• sábado, 10 de agosto de 2013 00:27

    É melhor ser pai aos 40!

    A semana pede que eu escreva uma coluna sobre os 82 anos de Santa Rosa - poderia inclusive falar do meu livro

    80 Imagens Poéticas - mas, ao mesmo tempo, não posso deixar de pensar que domingo é Dia dos Pais...

    Então, deixando de lado o flerte que o comércio impõe à data, perguntava-me: "é melhor ser pai em que idade?" Imagino que seja uma resposta muito pessoal, com variantes diversas. Eu, no entanto, creio que a paternidade tardia tem maravilhosas vantagens. A começar pela relação com o próprio tempo.

    Os netos curtem mais os avós que os próprios filhos curtiram, isso porque os avós estão disponíveis, dispostos a brincar, a dar atenção. Os pais, por sua vez, envolvidos com trabalho, estudos e problemas cotidianos, muitas vezes não conseguem atentar tanto quanto gostariam aos pequenos. Os avós, especialmente os aposentados, fazem a festa da criançada... além do mais, xingam-repreendem bem menos.

    Mas tem outro aspecto dos avós que os pais não percebem: pessoas com mais idade dão menor importância ao que os outros vão pensar! Sério! Hoje, ingressando nos 40 anos, meus grilos se foram, tô me lixando se precisar usar cor-de-rosa, se vou brincar com as bonecas, se a filhota vai querer trocar de "bici" e me deixar com aquela que tem a cestinha. Quando era mais guri eu iria torcer o nariz e tascar um "sai fora"!

    Sou menos "quadrado" hoje, moldado que fui com a Thaíssa - a filha única, por enquanto. Dia desses, na escola em que ela estuda, umas coleguinhas se aproximaram, me rodearam com prosa, até que uma delas se saiu com a seguinte pérola: "Tio, é verdade que o senhor brinca de boneca?" Vergonha do quê? Brinco sim, fazemos castelos e vivemos altas histórias. É o óbvio, porque se a filhota fosse piá, claro que jogaria bola, pescaria, etc.

    Numa tarde, em meio a uma brincadeira no quarto-cama e tais, a mocinha saiu com um enredo bem original. Gostei, dei corda, para ver onde ia dar. No fim das contas, anotei tudo num bloco e hoje tenho um livro que escrevi com o que juntos criamos. Ano que vem tiro da gaveta, se der nos pilas.

    Além disso, os avós são mais pacientes, sabem pegar as prosas na outra esquina... Hoje me falta vigor físico de outrora, aquela disposição para subir em árvore e correr duas horas a fio. Mas amadureci muito, aprendi a ser avô na minha essência, com menos pressa para semear e colher, com a cabeça mais aberta e a alma mais criança.

    Então, enquanto eu rabiscava essa crônica, eu pensava que deveria escrever uma coluna sobre o aniversário de Santa Rosa. Mas, assim, de repente, me ocorreu que a cidade onde vivo há 25 anos é como um homem amadurecendo, se tornando melhor, mais consciente, acolhedora, justa e plena. É sinal que está no rumo certo! Também quero chegar aos 82 anos, com mais dois ou três filhos, se Deus nos der, e encarando a vida de braços abertos. E quando vier o restante do piazedo, terei mais algumas histórias para contar.

  • segunda-feira, 5 de agosto de 2013 09:24

    Se melhorar, estraga?

     

    Santa Rosa aparece em 31º lugar na lista dos municípios
    gaúchos no ranking do Índice de Desenvolvimento Huma-
    no, o que pode ser traduzido por qualidade de vida. Está classificada no nível alto. Então, se melhorar, estraga?

    O estudo avalia dados oficiais, de 1991 a 2010. Mostra que nesse tempo houve avanços nas três áreas englobadas: distribuição de renda, longevidade (expectativa de vida) e educação. Os números atestam o que é visível a qualquer pessoa que aqui viveu nesse período. Eu, por exemplo, vim para cá em 1987. Vejo, hoje, outra cidade, bem menos marginalizada, com mais saúde, moradia, emprego e investimentos em infraestrutura básica.

    Há pelo menos duas ótimas notícias advindas do estudo: ocupamos um lugar de destaque no Estado e também no País, e a pobreza, aquela "braba", quase desapareceu por aqui. Mas, há sempre um mas, Horizontina - que é logo ali - dá um vareio em nós ao figurar na 11ª posição entre todos os gaúchos.

    Então, cabe a pergunta: Se melhorar, estraga?

    Englobando as áreas do estudo e outras mais, aquelas que respondem por nossa qualidade de vida, vão uns pitacos. Assim como qualquer pessoa percebe "a olhos vistos" os avanços sociais e econômicos das últimas décadas, também pode verificar que surgiram problemas novos para se somar a alguns insolúveis (?).

