• terça-feira, 18 de junho de 2013 10:28

    Os “baderneiros” vêm aí

    Está marcado para quinta-feira, às 17 horas, o protesto em Santa Rosa. O movimento segue a tendência nacional e promete levar mais de mil pessoas à Praça da Bandeira, no coração de nossa cidade... Vamos esperar para ver!

    Antes que me xinguem, os “baderneiros” é uma ironia àqueles que veem apenas o lado podre dos protestos. Concordo que há excessos, que há vandalismo. Queimar ônibus, depredar prédios públicos é ação de criminosos, não se justifica. Precisa punir quem parte para esse lado. Baderneiros, mesmo, são uma minoria. Esses não protestam, são criminosos.

    Mas não há mais como ignorar o apelo da massa, pois os “baderneiros” são milhares nas ruas das capitais.

    Enfim, os jovens - que tanto eram criticados pela apatia - saíram da internet para a vida real. Voltaram às ruas. O preço das passagens, o corte das árvores e tantos outros motivos são somente uma ponta do iceberg.

    A verdade é que o povo cansou. A verdade é que o povo está gritando contra os desmandos dos governos, independente de qual partido está no poder. O povo quer ser ouvido - mas não nesse estilo atual de “entra numa orelha e sai na outra”. O povo cansou de ver políticos, agentes públicos e empresários envolvidos em roubalheiras safarem-se na impunidade. O povo cansou desta história de que está tudo bem, que estamos no rumo certo...

    Se Brasília ficou longe, quase inacessível, o mundo ficou perto, afinal a Copa do Mundo está aí e os olhos da imprensa estão voltados para cá.

    Eu estava nas ruas em 92, quando universitário, de cara pintada, pedindo a queda do Collor. Eu estava fechando a entrada da Unijuí quando nossas mensalidades subiam de tal modo que não conseguíamos pagar. Eu estava na greve dos metalúrgicos que fechou a porta de várias empresas... Sempre tínhamos pautas, sempre tínhamos objetivos e nunca incitamos atos de violência.

    Curioso é que antes, em todos os movimentos, havia bandeiras vermelhas - de partidos e sindicatos. Depois, eles mataram a resistência, se associando a ela e oferecendo benesses. E se fez de conta que tudo estava bem. Hoje, a resistência volta a existir, sem cores, sem bandeiras ou com novas bandeiras...

    O movimento não está dizendo que não se fez nada nesse país nos últimos anos. O movimento está dizendo que se quer mais. Está dizendo um basta.

    Movimento sim, baderna não.

  • sexta-feira, 14 de junho de 2013 13:39

    Mercado Público e Camelódromo

    Na boa, mesmo, pouco frequento o Camelódromo. Mas vou três ou quatro vezes ao ano até lá em busca de algum artigo.

    Com menor ou maior assiduidade, quase todos os santa-rosenses fazem compras eventuais no "freeshop" da Praça 10 de Agosto. Mesmo quem não admite, vai em busca de algum CD, um brinquedo, algum presente de última hora, principalmente se for Páscoa, Natal ou Dia da Criança. E mais ainda quem tem 10 sobrinhos, afilhados ou crianças para contentar.

    Nunca contei quantos são os comerciantes que ocupam o espaço, tampouco sei que ligação têm entre si, se são concorrentes ou fazem compras coletivas. Sei que são rostos conhecidos, de longa data instalados nesse meio.

    Quero me atrever a partilhar uma opinião debatida com um amigo noutro dia, quando falávamos do Mercado Público e da atual ocupação que está em debate na Câmara, após interferência do Ministério Público. Em tese, a situação do Camelódromo não muda muito. É também um local público, cedido ao comércio, sujeito às mesmas regras.

    Mas não era isso pretendia abordar. O meu olhar é outro. Quero lançar uma ideia ao vento. Penso que Santa Rosa poderia aproveitar todo este debate que se instalou para avaliar a possibilidade de ampliar o Mercado Público, construir outro prédio, em moldes semelhantes a este, no mesmo terreno, aos fundos da atual estrutura. O Parcão é grande suficiente para comportar isso.

    Assim, o Mercado Público poderia ser um espaço ainda mais comunitário que o atual, mais abrangente, voltado também à economia solidária, ao artista, ao artesão, àquela pessoa que se atreve a produzir em pequena escala e nem sempre encontra alternativa de venda. Por exemplo, a mulher que faz chinelos com enfeites, ela poderia se habilitar ao espaço, mesmo que uma vez por semana. Ou então, o Clairto, como poeta das horas vagas, poderia ocupar um box para vender seus livros aos mesmos senhores que compram pastéis nos finais das tardes.

