• quarta-feira, 12 de junho de 2013 09:35

    “Sirvam nossas façanhas de modelo a toda Terra”

    Abro os sites dos principais veículos de comunicação do Estado e me deparo com manchetes de outro mundo: “Quadrilha fraudava emissão de carteiras de habilitação” e “Empresas desviaram R$ 12 milhões de obra pública”.

    Devem ser de outro mundo, sim.

    Releio. É mesmo aqui? É mesmo neste Rio Grande que se diz e se impõe superior? Onde foi parar a ética, a verdade, o orgulho de andar de cabeça erguida, mesmo que pobre? Essas são as façanhas que devem servir de modelo a toda Terra?

    Infelizmente, as manchetes não são de outro mundo! São, na verdade de outro tempo: a modernidade.

    Dia desses vi na TV, na abertura de um jogo, milhares de pessoas em coro cantarem nosso hino rio-grandense. Emocionado, disse à Dé: “Eu queria estar lá”. E queria mesmo! Esse amor, esse sentimento que nos contagia quando falamos nas coisas do Rio Grande, é o que nos diferencia. Ou diferenciava.

    No fim, bem no final de tudo, é a carne, é o homem com sua ganância, com sua esperteza, sempre pronto a tirar proveito das oportunidades, mesmo que ilícitas.

    É lamentável ver tantas manchetes negativas maculando nosso Estado.

    O lado bom é perceber que as forças policiais e judiciais estão no “pé” dessa turma!

  • sábado, 8 de junho de 2013 20:26

    O amargo preço do mate

    Mas, bah, que amargo! Amarguíssimo! Tu viste que loucura está

    o preço da erva-mate, vivente?

    Assim, certamente, começam dezenas de prosas nas últimas semanas, todas entabuladas sobre o preço da erva-mate. Está uma facada! Isso não é mais inflação, é super-mega-híper inflação, de quase 100% em poucos meses. De menos de cinco pilas, em média, subiu para nove pilas... Do jeito que vai, eu que não sou de guardar chimarrão na geladeira - como faz muita gente que conheço - já penso seriamente em mudar meus hábitos.

    Hoje, como paro menos em casa que noutros tempos, consumo menos erva-mate. Já teve um período que, solito, usava seis quilos por mês. No preço de hoje, fica difícil não azedar. Ou azeda o mate ou azeda o humor da gente.

    Desconfiei que tinha boi nesse pasto e sondei cá e lá em busca de uma resposta convincente para tanta disparada, para não dizer tanto disparate. E, deu na pinha! Não são os ervateiros, nem os mercados que estão se provalecendo com a gauchada. Eles "tão" é apertados. O estrago todo é a tal lei de livre oferta mesmo, capitalismo puro.

    E sabe o que me contaram, companheirada? Que o preço vai subir mais ainda, que as perspectivas não são animadoras. E só não está pior porque toda a cadeia ligada ao chimarrão perdeu um pouco.

    Livre oferta? Yes!

    Eu que não sou louco pelo tal refri do gás, aquele pretinho, agora azedei de vez com a fabricante. A tal marca mundial está investindo pesado no ramo de chás e refrigerantes à base de mate e entrou para valer na concorrência pelo produto in natura. E como tem muito "pila", pode pagar à vista, escolher as melhores lavouras, antecipar a compra... e inflacionar o mercado.

    Mas não é apenas esta marca que entrou pesado. Nos últimos anos muito se pesquisa a erva-mate crendo que nela há segredos para a longevidade dos gaúchos. Tem até japoneses de olho nas folhas verdinhas!!! Agora há refrigerantes, chás gelados, chás convencionais, cafés e produtos cosméticos feitos com uso da nossa nobre matéria-prima.

    Mais concorrentes, menos produto, mais preço. Quem ganha com isso é o produtor, que pode escolher para quem vender. E, no outro extremo da corda, quem paga a conta final somos nós, os mateadores. Sim, porque eu - como tantos viventes que conheço - nem imagina o que significa passar um dia inteiro sem chimarrão. Pago o preço e pronto! Mas dói no bolso.

