• sábado, 28 de junho de 2014 10:17

    A mordida e o comilão de grama

    Esqueça os erros de arbitragem, os gols mal-anulados, a invasão dos castelhanos, as vaias à Dilma, aquela abertura mixa...

    Vou me ater às quatro linhas (que na verdade não são quatro se você levar em conta as áreas e o grande círculo). Muito embora, todos saibam que nem sempre um jogo se ganha em campo. É tipo uma eleição municipal, sabe, na qual às vezes o vestiário é mais decisivo. Ou mais longe ainda, nas costuras invisíveis que o olho não vê, mas o ouvido percebe.

    OPS! Copa. É esse o assunto. Eu dividi meu foco em três blocos: superação, fiasco e imagens para a posteridade.

    Superação é a Costa Rica. País pobre, pequeno e latino. Tem tudo para afundar! É, mas teve a valentia de peitar três campeões mundiais e mandar dois deles embora. Isso se chama aplicação, humildade e luta, muita luta. Podem perder amanhã! E daí? Eles já estão na história. Outra nesta lista é a Grécia, que perdeu na estreia, depois jogou com 10 contra o Japão e segurou um empate. Quando se pensava que iria embora, ganhou a classificação no minuto final contra a Costa do Marfim. Isso sim é reviver, é nascer das cinzas, é escrever história com letras garrafais.

    Na lista dos fiascos, o maior, sem dúvida, é a Espanha. A atual Campeã do Mundo e da Europa, a academia de futebol! Levou uma surra implacável da Holanda (chocolate, totó, banho, etc) e depois foi vergada pelos colonizados chilenos. Afundou bem longe da praia. Pose de rei, foto de bobo da corte! Vale o mesmo à poderosa Inglaterra! E quase o mesmo à Itália que de tanto esperar, esperar e esperar vai ver o restante do Mundial lá na “Bota”. Fiascos de esquadras poderosíssimas, de muitos astros estilosos, pobres de espírito e arrogantes.

    Mas o melhor mesmo são as cenas que a Copa produz no âmbito do hilariante. A mordida do Suárez no zagueiro italiano é de cinema, fantástica, bizarra, tipo aquele vereador que peitou outro com relho (não foi em Santa Rosa, né?). O goleiro da Costa do Marfim comendo grama para comemorar o gol de sua equipe é outra imagem antológica, tipo aquele caminhão que caiu na fossa séptica essa semana. Pior é que a Seleção dele perdeu no minuto final.

    Junto tudo isso em mim. Cato essas imagens e guardo no baú particular. Quero ser a Costa Rica ou esse Uruguai que não se verga. Quero passar bem longe da soberba espalhafatosa da Espanha ou do Balotelli. E espero nunca precisar usar os dentes para abrir os caminhos da vitória.

    EM TEMPO: Vicini chamou o secretariado todo nesta semana. Um dos assuntos era a enquete do Noroeste, onde o Governo aparece muito mal na foto. Ele é bom técnico, sabe que ainda está em tempo de virar o jogo.

  • segunda-feira, 23 de junho de 2014 08:31

    Uma enquete traduz o quê?

