• sábado, 12 de outubro de 2013 15:10

    Nossas vergonhosas rodovias

    O Tarso não veio à abertura do Encontro Estadual de Hortigranjeiros e a brincadeira que rolava na net era “vem de carro, governador!”, um apelo para conhecer a realidade das rodovias que ligam municípios da região. Ele não veio, infelizmente.
    No final de semana fui a São Luiz Gonzaga, visitar parentes que residem perto de Laranja Azeda/São Lourenço. Lá tive a oportunidade de trafegar em uns 15 quilômetros por estradas de chão batido, fazendo, em média, 80 quilômetros por hora.
    Tchê, na boa, em muitos trechos no asfalto entre Santa Rosa e Entre-Ijuís não se consegue andar a esta velocidade. Em muitos lugares a rodovia estadual está em piores condições que as estradas de chão no interior de São Luiz Gonzaga. São tantos os buracos que eles (os buracos, claro), podem conversar entre si e fazer apostas sobre qual vai ser a próxima vítima.
    Tarso não veio de carro à região e perdeu uma ótima oportunidade de ver de perto porque os empresários se mobilizaram no início do ano em protesto pelo descaso. Quem é da política sempre dirá que o movimento foi político e que tudo se orquestrou para fins eleitorais. Quem é motorista, representante comercial ou dono de empresa que precisa fazer deslocamentos constantes sabe que a verdade é outra. Dói esse abandono do governo com que paga impostos.
    Pior é ver que são as rodovias estaduais que penam. Aí você passa de Entre-Ijuís, rumo a São Luiz Gonzaga e vê homens na pista, obras de recuperação. Vai a Três de Maio e a Santo Cristo e vê as melhorias feitas. Claro, são trechos do Governo Federal. Ah, sim, a União tem mais recursos que o Estado!!! Pode ser, mas está gravado e anotado no Noroeste o discurso de Tarso, há dois anos, aqui mesmo, prometendo solução para o problema das rodovias.
    Pior é contar isso a outra pessoa e ouvir que o trecho estadual de Roque Gonzales e São Paulo das Missões está pior que este de Entre-ijuís. Sinceramente, não consigo imaginar algo pior!
    Os deputados e os secretários de Estado podem se esforçar o quanto quiserem para justificar essa inércia, colocar a culpa em editais mal feitos, em empresas privadas e questões técnicas. Mas, ninguém ouve mais essa retórica.
    São desculpas demais. Entra governo e sai governo sem dar uma solução, sem fazer algo concreto. É por isso que os gaúchos não reelegem governadores há três décadas. Eles prometem e não cumprem, e o povo gaúcho não é bobo, aí responde com um “cai fora, governador”!
    E para não dizer que não falei das flores, o asfalto de muitas ruas de Santa Rosa não merece esse nome. E, tudo o que foi escrito acima, em maior ou menor escala, se aplica a este mesmo contexto.

  • quinta-feira, 10 de outubro de 2013 17:19

    Joner elogiado no ZH

    O músico Cláudio Coelho Joner, tão conhecido de todos nós, recebeu generosa crítica no Segundo Caderno, publicado pelo Jornal Zero Hora, edição de sábado, 5 de outubro. Em sua coluna “Paralelo 30”, o renomado crítico Juarez Fonseca, íntimo conhecedor do Musicanto - do qual já foi jurado - se reporta de forma especial ao CD Desordem, lançado neste ano com patrocínio do Fundo Municipal de Cultura.

    Em um trecho, escreve: “Agora, finalmente, ele (Joner) resolveu soltar a voz no áçbum Desordem - e acertou em cheio. Não é apenas um dos melhores trabalhos produzidos no RS este ano, como mostra que ele deveria ter cantado sempre, pois suas canções crescem com a própria voz...”

    E segue discorrendo sobre o trabalho de Cláudio Joner. Desordem, para os apreciadores da boa música, é sim uma produção diferenciada.

    Vale a pena conferir!

  • domingo, 6 de outubro de 2013 06:15

    O debate sobre eventos

    O Cláudio Coelho Joner voltou ao assunto ontem pela manhã ao postergar o Musicanto, já postergado pelo
    governo anterior. Citou a concorrência de outros eventos locais na busca por patrocinadores que sustentam os custos, porque, no final das contas, todos batem às mesmas portas.

    Durante o Festival de Cinema conversei com o Nando Keiber, produtor cultural. Queixou-se desse mesmo fato: LIC consegue-se, captar a grana quase nunca. Como criticar quem está na linha de frente é um tanto fácil, abstenho-me desse caminho. Quero entrar no debate do Coelho.

    Fenasoja, Hortigranjeiros, Musicanto, Festival de Cinema, Feira do Livro, Oktoberfest, ExpoCruzeiro, Indumóveis e inúmeros outros eventos concorrem entre si. Concorrem, sim! Embora diversos em seus objetivos, tem pelo menos duas questões em comum: público e fontes de financiamento.

    Eventos grandes são pesados para quem faz, mesmo quando o time é muito bom, principalmente porque muitas vezes os voluntários são os mesmos. Em geral, geram bons negócios e ampliam estruturas físicas. Ainda assim, Santa Rosa está estafada com tanta atividade!

