• sexta-feira, 18 de julho de 2014 14:30

    Sofredores da RS 334

    Alguém disse, noutro dia, que pego no pé da Administração Municipal com frequência e deixo de lado todos os problemas do Estado e da União. Está certo. Ocorre que este é um jornal de abrangência regional e, tão somente por isso, olha para aquilo que está mais próximo do leitor. Antes, as pedras caíam no telhado do Orlando; hoje no do Vicini. Ônus do poder.

    No entanto, é meia verdade essa acusação. Várias das colunas que escrevi ao longo destes anos aludiram a temas que extrapolam o umbigo do mundo. No início do ano, depois de voltar das férias, usei um tom mordaz ao fazer referência às péssimas condições de algumas rodovias, em especial a ERS Sepé Tiaraju ou ERS 344, como nós a conhecemos. É, o mítico herói guarani merecia uma homenagem à altura.

    Acompanho, e sugiro que vejam também, as postagens frequentes, no Facebook, feitas pelo “Grupo Sofredores da RS 344”. É bem interessante. Se é um movimento político? Não creio, até porque qualquer motorista que trafega seguidamente por esta via sabe que a coisa está feia. Tá bom, suavizei! Tá horrível! Ir daqui a Santo Ângelo é desesperador. À noite, então, por favor, motoristas, façam oração antes de sair de casa.

    Alguém dirá que o Estado está fazendo obras importantes na região, como os acessos a Porto Vera Cruz ou a Senador Salgado Filho. Outro alguém dirá que o Estado contribuiu com R$ 6 milhões no projeto do Vida & Saúde como forma de dar uma contrapartida ao que não pode fazer na rodovia. É, povo, ao que parece, não pode fazer. Nem é uma questão de não querer, é de não poder, por conta de uma ação jurídica. Peçam explicações aos bispos...

    Sofredores da ERS 344 continuarão sofredores por mais algum tempo. E nem é por conta da chuva.

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    Estamos ferrados. Contribuintes sabem disso. Vi, noutro dia, uma charge na net em que uma pessoa olhava para dentro de um buraco no asfalto e perguntava: onde foi para o IPVA que paguei?

    As rodovias federais estão bem melhores na região, mas também tem alguns trechos complicados. As vias urbanas, um caos há anos e que já nos renderam o título de capital dos buracos, finalmente, estão em recuperação.

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    E, lá na ponta do iceberg, estão as montadoras de veículos e a opção do governo nacional de desenvolver o País focado na indústria automobilística. Não temos mais lugar para tantos carros, não temos estradas adequadas e não temos alternativas. Reféns!

    Não é ser pessimista, mas alguma hora isso tudo implode: Petrobrás, governo, indústrias automotivas e a economia. Quem tiver um tempo leia alguns artigos sobre as grandes cidades norteamericanas que eram movidas por estas indústrias....

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    Parabéns, motoristas. Ou melhor, só aos sensatos e educados.

  • sábado, 12 de julho de 2014 07:04

    É a falta de amor

    O fiasco do Brasil, o lixo nas ruas, a venda de casas populares, tudo isso tem uma mesma raiz: a falta de amor. É a falta de amor que produz tudo de ruim que há nesse planeta. Antes que alguém diga que estou errado, que o ódio é o fator preponderante, levo à inversão da matriz do pensamento. Não creio que uma guerra seja produzida apenas pelo ódio, mas pela total ausência de amor ao próximo. Vale o mesmo para a maioria das atitudes egoístas adotadas em todas as esferas, a começar pelas opções políticas, pois elas sempre levam em conta interesses e benesses pessoais. O povo que se lasque!

    E por mais que tenhamos 200 milhões de técnicos e entendidos de futebol analisando os fatos que levaram à humilhação história da Seleção Brasileira, não se fala disso: da falta de amor! Se “Felipão” (ou agora seria Felipinho?) tivesse escalado o Palmeiras da Vila Glória ou o Cruzeiro da Sulina, o Brasil não teria levado 7 x 1 da Alemanha. Paixão!

