• sexta-feira, 28 de junho de 2013 15:58

    A voz do povo na Câmara

    Não sei se entendi bem o todo do projeto apresentado pelo vereador Valdemar Fonseca nesta semana, propondo ao Legislativo espaço para a Tribuna Livre. Creio, no entanto, que vem ao encontro do que já se aplica em algumas cidades, como Três de Maio, onde cidadãos do povo, seguindo os trâmites legais, podem usar o microfone (antes das sessões ordinárias) para expor anseios da coletividade.

    No ano passado, um jovem suplente de vereador, André Eduardo da Rosa, à época do PDT, sugeriu algo semelhante na única vez que assumiu vaga do Legislativo. Embora aprovado, o pleito não foi levado adiante. Agora, como Fonseca é titular, imagino que a medida pode se concretizar, vindo a ser importante ferramenta às minorias e aos representantes das comunidades.

    Imagino que algum leitor questionará assim: "se os vereadores são nossos representantes legais na Câmara, por que se precisaria de uma tribuna livre?" Isso seria redundância, repetição. A resposta pode ser parecida a de certos sujeitos que em juízo recusam a defesa de um advogado experiente para fazerem eles mesmos suas considerações e argumentos. Eles confiam que se representarão com mais resultados. E, desconfiam da própria sombra.

    A verdade é que nem todos os cidadãos se sentem representados pelos "seus" representantes. Aliás, esse é um dos grandes motivos de termos tanta gente nas ruas nas últimas semanas. O povo cansou com aqueles que legislam em causa própria, fazendo leis para seus próprios intentos, sem qualquer consonância com aqueles que os elegeram. Vereadores, deputados e senadores agem como se os mandatos fossem deles, apenas deles, esquecendo que os levou lá.

    Eu mesmo posso dizer que tenho afinidade com alguns vereadores, mas, com certeza, vários deles não me representam devido suas ações no exercício do poder e na vida social. Sim, porque eu observo também o que se faz fora da Câmara. Não é de minha relevância se um vereador tem uma amante ou se gosta de uma cerveja, afinal, isso é sua vida pessoal. Mas alguns atos são de meu interesse sim, enquanto eleitor, mesmo quando não dizem respeito direto ao cargo que ocupam.

    O projeto do Fonseca é bem-vindo neste novo momento vivido pelo Brasil, em que os jovens voltaram a fazer política, mesmo que nem se deem conta que estejam militando nesse terreno. Um jovem que sai à rua com cartaz a exigir seus direitos, nossos direitos, é sim agente político, bem mais que muitos destes que têm filiação e cores ideológicas.

    A Tribuna Livre é a verdadeira democracia, é a chance de olhar no olho dos nossos "representantes" locais e dizer aquilo que queremos para nossas comunidades e entidades. Sei que os vereadores podem lutar pelos nossos direitos (aliás o verbo poder não serve aí. O correto é DEVEM), mas a defesa pessoal é igualmente ampla e completa. A comunidade ganhará um nobre espaço. E estão cheia de jovens querendo dizer o que pensam...

  • sexta-feira, 21 de junho de 2013 18:04

    As rachaduras da casa

    Você já fotografou a casa onde mora? Aposto que já fez aquela foto sem intenção alguma, que focaliza vários ângulos,

    como se fosse uma criança que brinca com o celular...

    Dia desses, a matear nos fundos de casa, fiz com a câmara digital algumas fotos daquela que é a parte mais feia de minha residência. Nem lembro o motivo que me levou a registrar as imagens. Algumas semanas depois, ampliadas no computador, as fotos me assustaram: na hora da verdade, tudo era muito mais feio do que aquilo que meu olho registrava.

    Caramba!, pensei: É mesmo a minha casa?

    Eu não sabia que a parte sem reboco era tão sem graça, que as madeiras jogadas no canto emprestavam ar de abandono, isso sem contar detalhes menores, como o galho da árvore, a telha torta, a calha fechada...

    Aí me dei conta que a gente pode enxergar tudo de um jeito lindo, bem organizado, com grama aparada, com flores nos vasos... É verdade. Acontece que olhamos somente para as coisas maiores.

    Mas, quando fazemos inúmeras fotos, de ângulos diferentes, nos damos conta que não é bem assim. A foto é fria, imperiosa, aponta falhas, capta rachaduras, denuncia.

    Pois, nesta semana, os governantes brasileiros fizeram as fotos da casa. Governantes, sim. Não foram protestos contra a Dilma ou contra o PT. É uma marcha bem mais ampla, porque está em todas as capitais e não aceita cores partidárias, antes, as repudia. E mais uma vez, quem tomou a frente foi a juventude, com seus gritos de BASTA!

    Até agora, na construção do Novo Brasil tudo era lindo, encantador, tudo estava em ordem, em progresso... Mentira. Muitas bocas travadas, muitas mãos amarradas com nobres cédulas gordas. Mas as fotografias das ruas mostraram que não é bem isso, que por trás da beleza estão rachaduras. A parede da frente, a porta de entrada - essa da Copa do Mundo - até está bonitinha. Mas, a parede dos fundos está sem reboco e desabando.

