• sexta-feira, 11 de abril de 2014 08:02

    Governo, Gabiru e Gol

    Dia desses o São Paulo fez cinco gols em um jogo contra o “Timão” e ganhou por 3 x 2. É que dois gols foram contra, do mesmo jogador. Então, nem sempre anotar gols é coisa boa.
    Que tem isso a ver com o governo? Não sei, mas pensei nessa analogia durante a reunião do Conselho de Cultura, órgão que se posiciona frontalmente contra a fusão da Secretaria de Cultura com a Secretaria de Esportes. Frontalmente, sim, porque o presidente já foi para a Rádio dizer isso, com todos os argumentos.
    Estou endividado, é fato. Tenho que pagar de algum modo. E não será trabalhando menos que chegarei ao resultado. Sem ir ao tráfico e aos rolos, serei obrigado à jornada mais intensa. Contas domésticas... Simples assim. Vale o mesmo ao município. Vicini estuda, segundo consta, e se não consta, parece, encolher a máquina administrativa. Parece, pois o Borella tem duas secretarias, o Denir tem duas e a Leila duas ou mais. É gol contra.
    Com todo o respeito que merece, afinal é prefeito pela quarta vez, penso que encolher secretarias é um ato de populismo para fazer média e votos (o que o Vicini não precisa). Mas o governo está arranhado com as denúncias na Secretaria de Obras, riscou no aumento do IPTU e não consegue dizer convictamente “estamos avançando”. Então, precisa de atos enérgicos para mostrar que vai reverter o quadro: demite secretário, estuda fundir secretarias e enxugar gastos na Prefeitura. É a receita certa para cair nas graças do povo.
    Cá entre nós, enxugar não significa crescer, significa apequenar. Usando linguagem do futebol, é jogar para empatar e, quase sempre, quem faz isso perde. Não acrescenta nada recuar, antes, abre mão da possibilidade de criar bons projetos e conseguir novas receitas, como o ginásio de esportes para o parque de exposições. Ganhar o ginásio significa ganhar R$ 4 milhões do Governo Federal. Encolher cinco secretários e 10 diretores (no chutômetro), no período nos três anos que faltam para concluir o mandato, dá no mesmo valor. Uma conquista paga isso tudo.
    Entende-se os argumentos da Administração, cada vez mais engessadas pelas rubricas fixas, pelos Termos de Ajustamento de Conduta, pelas demandas da Justiça, pelos custos crescentes em Educação e Saúde. É nas prefeituras que tudo estoura. É compreensível, mas a saída não é cortar secretarias, a alternativa é colocar técnicos nos cargos (secretários e diretores) que possam consolidar projetos e buscar verbas onde há.
    A sensação que o governo nos passa é que está com menos de meio time e o resto é Gabiru, até pode marcar um gol, mas continua sombra de sombra.

  • quinta-feira, 3 de abril de 2014 20:49

    Liberar ou não a maconha?

    Se tocar no assunto, em crônica, já é difícil, dá para dimensionar o quão complicado é postular uma postura clara quanto a ser contra ou a favor do livre comércio da maconha.

    Abordamos o assunto no Noroeste Debate, no sábado passado. Eu, o Beto Kieling, o Rodrigo Colla e a Marli Rozek (que fez tese de mestrado relacionada ao tema). Com argumentos, com dados, fica bem mais complicado dizer rapidamente: sou contra!

    Inicialmente, sempre me posicionei contrário ao livre comércio de drogas, mesmo ciente que o governo fatura bilhões com impostos advindos de cigarros e bebidas, inclusive com propagandas em todas as grandes redes de TV aberta. No caso da bebida, se compra em qualquer esquina. E quem tem um familiar alcoólatra sabe o sofrimento que é lidar com a situação gerada.

    No que é diferente vender cachaça e maconha? Por que não proibir de vez a venda de bebidas com teor etílico elevado? Não custaria menos tirar as garrafas das prateleiras que impor a lei seca e arcar com os custos dos acidentes de trânsito e seus milhares de novos mutilados a cada ano? Isso sem contar na violência doméstica...

    São perguntas como essa que quase ninguém faz. E que quase ninguém responde nas entrevistas. A repressão não diminuiu a oferta de droga, porque ainda é possível conseguir em qualquer cidade, em qualquer bairro e nas praças do centro. Pelo contrário, a repressão aumentou a violência dos grupos rivais, com banhos de sangue em cidades maiores.

    Ouvir a diretora do presídio afirmar que 60% dos apenados que estão no presídio de Santa Rosa têm relação com o tráfico também choca a gente. Se somar a esse número os roubos e os furtos que têm relação com o consumo de drogas, teremos um percentual maior ainda. Ou seja, sem esse ilícito o presídio estaria com um quinto de sua lotação. Isso também tem custo, elevadíssimo por sinal. Isso sem contar que as prisões não recuperam ninguém.

    Mas dá para liberar maconha e não liberar outras drogas mais pesadas? Quem fumar maconha hoje, não será usuário de crack e cocaína amanhã? O tráfico vai desaparecer se houve comércio legalizado? O Estado está em condições de dar acompanhamento psicológico e social a todos que demandarem cuidados?

    Pois é isso, leitores. Não dá para expor todos os argumentos e questões em uma crônica, mas esse debate deve ser ampliado, e muito. O Brasil está atolado no problema e não pode mais protelar decisões. Temos que abrir cada vez mais espaço àqueles que debatem o assunto, com prós e contras.

    E eu? Nunca usei maconha e similares, sério. Então, pela distância do problema, preciso me informar muito ainda. Em dois anos poderemos olhar ao Uruguai e ver se funcionou a abertura...

    FIM: amanhã o debate (10h) é sobre maioridade penal, criminalidade juvenil e tais. Ouça e participe!