    O santa-rosense tem mais grana, daí que os carros se multiplicam em nossas ruas, de cara são pelo menos três reclames gerais: engarrafamento constante, falta de vagas ao estacionamento e ausência de asfalto decente em algumas das principais vias. Isso tudo é para ontem!

    Nesta pequena lista de coisas a resolver: filas em alguns postos de saúde e falta de mão de obra qualificada em vários setores.

    Nós já éramos?

    Esse mesmo estudo do IPEA/PNUD dá de ripa na pinha da gauchada. Ele é implacável. Dos 20 municípios em melhor posição na lista, 11 estão no Estado de São Paulo. Aliás, os paulistas asseguraram 55 entre as 100 melhores no Índice de Desenvolvimento Humano. É vareio.

    O Brasil, visto por estes números, é uma desproporção só. Entre os 100 primeiros listados, apenas 14 não são de São Paulo e dos três estados do Sul. Esse é o país desenvolvido. Para nós, gaúchos, um alerta: Santa Catarina emplacou 21 municípios entre os melhores, contra apenas sete do Rio Grande do Sul (3 a 1). Mas o Paraná também decepciona, com apenas três.

    Faz muito que Santa Catarina é a "menina dos olhos", inclusive dos empresários da nossa região, pois fazem significativos investimentos lá. Quanto um metalúrgico que aqui ganha R$ 1 mil me diz que está indo embora, nem precisa perguntar para onde. É para lá, para ganhar o dobro, fazendo a mesma coisa. Praias mais quentes, cidades mais desenvolvidas e melhores ganhos salariais. Isso atrai, e muito.

    O Rio Grande do Sul, salvo algumas ilhas, está ficando para trás. Há anos isso é perceptível. Nossos ranços não permitem certos avanços.

    Quando o povo sai à rua para efetuar cobranças das autoridades políticas, está sim, querendo princípios, mas está exigindo uma sociedade que lhe garanta qualidade de vida.

    Então, se melhorar, estraga?

  • sexta-feira, 2 de agosto de 2013 16:48

    Se melhorar, estraga?

    Santa Rosa aparece em 31º lugar na lista dos municípios gaúchos no ranking do Índice de Desenvolvimento Humano, o que pode ser traduzido por qualidade de vida. Está classificada no nível alto. Então, se melhorar, estraga?

    O estudo avalia dados oficiais, de 1991 a 2010. Mostra que nesse tempo houve avanços nas três áreas englobadas: distribuição de renda, longevidade (expectativa de vida) e educação. Os números atestam o que é visível a qualquer pessoa que aqui viveu nesse período. Eu, por exemplo, vim para cá em 1987. Vejo, hoje, outra cidade, bem menos marginalizada, com mais saúde, moradia, emprego e investimentos em infraestrutura básica.

    Há pelo menos duas ótimas notícias advindas do estudo: ocupamos um lugar de destaque no Estado e também no País, e a pobreza, aquela "braba", quase desapareceu por aqui. Mas, há sempre um mas, Horizontina - que é logo ali - dá um vareio em nós ao figurar na 11ª posição entre todos os gaúchos.

    Então, cabe a pergunta: Se melhorar, estraga?

    Englobando as áreas do estudo e outras mais, aquelas que respondem por nossa qualidade de vida, vão uns pitacos. Assim como qualquer pessoa percebe "a olhos vistos" os avanços sociais e econômicos das últimas décadas, também pode verificar que surgiram problemas novos para se somar a alguns insolúveis (?).

    O santa-rosense tem mais grana, daí que os carros se multiplicam em nossas ruas, de cara são pelo menos três reclames gerais: engarrafamento constante, falta de vagas ao estacionamento e ausência de asfalto decente em algumas das principais vias. Isso tudo é para ontem!

    Nesta pequena lista de coisas a resolver: filas em alguns postos de saúde e falta de mão de obra qualificada em vários setores.

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    Nós já éramos?

    Esse mesmo estudo do IPEA/PNUD dá de ripa na pinha da gauchada. Ele é implacável. Dos 20 municípios em melhor posição na lista, 11 estão no Estado de São Paulo. Aliás, os paulistas asseguraram 55 entre as 100 melhores no Índice de Desenvolvimento Humano. É vareio.

    O Brasil, visto por estes números, é uma desproporção só. Entre os 100 primeiros listados, apenas 14 não são de São Paulo e dos três estados do Sul. Esse é o país desenvolvido. Para nós, gaúchos, um alerta: Santa Catarina emplacou 21 municípios entre os melhores, contra apenas sete do Rio Grande do Sul (3 a 1). Mas o Paraná também decepciona, com apenas três.

