• domingo, 6 de outubro de 2013 06:15

    O debate sobre eventos

    O Cláudio Coelho Joner voltou ao assunto ontem pela manhã ao postergar o Musicanto, já postergado pelo
    governo anterior. Citou a concorrência de outros eventos locais na busca por patrocinadores que sustentam os custos, porque, no final das contas, todos batem às mesmas portas.

    Durante o Festival de Cinema conversei com o Nando Keiber, produtor cultural. Queixou-se desse mesmo fato: LIC consegue-se, captar a grana quase nunca. Como criticar quem está na linha de frente é um tanto fácil, abstenho-me desse caminho. Quero entrar no debate do Coelho.

    Fenasoja, Hortigranjeiros, Musicanto, Festival de Cinema, Feira do Livro, Oktoberfest, ExpoCruzeiro, Indumóveis e inúmeros outros eventos concorrem entre si. Concorrem, sim! Embora diversos em seus objetivos, tem pelo menos duas questões em comum: público e fontes de financiamento.

    Eventos grandes são pesados para quem faz, mesmo quando o time é muito bom, principalmente porque muitas vezes os voluntários são os mesmos. Em geral, geram bons negócios e ampliam estruturas físicas. Ainda assim, Santa Rosa está estafada com tanta atividade!

    Penso que os eventos deveriam ser direcionados para plantar no coração das pessoas hábitos, conceitos e economia contínua nos setores mobilizados. Não digo que não façam, porque vejo a Oktoberfest promovendo viagens de intercâmbio, o Musicanto Vai à Escola encenando peças e a Festa das Etnias da Fenasoja.

    Mas ouso crer que os reflexos na comunidade poderiam ser maiores, mais duradouros, de modo a provocar interação constante. Tomo por exemplo, a Feira do Livro. Ela não precisa crescer muito, estender-se por uma semana, trazer 10 autores conhecidos, promover 30 seminários... O que precisa é de uma política contínua de fomento ao livro e ao hábito de leitura, situações que tornem o livro uma presença contínua na mão do santa-rosense, e isso leva tempo. Isso é bem melhor que termos uma estrutura de duas quadras durante duas semanas instalada no coração da cidade.

    O Encontro Estadual de Hortigranjeiros de hoje é quase uma Fenasoja (é comentário corrente), embora feita com 10% do investimento. Caminhou para a grandiosidade, para ser esta Feira, porém aos poucos se afasta do seu princípio básico, que é fomentar a pequena propriedade. E se voltasse a ser mais simples, menor, mais agricultura? Ela morreria? Sinceramente não sei a resposta, mas creio que não.

    A ExpoCruzeiro segue o mesmo passo, na pretensão de se tornar um evento de grande porte, quando talvez os cruzeirenses da gema queiram algo mais festivo, mais de reencontro, para valorizar gastronomia, famílias, lembranças.

    É fato que todos os eventos seguem como se fossem empresas, com crescimento anual e projeções ainda maiores para a próxima edição. Natural isso. Acontece que Santa Rosa continua com os mesmos 70 mil habitantes e a região com 220 mil. Acontece que não crescemos como economia na proporção dos eventos. Então, volta e meia nos deparamos com dificuldades para fechar as contas deste ou daquele evento. E, só estamos bem na foto porque essa comunidade pega junto mesmo!

    A hora é esta para repensarmos esse todo. Acho que tem espaço para todos e para outros eventos, sim, mas segmentados, de menores custos, como é a Mostra de Orquídeas.

