• sexta-feira, 19 de abril de 2013 13:26

    As meninas que engravidam cedo demais

    Uma vez, quando lecionava numa escola municipal, constatei

    que as meninas ingressavam cedo demais no mundo do
    sexo. Crianças brincando com a verdade.

    Ao conversar com Elenir Vicini, que coordenava um programa de gravidez na adolescência, fiquei ainda mais abismado quando ela contou que essas adolescentes, algumas delas verdadeiras crianças, queriam engravidar para sair de casa. Gravidez era uma esperança de ter sua própria miséria, só que não partilhada com uma prole de irmãos e pais.

    Há poucos dias, ative-me a olhar atenciosamente os dados da Fundação de Saúde sobre gravidez na adolescência em Santa Rosa. Comemorei silenciosamente uma boa notícia: o índice de casos diminui muito nos anos mais recentes. Xinguei, mentalmente, uma má notícia: ainda é nas vilas de menor poder aquisitivo que as jovens engravidam cedo demais.

    As ocorrências de gravidez entre jovens com menos de 20 anos, há apenas sete anos somavam 16%. Esse número agora está situado em 10,6%. Soltemos rojões, façamos festa! A condição social melhorou e com ela, as expectativas, os sonhos, e as jovens se dão conta que podem mais que amamentar outra criança. Mas também é verdade que surte efeito o trabalho educativo nas escolas, nos postos de saúde, nas famílias. Por outro lado, dói perceber que ainda é nas comunidades com menor poder aquisitivo que as jovens deixam de lado os estudos para cuidar de filhos e fraldas. Traduzindo, significa partilhar a pobreza, redistribuir o quase-nada. O distrito de saúde que apresentou o número mais elevado foi a Agrícola, com 18,9 %, ou seja, quase um em cada cinco partos foi de mãe com menos de 20 anos. Depois aparece a Auxiliadora (17,8 %), a Planalto (16,3%) e a Sete de Setembro. A leitura é simples: é justamente aí que devem ser concentrados todos os esforços para mudar mentes.

    Avançamos, como sociedade, sim, mas é possível ir além. Todo nosso esforço deve ser para ofertar mais livros, mais cultura, mais sonhos aos adolescentes, dar a eles oportunidades e janelas. É isso que muda a vida!

     

     

  • quarta-feira, 17 de abril de 2013 10:46

    A página que sumiu

    Muito se falou e escreveu nos últimos dias, entre os apaixonados pelo debate franco, a respeito da página 4 do Jornal Noroeste que não foi publicada na edição de sexta-feira, 12. A página que sumiu!

    Em tese, há quem pense que a página do Bem-te-vi, as colunas do Gilberto Kieling e deste autor, além do Observador, foi suprimida definitivamente. Nada disso! Ela volta nesta semana.

    Outros pensam que foi censurada, devido seu teor altamente crítico, como pode ser conferido no formato online que publicamos neste site no final de semana. Também não foi este o motivo!

    Outros argumentam que foi boicotada por forças invisíveis!!! Menos, gente, menos!

    Simplesmente não foi publicada por conta de um erro técnico, da gráfica, que recebeu duas páginas com o número 4: uma para o caderno e outra com o Bem-te-vi e colunas. Houve rodagem duplicada da página do caderno Casa, como percebe quem tem o exemplar impresso.

    Mas está tudo aqui, no site. Eu, o Beto e o Bem-te-vi, com toda a carga crítica que possuía.

    BOM MESMO é saber que as pessoas nos leem e sentem imediatamente a ausência. Isso vem para comprovar a força da NOROESTE na comunidade.

     

  • sexta-feira, 12 de abril de 2013 14:49

    Venda do Parcão e do Moroni vai esquentar

    O secretário municipal Carlos Nasi anunciou na semana passada que a Prefeitura estuda vender áreas do município para investir na construção de um grande ginásio de esportes e outros projetos. Teoricamente, nada demais.

    Teoricamente. Ocorre que Nasi citou duas áreas de valor sentimental e imobiliário que vão dar pano pra manga: Ginásio de Esportes João Batista Moroni e o trecho que pertencia à rede ferroviária e coube ao município no mesmo processo que abriu espaço para o surgimento do Parcão.

    Há muitas outras áreas, terrenos que são de propriedade do município, sem uso, que vão entrar nessa venda. Tuparendi também faz isso, ofertando lotes que pertenciam a escolas desativadas. Então, é um artifício legal, com possibilidade de arrecadar valores úteis em outras iniciativas. Tudo certo!