    Penso que os eventos deveriam ser direcionados para plantar no coração das pessoas hábitos, conceitos e economia contínua nos setores mobilizados. Não digo que não façam, porque vejo a Oktoberfest promovendo viagens de intercâmbio, o Musicanto Vai à Escola encenando peças e a Festa das Etnias da Fenasoja.

    Mas ouso crer que os reflexos na comunidade poderiam ser maiores, mais duradouros, de modo a provocar interação constante. Tomo por exemplo, a Feira do Livro. Ela não precisa crescer muito, estender-se por uma semana, trazer 10 autores conhecidos, promover 30 seminários... O que precisa é de uma política contínua de fomento ao livro e ao hábito de leitura, situações que tornem o livro uma presença contínua na mão do santa-rosense, e isso leva tempo. Isso é bem melhor que termos uma estrutura de duas quadras durante duas semanas instalada no coração da cidade.

    O Encontro Estadual de Hortigranjeiros de hoje é quase uma Fenasoja (é comentário corrente), embora feita com 10% do investimento. Caminhou para a grandiosidade, para ser esta Feira, porém aos poucos se afasta do seu princípio básico, que é fomentar a pequena propriedade. E se voltasse a ser mais simples, menor, mais agricultura? Ela morreria? Sinceramente não sei a resposta, mas creio que não.

    A ExpoCruzeiro segue o mesmo passo, na pretensão de se tornar um evento de grande porte, quando talvez os cruzeirenses da gema queiram algo mais festivo, mais de reencontro, para valorizar gastronomia, famílias, lembranças.

    É fato que todos os eventos seguem como se fossem empresas, com crescimento anual e projeções ainda maiores para a próxima edição. Natural isso. Acontece que Santa Rosa continua com os mesmos 70 mil habitantes e a região com 220 mil. Acontece que não crescemos como economia na proporção dos eventos. Então, volta e meia nos deparamos com dificuldades para fechar as contas deste ou daquele evento. E, só estamos bem na foto porque essa comunidade pega junto mesmo!

    A hora é esta para repensarmos esse todo. Acho que tem espaço para todos e para outros eventos, sim, mas segmentados, de menores custos, como é a Mostra de Orquídeas.

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

  • sexta-feira, 27 de setembro de 2013 18:33

    A cultura e a grana

    Santa Rosa Mostra Cinema para abordar essa intrigante questão da cultura local: arte é passatempo!
    Vai bem o Festival de Cinema de Santa Rosa, que conseguiu atrair 103 filmes interessados na exibição, trouxe bons atores e um diretor com carreira vitoriosa. Ouço cá e lá que os curtas são ótimos, bem selecionados. É, igualmente, boa a presença de público, mas ainda bem abaixo do esperado.
    Investe-se muito para promover um evento desta envergadura, quase a metade do valor empregado anualmente para o Fundo de Cultura, de modo que os resultados já aparecem. O cinema, a exemplo da dança e da literatura, encontra-se em bom momento, com ótimas produções, com sequência, de modo que é de esperar que a comunidade abrace o Festival e dê a ele, no futuro, tratamento de carinho como dá ao Musicanto e à Feira do Livro.
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    No entanto, infelizmente, muitos ainda pensam cultura com a máquina de calcular na mão. E, estas são duas áreas que não se relacionam bem: cultura e dinheiro. Quando se fala em Centro Cultural (construção dos fundos e da Prefeitura velha) a maioria das pessoas ainda torce o nariz, inclusive uns tantos que são ligados às artes, sob o argumento que é grana demais investida (quando não dizem desperdiçada) em um prédio que melhor estaria se fosse mera memória.
    O Centro Cultural é apenas um dos exemplos. Quem administra o município lê números antes de fazer poesia. Normal, afinal fazemos isso também com as nossas contas diárias. Entre um livro e a fatura da luz, paga-se a conta, ora! Normal, até certo ponto, porque quem administra um município deve também pensar no futuro da coletividade. Eu sonho ter uma chácara; a cidade sonha com qualidade de vida, e esta, quem assegura é o administrador, de preferência pensando além daquilo que pensa a maioria.
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    O edital que rege o Fundo Municipal de Cultura deste ano não foi publicado ainda, por conta de um impasse. Há, de parte da Administração, em determinados setores, o entendimento que os produtos gerados com contrapartida do Fundo não podem ser comercializados. Ou seja, o escritor não deve vender o livro que recebeu recursos públicos, o cantor deve dar os CDs, o artista deve doar os quadros, etc.
    O Conselho de Cultura não pensa assim. Tem argumentação que embasa. Quem faz cultura pensa que, então, um evento com apoio da Lei Rouanet deveria ser de graça, totalmente. Os cinemas deveriam abrir as portas (sem custo) a espectadores que queiram ver os filmes nacionais que captam valores em grandes empresas... Isso sem mencionar feiras, festas, teatro...
    Essa não comercialização é quase que fomentar a mendicância cultural. Ora, se eu produzir um livro pelo Fundo, doando todos os exemplares, como irei bancar uma próxima obra? Voltando para a fila?
    Cito o livro, pois é minha ferramenta de lida. Quem viu “80 Imagens Poéticas” sabe que um material daquela qualidade, se fosse comercializar ao valor de mercado, deveria custar R$ 30,00. Vendo a R$ 10,00. Essa é a contrapartida que o artista dá, tornando sua arte acessível.
    A cultura não é matemática, mas o artista é um trabalhador que busca remuneração e lucro. Ele também tem conta de luz a pagar no final do mês.