• sábado, 16 de agosto de 2014 11:45

    Pela mão do pai

    Das imagens que gravei nestes dois dias iniciais da Feira do Livro, a que minha retina gravou foi um pai levando o filho pela mão para comprar livros. Impressionou porque essa é uma imagem freqüente, mas as crianças chegam acompanhadas de mães, avós, tias. Homens que fazem isso são raros.

    Nós, homens, incentivamos nossos filhos a jogar bola, a planejar a carreira, a pescar, “coisas de homens”. Não fomos instruídos a ensinar a eles as belezas escondidas nas entrelinhas de um livro ou a compreender a sensibilidade que emana de um ipê florido ao lado de uma prefeitura velha. Isso é “coisa de mulher” ou de poetas malucos.

    Nós, os brutos, não choramos a morte de entes queridos, mas abrimos covas profundas em nosso interior onde muitas vezes nos afundamos. Sentimos as mesmas angústias, mas quando não vemos a magia da vida, não encontramos luzes nos bretes dos túneis. Por isso as mulheres passaram a dominar os cenários, porque passaram a ler, a interpretar e a conquistar o universo interpretado.

    Aquela figura inicial do texto, talvez fosse apenas um pai com pouco tempo para o filho, querendo dar a ele um “entertimento” para suas longas horas de trabalho. Talvez fosse um pai que não lê. Talvez... Não conversei com ele, não colhi suas impressões, mas guardei a imagem em meu baú.

    Adultos ganham dinheiro. Crianças brincam, sonham. Por que não podemos criar uma ponte entre ambos? Por que não estabelecer um elo entre o materialismo e a inocência? Precisamos construir casas de dois andares, de alicerces fortes. Um pai que lê estabelece uma ponte, finca os primeiros degraus de uma escada por onde o filho acessará o andar acima. E quem sabe, da janela ou da sacada, ele veja bem mais longe.

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    Há famílias inteiras que vêm à Feira no final de tarde, num passeio que só a felicidade explica. É ir além do comércio do livro. É dialogar, é mergulhar, é conviver. Não sei o quanto espero em vendas, mas sei que esse partilhar vida e vivências não tem preço.

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    Em tempo:

    O primeiro dia da Feira foi tomado pela morte do Eduardo Campos. A tarde e a noite foram de comentários em torno do assunto. Certo é que um novo cenário se desenha. Melhor ou pior, em uma semana se saberá. Agora, quem sabe, o contexto eleitoral tome ares de eleição. Até agora, tudo era insosso.

     

     

  • sábado, 9 de agosto de 2014 09:15

    Por que acredito em Santa Rosa?

    Santa Rosa é uma cidade tal qual qualquer outra deste País, com bons políticos, com péssimos políticos, com gente ética, com lacaios de toda sorte, com gente sem compromisso algum, com gente que se doa o tempo todo...
    Quando você assimila isso, sofre menos no seu amor passional pela cidade. Quando escrevo cidade, é o seu todo, das gentes aos prédios. Quando você não se ilude, os tombos são menores, bem como as feridas abertas. Não que eu goste de todas as escolhas, aliás, sequer concordo com as da literatura, que é a “minha praia”. No entanto, se amo consciente, sofro menos.
    É como a Dé, pois à medida que conhece o marido, terá menos desilusões com as fraquezas que ele apresenta. E quando você sofre menos com as desilusões, passa a ter mais tempo para amar. É assim: posso não concordar com a Câmara pretender ter um diretor geral a cada ano, mas também admiro alguns legisladores por suas posturas. E sei que assim como nós passaremos, também eles, parlamentares, prefeitos, secretários, etc, figuras públicas, têm seu tempo contado, muito embora alguns aparentem eternizar-se nos cargos.
    As virtudes que me fazem crer em Santa Rosa e amá-la como cidade são muitas. Temos um povo com alto grau de envolvimento comunitário, trabalhador como poucos, com associativismo forte. Temos comprometimento, com ou sem autoridades para dar costado. Isso desenvolveu nossas principais marcas, da Fenasoja às entidades assistenciais. Apesar de todos os poréns, temos segurança. Temos bons artistas. Temos “ene” motivos para amar este lugar maravilhoso que completa 83 anos de emancipação ou, como afirmo há meses, 100 anos de instalação da colônia.
    É verdade que não temos bons asfaltos ligando a região, não temos aeroporto decente, não temos a ponte internacional. Mas, por outro lado temos uma safra de novos empresários, empreendedores comprometidos com o desenvolvimento da cidade e da região, gente que aposta aqui, gera empregos e se vincula ao todo. Voltamos a ter representatividade política em todas as esferas. Voltamos a olhar para o futuro sem estarmos assombrados pelo passado de glórias.
    O que não temos é importante, sim, mas pode ser resolvido. A Dé não tem uma mansão no campo, mas sabe que pode transformar o que tem em um rancho acolhedor, único, onde pode desfrutar de tudo que ama. Assim deve ser a nossa relação com Santa Rosa, de amor, ciente que não temos futebol profissional, mas podemos fazer a Taça Noroeste; não temos como acabar com o crime, mas podemos fortalecer o aparato policial; não temos ponte internacional, mas temos o charme de algumas cidades argentinas a poucas horas de nós.
    Nesta balança de prós e contras, quando deixamos de olhar o negativo e ressaltamos aquilo que gostamos, sofremos menos e amamos mais.