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

  • sexta-feira, 27 de setembro de 2013 18:33

    A cultura e a grana

    Santa Rosa Mostra Cinema para abordar essa intrigante questão da cultura local: arte é passatempo!
    Vai bem o Festival de Cinema de Santa Rosa, que conseguiu atrair 103 filmes interessados na exibição, trouxe bons atores e um diretor com carreira vitoriosa. Ouço cá e lá que os curtas são ótimos, bem selecionados. É, igualmente, boa a presença de público, mas ainda bem abaixo do esperado.
    Investe-se muito para promover um evento desta envergadura, quase a metade do valor empregado anualmente para o Fundo de Cultura, de modo que os resultados já aparecem. O cinema, a exemplo da dança e da literatura, encontra-se em bom momento, com ótimas produções, com sequência, de modo que é de esperar que a comunidade abrace o Festival e dê a ele, no futuro, tratamento de carinho como dá ao Musicanto e à Feira do Livro.
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    No entanto, infelizmente, muitos ainda pensam cultura com a máquina de calcular na mão. E, estas são duas áreas que não se relacionam bem: cultura e dinheiro. Quando se fala em Centro Cultural (construção dos fundos e da Prefeitura velha) a maioria das pessoas ainda torce o nariz, inclusive uns tantos que são ligados às artes, sob o argumento que é grana demais investida (quando não dizem desperdiçada) em um prédio que melhor estaria se fosse mera memória.
    O Centro Cultural é apenas um dos exemplos. Quem administra o município lê números antes de fazer poesia. Normal, afinal fazemos isso também com as nossas contas diárias. Entre um livro e a fatura da luz, paga-se a conta, ora! Normal, até certo ponto, porque quem administra um município deve também pensar no futuro da coletividade. Eu sonho ter uma chácara; a cidade sonha com qualidade de vida, e esta, quem assegura é o administrador, de preferência pensando além daquilo que pensa a maioria.
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    O edital que rege o Fundo Municipal de Cultura deste ano não foi publicado ainda, por conta de um impasse. Há, de parte da Administração, em determinados setores, o entendimento que os produtos gerados com contrapartida do Fundo não podem ser comercializados. Ou seja, o escritor não deve vender o livro que recebeu recursos públicos, o cantor deve dar os CDs, o artista deve doar os quadros, etc.
    O Conselho de Cultura não pensa assim. Tem argumentação que embasa. Quem faz cultura pensa que, então, um evento com apoio da Lei Rouanet deveria ser de graça, totalmente. Os cinemas deveriam abrir as portas (sem custo) a espectadores que queiram ver os filmes nacionais que captam valores em grandes empresas... Isso sem mencionar feiras, festas, teatro...
    Essa não comercialização é quase que fomentar a mendicância cultural. Ora, se eu produzir um livro pelo Fundo, doando todos os exemplares, como irei bancar uma próxima obra? Voltando para a fila?
    Cito o livro, pois é minha ferramenta de lida. Quem viu “80 Imagens Poéticas” sabe que um material daquela qualidade, se fosse comercializar ao valor de mercado, deveria custar R$ 30,00. Vendo a R$ 10,00. Essa é a contrapartida que o artista dá, tornando sua arte acessível.
    A cultura não é matemática, mas o artista é um trabalhador que busca remuneração e lucro. Ele também tem conta de luz a pagar no final do mês.

  • segunda-feira, 23 de setembro de 2013 07:11

    Quando parte um amigo

    Alguns dos bons amigos que tenho vieram ao acaso, pousaram em minha vida como pássaros abrigados na árvore ao lado da casa, aqueles que nos brindam com cantos nas manhãs de sol e não desaparecem nas tardes gélidas. Foi assim com o Sávio, o Tuy, o Jundiá, o Pies, o Sombra, o Heron e tantos outros, figuras fantásticas com os quais tive a honra de conviver nesta caminhada terrena.

    Escolher amigos é pedir para errar, é queimar a ponta dos dedos pondo a mão no fogo por quem talvez não devolva o mesmo afeto. Escolher amigos é brincar de tirar uma carta do baralho e supor que seja o Ás de espada. Ou abrir um poço em qualquer chão e querer encontrar ouro.

    Penso em como vieram e em como ficaram. Não encontro lógica alguma. Alguns entenderam a mão na hora difícil, outros souberam divergir sem machucar, outros tinham os mesmos sonhos. Outros sabiam ouvir, partilharam vivências. Alguns dos amigos mais preciosos, vejo pouco, alguns raramente. Mas estão aqui, no oco do peito, como diz o Madril. Sabem que os amo, sei que me levam com eles.

    Não sou de escrever sobre amenidades, mas volta e meia ponho o olho no retrovisor da vida. São horas nostálgicas em que me permito ser poeta por inteiro. O Sávio, está à mão pro mate, pra trocar impressões... Outros longe, mas bem guardados no carinho. Assim, foi surpresa das melhores, na sexta-feira, quando esteve no Jornal, a me visitar, o Digo (Márcio Gelain), que hoje vive em Porto Alegre, moço que escreve, lê muito e sempre tem um ponto de vista que extrapola o senso comum. Vê-lo, ali na escadaria, "trocar figuras" acerca do tudo e o nada, é impagável.

