• quinta-feira, 3 de abril de 2014 20:49

    Liberar ou não a maconha?

    Se tocar no assunto, em crônica, já é difícil, dá para dimensionar o quão complicado é postular uma postura clara quanto a ser contra ou a favor do livre comércio da maconha.

    Abordamos o assunto no Noroeste Debate, no sábado passado. Eu, o Beto Kieling, o Rodrigo Colla e a Marli Rozek (que fez tese de mestrado relacionada ao tema). Com argumentos, com dados, fica bem mais complicado dizer rapidamente: sou contra!

    Inicialmente, sempre me posicionei contrário ao livre comércio de drogas, mesmo ciente que o governo fatura bilhões com impostos advindos de cigarros e bebidas, inclusive com propagandas em todas as grandes redes de TV aberta. No caso da bebida, se compra em qualquer esquina. E quem tem um familiar alcoólatra sabe o sofrimento que é lidar com a situação gerada.

    No que é diferente vender cachaça e maconha? Por que não proibir de vez a venda de bebidas com teor etílico elevado? Não custaria menos tirar as garrafas das prateleiras que impor a lei seca e arcar com os custos dos acidentes de trânsito e seus milhares de novos mutilados a cada ano? Isso sem contar na violência doméstica...

    São perguntas como essa que quase ninguém faz. E que quase ninguém responde nas entrevistas. A repressão não diminuiu a oferta de droga, porque ainda é possível conseguir em qualquer cidade, em qualquer bairro e nas praças do centro. Pelo contrário, a repressão aumentou a violência dos grupos rivais, com banhos de sangue em cidades maiores.

    Ouvir a diretora do presídio afirmar que 60% dos apenados que estão no presídio de Santa Rosa têm relação com o tráfico também choca a gente. Se somar a esse número os roubos e os furtos que têm relação com o consumo de drogas, teremos um percentual maior ainda. Ou seja, sem esse ilícito o presídio estaria com um quinto de sua lotação. Isso também tem custo, elevadíssimo por sinal. Isso sem contar que as prisões não recuperam ninguém.

    Mas dá para liberar maconha e não liberar outras drogas mais pesadas? Quem fumar maconha hoje, não será usuário de crack e cocaína amanhã? O tráfico vai desaparecer se houve comércio legalizado? O Estado está em condições de dar acompanhamento psicológico e social a todos que demandarem cuidados?

    Pois é isso, leitores. Não dá para expor todos os argumentos e questões em uma crônica, mas esse debate deve ser ampliado, e muito. O Brasil está atolado no problema e não pode mais protelar decisões. Temos que abrir cada vez mais espaço àqueles que debatem o assunto, com prós e contras.

    E eu? Nunca usei maconha e similares, sério. Então, pela distância do problema, preciso me informar muito ainda. Em dois anos poderemos olhar ao Uruguai e ver se funcionou a abertura...

    FIM: amanhã o debate (10h) é sobre maioridade penal, criminalidade juvenil e tais. Ouça e participe!

  • sexta-feira, 28 de março de 2014 20:31

    Bombeiros, bala e cães

    Ao longo da semana anotei alguns tópicos para uma crônica. Como não consegui descartar todos, tomei a liberdade de construir um mosaico um tanto diferente...

    Bombeiros

    Um assunto que rumoreja cá e lá é a necessidade de mais espaço ao quartel do Corpo de Bombeiros. Debatemos isso no sábado, na Rádio Noroeste. Sei que a secretaria do Carlos Nasi também aventou o tema em reunião há algumas semanas. Com todo o respeito a quem pensa que a área em frente ao Mercado Público seria ideal para sediar uma nova e boa estrutura para essa valorosa instituição, sou contra. Ali complicaria ainda mais o trânsito que já é complicadíssimo.

    Sempre pensei que o prolongamento da Avenida América poderia ser este local. Segundo relatou-me o comandante dos Bombeiros, o quartel de hoje está pequeno para as demandas atuais. No entanto, uma pessoa, usando o “Face” deu idéia melhor, de modo que vou partilhar: o novo quartel poderia ser construído no terreno onde está o ginásio Moroni. É amplo, dá acesso rápido para saídas da cidade, etc e tal. É de pensar seriamente no caso.

    Outro leitor, dia desses opiniou que o terreno do Moroni deveria ser reservado para o futuro, para um espaço de convivência da terceira idade, um local de encontro de pessoas, atividades diversas... Tudo menos vender...

     

    Bala

    Nada a ver com os Bombeiros (e vê se não abandona o texto!). Palestramos na escola municipal da Vila Jardim na sexta-feira. Show de bola. Em falas, lembrei de um episódio ocorrido quando minha filha era pequenina e caminhávamos ao largo da Avenida Expedicionário Weber. Ela lançou na calçada um simples papel de bala. Parei. Paramos. Avançamos somente depois de ela recolher o dito e colocá-lo no lixo. Simples assim. Não a vi fazer outra vez.

    Contei isso aos estudantes porque a palestra era sobre meio ambiente, que quase sempre é bem menos que meio. Aliás, deveria chamar-se “quase zero ambiente”. Formidável o relato de um professor, de exemplo da própria escola. Há um ano foram plantadas 17 árvores no pátio e na praça da Vila Jardim. Um ano! Hoje restam apenas quatro mudas.

    Isso somos nós...

    Cães

    Poucas frases impactaram-me tanto nos últimos dias como a que foi dita pelo pai de uma das vítimas do incêndio ocorrido na Boate Kiss: “Se fossem 242 cães, já teríamos alguém punido”.