     

  • segunda-feira, 4 de agosto de 2014 07:38

    Musicanto sem competição neste ano

    Isso já está definido e talvez seja a principal alteração. Além de confirmar o festival para o feriado da Proclamação da República, 15 de novembro (e dias anteriores), Cláudio Joner e sua equipe de trabalho determinaram que neste ano não haverá concorrência entre canções como em outros anos. É o cerne da discussão sobre os rumos do Musicanto, apenas mais uma ao longo destas três décadas de existência.

    Criado em 1983, por Erni Friderichs, com Luis Carlos Borges no comando, o Musicanto sempre foi inovador, ousado e polêmico. Em tudo. Essa trajetória foi lembrada por Cláudio Joner, Edemir Leite e Valdir Ribeiro no Noroeste Debate, no sábado passado. Todos ressaltaram a coragem daqueles precursores e dos que vieram após. “O legado positivo é imenso. As pessoas que criticam, tem apenas argumentos vazios. Muita gente nem sabe que por causa do Musicanto nasceu a Secretaria de Cultura, por exemplo”, explicou Joner, músico que sempre esteve ligado ao Festival, desde a sua origem.

    Mas, sem promover a competição entre músicas, como será o Musicanto deste ano? “Será uma multifeira. Ao redor do Centro Cívico pretendemos instalar a Cidade Musicanto, com espaço para artistas locais, inclusive de outras artes. Montaremos pequenos palcos externos e, o principal, o acesso a tudo será gratuito, inclusive dentro.

    O projeto é promover uma grande mostra da cultura brasileira e sul-americana, com shows de integração, debates e espírito mais festivo. “Há muitos eventos importantes que fomentam esse modelo. O que se vê é que festivais como o Musicanto estão em crise”, comentou Joner, citando vários exemplos.

    O modelo também é defendido por Edemir Leite, servidor da Secretaria Municipal de Cultura e duas vezes presidente do Musicanto. “Trabalhamos com tentativas em anos anteriores. Esta é mais uma. Se não der certo, no outro ano se volta atrás. O que temos em mente é que o festival precisa acontecer e a comunidade tem que se apropriar dele”, argumenta. Experiências anteriores foram lembradas como formar de explicar o fato de que o festival é “é um organismo vivo, em constante evolução”.

    Valdir Ribeiro, locutor da Rádio Guaíra FM e um dos maiores conhecedores da história dos festivais realizados no Estado, defende a competição no palco. Para ele, a disputa é essencial. Tem, inclusive, duas propostas diferentes, uma que valorizar os artista regionais, colocando-os em nível de igualdade com os “de fora” e outra que atrairia para o palco apenas músicos e grupos convidados, mas que deveriam apresentar uma música inédita para concorrer. Neste caso, eliminaria a triagem, mas valorizaria também o aspecto show.

    Joner também citou como negativo o compadrio que existe nos festivais, das triagens “viciadas” aos músicos que se especializaram em vencer, com pouco comprometimento com o novo. Valdir Ribeiro, igualmente, criticou esse aspecto, no entanto, sustenta que novas formas de competição devem ser buscadas.

    Em toda discussão sobre Musicanto, dois aspectos sempre se acentuam: elitismo e elevado custo. “Esse argumento de que o festival é feito para rico, para 500 pagantes, é muito simplista. Neste ano não haverá cobrança de ingresso e vamos ver se a comunidade responderá em maior número”, respondeu Joner. Tanto ele quanto Rodrigo Colla, debatedor, lembraram que a linha musical que foge aos padrões da alta popularidade (como o sertanejo universitário) afastam certo público. “Vemos que 80% das músicas não rodam nem mesmo nas rádios locais e em programas que deveriam fomentar esse tipo de cultura”, alfinetou.

    Quanto ao custo, superior a R$ 300 mil (em competição), a defesa veio de Valdir Ribeiro. “Investir pensando que deve gerar retorno para Santa Rosa é ofender a cultura. Não se faz cultura para dar lucro”. Ele também pediu a ampliação do Musicanto vai à Escola para que percorra a região.

