• sexta-feira, 7 de março de 2014 16:52

    Os juízes de Vicini

    Somos todos juízes, bons juízes, quando se trata de julgar o outro. Não seria diferente com a principal autoridade política do município neste instante em que lida com tamanha dor ao enfrentar o desaparecimento do filho Cristiano. É dor que ninguém quer para si.

    Julgar o outro. A simples palavra em si remete à imagem que crio cada vez que lembro a passagem em que Jesus se depara com os “justos” que iriam apedrejar uma mulher adúltera. O exemplo é um tanto forte para o contexto, sei, no entanto, na mesma intensidade com que surgem frases de apoio ao homem Alcides e sua esposa Elenir Vicini, também fazem eco comentários ácidos sobre a vida pessoal do prefeito.

    Não estou abrindo defesa a Vicini. Sei quase nada a respeito dele, salvo o que é de domínio público. Uma vez estive no apartamento em que mora. Sempre me relacionei bem com o Sílvio e o Leonardo, com os quais tive boas prosas, ao passo que com Cristiano quase não falei. Chiados sobre a vida dos moços ouvi muitos. Verdade? Alguma coisa certamente sim, mas também é fato notório que a voz do povo aumenta outro tanto.

    Por que escrever isso? Porque nesta hora há milhares de juízes e advogados em suas casas, nas esquinas, em qualquer reunião, a falar sobre o “sumiço do filho do prefeito”. E a cada dia mais e mais histórias são contadas. Julgar os outros, é fácil, fácil.

    Dia Comercial da Mulher

    Nós, sociedade que importamos o modelo Estados Unidos de viver e nos comportarmos, nos tornamos especialistas em comércio. Esse tal Dia da Mulher (o de hoje) está um agrado aos comerciantes e talvez até cause algum constrangimento às feministas mais extremadas que iniciaram todo esse movimento há algumas décadas.

    O sentido real da data estava correto, estava no caminho de valorizar o espaço e a voz da mulher, era resposta às centenas de anos de dominação e condição completamente indigna ao que representam. O Dia da Mulher nasceu do olhar social e político, pela consciência coletiva, com legitimidade, tanto é que ainda hoje não foi estabelecido equilíbrio total entre homens e mulheres.

    Mas os magos da propaganda conseguiram deturpar a data. O movimento social pela igualdade foi transformado em movimento romântico, como o Dia das Mães, Dia dos Namorados, Dia das Crianças. As grandes marcas, o comércio em si, faturam cada vez mais em cima desta data. Nesse ritmo, logo, logo, o Dia da Mulher será apenas outro Dia da Vovó, Dia do Padeiro, etc.

    Será que os olhos da nossa geração verão nascer o dia em que os humanos olharão a face do outro sem distinguir qual o seu sexo, qual a sua nacionalidade, qual a cor da pele? Enquanto esse dia não nasce ainda precisamos bradar aos quatro ventos: parabéns mulheres que estão em nossos dias.

  • segunda-feira, 3 de março de 2014 11:10

    Xuxa não deve nada a Santa Rosa

    Antes de desistir do texto por antipatia à Xuxa, creia, a crônica não é sobre ela, especificamente. O tema é o turismo em si.

    Ou, melhor, nossa completa falta de tino com ele.

    Dia desses, disse a uma pessoa que Xuxa não deve nada a Santa Rosa. Houve debate acalorado. É sempre polêmico mexer nesse tacho. Mas a verdade é que a Rainha dos Baixinhos é. E pronto. Goste eu ou não, tem fama, e como tem. Quem precisa olhar para ela somos nós, coletivo, deste município que teve a sorte de ser a cidade onde ela nasceu e viveu parte de sua infância. A verdade é simples: ela não tem obrigação alguma em fortalecer o turismo daqui. Quem precisa correr atrás somos nós. E já perdemos uma década, pelo menos, entre discussões infrutíferas entre prós e contras.