    Faz muito que Santa Catarina é a "menina dos olhos", inclusive dos empresários da nossa região, pois fazem significativos investimentos lá. Quanto um metalúrgico que aqui ganha R$ 1 mil me diz que está indo embora, nem precisa perguntar para onde. É para lá, para ganhar o dobro, fazendo a mesma coisa. Praias mais quentes, cidades mais desenvolvidas e melhores ganhos salariais. Isso atrai, e muito.

    O Rio Grande do Sul, salvo algumas ilhas, está ficando para trás. Há anos isso é perceptível. Nossos ranços não permitem certos avanços.

    Quando o povo sai à rua para efetuar cobranças das autoridades políticas, está sim, querendo princípios, mas está exigindo uma sociedade que lhe garanta qualidade de vida.

    Então, se melhorar, estraga?

  • sexta-feira, 26 de julho de 2013 16:25

    Se a moda pega!

     

    Há coisas que vêm encordoadas; assuntos também. Por isso, alguns temas aguardam na fila de espera até que outro o desperte.

    Lá no meu Giruazinho se falava que assunto atado no "fio do bigode" não carecia de assinatura. Ou então que "a palavra bastava". É, mas faz tempo que a Gilette pegou meio parelho.

    Recebi de um amigo, a seguinte notícia: "Testemunhas devem pagar multa por prestar falsas informações em juízo", que em termos básicos registra: "A 5ª Turma do Tribunal Regional do Trabalho da 4ª Região (RS) manteve decisão do juiz Maurício Marca, da 2ª Vara do Trabalho de Passo Fundo, que aplicou multa a duas testemunhas que prestaram informações erradas sobre o horário de trabalho de uma reclamante".

    Traduzindo, como atesta o título da matéria veiculada pelo jornal da Serra Gaúcha, as duas pessoas mentiram ao comparecer como testemunhas de uma pessoa que cobrava indenização trabalhista! As figuras foram condenadas a pagar multa, mesmo que de valor baixo, por conta da má-fé diante da Corte.

    Ahã! No decorrer da ação, a juíza percebeu algo errado, pois analisou duas petições distintas do mesmo autor e achou "furo". Mentira da grande! E quem ajudava tecer a mentira (testemunhas) também caíram na malha.

    Quase sempre o empregador marcha nestas ações, principalmente pela dificuldade em conseguir provar o contrário do atestado pelos reclamantes, alguns velhos conhecidos da Justiça.

    Bingo. Se a moda pega, aposto que muita "cosa" muda.

    ***

    Noutro dia, um oficial da Brigada Militar, contava, numa dessas prosas "em off" sobre questões relacionadas à aplicação da Lei Maria da Penha, que tem muito de provalecimento, uso indevido. Mencionou a dificuldade de o acusado fazer defesa antes de ser penalizado de alguma forma. Na maioria das vezes é palavra contra palavra, só.

    Não estou contestando a lei, o seu resultado positivo ou a sua necessidade. Estou citando relatos. Não foi uma pessoa que falou sobre isso, sobre o quão difícil é construir argumentos que livrem de acabar em cana ou sair da casa que também é sua.

    Mas, e quando a mulher mente no registro da ocorrência? Se ela tem clara intenção de prejudicar o marido, pode usar a força da lei para obter vantagem... Então, se no decorrer do processo ficar provado que a mulher mentiu, como fica? Entrar com ação de dano moral?

    Bem caberia uma punição nos moldes dessa aplicada na Serra aos mentirosos.

    Se a moda pega, a "cosa" muda.

    ***

    Para furungar mais longe... Que tal aplicar à política, às promessas feitas em campanha alguma penalização? Uma vez que um candidato registra em plano de governo, que fala na TV e nas rádios, que usa de discurso enganoso para com o povo, deveria haver algum enquadramento legal. Deveria ser punido. Afinal, usam de mentiras para acessar benefícios que são concedidos por voto, ou seja, é quase um estelionato.

    Seria bem simples de acompanhar. Bastaria registrar todos os materiais publicitários de campanha em cartório e depois, no decorrer do governo, observar o que se fez. Claro, caberia defesa, justificativa, mas coerente, tipo: "não fiz porque a arrecadação do município diminuiu xis %". Mas daria seriedade à política.

    Isso tudo posto diante da Justiça ia dar pano prá manga! E no Judiciário, quase sempre, a gente confia.

    Já que o "fio do bigode" anda sumido com tanta similar de Gilette no mercado, é bom ver a Justiça com este zelo.