    Alguém duvida?

    Face

    Dia desses, em email coletivo que também circulou no “Face”, para tentar fazer com que as pessoas se ativessem ao assunto em todo o seu teor, o autor escreveu logo no princípio: “ler até o final”. Valeu o esforço, mas foi preciso gritar para ser “lido\ouvido”.

    Boa net, mas pressa, pressa, pressa e umbigo!

    Essa crônica é tipo assim... nada a ver com nada, embora no fundo, tudo leve ao mesmo ponto: a tal consciência social.

  • sexta-feira, 21 de março de 2014 09:26

    Enfim, um brado de oposição

    A melhor oposição que vimos em Santa Rosa neste manda to do Vicini foi feita pelo engenheiro agrônomo Luis Pedro Trevisan quando denunciou a derrubada de árvores no perímetro urbano. Repercutiu tão forte que o secretário Amilcar Luconi, já meio claudicante, caiu. A outra postura mais frontal voltou a ser da OSCIP Cidade Interativa, renovada em membros e em disposição à queda de braço quando necessário.

    Tudo bem, mas politicamente?

    Oposição, aquela política, que contrapõem aliados e adversários, essa pouco se viu desde que Vicini assumiu. E não é por falta de espaço, como alguns querem fazer crer. Na Câmara e nos partidos políticos, poucos miados e quase nunca rosnados daqueles que impõem presença. Nem é questão de avaliar se a Administração faz ou não uma boa gestão, mas de chamar o debate que seja esclarecedor, que contribua.

    O que o Cláudio Schmidt fez esta semana, nos microfones da Rádio Noroeste, independente de seus motivos pessoais ou políticos, veio a chacoalhar o cenário. Houve um baita retruco do Douglas, e talvez nem pare por aí, já que ficaram muitas farpas no ar. Para quem gosta da política, prato cheio.

    Não foi o partido PMDB que veio à imprensa, mas um vereador. Mas poderia servir para o quadro como um todo analisar os resultados mais recentes e assumir uma postura que leve ao crescimento. O PMDB sempre foi a maior força que se opunha ao PP no município, ao contrário de muitos “Maria vai com as outras”. Quando Terra foi eleito prefeito (há 20 anos) o PT era um partido pequeno na cidade. Duas décadas depois o PT comandou a Prefeitura e hoje tem mais vereadores. O sinal de alerta deveria estar ligado...

    Mas como o PT daqui anda sestroso, sem muita vontade de comprar brigas mais expressivas com o atual governo. Deve ter suas razões. Na câmara, o PT se coça, pede explicações aqui e ali, mas não diz para que as quer. É tipo, juntar dados para comparar ou munição para guardar na trincheira.

    Diante desse quadro, é fácil deduzir que essa é a hora de o PMDB mostrar outra vez sua grandeza e aproveitar a deixa. Na última eleição para prefeito ficou longe, muito longe daquele partido forte que conhecemos. Ou aproveita agora (inclusive no fato de o PP não lançar candidato a deputado com base aqui) ou se tornará apenas uma força qualquer no cenário político daqui e do Estado. A história de lutas pede isso.

    Ou o PMDB volta a ser esta via forte e retumbante ou logo logo outro partido assume esta condição.

  • sexta-feira, 14 de março de 2014 20:35

    Demorou a vir uma greve

    O Alibem amanheceu com trabalhadores de braços cruzados na quinta-feira. Durante o dia havia piquete grevista em frente ao portão de acesso à planta industrial. Nenhuma surpresa, não apenas pelas informações já divulgadas na semana passada, mas porque o cenário é complexo há tempos.

    Como observador que faz leituras próprias, penso que a greve até demorou a acontecer. Ela não ocorreu em outro momento por completa apatia da direção sindical anterior. Simples assim. Como há um novo grupo no comando da entidade de classe, os ventos são outros.

    Ninguém é ingênuo de pensar que a imprensa conta tudo, nem sempre tem como. Mas o leitor e ouvinte de nossas rádios é inteligente, ele faz suas próprias leituras a partir dos fatos à medida que une os fios que os ligam.

    Por exemplo: é comum, quase diário, notas de que a empresa seleciona trabalhadores, com inúmeras vagas. Simples assim: quem tem como fixar-se em outro emprego, vai primeiro a outro. Nos bastidores, há anos desenrolava-se uma tentativa de remover a direção anterior do Sindicato. Junta um e dois, dá o cozido.
    No caso das vagas, é um conjunto de fatores que afasta os trabalhadores. Com o mercado em alta, com sobra de opções nas indústrias e no comércio local, as pessoas buscam assegurar ganhos e conjugar qualidade de vida. Vai longe a época em que se pensava unicamente em pôr o pão na mesa.

    Santa Rosa

    entre os piores

    O site do Ministério Público do Rio Grande do Sul publicou na terça-feira um mapa social com dados de cada município. O ano-base dos dados é 2010, com informações do censo do IBGE, Tribunal de Contas e outras fontes conjugadas. Deem uma olhada assim que for possível. Horror.

    Fiquei surpreso, negativamente surpreso ao conferir os números de Santa Rosa. Há de ter explicações do município para tais indicadores, leituras que talvez não possamos fazer a partir de números frios. Certo é que estamos muito “mal na foto”.

    Os números de Santa Rosa são um fiasco. Em investimentos em Saúde e Educação figuramos em 467 e 469 lugares entre os 496 municípios gaúchos. É pouco ou que mais? Não estamos mal, estamos entre os piores. A foto fica um pouco melhor quando o assunto é segurança.