  • sexta-feira, 28 de março de 2014 20:31

    Bombeiros, bala e cães

    Ao longo da semana anotei alguns tópicos para uma crônica. Como não consegui descartar todos, tomei a liberdade de construir um mosaico um tanto diferente...

    Bombeiros

    Um assunto que rumoreja cá e lá é a necessidade de mais espaço ao quartel do Corpo de Bombeiros. Debatemos isso no sábado, na Rádio Noroeste. Sei que a secretaria do Carlos Nasi também aventou o tema em reunião há algumas semanas. Com todo o respeito a quem pensa que a área em frente ao Mercado Público seria ideal para sediar uma nova e boa estrutura para essa valorosa instituição, sou contra. Ali complicaria ainda mais o trânsito que já é complicadíssimo.

    Sempre pensei que o prolongamento da Avenida América poderia ser este local. Segundo relatou-me o comandante dos Bombeiros, o quartel de hoje está pequeno para as demandas atuais. No entanto, uma pessoa, usando o “Face” deu idéia melhor, de modo que vou partilhar: o novo quartel poderia ser construído no terreno onde está o ginásio Moroni. É amplo, dá acesso rápido para saídas da cidade, etc e tal. É de pensar seriamente no caso.

    Outro leitor, dia desses opiniou que o terreno do Moroni deveria ser reservado para o futuro, para um espaço de convivência da terceira idade, um local de encontro de pessoas, atividades diversas... Tudo menos vender...

     

    Bala

    Nada a ver com os Bombeiros (e vê se não abandona o texto!). Palestramos na escola municipal da Vila Jardim na sexta-feira. Show de bola. Em falas, lembrei de um episódio ocorrido quando minha filha era pequenina e caminhávamos ao largo da Avenida Expedicionário Weber. Ela lançou na calçada um simples papel de bala. Parei. Paramos. Avançamos somente depois de ela recolher o dito e colocá-lo no lixo. Simples assim. Não a vi fazer outra vez.

    Contei isso aos estudantes porque a palestra era sobre meio ambiente, que quase sempre é bem menos que meio. Aliás, deveria chamar-se “quase zero ambiente”. Formidável o relato de um professor, de exemplo da própria escola. Há um ano foram plantadas 17 árvores no pátio e na praça da Vila Jardim. Um ano! Hoje restam apenas quatro mudas.

    Isso somos nós...

    Cães

    Poucas frases impactaram-me tanto nos últimos dias como a que foi dita pelo pai de uma das vítimas do incêndio ocorrido na Boate Kiss: “Se fossem 242 cães, já teríamos alguém punido”.

    Alguém duvida?

    Face

    Dia desses, em email coletivo que também circulou no “Face”, para tentar fazer com que as pessoas se ativessem ao assunto em todo o seu teor, o autor escreveu logo no princípio: “ler até o final”. Valeu o esforço, mas foi preciso gritar para ser “lido\ouvido”.

    Boa net, mas pressa, pressa, pressa e umbigo!

    Essa crônica é tipo assim... nada a ver com nada, embora no fundo, tudo leve ao mesmo ponto: a tal consciência social.

  • sexta-feira, 21 de março de 2014 09:26

    Enfim, um brado de oposição

    A melhor oposição que vimos em Santa Rosa neste manda to do Vicini foi feita pelo engenheiro agrônomo Luis Pedro Trevisan quando denunciou a derrubada de árvores no perímetro urbano. Repercutiu tão forte que o secretário Amilcar Luconi, já meio claudicante, caiu. A outra postura mais frontal voltou a ser da OSCIP Cidade Interativa, renovada em membros e em disposição à queda de braço quando necessário.

    Tudo bem, mas politicamente?

    Oposição, aquela política, que contrapõem aliados e adversários, essa pouco se viu desde que Vicini assumiu. E não é por falta de espaço, como alguns querem fazer crer. Na Câmara e nos partidos políticos, poucos miados e quase nunca rosnados daqueles que impõem presença. Nem é questão de avaliar se a Administração faz ou não uma boa gestão, mas de chamar o debate que seja esclarecedor, que contribua.

    O que o Cláudio Schmidt fez esta semana, nos microfones da Rádio Noroeste, independente de seus motivos pessoais ou políticos, veio a chacoalhar o cenário. Houve um baita retruco do Douglas, e talvez nem pare por aí, já que ficaram muitas farpas no ar. Para quem gosta da política, prato cheio.

    Não foi o partido PMDB que veio à imprensa, mas um vereador. Mas poderia servir para o quadro como um todo analisar os resultados mais recentes e assumir uma postura que leve ao crescimento. O PMDB sempre foi a maior força que se opunha ao PP no município, ao contrário de muitos “Maria vai com as outras”. Quando Terra foi eleito prefeito (há 20 anos) o PT era um partido pequeno na cidade. Duas décadas depois o PT comandou a Prefeitura e hoje tem mais vereadores. O sinal de alerta deveria estar ligado...

    Mas como o PT daqui anda sestroso, sem muita vontade de comprar brigas mais expressivas com o atual governo. Deve ter suas razões. Na câmara, o PT se coça, pede explicações aqui e ali, mas não diz para que as quer. É tipo, juntar dados para comparar ou munição para guardar na trincheira.

    Diante desse quadro, é fácil deduzir que essa é a hora de o PMDB mostrar outra vez sua grandeza e aproveitar a deixa. Na última eleição para prefeito ficou longe, muito longe daquele partido forte que conhecemos. Ou aproveita agora (inclusive no fato de o PP não lançar candidato a deputado com base aqui) ou se tornará apenas uma força qualquer no cenário político daqui e do Estado. A história de lutas pede isso.

    Ou o PMDB volta a ser esta via forte e retumbante ou logo logo outro partido assume esta condição.