    Um amigo, do ramo de erva-mate, com quem conversei, não me deu esperanças. Disse que para os próximos anos a situação não melhora. Um erval leva de oito a dez anos para produzir, de modo que são poucos os agricultores que investem no negócio. Também a falta de financiamentos governamentais para o setor só torna pior ainda o cenário.

    Pelo jeito, continuaremos com o mate bem amargo...

    Que fazer, gauchada? Boicotar a tal marca de refri? Boicotar os produtos que tiverem na fórmula itens de erva-mate? Não é uma má ideia, mas preciso de uma baita campanha nas redes sociais para atingir êxito... Vai que uma hora alguém lance um "feizebuk" ou algo parecido!

    Por enquanto, por mais que as indústrias do mate não gostem, creio que vão voltar velhos hábitos, tipo guardar a cuia na geladeira, usar a colherinha para reaproveitar a erva seca que sobrar no alto da cuia, e até fazer um reviro à lá castelhano.

  • sábado, 1 de junho de 2013 21:45

    É melhor ficar em casa

    São quase fábricas de multas as operações realizadas pelos aparatos policiais para coibir a violência no trânsito nas rodovias do Rio Grande do Sul em dias de feriadão.

    Transcrevo, do site do Governo do Estado, de ontem à tarde: "A Operação Viagem Segura de Corpus Christi registra, no primeiro dia de atuação, 1.991 infrações de trânsito, com a fiscalização de 22.187 veículos". Traduzindo, de forma bem objetiva, praticamente um em cada 10 veículos abordados foi caneteado, percentual que é elevadíssimo. Parece ordenado, matemático. Segue: "Também ocorreu o recolhimento de 27 veículos para depósito e a retenção de seis documentos de habilitação".

    Não estou colocando em dúvida a lisura de policiais que atuam na fiscalização, até mesmo porque confio nos homens da segurança pública. São íntegros. Mas a ordem que vem de cima é "rigor total". Isso é mandamento superior.

    Ainda penso que orientar, sem multar, teria valor educativo maior. Por outro lado, os dados contradizem este poeta. O relatório diz "... Os agentes de trânsito também aplicaram 309 testes de bafômetro e, desse total, 15 condutores se encontravam alcoolizados". Ou então: "O total de acidentes é de 259, com seis vítimas fatais e 109 feridos". Educar como, se culturalmente nossos motoristas seguem com comportamentos de homens das cavernas? Ah, e mulheres das cavernas também!

    Enfim, começamos o feriadão com números de uma guerra, tragédias seguidas no trânsito, que nos enchem de tristeza.

    Uma amiga, em email enviado na terça-feira, queixava-se que na Rua Santa Rosa, próximo a uma grande escola, foi buscar o filho na creche - escola infantil. Ficou horrorizada, porque outra mãe, com toda a pressa de quem vai fechar algum grande negócio nos cinco minutos seguintes, quase atropelou três crianças que atravessavam a faixa de segurança. Ou seja, a dita-cuja foi buscar sua cria e pouco se lixou para as crias dos outros, na completa ignorância e barbárie.

    Dias atrás, a diretora de uma escola foi interpelada por pais apavorados. O filho, uma criança, foi atingida - sem gravidade, graças a Deus - quando cruzava a faixa frontal ao colégio. Mais uma vez era uma senhora, com tanta pressa que sequer parou para pedir desculpas ou ver se machucara o estudante.

    Isso é a sociedade de agora, do agora!

    É isso, há imbecis demais em nossas ruas, com reis na barriga, cheios de toda a razão do mundo, que se veem como donos dos asfaltos. Imbecis, sim!

    Estive em Porto Alegre e São Leopoldo na semana passada. Voltei aturdido com uma constatação: nosso trânsito é muito, mas muito pior, que o deles. Lá as sinaleiras funcionam e as faixas são respeitadas. Há pressa, sim, mas há comprometimento coletivo. A impressão é que lá é menos perigoso que aqui. O motoristas que nos conduzia disse algo como "os motoristas se respeitam, dirigem ligados. Quando há acidentes, geralmente envolvem motos. Esses não têm jeito".