    A juventude foi às ruas para mostrar que quer mais que pão e circo, quer mais que oportunidades de trabalho e de estudos, quer mais que expectativa de ter uma casa mobiliada e carro financiado em 80 suaves prestações. Mostrou a cara pintada para dizer CHEGA de corrupção, chega de os políticos legislarem em causa própria. BASTA de obras superfaturadas, basta de mil conchavos em nome do "bem comum". Basta!

    Os governantes, todos eles, fizeram fotos novas da casa nesta semana. Fotos que precisam ser analisadas com devidas ampliações. E nestas fotos se deram conta que há enormes rachaduras na casa, que determinadas partes ameaçam desabar. A água infiltrou e se continuar chovendo, logo os quartos estarão tomados, e até mesmo os ratos que se escondem nas áreas elevadas e inacessíveis ficarão acossados.

    Viva o povo, ordeiro povo, cansado povo... As fotos mostram que nem tudo são flores.

  • quarta-feira, 19 de junho de 2013 21:04

    A panela de pressão

    Hoje veremos qual o tamanho da panela de pressão em Santa Rosa. Se o movimento convocado através das redes sociais levar algumas centenas de jovens à Praça da Bandeira, então dormiremos acreditando que há um novo Brasil em construção. Adormeceremos acreditando que os governantes darão ouvidos aos reais anseios da população, que não são megaobras para superfaturar alguns milhões, mas sim igualdade, verdade, honestidade, ética, justiça...

    Se meia dúzia de “gatos pingados” aparecerem na “Praça Que Não Tem Bandeira”, então se sepulta qualquer esperança de ver o raiar de um novo tempo. O que menos me interessa neste instante é avaliar as propostas, os motivos que movem quem está engajado à massa. Interessa é saber que poder esse grupo terá nas mãos a partir desta quinta-feira à noite.

    Sim, poder. Porque se mobilizarem milhares, podem fazer isso a qualquer hora, sempre que houver um pleito comum e justo.

    Para ser mais claro: duvido que os vereadores de Santa Rosa tivessem elevado os próprios salários para R$ 6 mil, com assinatura de documento no último dia anterior à eleição, no apagar das luzes, se houvesse essa mobilização que se desenha. Duvido que gastassem fortunas em diárias se a panela chiasse.

    Assim, como duvido que a Prefeitura tivesse enviado ontem à Câmara o projeto de lei que aumenta em 25% a gratuidade aos estudantes. Era promessa de campanha, sim, mas também está no Jornal Noroeste que o projeto seria remetido em março. Não foi... O “bafo” do movimento deu a pressa. Qualquer outra explicação é tapeação.

    Eu, que tantas vezes critiquei a apatia, que tantas vezes denunciei para o vento, eu aguardo para saber se há esperança...

     

    (Entrelinhas)

    Sindilojas orientou empresas a fecharem as portas após as 17 horas.

    Brigada terá efetivo de pelo menos 20 homens no centro da cidade.

    Empresa de transporte tem plano de emergência caso ocorram atos de vandalismo.

  • terça-feira, 18 de junho de 2013 10:28

    Os “baderneiros” vêm aí

    Está marcado para quinta-feira, às 17 horas, o protesto em Santa Rosa. O movimento segue a tendência nacional e promete levar mais de mil pessoas à Praça da Bandeira, no coração de nossa cidade... Vamos esperar para ver!

    Antes que me xinguem, os “baderneiros” é uma ironia àqueles que veem apenas o lado podre dos protestos. Concordo que há excessos, que há vandalismo. Queimar ônibus, depredar prédios públicos é ação de criminosos, não se justifica. Precisa punir quem parte para esse lado. Baderneiros, mesmo, são uma minoria. Esses não protestam, são criminosos.

    Mas não há mais como ignorar o apelo da massa, pois os “baderneiros” são milhares nas ruas das capitais.

    Enfim, os jovens - que tanto eram criticados pela apatia - saíram da internet para a vida real. Voltaram às ruas. O preço das passagens, o corte das árvores e tantos outros motivos são somente uma ponta do iceberg.

    A verdade é que o povo cansou. A verdade é que o povo está gritando contra os desmandos dos governos, independente de qual partido está no poder. O povo quer ser ouvido - mas não nesse estilo atual de “entra numa orelha e sai na outra”. O povo cansou de ver políticos, agentes públicos e empresários envolvidos em roubalheiras safarem-se na impunidade. O povo cansou desta história de que está tudo bem, que estamos no rumo certo...

    Se Brasília ficou longe, quase inacessível, o mundo ficou perto, afinal a Copa do Mundo está aí e os olhos da imprensa estão voltados para cá.

    Eu estava nas ruas em 92, quando universitário, de cara pintada, pedindo a queda do Collor. Eu estava fechando a entrada da Unijuí quando nossas mensalidades subiam de tal modo que não conseguíamos pagar. Eu estava na greve dos metalúrgicos que fechou a porta de várias empresas... Sempre tínhamos pautas, sempre tínhamos objetivos e nunca incitamos atos de violência.

    Curioso é que antes, em todos os movimentos, havia bandeiras vermelhas - de partidos e sindicatos. Depois, eles mataram a resistência, se associando a ela e oferecendo benesses. E se fez de conta que tudo estava bem. Hoje, a resistência volta a existir, sem cores, sem bandeiras ou com novas bandeiras...

    O movimento não está dizendo que não se fez nada nesse país nos últimos anos. O movimento está dizendo que se quer mais. Está dizendo um basta.

    Movimento sim, baderna não.