    Ontem, o outro extremo, a dor. Ouvia a Rádio Noroeste quando o Zelindo leu a nota de falecimento do Wilson Amaro, obreiro da Assembleia de Deus de Santa Rosa. Foi meu colega de estudos teológicos, de caronas incontáveis ao final do curso, de conversas longas - algumas parado na esquina de casa, de incentivos muitos. Homem de afagos, que Deus brindou com a sabedoria de saber ouvir e depois falar para suavizar a angústia alheia. Chorei o vazio.

    Amigos têm ombros largos e abraços que traduzem o afeto que sentem. O Wilson era um desses. E nestas horas, a gente pensa no mate que não tomou, na galinhada que não fez, a prosa que não teve ao final da tarde, no aprendizado que perdeu. Nestas horas só o que consola a gente é a certeza de que numa sombra, na Estância Maior, ele aguarda "prum" mate.

    Amigo é quem dá sabor à vida!

    ***

    Ser gaúcho é...

    estar na outra banda do Rio Uruguai e ouvir aquele "eu" mais xucro dizer, cheio de alegria verdadeira: quase em casa!

    Gaúcho - termo conhecido, mas inexplicável.

    ***

    Cinema é...

    Abrir os olhos e os olhos da mente para abranger paisagens que outros fotografaram para encher de cor nossos dias.

    Dê-se à oportunidade de curtir nosso festival de cinema em um dos três dias.

  • quinta-feira, 12 de setembro de 2013 22:03

    Maus humores em dia de sol

    Talvez porque a semana foi puxada, talvez porque o clima estava com cara de agosto, talvez porque meu humor simplesmente não atravessa uma fase fantástica... Ou simplesmente porque não sei apenas observar, aí vão algumas anotações que renderiam boas crônicas.

     

    Mortandade

    O Carlos Kessler, conhecido por fazer podas de gramas na cidade, estava indignado e profundamente sentido no início da semana. Mataram por envenenamento dois daqueles cachorros que sempre o acompanhavam por toda a cidade. Já eram figuras populares nossas. Ainda tem imbecil que se presta a envenenar cães e gatos, muitas vezes até dentro dos terrenos de vizinhos. Quem faz isso deveria ir berrar na frente da Prefeitura “eu quero o canil municipal pronto!” Vá chiar com o prefeito ou com a Vigilância Sanitária, ora!

     

    Só promessas

    Os empresários que fizeram o barulho contra a péssima qualidade dos asfaltos na região estão silenciosos há meses. Enquanto isso, as rodovias são um fiasco. Daqui a Giruá é pedreira! A RS 307, no rumo da Linha 15, tem dezenas de enormes buracos, como se eles dessem crias. A lista se espichaaaaa!!! Vai pro final do Governo atual e, por enquanto, tudo são promessas. E silêncio.

     

    Asfaltos

    Em tempo, aquele asfalto que dá acesso à Vila Sete de Setembro é uma piada. Aliás, chamar de asfalto já é um exercício de grande humor.

    E, ene ruas da nossa cidade se encontram em situação igualmente lastimável. Vai mês e vem mês e nada. Ou tudo: igual!

     

    Acidentes

    Mortes e mais mortes nas rodovias da região. Claro que muitas vezes os asfaltos não ajudam, mas pôr neles a culpa é bobagem. Mortes têm muito mais a ver com excesso de velocidade, com imprudência, com motoristas despreparados e outras coisas mais...

     

     

    Musicanto

    Ver-se obrigado a devolver R$ 153 mil relativos ao Musicanto é uma coisa, e até compreensível diante das explicações apresentadas, mas sacrificar a já combalida pasta de Cultura é de doer. Poderia ter sido usado o caixa geral da Prefeitura. Enquanto isso, o Fundo Municipal de Cultura está empacado. O edital ainda não foi publicado. No ritmo que está, fica para o início do ano que vem. Assim já se faz a economia de R$ 150 mil.

     

    Atraso

    Estive no Paraná no final de semana, nas regiões para onde foram muitos santa-rosenses há cinco décadas. A impressão que passa é que eles estão bem melhor que nós, em franco desenvolvimento. Não é apenas nos bons asfaltos que percebemos isso. Vê-se isso nas casas, no aspecto social, nas empresas em expansão... A impressão é que eles têm mais dinheiro, e que aplicam lá o que geram lá.

     

    Ufa... pouco do mau humor se foi. Escrever alivia!