• sábado, 7 de setembro de 2013 10:05

    Um olhar e uns pitacos

    É delicado o assunto, no entanto, ele pede um olhar mais crítico. Ouvimos durante a semana notícias relacionadas à saúde pública em Santa Rosa. Primeiro, que o município se inscreveu no Programa Mais Médicos. Depois, o vereador Miro pediu que a Fundação adote novamente o terceiro turno nos postos. Por fim, a diretora justificou que há falta de profissionais para atender ao pedido da Câmara.

    Entendo os representantes do município, pois fosse eu o mandatário também aproveitaria a deixa e faria a inscrição no Mais Médicos. Mas (tem sempre o mas) discordo da inscrição. Falta médico em Santa Rosa? Na verdade, não. Na iniciativa privada há dezenas. Porém, faltam aqueles que queiram atuar no SUS. É notório isso, porque desde janeiro o Benvegnú se defronta com dificuldade em encontrar quem supra as vagas abertas.

    Quando digo que discordo da inscrição estou olhando além dos limites do município. O pleito local soa quase ridículo quando observada a miséria que há em outras cidades, com serviços totalmente precários, onde praticamente tudo falta. Não é o cenário que temos aqui. Temos um bom sistema, com ótima estrutura, e alguns problemas. O município tem condições de resolver essa carência.

    Nem precisa ir longe para ver a diferença. Vamos a Alecrim, Porto Vera Cruz (único contemplado na primeira etapa da seleção no programa Federal) e outras cidades menores. No final da corda, é sempre quem mora afastado dos centros maiores que "paga o pato". A nossa Fundação tem um orçamento de R$ 44 milhões por ano, duas vezes maior que Prefeitura de Tuparendi tem para atender todas as áreas e serviços. Isso, por si só, já prova que pode resolver seus problemas.

    Esta é a hora de pensarmos como País, olharmos para quem precisa mais, com maior urgência, hora de mostrarmos o quão solidários realmente somos. Nós, santa-rosenses temos problemas, sim, tanto que querer um terceiro turno nos postos é demagogia, e coletiva, porque foi referendada. Mas nivelar nossos problemas com o restante do Brasil é covardia.

    Volto a afirmar: médico precisa ter em cada esquina, como tem advogado, administrador, professor. Somente assim, com sobra de profissionais, o povo poderá acessar o serviço sem morrer um pouco ao olhar a conta.

    O julgamento do Orlando

    Os opositores do ex-prefeito estão exultantes com a condenação (essa estampada na contracapa do Noroeste). Afirmam inclusive que ele não poderia concorrer por oito anos (o que não é verdade). Das muitas leituras que se pode fazer, uma é certa: nas entrelinhas, reconhecem que é adversário forte, muito forte.

    Telefonia, mais uma vez

    Era uma vez uma princesa que queria casar com o príncipe. Casou. Até onde se sabe, viveram felizes para sempre. Nesse banquete da majestosa telefonia com o senhor governo, os súditos não foram convidados à festa... mas pagam a conta.

    Capítulo dois: certa tarde (hoje), os representantes do povo, promoveram um encontro para debater a conta da festa. Quem puder, vá lá!

  • sábado, 31 de agosto de 2013 16:36

    Vamos pra rua, gurizada!

     

    Não pense a juventude que os empresários, que os idosos, que os trabalhadores, que a massa toda irá à rua propor um país digno. É sempre a "galera" que dá o primeiro passo.

    A juventude tem mais tempo, mas também tem mais sonhos. Quer mudar. Acredita que dá para brigar por algo maior que o pão na mesa!

    Esse pedido de agora (vamos pra rua, gurizada!) é para que não adormeça no coração dos jovens aquele grito que ouvimos nas ruas há poucas semanas e que sacudiu o Brasil. Esse meu texto é antes um clamor para que mantenham a união das redes sociais e façam ecoar os ecos quando a verdade destoa e agride quem ainda sabe qual o sentido da palavra ética.

    Quando um projeto ofende a sensibilidade comum, quero ver na rua a meninada, suas bandeiras, seus cartazes, sua ousadia. O jovem tem a mágica de ignorar o medo, a intrepidez, o não silenciar, sem contar o vigor para peleias. Sinceramente, eu esperava mais gente na Câmara de Vereadores na sexta-feira para defender aquela área que a Prefeitura quis doar à Receita Federal. Eu esperava mais porque faz pouco tempo eram milhares de estudantes marchando no centro desta cidade que tanto amamos, querendo um novo Brasil, um Brasil que os ouça.