    Depende! Credo! Mal de ficar em cima do muro. Tá, essa, de ficar no meio termo não é minha praia. Então, digo que uma enquete sempre verdadeira se, no âmago dela, está uma instituição séria. No caso, a Noroeste é séria. Então, independente do que disserem, o resultado da avaliação que promovemos no site (jornalnoroeste.com.br) é incontestável. E preocupante!
    Sim, preocupante!
    Se estivesse no Governo, eu olharia para este quadro traçado pela enquete com bastante carinho. Carinho, sim. Se quiserem, podem torcer o nariz, distorcer o resultado, dizer que fomos tendenciosos, etc e tal. Mas, no fundo, é tradução do momento. Na cabeça do povo. esse Governo não é mais comparado às gestões anteriores do próprio Vicini. É comparado ao Governo Orlando, o espelho mais próximo. Por isso, eu, se estivesse no Governo, olharia com carinho para este resultado.
    A enquete diz que este é um governo fraco em desempenho, pelo menos agora. Não sou eu, cronista, quem diz isto. É o resultado da enquete que promovemos durante três semanas no site. Mais de 1.500 votos, quase 3% do eleitorado de Santa Rosa. Não é pouco, levando em conta que o sistema bloqueava votos repetidos do mesmo IP. Ou seja, são votos individuais.
    Vicini é um homem carismático, atencioso, sempre cativante. No entanto, no espelho desta hora (que pode ser bem diferente daqui a meio ano), não aparece bem. Ocorre que não é o homem que está em avaliação na pesquisa, mas a Administração em si. Ou o Governo Vicini faz e não consegue provar isso à população, ou realmente as pessoas desaprovam o que se faz ou talvez o que não se fez até agora.
    A enquete do Noroeste mostra que o Governo Vicini completa um ano e meio de gestão e mantém apenas a mesma votação obtida na eleição em 2012. Ou até perdeu alguns votos. Como assim? Em tese, quem votou em Vicini/Benvegnú repetiu o voto no site. Em tese, porque se analisar por este ângulo, quem votou em Orlando ou Alberto uniu postura no “ruim e péssimo”.
    O esforço que o Governo Vicini tem feito ao promover a recente reforma administrativa, os asfaltos que começam, o prosseguimento da abertura da Avenida América ajudaram a melhorar a foto mais recente. Por outro fica ruim fazer um “photoshop” se a cada 15 dias enfrentar um rumor subterrâneo, como aquela discussão sobre a UPA x Hospital ou esta questão da venda do terreno ao lado do Parcão.
    Uma certeza a enquete deixa: a cidade continua dividida, muito dividida. A ferida aberta pela eleição de 2012 ainda não cicatrizou e as ações do Governo não contribuíram para construir uma ponte.
    Eu, se estivesse no Governo, olharia com carinho para esta enquete. Esse é o tema do Noroeste Debate, no dia 28 de junho. Agende este dia para nos ouvir!

     

     

  • sexta-feira, 13 de junho de 2014 15:23

    Jornais ao lado da porta

    Casas onde morei, sempre foram bibliotecas. Até hoje, qualquer espaço abriga um livro, um jornal, uma revista. Jornais, então, incontáveis, espalhados, sem qualquer ordem. Não sei me desfazer nem mesmo de velhos cadernos. Não é saudosismo, é um apego com a palavra escrita que se entranhou em mim. E uma busca constante por saber mais, rever fatos, relembrar o que foi importante.

    Desde sempre, desde as primeiras lembranças, os jornais estavam presentes em meu mundo. Nunca jornais do dia. Sempre ultrapassados em semanas, meses e até anos. Arrebatados na cidade, não para a leitura, mas para nossas urgências do interior. Estavam lá, ao meu redor, com suas letras pretas sobre papéis pardos, com fotos borradas, charges supremas e pequenos encantos a serem descobertos. Se os outros não liam, eu sim.

    Não creio que meus pais e tios percebessem isso, mas os jornais velhos estavam à nossa volta. Nunca soube exatamente porque lia as manchetes e partes de textos antes de usar o papel para atiçar o fogão a lenha. Ou porque ficava sentido ao pisar folhas espalhadas nos carros (dos parentes) para que não sujássemos tudo ao entrar com pés enlameados. Que dó ver os jornais ao lado da porta para colocarmos sobre eles nossos calçados sujos com a terra vermelha da Giruazinho quando eram dias de chuva!

    Jornais ao lado da porta ou no assoalho dos carros, quase sempre, impediam leituras. Água e barro danificavam demais. E, em dias longos, sem o livro, sem o televisor, as horas perdiam certo encanto. E, o piá aqui nunca entendeu o tempo, talvez por isso, apenas lia, recriava as cenas, amava ou odiava personagens. Somente quando passei do soletrar para a leitura, aprendi que a história dos jornais é a nossa história como indivíduos, porque, de um ou outro modo, nos envolvemos com esse todo chamado sociedade.

