• sexta-feira, 23 de maio de 2014 15:52

    O Rio das Antas transbordou

    Mudar-me para o interior foi uma decisão corajosa, ousada, sonho de anos. Eu busquei sossego, mas com o propósito de fazer as coisas que sempre fiz: colunas e textos para o Noroeste, livros, um pouco de rádio, ler e viver como gosto. Mudar é uma escolha, quase sempre, a menos que sejamos pressionados ao novo. Mudar para fazer o que sempre fiz. Contraditório. Opa! Aí me bate a primeira dúvida: o Vicini deste momento estaria mudando as peças para voltar a ser o prefeito de antes, bem antes? Neste caso, em um ano e meio ele não foi exatamente ele na totalidade de seus desejos e vontades?

    Tá, mas não era do prefeito que ia escrever. Era uma crônica sobre o riozinho da baixada, perto da chácara onde moro. Em três meses com casa no campo, por três vezes já vi o Rio das Antas sair fora da caixa, invadir arredores. Literalmente, passa sobre a ponte, ruge tão forte que se ouve a um quilômetro. Quando isso ocorre, ou esperamos a água baixar para retomar o curso seguro de antes ou mudamos o caminho e fazemos um amplo retorno para voltar ao asfalto, a nossa via rápida.

    Quando o pequeno rio sobe tanto, vai levando o que encontra pelo caminho às suas margens. Especialmente plantações cuidadas com bastante carinho. Outra vez me vem à mente a imagem das mudanças no primeiro escalão do governo municipal. Fico pensando: seriam os secretários demitidos o Rio das Antas do prefeito Vicini nesta gestão? Seriam eles a barreira, a água além da margem?

    De volta ao interior, devo registrar que ainda não ficamos parados perto da ponte à espera de o rio baixar. A Dé, como motorista, teve sorte. Do contrário, se tivesse pressa ou estivesse atrasada, mudaria o caminho, certamente. Ou perderia prazos, perderia algum compromisso importante, se colocaria em maus lençóis.

    Assim, olhando à distância, tenho a impressão que Vicini estava apressado, que não estava a fim de aguardar o Rio das Antas voltar ao nível de antes e resolveu ir por outro caminho. Ou esperou um tempo e como a chuva era intensa, resolveu arriscar-se em outra estrada.

    Faz bem, a cidade agradece, afinal, um bom motorista deve saber encontrar caminhos alternativos para levar em segurança aqueles que estão sob seus cuidados, neste caso, todos nós.

    Isso não quer dizer que o Rio das Antas fique plácido sempre, até porque é um trecho de muitas corredeiras. Ali sempre tem aquele barulho característico, sabe, aquele, de pedra raspando pedra. Talvez, na próxima chuva o riozinho saia fora da caixa outra vez, afinal, nossos invernos costumam ser de bastante água.

    xxx

    Sempre gostei da poesia, talvez porque ela me obrigue a pensar ou por tornar mais lindo o simples... No pensar da crônica, nasceram os versos.

    Além da ponte

    Subiu

    O rio

    E a minha pressa

    Afogou-se.

  • sexta-feira, 16 de maio de 2014 15:58

    Reforma política ou demolição?

    Estavam na sala do café o Nelmo, o Itálico e o Martins (Beto) a falar sobre política. São de partidos diferentes, têm argumentos diferentes. Entrei na prosa, na corrida,até a ponderar que há figuras podres em todas as siglas. Há sarnentos e mala(uf)s alojados em todos os Pês. São cânceres que devem ser combatidos com a quimioterapia do voto.

    Então, na hora de rabiscar esta coluna, lembrei a cena no café da Rádio e também outra, dos militantes ligados à CUT (intersindical dos trabalhadores), na Praça da Bandeira, no sábado, em pedido de reforma política. Registre-se, um movimento interessante, embora seja em ano eleitoral, ano de muitas promessas.

    Nós já tivemos o movimento Diretas Já. O slogan agora poderia ser Reforma Política Já! Esse sistema brasileiro não vai bem faz horas. Se os sistema produziu o Mensalão (idem no governo mineiro do PSDB) é porque dezenas de parlamentares, eleitos pelo voto, aceitaram se corromper. Só há corruptores onde há corruptos. E pronto.

    Talvez devêssemos ser mais radicais na proposta de Reforma, ousar propor mudanças ainda mais drásticas como reduzir o número de deputados federais e estaduais, reduzir o Senado a um terço (ou extingui-lo), acabar com pelo menos 50% dos teteiros que mamam em cargos públicos ligados aos parlamentos, entre outras coisitas.

    Aproveitando que na próxima semana ocorre em Santa Rosa o Feirão da Caixa, podemos pegar este gancho para a reflexão. O que é uma reforma? É um trabalho para reparar o que está podre, para tentar salvar o que ainda está bom. Opa! Premissa filosófica um: há algo podre, para ser removido na política nacional.

    Quem pode reformar? Quem realmente entende do assunto, especialistas. Ou se produzirá algo torto. Neste caso, quase nunca é o dono que pode reformar, por não conhecer a fundo a lida. Então, a reforma política não pode ser feita pelos políticos. Eles moram na casa! Tem que ser feita por especialistas, por técnicos, talvez pelo Judiciário, que ainda tem credibilidade.