    Faltou vergonha, faltou raça, faltou amor. Mais que ao Brasil, se deve amar este povo sofrido, que carece de alegrias maiores para dar sentido ao todo. Somos um povo pobre, mas alegre e festeiro. Povo que precisa de pouco para ser feliz. Veja que sequer reagimos quando somos surrados, humilhados, não pela Alemanha, mas por um treinador esnobe e uma esquadra egocêntrica. Não procurem outras razões para explicar o fiasco. É falta de amor, sim.

    Olhe para a Seleção da Alemanha ou da Holanda, veja se há atletas como os do Brasil, mais preocupados com a cor ou o corte do cabelo que com o futebol que devem apresentar em campo. Primeiro o visual, o click na net, a pose! O que era aquele bigode ridículo do Fred, aquele cabelo do Neymar, aquela coloração do Daniel Alves e aquela imagem do Felipão com sombra no bigode do Murtosa? Dá para citar outros. Ego. Egos individuais. Banalidade de pessoas banais.

    Falta de amor sim. Grana demais nos bolsos? Também, porque se ganhassem salários como a maioria dos brasileiros talvez entendessem a dor dessa humilhação nacional. Mas vai além, bem além de grana. Se esses 7 x 1 tivessem ocorrido com a Argentina, lá teriam quebrado metade das cidades, os jogadores não sairiam à rua porque sofreriam na pele o escárnio do fiasco. Lá os atletas e o treinador seriam humilhados.

    Não é a Seleção que fez feio, fomos nós, todos nós, o Brasil. Faltou amor ao técnico que nos expôs ao ridículo e aos jogadores que poderiam sim “comer grama” para não fazer um fiasco desse tamanho.

    Há várias sombras por trás da cortina, há justificativas, mas não é aceitável tamanha ofensa a uma nação! Essa doeu, mesmo para quem não torceu pelo Brasil.

  • sábado, 5 de julho de 2014 08:12

    Águas, auxílios e barragem

    No meu livro “80 Imagens Poéticas” eu usei uma fotografia do Luis Paulo Soares que retratava a Vila Bom Retiro / Auxiliadora tomada pela água do Rio Pessegueiro em uma das tantas enchentes com as quais conviveram as famílias que moravam naquela área. Um verso do poema era: “Quando a enchente veio lamber nossas casas”, metamorfoseie...

    Aquelas imagens dos rios e riachos saindo da caixa sempre me impressionavam quando cheguei a Santa Rosa e algumas vezes me assustei com a fúria do Pessegueirinho nos fundos da Vila Flores, onde mora minha mãe. Não era diferente na Piekala, no Barro Preto, na Winkelmann e outras comunidades ribeiras que conheci no exercício do jornalismo.

    A notícia alentadora desta Enchente (assim, mesmo, com maiúscula) é que Santa Rosa passou incólume, com apenas alguns registros sem maior expressão. E aqui é preciso fazer um registro ao empenho do Governo Orlando que mapeou as famílias das áreas de risco e construiu as casas no Loteamento Auxiliadora II. Isso foi decisivo no contexto de agora.

    Mas há dor dos santa-rosenses. São centenas de famílias que têm casas de veraneio ao longo de toda a costa do Rio Uruguai e perderam muito. Prejuízos incontáveis. Casas inteiras arrastadas pela correnteza. Destruição inimaginável levando consigo economias de anos, sonhos e lembranças.

    A Copa do Mundo tomou todos os noticiários, daí que a intensa chuvarada no Sul do Brasil (lugar que a Globo desconhece) mereceu poucos registros. Nossas centenas de casas submersas, famílias em desespero, são menos importantes que o penteado do Neymar. Não faz mal, nós sobrevivemos, nós mostramos que a imprensa regional é muito mais útil e tem um caráter social imensamente maior nestas horas. E a net dimensionou em fotos, milhares de fotos e vídeos, toda a dimensão do estrago.

