMPO

    Há que ser registrado que até agora os transtornos com as obras na Avenida Expedicionário Weber são pequenos com relação ao que imaginava. Ponto ao governo e à empresa que executa o trabalho.

  • sexta-feira, 18 de julho de 2014 14:30

    Sofredores da RS 334

    Alguém disse, noutro dia, que pego no pé da Administração Municipal com frequência e deixo de lado todos os problemas do Estado e da União. Está certo. Ocorre que este é um jornal de abrangência regional e, tão somente por isso, olha para aquilo que está mais próximo do leitor. Antes, as pedras caíam no telhado do Orlando; hoje no do Vicini. Ônus do poder.

    No entanto, é meia verdade essa acusação. Várias das colunas que escrevi ao longo destes anos aludiram a temas que extrapolam o umbigo do mundo. No início do ano, depois de voltar das férias, usei um tom mordaz ao fazer referência às péssimas condições de algumas rodovias, em especial a ERS Sepé Tiaraju ou ERS 344, como nós a conhecemos. É, o mítico herói guarani merecia uma homenagem à altura.

    Acompanho, e sugiro que vejam também, as postagens frequentes, no Facebook, feitas pelo “Grupo Sofredores da RS 344”. É bem interessante. Se é um movimento político? Não creio, até porque qualquer motorista que trafega seguidamente por esta via sabe que a coisa está feia. Tá bom, suavizei! Tá horrível! Ir daqui a Santo Ângelo é desesperador. À noite, então, por favor, motoristas, façam oração antes de sair de casa.

    Alguém dirá que o Estado está fazendo obras importantes na região, como os acessos a Porto Vera Cruz ou a Senador Salgado Filho. Outro alguém dirá que o Estado contribuiu com R$ 6 milhões no projeto do Vida & Saúde como forma de dar uma contrapartida ao que não pode fazer na rodovia. É, povo, ao que parece, não pode fazer. Nem é uma questão de não querer, é de não poder, por conta de uma ação jurídica. Peçam explicações aos bispos...

    Sofredores da ERS 344 continuarão sofredores por mais algum tempo. E nem é por conta da chuva.

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    Estamos ferrados. Contribuintes sabem disso. Vi, noutro dia, uma charge na net em que uma pessoa olhava para dentro de um buraco no asfalto e perguntava: onde foi para o IPVA que paguei?

    As rodovias federais estão bem melhores na região, mas também tem alguns trechos complicados. As vias urbanas, um caos há anos e que já nos renderam o título de capital dos buracos, finalmente, estão em recuperação.

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    E, lá na ponta do iceberg, estão as montadoras de veículos e a opção do governo nacional de desenvolver o País focado na indústria automobilística. Não temos mais lugar para tantos carros, não temos estradas adequadas e não temos alternativas. Reféns!

    Não é ser pessimista, mas alguma hora isso tudo implode: Petrobrás, governo, indústrias automotivas e a economia. Quem tiver um tempo leia alguns artigos sobre as grandes cidades norteamericanas que eram movidas por estas indústrias....

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    Parabéns, motoristas. Ou melhor, só aos sensatos e educados.