    Vi, em pleno horário comercial, dois marmanjos pararem um carro de uma empresa, em frente ao pórtico. Ambos foram fotografados cheios de sorrisos. Certamente era para levar aos filhos e dizer: "estive na cidade onde nasceu a Xuxa". Outro dia, eu mal chegara à praia, quando identifiquei minha origem a um comerciante (50 anos ou mais) e ele saiu com essa mesma frase.

    E não é diferente com Taffarel. Eles não precisam gritar a plenos pulmões que são daqui. Nós precisamos construir alternativas, projetos, museus, roteiros de lugares, enfim, tudo que for possível, para "berrar ao mundo" que estes dois, entre outros, são daqui. Nós precisamos explorar estas marcas.

    Por que isso agora? Porque há décadas ouço falar em turismo e muito pouco se fez de efetivo. Temos muitas riquezas naturais e culturais a explorar, mas é preciso constância e projetos. E, as iniciativas devem nascer aqui. Ninguém virá de fora colocar esforço ou recursos onde nós devemos pôr.

    Sábado fizemos um roteiro pelo interior. Visitamos casarões, moinhos e cachoeiras em Santa Rosa, Senador Salgado Filho e Ubiretama, enchemos os olhos e a alma. Está tudo interligado, no caminho por onde vieram os colonos alemães, suecos, húngaros e outros. Ao findar o trajeto, cansado, sim, percebi que é impossível contar sobre este nosso município sem passar pelo caminho das raízes.

    Da Esquina Ipiranga (quase no costado do Rio Comandaí) onde está a casa comercial da família de Alfredo Leandro Carlson até o local onde era a moradia do pastor Lehenbauer há dezenas de histórias para contar. Muito ainda está em pé. Muito está por cair. Outro tanto já foi ao chão, em irreparável dano, como o "castelinho" da comunidade onde Lehenbauer morou.

    Então, quando afirmo que Xuxa não deve nada a Santa Rosa, quero fomentar a discussão sobre a responsabilidade coletiva em fazer turismo, em manter viva a memória e valorizar tudo que diga respeito a Santa Rosa.

    UMA IDEIA -

    as prefeituras deveriam criar projetos de subsídio, incentivo financeiro mesmo, para quem preservar imóveis antigos. Se dá bolsa isso e bolsa aquilo, então hora de pensar numa bolsa história.

  • sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014 17:17

    Quando sobram quartos

    Alguém soprou ao meu ouvido que as crônicas “Rescaldos” têm feito reiteradas críticas ao governo municipal, então, para não xingar a mãe de outra pessoa (algum míope), vou escrever sobre a minha...

    Não, a dona Cláudia não tem nada a ver com o governo. Até simpatiza com o prefeito, desde os tempos em que ele era meu professor, na universidade. Mãe é um coletivo, uma cópia de todas as boas mães, para as quais vai o texto.

    Fomos visitar uma tia em Porto Xavier no final de semana. Éramos dois casais e, mesmo assim, havia camas para todos. Fosse em minha casa, seria preciso “acomodar” o povo de qualquer jeito, afinal, camas só a nossa e a da Iça. Então, à hora do sono, enquanto pestanejava, punha-me a refletir sobre Argentino Luna e sua eterna “Mirá como são las cosas”.

    Minha sogra tem dois quartos “sobrando”, com cama de casal, sempre à espera de alguém. É a metade do número de seus filhos. Minha mãe tinha dois quartos extras; hoje mantém um. Então, ocorreu-e que elas são todas as mães, no aguardo de um filho que venha passar o final de semana, traga os netos e alguma alegria que complemente lembranças.

    Eu, meu irmão e meus três cunhados não temos camas a mais em casa. Falta espaço. Acho que quando sobram quartos adentramos no terceiro ciclo dos dias, com horas mais lerdas e vazios no mate. E, claro, “bons ouvidos”. Se não for paciência, é algum indício de surdez, porque jovens não sabem ouvir...