    Em Santa Rosa, todos, eu inclusive, quando o assunto é o elevado número de acidentes, sempre aponto o primeiro dedo para a falta de alternativas de escoamento do trânsito, porque nós temos somente a Expedicionário Weber. Ou apontamos para os muitos buracos para justificar os deslizes cometidos. Nada a ver. A culpa é mesmo dos motoristas, dos aproveitadores, dos estressados, daqueles malucos que não podem perder dois minutos. Preferem perder a vida ou, o que é mais grave, tirar a dos outros.

    Sou contra essa indústria que multa genericamente, afinal o brasileiro já trabalha demais para impostos e taxas. Mas também não vejo lá muitas alternativas para "meter" na cabeça dos motoristas que é preciso valorizar a vida, sua e dos demais.

  • sexta-feira, 24 de maio de 2013 17:42

    Para Taffarel e outros ídolos

    Hoje, quanto Pedro Ernesto Denardin estiver palestrando no Centro Cívico, talvez alguém levante o dedo e pergunte algo sobre Cláudio André Taffarel, sobre a Copa de 94. Mas, talvez, apenas talvez...

    É um tom irônico desta narrativa, porém, expressa a apatia com que este município trata personalidades que levaram além das fronteiras regionais o nome desta terra. Taffarel, Xuxa e Argel figuram nesta relação, como tantos outros. Todos santa-rosenses. Todos pouco reconhecidos aqui.

    Talvez seja um pouco de inveja, talvez seja esquecimento, talvez seja priorizar emergências, ou então, apenas uma forma de desperdiçar elementos que atrairiam turistas e renda.

    O santa-rosense sabe que existe a Rótula do Taffarel, mais por conta daquela magistral escultura do artista Jeferson Furtado. Sabe porque passa por ali todos os dias, afinal nenhum lugar é tão "coração da cidade" quanto aquele ponto. Mas, é como se a rótula e Taffarel apenas estivessem ali, quase deitados no sono do esquecimento. Taffarel merece mais.

    Certa feita, num daqueles momentos em que no Estádio Carlos Denardin era disputado o Campeonato Brasileiro Sub-20, quando dezenas de jogadores de categorias de base dos principais clubes do País e, da mesma forma, canais de televisão aqui aportavam, sugestionei que a Prefeitura tomasse para si a responsabilidade de criar um Museu do Esporte. O assunto jamais chegou a qualquer roda de discussão, ignorado.

    Pois, nesta semana, a vereadora Lires Zimmermann, de olho no fato de o Brasil sediar a próxima Copa do Mundo, a Copa das Confederações e a Olimpíada, apresentou na Câmara um projeto que bate na mesma tecla. Então, se existe um momento oportuno para que a criação de um Museu do Esporte evolua em Santa Rosa, o momento é este.

    Taffarel é muito maior e mais importante para Santa Rosa que uma rótula. É um dos principais goleiros da Seleção Brasileira em todos os tempos, campeão mundial, de trajetória vitoriosa. Merece ter sua história resgatada, com fotos e objetos que contam sua ligação com a cidade, com Cruzeiro, com Crissiumal e Tuparendi, com o Gega, etc e tal.

    Mas não apenas ele. Um Museu do Esporte poderia abranger tudo, ir lá aos tempos do Paladino e Aliança, antes até, rememorar Caieira e Penicilina, Nenê Zorzan e o glorioso Dínamo... Mas outros, mais recentes, ilustraram belas histórias, como Argel e Roberto Gaúcho, nascidos nas vilas de Santa Rosa e multivencedores em grandes clubes. Quem sabe, alargar-se-ia mais o olhar para abranger atletas nascidos na região, como Darci, Danrlei, Paulo Turra e tantos outros.

    Por que não pensar mais longe? Nos jogos da USES, no futebol de salão do Losca, nos esportes poucos citados, como vôlei e artes marciais.

    Gostei da sugestão da Lires, de construir um Museu do Esporte no Estádio Municipal, onde hoje há mais de 200 meninos nas escolinhas do Juventus. Imaginem que vitrine, que incentivo eles teriam ao ver fotos e objetos destes ídolos.

    Isso não é saudosismo, é pensar o futuro.