• sexta-feira, 19 de julho de 2013 14:59

    Acorda, João!

    Acorda, João, acorda ou a Maria vai estar mil anos luz à tua frente quando você sair do cochilo desta idade de ouro...

    Entenda por idade de ouro a mais bela fase da vida, dos anseios juvenis, dos namoros quentes, das baladas varando a noite. É bom curtir tudo isso, mas é bom também não desligar os motores e ficar para ver os carros em ultrapassagem.

    Acorda, João, que esse Dia do Homem é mais que uma data para pensar na saúde, é para refletir sobre a vida e as portas que se abrem ou se fecham. E esse tom poético e jocoso é para pegar pesado mesmo, que tem muito João dormindo em berço esplêndido enquanto a Maria seguiu seu caminho faz tempo.

    Dia do Homem!!! Um amigo meu suou frio, já pensando que era Dia do Homem lavar louça, fazer a comida, ajeitar a casa! Chegou a dizer: "De novo!"

    Dia do Homem? Para quê? Ah, sim, para alertar para a necessidade de realizar periodicamente os exames de saúde, principalmente aqueles como eu, à beira dos 40 anos, que vão ao médico somente quando a coisa enfeia, mas enfeia mesmo.

    Talvez no futuro o Dia do Homem "cole", dê certo como data comemorativa. Quem sabe também passemos a receber presentes, flores (sim, por que não?) e jantares especiais... Afinal, mamãe ganha presente, papai também, mulher também... Quero o meu todo ano a partir de agora!

    Vou mais longe neste pensar. Acho que Dia do Homem é para o homem acordar. Nesse tempo maluco, em que tudo muda em poucos dias, quem menos voa é jato, e quem não estiver disposto a avançar logo será tartaruga ao sol. Elas sabem disso e aprenderam a decolar Boeing enquanto alguns ainda pilotam teco-tecos.

    Há 20 anos eu ingressava na faculdade de Letras na primeira turma da Unijuí em Santa Rosa. Éramos cinco homens no início do curso. Somente eu me formei, com 20 moças. A proporção era a mesma em quase todos os cursos superiores, com exceção de Educação Física. Era fácil perceber que a mocidade masculina estava fora das salas de aula após o Ensino Médio, que preferia a gandaia. E já falávamos da ascensão feminina, de como elas tomariam o poder.

    O homem é mais prático, mais direto, quer logo fazer carteira de motorista, cair na festa, ou ir para o mercado de trabalho imediato, aquele que rende algum dinheiro para dizer que é seu, para fazer da vida o que quiser. E assim se afasta dos estudos. Quer o hoje, sem tempo para ver o amanhã.

    A mulher, mais ponderada, mais cabeça-feira aos 18 anos, continua nos estudos. Daí que não é surpresa alguma constatar, passadas duas décadas, que elas estão em todos os ambientes de trabalho, com postos de gerências, gestoras e conduzindo rumos. Aproveitaram cada espaço, com maestria e dedicação.

    O estudo já fazia toda a diferença. Fará cada vez mais à medida que o governo investe pesado para oferecer novas portas de acesso. A nova sociedade vai cobrar preço elevado de quem não estudar, se aperfeiçoar, seguir inovador.

    Sempre haverá espaço para o trabalho braçal, a pior parte do serviço e as menores remunerações. Acorda, garoto, que a festa sempre é tentadora, mas a ressaca também vem. Acorda, João, que a juventude é só um breve período no todo da vida!

    Antes que as mulheres encham meu email com farpas, não estou sendo machista. Estou é preocupado com a meninada. Tenho visto muito piá se largando nas cordas depois do Ensino Médio. Acorda, garoto, que a festa sempre é tentadora, mas a ressaca também vem.

  • sábado, 13 de julho de 2013 18:05

    Confesso que esperava mais

    Sou poeta, e por isso, trago impresso na alma um certo romantismo exagerado, ufanista até, como quem não consegue se desapegar de todos os romances que leu. Sempre amei como quem se atira de prédios, sem paraquedas! A Dé que o diga!