    Moro em um galpão bem interessante. Para entrar com a mudança foi preciso reformar, mudar divisórias, pintar, reestruturar. Era possível porque estava razoavelmente bem feito. Ajudei o pedreiro, mas somente nas coisas que qualquer um poderia fazer. Ele não sabe escrever esta coluna; nem eu assentar pisos em linha reta. Então, reforma sim, mas feita com bases técnicas, para alinhar, deixar habitável. O parlamento, igualmente.

    Não era o caso lá de casa, mas quando uma construção está podre demais, às vezes é melhor demolir, por tudo abaixo e fazer novamente, no máximo aproveitando alguns materiais bons.

    Talvez seja este o caso do Brasil de agora.

    *****

    Por falar em reforma, a do Vicini é quase uma implosão.

    Se ele fincou bem as bases, beleza. Agora, se mexeu nos alicerces sem escorar, aí, meus amigos, aí desaba de vez.

  • sexta-feira, 16 de maio de 2014 15:49

    Bolsa Família gerou um bom debate

    O programa do Governo Federal e suas implicações em Santa Rosa foi o tema do Noroeste Debate na manhã do último sábado. Estavam no estúdio os três apresentadores (Clairto Martin, Gilberto Kieling e Rodrigo Colla), mais a professora Maria Cristina Siliprandi, que responde pelo Bolsa Família no município, o vereador Dado Silva, presidente do PT, e o empresário Jaime Mattiazzi.

    Maria Cristina trouxe dados comproba-tórios que hoje, por ano, o Bolsa Família injeta R$ 4 milhões e 400 mil na economia de Santa Rosa. Esse valor deve chegar próximo a R$ 5milhões com o aumento de 10% já anunciado pela presidente Dilma a partir de junho. Para se ter uma ideia do que isso representa, a Prefeitura tem orçamento anual de R$ 200 milhões.

    Jaime Mattiazzi, disse ser favorável ao programa, mas questionou bastante o que classificou como “estímulo a não buscar vida melhor”. Ao que Dado Silva respondeu que “talvez algumas pessoas não se sintam estimuladas a ir ao mercado de trabalho porque as empresas pagam mal”. Já a professora Maria Cristina sustentou que “percebemos, no quadro evolutivo, que já tivemos épocas com mais beneficiados, o que denota que houve avanços”.

  • sexta-feira, 9 de maio de 2014 08:59

    A moeda do futuro

    Há tantas mudanças sociais em curso que quando mal conseguimos definir o Hoje ele já está completamente alterado novamente. É vapt e já foi. Os valores éticos, morais e culturais acentuados durante séculos estão ruindo com uma celeridade que nos deixa perplexos.

    Então, em meio a esse turbilhão de novos conceitos, como pensar no Amanhã? O grifo ao termo é para dar a ele certa personalidade de ente, de ser, como se vivo fosse. Amanhã! Quando penso a respeito do futuro, nas questões da coletividade social, percebo que é quase impossível traçar qualquer norte. O que será, como será?

    Estou fazendo um curso com o Abdul Nasser para melhorar o meu desempenho pessoal. Lá falamos bastante sobre Amanhã. É implícito, mas falamos, a cada vez que nos reportamos aos sonhos. No entanto, este é um amanhã pessoal, no máximo extensivo ao núcleo familiar. A divagação aqui é sobre outro Amanhã, o coletivo.

    Onde pretendo chegar com esta reflexão filosófica, sem adentrar às teias da filosofia? Na moeda do futuro. A moeda como argumento de troca, como ferramenta para alcançar resultados.

    Moral, ética, verdade. Uma tríade simples. Ah, sim, essa é a moeda de troca do Amanhã... Ontem ainda falava com meu afilhado Carlos sobre isso. Ele está ingressando no mercado de trabalho, indo à luta, cheio de sonhos. Penso que a moeda do futuro seja retidão de caráter, ética, compromisso moral. Logo, logo as empresas pagarão fortunas para ter em seus quadros funcionários que tenham essas virtudes.

    Tão em falta nos dias atuais, as virtudes tendem a ser cada vez mais raras, salvo a sociedade corrija seu rumo “para ontem”. Não creio nessa mudança naturalmente, até porque temos uma reprodução cultural inversa, de cima para baixo, completamente podre em sua matriz. Então, aqueles que possuírem essa moeda “das antigas” para ofertar serão ricos. Ricos, sim, porque ninguém quer um gato ou cachorro que lhe fure os olhos.

    Há nas grandes empresas um pânico instalado, porque os trabalhadores estão vendendo segredos aos concorrentes, vendem informações ao inimigo. Opa! Olhe ao lado, pode ser que isso ocorra em Rosa Santa. Dinheiro apaga qualquer resquício de vergonha. A cultura não faz mais sentido na revolução porque os revolucionários ganharam dinheiro. O dinheiro comprou a ética. E, por fim, apodrecemos. Socialmente apodrecemos, politicamente já somos húmus e essa fermentação se espalha rápida.

    Podemos educar nossos filhos para que tenham valores. Podemos escolher nossos amigos de acordo com alguns princípios semelhantes. Mas não podemos estabelecer o mesmo no trabalho, a menos que sejamos patrões. Por isso, acho que logo, logo, os patrões pagarão muito bem àqueles em quem verdadeiramente possam confiar.

    Vender barato essa moeda hoje, pode custar muito caro Amanhã. Afinal, em geral, passados alguns anos as quinquilharias sempre ganham valor. Moedas, então, muito mais, principalmente quando são de ouro puro.