• sexta-feira, 22 de março de 2013 14:45

    A imagem não é tudo

    Vem aí a Copa das Confederações, e logo ali adiante, a Copa do Mundo de futebol. E neste caso, a imagem é tudo.

    Nada importa mais aos caciques deste país que mostrar ao planeta o quanto somos evoluídos, quão desenvolvidos nos tornamos. Mesmo que para conseguir isso tenhamos que varrer para debaixo do tapete, para bem longe das lentes mais argutas, toda a sujeira e esculhambação que nos ronda.

    Tudo é mídia, tudo é superficial, e um mergulho logo abaixo da linha mínima exige um pouco mais de oxigênio (no cérebro) e nem todos têm. Nessa grande mentira que se prega como verdade, o que conta é a imagem. Ela é tudo. Não é debalde que os norte-americanos que a palavra que alicerça o sucesso é marketing. O que conta é estar na foto, de preferência com a melhor roupa, mesmo que a roupa de baixo esteja em fiapos.

    O Brasil quer vender ao mundo a imagem de um País fabuloso, sem mazelas, no ápice do desenvolvimento. E estamos bem mesmo, comparados a épocas bem recentes. E se quiséssemos mesmo mostrar que estamos no caminho certo, que nos afirmamos como País, deveríamos nos fazer respeitar como tal. Não deveríamos nos curvar à vontade da FIFA para sediarmos aqui a Copa. Eles é que deveriam querer estar aqui porque somos grandes e não porque aqui é fácil fazer de tudo e mais um pouco.

    Há alguns meses a diretora do Instituto Da Paz me externava sua preocupação com a Lei da Copa. Não com a tal venda de bebidas alcoólicas nos estádios, que foi só o que se falou até agora. A Leila dizia-me que pensava em como seria difícil levar o ano letivo de 2014 diante da imposição da legislação específica que exige o cumprimento dos 200 dias de aula no ano, mas (detalhe) sem aulas durante o mês dos jogos. Isso mesmo! E não valeria somente para as cidades onde acontecem os jogos... é para todo o País.

    Por que isso? Para diminuir o movimento de trânsito, desafogar as ruas. Bela mágica do governo para encantar os turistas que vierem aos jogos. Ou seja, para fazer de conta que temos um trânsito bacana, fluindo bem, vamos tirar os estudantes (os carros dos pais) das ruas nos horários de pico. É assim mesmo que se resolve um grande problema, varrendo para debaixo do tapete!

    E depois que a Copa acabar? Aí que se lasque o povo brasileiro, que volte tudo ao caos de antes. É como se dissessem que nós, os que trabalhamos e pagamos os impostos não merecemos esse respeito.

    Mas a Leila não estava preocupada com isso. Estava questionando como bancar os custos dessa parada obrigatória que atingirá a todos os municípios. As escolas particulares têm professores e funcionários para pagar e não podem dar férias duas vezes. Terão de arcar com o custo. E os alunos terão aulas em outros dias alongados ou aos sábados, etc... E a escola pagará horas-extras. Custo, tudo custo. Quem banca o prego?

    Nesta semana o assunto veio à tona, pois o Estado também não sabe como se enquadrar ao calendário. Não dá para fazer mágica sempre.

    Tudo é uma questão de imagem. O governo quer vender lá fora uma imagem linda, de um Brasil fantástico. Avançamos, sim, e muito, mas estamos longe de ser essa “belezura” toda.

    Acho sim que vamos tem uma Copa mais pacífica, porque haverá acordos secretos entre os agentes do Estado e os líderes da bandidagem, para que não mostrem as garras no auge da festa.

    A prostituição infantil será encoberta, as cracolândias ficarão longe dos olhos e das lentes da grande imprensa, como já foi na semana passada quando não falaram de uma mortandade de 65 toneladas de peixes na lagoa Rodrigo de Freitas, no Rio, no exato momento em que ocorria uma prova de esporte aquático.

    A imagem que tem de ficar é essa: temos o Pelé, o Lula, a Dilma e mulheres lindas seminuas nas praias.