    Porque sou romântico, eu esperava mais do movimento de ontem, esse convocado pelas centrais sindicais do Brasil. É que eu, como romântico incorrigível, avivei na memória ao longo dos últimos dias aquelas greves, passeatas, movimentos expressivos de marchas coordenadas pela CUT em outros tempos, quando oposição.

    Antes que digam cá e lá que sou direitista, caros leitores, vale registrar que fui metalúrgico durante nove anos, conheço chão de fábrica, fui grevista e cantei "Vem vamos embora..." Os tempos eram outros e os ventos sempre sopravam contra, com bafo na nuca.

    Então, com tantas forças sindicais aglutinadas a esse movimento de ontem, previamente convocado e organizado com tanta badalação, eu esperava mais. Imaginava que às 18 horas (quando escrevo esta coluna) a Praça estaria tomada, milhares de bandeiras, gente de todos os movimentos sociais... Fui traído pelo romantismo.

    Os sindicatos fizeram sua parte, mostraram força. Mas faltou algo! Faltou correspondência nessa paixão!

    Há três semanas, abaixo de chuva e frio, os estudantes saídos do nada, livres de bandeiras e compromissos, atraíram mais adeptos. E como cantavam aqueles jovens. Aquele dia a Praça tremeu. Meu coração, como o de quem viu, amou cada um daqueles rostos, cada uma daquelas frases pintadas a punho, no sabor de seus encantos juvenis. Sem microfone, sem som, aqueles meninos recém-saídos das fraldas - no comparativo com quem está nos movimentos sindicais - fizeram um alarido capaz de acordar os fantasmas que dormiam na Prefeitura Velha.

    Cada um faça a leitura que quiser, é livre. Mas ontem não havia jovens daquele movimento engajados à paralisação geral. Era de esperar que estivessem ali, inseridos, gritando, reivindicando, como fizeram há alguns dias. Eles não vieram. Provavelmente não se sentiram legitimados. Não se sentiram parte deste todo que aí estava.

    Eu sou uma pessoa romântica, sim. Vejo que o Brasil melhorou, que a noiva ficou mais esbelta em educação e moradias, que o potencial das empresas ganhou ânimo, que houve avanços em saúde e distribuição de renda. O País andou sim.

    Mas um romântico não pode ser cego, do contrário a galhada cresce. Confesso que esperava mais do PT no poder, principalmente depois de 10 anos. Esperava moralismo e ética mais acentuadas. Aí a imagem que lembro é aquela do Maluf, de mãos dadas, formalizando parceria...

    E essa meninada que saiu às ruas no outro dia também é romântica, está apaixonada pelo novo, por aquilo que faz o coração bater forte, com desejo imenso de se ver correspondida. Essa meninada quer amar quem se assemelha, quem tenha perfil parecido, quem tenha sonhos e coragem de pôr estes sonhos em prática. Essa meninada quer políticos, em todas as esferas, que sejam honestos, leais e que saibam ouvir aqueles que ontem lhes disseram "eu te amo" ao depositar o voto nas urnas. Basicamente isso!

    Essa meninada ama o Brasil! Essa meninada sabe que o Brasil é uma noiva linda, mas com pais e tios um tanto ultrapassados. Essa meninada quer casar com o Brasil, mas não quer morar na casa da sogra.

  • sexta-feira, 5 de julho de 2013 14:44

    Dá-lhe Procon neles!

    A insatisfação das pessoas finalmente deixou a geladeira, ganhou força de apelo popular e apresenta resultados. Calma!

    Não vou escrever sobre os protestos, mas sobre outro tipo de "grito" dado pelos santa-rosenses nos últimos meses: "Dá-lhe Procon neles"! O consumidor resolveu gritar que possui direitos e quer vê-los respeitados, quer usufruir aquilo que tem pago. Há muitos segmentos que se provalecem com a ignorância do povo para elevar suas margens de lucros. Uso o termo ignorância não como sinônimo de "burrice", mas como desconhecimento acerca das leis e dos seus direitos.