    Então, aquele grito não pode ter sido em vão. Aquele "bafo" na nuca dos governantes de todo o Brasil não pode ter sido apenas um "ai, ai".

    Escrevo isso porque não podemos fechar os olhos ao que se faz nesta imensa gleba de terras chamada Brasil. Sei que daqui não sairá marcha para Brasília, mas sei que as redes podem pôr fogo nesta palha e outra vez levar o calor dos gritos até a capital federal, até aquele reduto que chamam Parlamento. O que eles, os deputados, fizeram nesta semana foi um acinte, foi uma ofensa ao brasileiro honesto, a todos os jovens que há poucos dias cercaram o mesmo prédio.

    Voto secreto para não cassar o deputado federal Natan Donadon, já condenado pela Justiça e preso por roubar recursos públicos? Voto secreto e uma quantidade sem fim de ausências parlamentares, de nobres companheiros que deveriam estar lá em nome do povo para tirar de lá o pilantra. Dos 31 deputados gaúchos, 14 não compareceram, como contou a Rádio Gaúcha. Quase a metade, inclusive o Bohn Gass, o Perondi, o Beto Albuquerque e outros tantos. Eles justificaram com outras agendas, outros compromissos. Ok, em parte se entende. Mas eles deveriam estar lá e votar pela cassação.

    "Vergonha, vergonha" gritavam alguns deputados após a votação. Bem mais que isso! Eu diria compactuaram com a ladroagem, como se o corporativismo fosse necessário para futuras votações. Se o deputado estava condenado pelo judiciário, como vai ser isentado pelos colegas? Isso é conluio, e só faz isso que está no mesmo saco.

    Pra rua, gurizada! Pras redes sociais, isso não pode ficar assim.

    E lembrem, em 2014 tem eleições para deputado outra vez.

    OPS!

    Caramba, quanto buraco na Avenida Expedicionário Weber no início desta semana. Entende-se que teve a chuva... mas de herança em herança, quem fica pobre é o motorista obrigado a arcar com os custos dos pneus, amortecedores e acessórios dos veículos.

    OPS!

    Foi quente a audiência pública que debateu a doação da área para a Receita Federal. Chegou a ficar tenso em alguns momentos. Santa Rosa é grande, muito maior que esse terreno. Áreas não faltarão, se a Receita realmente quiser instalar uma estrutura de porte.

  • sexta-feira, 23 de agosto de 2013 11:02

    Áreas que deveriam ficar aos nossos netos

    A cidade expande rapidamente seus tentáculos para todos os lados, como se de uma hora a outra metade da população

    tivesse resolvido construir casas ou apartamentos. Vilas novas surgem a cada dia. Obras, obras e mais obras. E com elas avanços que desconfiguram aquela Santa Rosa que conhecemos há décadas.

    Mas algumas áreas urbanas deveriam permanecer como legados aos nossos filhos e netos, não como pontos intocáveis na cidade que amamos, mas como espaços voltados especificamente ao lazer. Não é posicionamento contrário ao capital que financia os investimentos privados e obtém lucro com os imóveis, é, antes, um olhar de quem sabe que envelhecerá e pretende desfrutar de um pouco mais que concreto e asfalto nesta cidade.

    Não faço referência ao Parcão, que volta novamente ao cenário das discussões, embora já tenha dito que sou contra a venda do terreno (ou doação). É uma discussão bem mais ampla, que envolve outros espaços privados e públicos, um debate que ninguém quer fazer e registrar em ata, da mesma forma como ocorre com as construções antigas que deveriam ser preservadas e, por enquanto, seguem em demolições rápidas.

    Sempre que falamos em lazer, em espaços urbanos que devemos legar às gerações futuras, falamos no Parcão e na sua extensão, que inicia na Rua do Quartel (Duque de Caxias) e vai até a entrada da Vila Jardim. Esses que hoje se opõem à ocupação do terreno da ferrovia para fins de um projeto de reflorestamento, ciclovia, quiosques, academias e tais, verdadeiramente não amam Santa Rosa.

    Quero me atrever a pensar mais longe, a chamar atenção a outros espaços que desaparecerão no avanço das vilas se não houver uma discussão coletiva e bom senso do poder público e dos empresários em torno da exploração comercial dos lotes. A área do chinês, ao lado da Botolli, até a entrada da Fellice, na Vila Santos, onde nasce a Sanga do Inácio, é uma delas. Esse espaço nobre mereceria trilhas para caminhadas, uma praça esportiva, um complexo de lazer.