    Essa imagem do jornal ao lado da porta voltou à mente na semana passada, lá na Linha Cascata, no nosso rancho. Chuva, barro, entra e sai de casa. Trocar o calçado sujo por um chinelo limpo ao entrar. Jornais ao lado da porta são para interior ou para quem costuma andar pelo pátio entre flores e hortas. Jornais ao lado da porta sinalizam casa aberta ao debate, ao diálogo, onde pessoas se abrem à leitura e complementam seu mundo.

    Nessa velocidade louca do dia, você precisa parar para pensar se é verdade que o José Wilker morreu mesmo ou é apenas um trote da sua memória. Amanhã seremos nós a notícia. Antes, lá no rincão onde nasci, a morte da mulher do vizinho era assunto por um bom tempo. Há duas décadas a morte do Fernandão ficaria semanas em cena. Hoje, é apenas um verbo conjugado. Nessa era cibernética, mal conseguimos pegar o fio da meada antes dela (a meada) já ser passado também.

    Amanhã o episódio dos diplomas falsificados na Prefeitura e na Câmara, a discussão sobre quem gerenciará a UPA, o embate dos asfaltos feitos pelo Orlando, entre tantas outras coisas, será tudo passado.

    Menos o Jornal, ele fica. No assoalho de um carro para ser pisado, ou ao lado da porta, cheio de barro, mas, ainda jornal. De preferência, Noroeste.

     

  • sexta-feira, 6 de junho de 2014 14:27

    A Copa ainda não convenceu

    Enfim, durante a semana, apareceram algumas bandeirinhas e adereços em verde e amarelo para dar o tom de Copa do Mundo.

    Ora, em ano de Copa no Brasil, parece que pouco estamos apaixonados pelo evento. A euforia inicial do anúncio, lá nos tempos do Lula, nos foi roubada durante os anos seguintes, com obras superfaturadas, com gastos exorbitantes, com notícias desagradáveis de toda sorte. A alegria cedeu lugar à indiferença. E até desconfiança!

    Não desconfiança com o rendimento da Seleção em campo, não. Estão todos com uma pulga atrás da orelha, todos na expectativa que possa o povo voltar às ruas durante o evento, como foi na Copa das Confederações no ano passado. Ninguém está tranqüilo. Governantes armam exércitos nas capitais. Governantes sondam, vigiam cada passo. Governos (mesmo ateus) oram para que tudo dê certo.

    Oposição torce, insinua, aguarda. Torce para dar “bolor”. Mas também desconfia que nada acontecerá, que o povo ficará em casa. Sim, em casa, porque nos estádios uma “miniminoria” entrará. A oposição deve estar pensando: por que o comércio vendeu milhões de novos televisores, quase todos gigantes? Será que o povo vai ficar em casa vendo TV?

    Em Santa Rosa o comércio não se empolgou com a Copa. Os lojistas apostaram no Dia dos Namorados como fonte de renda. O amor vende mais que o amor pelo Brasil. O amor alimenta o sexo, o carinho, o companheirismo. O Brasil, o país, tem demonstrado pouco carinho com seu povo sofrido. É quase um divórcio. Não é de hoje. Até diria que éramos filhos sem pais. Hoje somos filhos adotados. Mas ainda falta muito até legitimar a pensão e o direito ao nome na certidão, ah, isso falta.

    Depois do Dia dos Namorados, daí creio que vamos namorar o Brasil na Copa. Algumas bandeiras mais, algumas cores. Mas ainda assim, desconfio, que não será como em outros anos. Claro, a Seleção tende a fazer bonito, e aí aquenta a relação conjugal, embora há um sentimento de desgosto com fatos políticos recentes, as velhas maracutaias de sempre, e nem é questão de partido, é generalizado. O povo cansou e aí o amor esfria.

    Por outro lado, estão todos tão envolvidos em seus negócios, suas necessidades, suas prioridades, que a Seleção é um passatempo. Não se sofre mais porque o Brasil ganhou ou perdeu uma Copa. Salvo as crianças em seu amor mais puro, afinal, temos mais o que fazer da vida.

    ***

    Em tempo: aquela ornamentação na Rótula do Taffarel para a Copa no Brasil é uma pérola. Que encanto!