    Moro em uma baixada, na Vila Oliveira. Ali, serviços de internet sempre foram complicados, por conta da localização, dificuldade para obter sinal. Na mais recente investida, optei pelo modem 3G. Pagava 50 pilas por uma net doméstica, básica. Lerda, lerda... Aumentei para 80 pilas, mais potencial e lerda, lerda... Concluí que melhor não ter uma em casa, afinal, baixar um vídeo ou uma música é coisa quase impossível. Ou seja, apenas desisti, cansei.

    Nesta semana falei com vários amigos, todos que enfrentaram situações semelhantes. Se depender disso para prestar serviços, então, já perdeu o negócio por conta da lentidão. Tanto é grave o problema que durante a Copa das Confederações, as principais queixas dos jornalistas e das seleções não eram os atrapalhos causados pelos protestos nas ruas: eram com a qualidade de alguns serviços.

    E se for cancelar, então, está lascado. É um parto!

    Guardei entre meus rascunhos um texto enviado pela Prefeitura, com os dados de atendimentos prestados no Procon de Santa Rosa. O número de pessoas que buscou o órgão de defesa do consumidor duplicou nos meses iniciais do ano. Em janeiro de 2012 foram 74, contra 157 neste ano. A proporção se repetiu nos meses seguintes. Em quatro meses mais de 740 pessoas procuraram orientações sobre como reclamar seus direitos. São cidadãos cansados de engodo, engano, explicações e mais explicações.

    Claro, a Prefeitura fez algumas adequações que contribuíram para o bom funcionamento do expediente, mas basicamente aumento a procura porque mudou a cultura do povo.

    Quem lidera a lista das reclamações? Quem? A nota explicativa do Procon diz, textualmente: "A telefonia bate o recorde de reclamações, principalmente, os planos que são ofertados e não são cumpridos, onde o consumidor tem dificuldade de cancelar e, também, o não funcionamento de internet 3G". Bingo!!!

    A matéria vai bem mais longe, prossegue a fazer um alerta aos consumidores que estão pagando por um serviço que não funciona, no caso da internet. "A multa só pode ser cobrada em caso de cancelamento sem motivo aparente, apenas por não desejar mais o serviço e não ter cumprido o tempo de contrato. Mas se o serviço não funciona, esta multa não pode ser cobrada".

    Que bom que este povo acordou. Que bom que as redes sociais finalmente estão funcionando. Que bom que a pimenta começou a arder naqueles que se faziam de cegos enquanto manipulavam as massas.

    Sugiro que os jovens e manifestantes incluam em suas listas de reivindicações futuras melhores e mais baratos serviços, principalmente de empresas internacionais, habituadas a explorar apenas a parte boa do bolo.

  • quinta-feira, 4 de julho de 2013 19:28

    Um ginásio no Parque

    O setor de Planejamento da Prefeitura já anunciou que o ginásio esportivo de grande porte do município deve ser construído no Parque de Exposições, com acesso pela rodovia, próximo da área dos CTGs. É uma boa. O local é amplo, tem área compatível, para uso público.

    No ano passado a imprensa levantou-se contra a doação de áreas no mesmo parque para duas entidades. No final dos debates, Orlando Desconsi, na condição de prefeito, recuou e engavetou o pedido. O Cofron já recebeu imóvel, no centro. Já a OAB não se manifestou mais.

    Ocorre que agora é uma situação bastante diferente. O ginásio vai receber/abrigar competições esportivas, shows e outros eventos de grande público. É para o povo como um todo, não para alguns.

    Hoje Santa Rosa está carente de um centro de convenções, um local com capacidade para receber três ou cinco mil pessoas. O Centro Cívico está sobrecarregado e já se tornou pequeno, logo ele, que era qualificado como “elefante branco” por ser gigantesco.

    Ah, e com o ginásio prometido para o Parque de Exposições, quem sabe esteja sepultada a ideia de vender o terreno público de esquina entre a Teixeira Mendes e a Expedicionário Weber.