    Assim como este espaço, há muitos outros, com muito verde, banhados, árvores nativas, onde nossos filhos e netos poderiam desfrutar de contato com a natureza, conhecer árvores e pássaros pelos nomes. É o caso do matinho entre as vilas Jardim e Oliveira (onde nasce um veio do Pessegueirinho), a cascatinha da Sulina, o mato atrás do SESC, a pequena floresta da Vila Glória, as nascentes do lajeado Figueira/Bomba, o entorno da Sanga do Inácio na Vila Kerber, aquele pulmão verde no centro, atrás do Hospital Dom Bosco... e tantos outros.

    Chega de radicalismos, mas também chega de especulação que tudo engole. Deixar áreas assim fechadas, isoladas, sem qualquer possibilidade de convivência entre o homem e a natureza também é bobagem. Só faz sentido manter áreas como estas se a comunidade puder desfrutar delas, caminhar em meio ao arvoredo...

    OBS: sem nomes, sem estampas, a mais profunda estima a cada um que contribuiu para que a Feira do Livro obtivesse tal êxito. E, obrigado pelo carinho.

  • sexta-feira, 16 de agosto de 2013 17:10

    Eu, os leitores e a Feira

    Não costumo escrever a meu respeito, até porque o que interessa ao leitor é a comunidade e as questões que a permeiam. Mas, com a Feira do Livro em curso, mergulhado nela, não me ocorre outro pensamento além deste: escrever sobre a relação com você, com quem lê semanalmente a crônica.

    Se estou patrono da Feira, muito devo ao Dr. Sérgio (como a gente o chama), pois é o Jornal Noroeste (e rádios e site) que permite a exposição das ideias. E o "patrão" é uma figura extraordinária. Foi aqui que durante um período publiquei poesias, mais tarde reunidas em livro. Depois vieram textos assinados, depois esses Rescaldos. São quase 18 anos nesta casa, nesta família brilhante, neste convívio com uma equipe que é fantástica. Que aprendizado!

    Confesso que esperava ser, um dia, patrono da Feira do Livro de Santa Rosa. Sou, antes de qualquer outra coisa, escritor. Estou no sexto livro próprio, mais umas quatro dezenas de participações em coletâneas. Sou jornalista, professor, palestrante, editor de livros... mas a alma, lá naquela frincha onde só a gente conhece, lá ela é escritora.

    A foto no jornal não me alimenta. Embora tímido, interiorano que sou, gosto quanto leitores, especialmente desconhecidos, me identificam, puxam prosa, trocam ideias. Isso conta, porque é o pagamento real. E, volta e meia, principalmente através dos e-mails, alguns "pegam pesado" porque discordam do ponto de vista apresentado. Faz parte do processo. Se os leitores todos concordassem com as ideias, então teríamos uma comunidade que não pensa, e isso sim entristeceria o escritor. Feliz da sociedade que é plural, que se permite ser plural.

    Então, até sábado, quero partilhar com os leitores essa experiência única que é estar patrono da Feira do Livro. Embora com todo o agito de ser expositor (Café Pequeno), dos lançamentos de livros e das atividades do próprio evento, quero aproveitar cada instante com aqueles que semanalmente leem os Rescaldos. Espero que venham, que partilhem, que se aproximem na troca de experiências. Não há sentido em escrever para gavetas...

    Para um menino criado na Linha Giruazinho, que aprendeu falar em português aos seis anos, que fez faculdade em tempos difíceis, ser patrono tem um significado único. A mente vai da mãe ao "liquinho" a gás com o qual estudava, lembra os professores, do Romeu Clauss ao Vicini, pelo quanto contribuíram no aprendizado... Vida, muita vida e experiências. E a bagagem adquirida está na literatura, está no livro com a Dé, no Mapa Hídrico e Poético, no Zito, no livro coração (assim o pessoal da Coli o apelidou).

    Então, fechando o texto, obrigado ao Vilson da Coli, às empresas que apoiaram o Mapa, a cada um dos amigos e leitores que partilhou vivências e opiniões. Obrigado equipe, povo da Noroeste, povo da ASES, turma da Feira, amigos pessoais, Dé, Iça, etc e etc e etc....

    E, na próxima semana volto aos temas sociais, ao governo de Santa Rosa, aos pitacos nacionais - quando relevantes, àquilo que merece uma reflexão. Valeu, por tudo!