    Os mais jovens mal têm lugar para si. Os casais ampliam e ajustam onde é possível para abrigar seus sonhos. Mas, os avós sempre têm espaços a mais... no coração, nas lembranças, na geladeira cheia de bolos e guloseimas e nos quartos.

    Aos 40 anos...

    Quartos vazios pedem limpeza, atrapalham.

    Quartos vazios podem ser transformados em salas de trabalho.

    Quartos vazios não existem.

    Aos 60 anos...

    Quartos vazios têm colchas e lençóis cheirosos.

    Quartos vazios têm a vida das fotos e cartões de aniversário.

    Quartos vazios têm portas abertas.

    Então, dei-me conta: o que para nós é estorvo, para elas (as mães) é sempre espera.

    Enquanto isso...

    Esperamos o fim do turno único (fim mesmo)

    Fim do horário de verão.

    Que pare de faltar luz e água.

    Que os asfaltos novos permaneçam novos.

  • sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014 14:39

    É muita imbecilidade!

    Que não tem inteligência, tolo, idiota. Essa é a definição para imbecil encontrada no “amansa burro”. É a minha definição para dezenas de motoristas santa-rosenses (não a maioria, felizmente). Imbecilidade é mais que pressa, é mais que confiar no taco, é mais que andar acima dos limites permitidos. Imbecilidade é quando o motorista faz peripécias que só imbecis conseguem pensar. Se é que pensam!

    Estamos (radialistas) há semanas falando em acidentes, em exagero de mortes, em excesso de velocidade e bebida. Mas vai muito além. Se você reparar, não é rodovia ruim ou falta de sinalização que mata. É a imbecilidade. Mata é o imbecil que quer chegar antes, é o idiota que quer tirar vantagem, é a “anta” que pretender dar o jeitinho brasileiro onde não é possível.

    Exemplos de uma semana: na Rua João Dahne, sinal fechado e uma moto atravessa na diagonal, a centímetros do carro a quem estava aberta a via (imbecil); um carro voador ultrapassou uma automotriz sobre a ponte do Rio Santo Cristo, sem visão alguma de quem vinha da Linha Salto (idiota); uma Hilux entrou sem dar a mínima ao carrinho que estava contornando a rótula da Colombo (e dá-lhe buzina); um carro usou todo o acostamento para ultrapassar outro, pela direita, em Guia Lopes (suicida). Ou ainda, um esperto que furou toda a fila de carros no trevo de acesso, indo já na grama da valeta.

    Isso não é tirar vantagem. Isso não é por necessidade e pressa. Isso é imbecilidade. Eu queria que um dos motoristas autores destes “charques” que vi lesse essa coluna, para se sentir ofendido mesmo. Imbecis. Somente transplante de cérebro muda essa foto!

    Tem que mudar a lei, criminalizar a intenção, recolher o carro, meter no xilindró por uma semana, etc. Vejo a polícia muito empenhada em fazer blitz, em verificar documentação e extintores. Queria era ver os policiais de campana nas curvas perigosas, nos trevos, nas avenidas, e abordar esses imbecis. Multar o cidadão que está com algo vencido é fácil, ele não reage! Tem que mudar a concepção, sair da zona de conforto, pegar pesado com os imbecis que arriscam, não a vida deles, mas a minha e de milhares de outros que querem apenas chegar em casa ou no trabalho tranquilamente.

    UM: rótula da Quero-Quero é um risco ao motorista. Aqueles arbustos impedem completamente a visão.

    DOIS: certo está a Câmara em pegar no pé do órgão que responde pelos trevos. É tanto inço que vira mato.

    TRÊS: sinaleiras em alerta (piscando) em horário de pico é fogo!

    QUATRO: esses caminhões no centro deveriam ser proibidos.

    CINCO: só para lembrar que ao assumir o Vicini disse que trânsito seria sua bandeira principal.