  • sexta-feira, 8 de março de 2013 16:26

    A mulher se lê pelo cabelo

    Um cronista é, antes de mais nada, um enxerido. É um observador que carregada uma lente multifocal e tem um chip com sensor voltado ao “fora do prumo”. Não fosse assim, seria mero reprodutor de conceitos, aquele mais-um na multidão. Daí que, volta e meia, vêm o cronista com aquelas tiradas estranhas, maluquices da hora.

    Guardei, faz dias, no bolso do cérebro, uma dessas pérolas cotidianas, para lançar à luz em momento oportuno. Eis a chance: o Dia da Mulher! Sim, tinha de ser num dia desses para abrir o zíper da minha teoria. É possível “ler” a mulher pelo seu cabelo!

    É claro que há outras formas de se ler uma pessoa, mas o cabelo é 10... Dê uma rápida olhada ao seu redor e verá que é verdade. O homem também pode ser lido pelo cabelo, mas a mulher é um universo mais complexo, uma fauna (no bom sentido) mais rica a ser explorada.

    Não sei quando comecei a reparar, mas acho que foi numa dessas manhãs em que a Dé “arrumou” os fios em 30 segundos e saiu disparada por a fora.

    Depois disso posso saber o humor dela, o compromisso dela, a pressa dela e até algumas coisas mais (dá até para saber se está pra chuva... é sério isso!).

    Eu creio nisso. Ando cá e lá com essa ideia na cabeça. A mulher de hoje, embora preserve o mesmo nome e a fisionomia, não será a mesma de amanhã. E, conforme estiver o seu penteado, assim estará seu interior, a sua vida como um todo.

    Há dias observo isso e penso que, nessa sociedade maluca, rápida e exigente, o cabelo diz mais que o rosto, mais que o olho, mais que as vestes. É uma estampa, é quase um outdoor a dizer: - aproxime-se, ou então um gritante, cai fora!

    Entro no ônibus, de manhã, rumo ao Jornal Noroeste, e leio alguns cabelos nos bancos à frente. Ao meio-dia, faço o mesmo exercício. Na rua, com freqüência, me flagro imaginando que história há por trás daquele penteado. Ah, e quase sempre é momentâneo, coisa que muda no dia, na semana, numa revolução tão rápida quanto a alma feminina.

    Dá para saber se a mulher é vaidosa, se ocupa função gerencial numa empresa, se saiu às pressas, se dormiu demais, se deixa toda a louça uma semana na pia, se está enamorada ou não têm olhos que a admiram.

    Saber, saber, na verdade não dá, porque as mulheres continuam indecifráveis. E quando a gente souber, elas mudarão. É próprio da espécie esse estar à frente do homem.

    (À minha namorada)

    Como podem numa só

    Serem belas e feras

    Alvos de nossos amores

    E nossas guerras?

    Como podem parecer frágeis

    Se são senhoras de nossas vidas

    Tão donas das nossas partidas

    E donas das nossas esperas?

  • quarta-feira, 6 de março de 2013 14:21

    Os temporais do Musicanto

    Há alguns dias, no Bem-te-vi, anunciávamos que havia um nome antigo do PP indignado com os rumos do Musicanto. Os rumores, traduzidos em verdade logo em seguida, indicavam o descontentamento de Aquiles Giovelli com a indicação da jornalista Nice Richter para presidir o festival deste ano. A rusga foi além, tendo o advogado retirado seu nome das fileiras partidárias nas quais militou a vida toda.

    Mas, passado este vendaval, quando tudo indicava a um encaminhamento, surgem nas ruas novas informações, desta vez sobre um desalinhamento entre o secretário de Cultura, Anderson Farias, e a presidente recém-empossada. Em geral, nestes falatórios sempre há um fundo de verdade... mesmo que apenas fundo.

    Averiguamos no final de semana, cientes que o episódio relatado a nós era verdadeiro. Na segunda-feira, em contato com Anderson, ele mesmo confessou que houve o atrito, que classificou como irrelevante.

    A esta altura já circulava nos bastidores a notícia que Nice renunciaria. Anderson mostrou-se surpreso, pois estava em Porto Alegre. O fato se confirmou ontem, e, o festival agora corre mais uma vez contra o tempo.

    De tudo isso, a certeza: o Musicanto sobreviverá. Ele é maior que as desavenças que o cercam desde a sua criação, isso há 30 anos.