    Um ouvinte questionou se o Musicanto feito com verbas do município não apequena-rá outros eventos, como o Festival de Cinema. Em nome da Secretaria, Edemir argumentou que não. São questões diferentes, embora na mesma pasta. Disse que há patrocínios alinhavados e citou as empresas Corsan e RGE como possíveis parceiros do evento.

    O festival deste ano será oficialmente apresentado à comunidade no dia 22 de agosto, em jantar para imprensa e convidados, na sede da AABB. A intenção, segundo Edemir Leite, é promover um evento com show, como em anos anteriores, que já funcione como um catalizador de atenções. O nome do artista ainda não foi confirmado.

     

    OPINIÕES

    “Parabéns pelo debate maduro. Vejo o Musicanto como um divisor de águas da cultura de Santa Rosa e precisa ser visto como um grande investimento e não como custo”. Vilson Kunzler

    “Muito bom o debate. O mais

    importante de tudo e não deixar o Musicanto morrer... O povo é

    carente de cultura nativa gaúcha”.

    Vanusa Liesenfeld

    “Defendo a manutenção do Musicanto, independente se for mostra ou competição. O desafio maior é não deixar o Festival morrer. Esse evento sempre foi ousado e assim deve continuar”. Rodrigo Colla

    “Creio que sem a competição o festival perde um pouco do seu encantamento, depõe contra a sua origem. Quanto aos custos, sempre esteve em discussão que o evento é caro e para poucos. A verdade é que o Musicanto sempre foi maior que Santa Rosa e por isso encontra tanta resistência”. Clairto Martin

    “Estamos organizando uma programação bem diversa para promover um Santa Arte no Musicanto, com espaço para o artista e as manifestações culturais da cidade. Essa interação vai ajudar a criar um novo cenário no entorno do Centro Cívico”. Luciane Miranda

  • sexta-feira, 1 de agosto de 2014 15:06

    Faixas de insegurança e outros riscos

    Riscos no asfalto. Eu imagino que seja assim que muitos motoristas veem as listras brancas pelas quais pedestres atravessam as ruas e avenidas da cidade. É como se não conseguissem atinar que esse código é um “reduza a velocidade, por favor”.

    Riscos altíssimos. Como se estão no solo? Sim, riscos elevados para pedestres, especialmente idosos que têm maior dificuldade de movimento. Ou para jovens desavisados, metidos, literalmente, dentro de seus aparelhos celulares no desfile que irrita quem dirige.

    Os atropelamentos em faixas de segurança (ou seriam de insegurança) em Santa Rosa são frequentes. Não é por falta da pintura dos riscos. É pressa mesmo, desrespeito à vida e ao próximo, descuido. O do fone no ouvido não se ama. O do volante não ama o outro.

    A escola municipal da Vila Santos já promoveu até caminhada na Avenida Expedicionário Weber para chamar atenção dos motoristas. Sem dúvida, aquele é um trecho de risco (no asfalto também) para quem se aventura a cruzar a via. Professoras da Prefeitura vão às escolas educar as crianças. E quem educa os barbados?

    Em Santa Rosa esses “riscos” representam alto risco.

    EM TEMPO: fui conferir as obras na Avenida, perto da Prefeitura. Motoristas que saem da Esplanada fazem cada “brageragem” que você até duvida que sejam humanos. Quanta imbecilidade na pressa para ganhar alguns segundos.

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    Há mais de ano escrevi uma crônica sobre o Parcão, quando um conhecido meu foi agredido ao passar no local. Relatei a contínua onda de violência que cerca o coração da cidade. Pequenos delitos, claro, mas todos ligados a uma só origem: drogas. A ação policial desta semana deu razão.

    Nesses locais públicos, precisamos de fardas o tempo todo. As pessoas respeitam a presença do uniforme, quase sempre. Aliás, a atuação da polícia tem que ser elogiada nesta operação de limpeza. Enfim, por alguns dias, o Parcão voltará a ser coletivo.

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    O meu vizinho aqui ao lado, o Bem-te-vi, registrou nas últimas semanas que a Câmara votará um projeto que cria a figura do diretor-geral que pode ser substituído, ao gosto do presidente. Sei não, mas não parece uma boa iniciativa.

    O diretor é aquela figura que centraliza a informação, que sabe os trâmites, que orienta nas dúvidas. Um advogado, com anos de profissão e trabalho nas esferas públicas seria prudente.

    O vereador é substituível a cada quatro anos. Já o diretor deveria permanecer, estar acima, não como alguém que manda ou que tem poder, mas que conhece as minúcias.

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    Autoridades da região viajam a Brasília nesta semana para assegurar, com todos os pingos nos “is”, as verbas prometidas ao aeroporto. O argumento primeiro pode ser este: uma comitiva com 17 autoridades, da região que mais produz colheitadeiras no Brasil, tem de viajar 500 quilômetros para embarcar em avião”