    Ocorre que a venda do terreno do Parcão e do "ginasião" tem tudo para se transformar em uma grande dor de cabeça ao prefeito. Nasi falou por Vicini, deu o indicativo da venda. O negócio é contestado dentro do próprio partido do prefeito Vicini, onde tem gente que não quer nem ouvir falar no assunto. Se em casa o tema é polêmico, o que dizer fora dela.

    Nesta sábado uma galera que gosta da ecologia promoverá uma manifestação na Travessa Teixeira Mendes, na frente do Parcão. Para localizar o leitor, a área em questão é onde tem a pista de bicicross e volta meia um circo ou parque infantil monta acampamento provisório. Espaço nobre, no coração da cidade. Nosso povo, já hoje, mas no futuro mais ainda, há de querer espaços para lazer, para curtir o bom que a vida oferece, e conta com este espaço.

    O secretário está contradizendo o prefeito, ou o próprio prefeito está se contradizendo. Vicini tem falado abertamente em defesa do projeto da Cidade Interativa de criar o tal "Caminho Verde" que iria do Centro até a entrada do Bairro Cruzeiro, utilizando o largo da ferrovia. Se o Parcão é o começo do Tape Porã, esse espaço é a sequência, indo para as bandas do quartel, Trevosul, Oliveira, etc.

    O vereador Valdemar Fonseca já baixou a lenha na Administração sobre este mesmo assunto na Rádio Noroeste. Argumentou com convicção contra a venda, contra o leilão, que tende a puxar o valor dos lotes para baixo, e o assunto deve ganhar o plenário da Câmara nas próximas sessões.

    Quanto vale uma área tão nobre, ou melhor, duas áreas tão nobres no centrão da cidade? Alguns/muitos milhões. A área da ferrovia vai até a Rua Duque de Caxias, numa extensão de 200 metros ou mais, por muitos de largura. Já o Ginásio Moroni, que realmente está um caco, é terreno de esquina, em área que se valorizou demais nos últimos anos com a instalação dos bancos e empreendimentos imobiliários.

    Um amigo, corretor imobiliário, fez uma avaliação "descompromissada" a meu pedido. Arriscou que a área do Moroni vale mais de R$ 2,5 milhões. Contou que a esquina da nova Caixa, no lado oposto da Praça da Independência, foi vendida há quase dois anos por R$ 1 milhão. E o terreno era muito, mas muito menor. Por outro lado, valeria R$ 6 milhões ou mais o terreno do Parcão, aquele canto entre a Avenida Expedicionário Weber e a Teixeira Mendes, com fundos para a Travessa Egon Kunde.

    É muita grana. Vai dar pano pra manga!

  • quinta-feira, 11 de abril de 2013 17:17

    Impróprio para estacionar

    Há muitos locais em Santa Rosa, especialmente próximo a esquinas, onde deveria ser proibido estacionar.

    Nosso trânsito já é um caos, por “ene” razões, e uma que contribui muito para tornar ainda mais lento o fluxo de veículos é a existência permissão para estacionar em locais que atrapalham. Cito três, somente para exemplificar: Parcão, parada de ônibus na Vencal e Escola Paul Harris.

    Perto da Vencal para mais de uma dezena de ônibus nos horários de pico. Eles precisam de espaço. E não é raro encontrar carro estacionado bem na saída deste brete (em local onde é permitido estacionar). Isso obriga os motoristas dos coletivos a manobrar para o meio da pista, de modo que se forma uma imensa fila para trás, sem fluxo. É uma esquina vital para fluir o trânsito.

    No Parcão é quase a mesma coisa. Quem vem de Nacional e quer dobrar para a rótula da Brigada, volta e meia sofre com veículos estacionados na esquina - na frente do parquinho, onde o espaço é mínimo. Pode? Pode, sim. Mas se tem um veículo maior na pista, aí tudo vira fila única, e congestionamento que vai de rótula a rótula.

    Uso ainda como exemplo a Escola Paul Harris porque passo lá todos os dias, embora em outros educandários a situação não é muito diferente. Ali a rua frontal à escola é estreita e nos horários de aula os dois lados da via estão tomados por carros estacionados (que ficam ali o dia todo), o que dificulta muito a passagem de veículos. Deveria ser liberado apenas um lado para estacionar, como fizeram com a Rua Francisco Timm, na Timbaúva.

    Certo está o motorista em utilizar estas áreas se estão disponíveis para este fim. Ainda mais em uma cidade que está cada vez mais cheia de carros e minguada em espaços... Quem deveria fazer uma revisão completa do quadro é a Prefeitura, através da Secretaria de Mobilidade Urbana.

    São pequenas atitudes que podem fazer muita diferença.