    Surpreendente também foi ver como a comunidade regional se mobiliza rápida para auxiliar os necessitados. Um show à parte dos voluntários da Cruz Vermelha, da Defesa Civil, dos homens da Brigada e do Exército que levaram o conhecimento técnico em socorro às famílias. Nestas horas a gente chora de emoção, acredita que o Homem ainda tem jeito e entende porque Deus sempre dá outra chance à raça.

    ***

    Em tempo - Em frase felicíssima, Vilson Winkler escreveu a quem acompanhava seus boletins sobre a situação de Porto Mauá, mais ou menos assim: “estamos vendo agora, por permissão de Deus, como será quando a obra dos homens (barragem) estiver concluída”. Na verdade, o lago formado pela Usina será ainda maior, uns 30%.

  • sábado, 28 de junho de 2014 10:17

    A mordida e o comilão de grama

    Esqueça os erros de arbitragem, os gols mal-anulados, a invasão dos castelhanos, as vaias à Dilma, aquela abertura mixa...

    Vou me ater às quatro linhas (que na verdade não são quatro se você levar em conta as áreas e o grande círculo). Muito embora, todos saibam que nem sempre um jogo se ganha em campo. É tipo uma eleição municipal, sabe, na qual às vezes o vestiário é mais decisivo. Ou mais longe ainda, nas costuras invisíveis que o olho não vê, mas o ouvido percebe.

    OPS! Copa. É esse o assunto. Eu dividi meu foco em três blocos: superação, fiasco e imagens para a posteridade.

    Superação é a Costa Rica. País pobre, pequeno e latino. Tem tudo para afundar! É, mas teve a valentia de peitar três campeões mundiais e mandar dois deles embora. Isso se chama aplicação, humildade e luta, muita luta. Podem perder amanhã! E daí? Eles já estão na história. Outra nesta lista é a Grécia, que perdeu na estreia, depois jogou com 10 contra o Japão e segurou um empate. Quando se pensava que iria embora, ganhou a classificação no minuto final contra a Costa do Marfim. Isso sim é reviver, é nascer das cinzas, é escrever história com letras garrafais.

    Na lista dos fiascos, o maior, sem dúvida, é a Espanha. A atual Campeã do Mundo e da Europa, a academia de futebol! Levou uma surra implacável da Holanda (chocolate, totó, banho, etc) e depois foi vergada pelos colonizados chilenos. Afundou bem longe da praia. Pose de rei, foto de bobo da corte! Vale o mesmo à poderosa Inglaterra! E quase o mesmo à Itália que de tanto esperar, esperar e esperar vai ver o restante do Mundial lá na “Bota”. Fiascos de esquadras poderosíssimas, de muitos astros estilosos, pobres de espírito e arrogantes.

    Mas o melhor mesmo são as cenas que a Copa produz no âmbito do hilariante. A mordida do Suárez no zagueiro italiano é de cinema, fantástica, bizarra, tipo aquele vereador que peitou outro com relho (não foi em Santa Rosa, né?). O goleiro da Costa do Marfim comendo grama para comemorar o gol de sua equipe é outra imagem antológica, tipo aquele caminhão que caiu na fossa séptica essa semana. Pior é que a Seleção dele perdeu no minuto final.

    Junto tudo isso em mim. Cato essas imagens e guardo no baú particular. Quero ser a Costa Rica ou esse Uruguai que não se verga. Quero passar bem longe da soberba espalhafatosa da Espanha ou do Balotelli. E espero nunca precisar usar os dentes para abrir os caminhos da vitória.

    EM TEMPO: Vicini chamou o secretariado todo nesta semana. Um dos assuntos era a enquete do Noroeste, onde o Governo aparece muito mal na foto. Ele é bom técnico, sabe que ainda está em tempo de virar o jogo.