    Assim, haveria espaço para todos, com dois pavilhões, para os atuais expositores e eventuais interessados. Esse espaço nobre, já consolidado no coração dos santa-rosenses, passaria a ser um verdadeiro mercadão para essa multidão que visita a atual estrutura em cada dia de feira livre, mesmo que para comprar apenas uma perna de salame ou um litro de vinho colonial. Assim, seria ainda mais popular.

    O que tem isso a ver com o Camelódromo?

    Esse mesmo ambiente poderia comportar os pontos dos camelôs. Imagino que alguém há de pensar logo na distância, que ficariam cerceados da venda que hoje têm, que perderiam o pouco que já têm. Não creio. Até porque nos dias de feira - segunda, quarta e sexta - eles teriam muito mais clientela, compensariam o faturamento. E, nas datas especiais, o povo vai a eles naturalmente

    O Camelódromo atual está muito longe de ser um "point" da cidade. É feio, pequeno, como se tivesse sido "jogado" naquele local. A praça merece uma estrutura melhor. Os clientes merecem algo melhor. E os comerciantes que estão instalados também merecem mais. Ali é calor de matar. Frio de danar. Aperto, sufoco, aos clientes. Privacidade zero. Beleza arquitetônica zero menos alguma coisa. Sem contar que estão escondidos de tudo e de todos.

    Nunca é demais puxar um assunto assim, afinal a cidade cresce e pode se dar ao luxo de pensar o futuro, assim como o Eclair Moraginski fez em seu tempo.

  • quarta-feira, 12 de junho de 2013 09:35

    “Sirvam nossas façanhas de modelo a toda Terra”

    Abro os sites dos principais veículos de comunicação do Estado e me deparo com manchetes de outro mundo: “Quadrilha fraudava emissão de carteiras de habilitação” e “Empresas desviaram R$ 12 milhões de obra pública”.

    Devem ser de outro mundo, sim.

    Releio. É mesmo aqui? É mesmo neste Rio Grande que se diz e se impõe superior? Onde foi parar a ética, a verdade, o orgulho de andar de cabeça erguida, mesmo que pobre? Essas são as façanhas que devem servir de modelo a toda Terra?

    Infelizmente, as manchetes não são de outro mundo! São, na verdade de outro tempo: a modernidade.

    Dia desses vi na TV, na abertura de um jogo, milhares de pessoas em coro cantarem nosso hino rio-grandense. Emocionado, disse à Dé: “Eu queria estar lá”. E queria mesmo! Esse amor, esse sentimento que nos contagia quando falamos nas coisas do Rio Grande, é o que nos diferencia. Ou diferenciava.

    No fim, bem no final de tudo, é a carne, é o homem com sua ganância, com sua esperteza, sempre pronto a tirar proveito das oportunidades, mesmo que ilícitas.

    É lamentável ver tantas manchetes negativas maculando nosso Estado.

    O lado bom é perceber que as forças policiais e judiciais estão no “pé” dessa turma!

  • sábado, 8 de junho de 2013 20:26

    O amargo preço do mate

    Mas, bah, que amargo! Amarguíssimo! Tu viste que loucura está

    o preço da erva-mate, vivente?

    Assim, certamente, começam dezenas de prosas nas últimas semanas, todas entabuladas sobre o preço da erva-mate. Está uma facada! Isso não é mais inflação, é super-mega-híper inflação, de quase 100% em poucos meses. De menos de cinco pilas, em média, subiu para nove pilas... Do jeito que vai, eu que não sou de guardar chimarrão na geladeira - como faz muita gente que conheço - já penso seriamente em mudar meus hábitos.

    Hoje, como paro menos em casa que noutros tempos, consumo menos erva-mate. Já teve um período que, solito, usava seis quilos por mês. No preço de hoje, fica difícil não azedar. Ou azeda o mate ou azeda o humor da gente.

    Desconfiei que tinha boi nesse pasto e sondei cá e lá em busca de uma resposta convincente para tanta disparada, para não dizer tanto disparate. E, deu na pinha! Não são os ervateiros, nem os mercados que estão se provalecendo com a gauchada. Eles "tão" é apertados. O estrago todo é a tal lei de livre oferta mesmo, capitalismo puro.

    E sabe o que me contaram, companheirada? Que o preço vai subir mais ainda, que as perspectivas não são animadoras. E só não está pior porque toda a cadeia ligada ao chimarrão perdeu um pouco.

    Livre oferta? Yes!

    Eu que não sou louco pelo tal refri do gás, aquele pretinho, agora azedei de vez com a fabricante. A tal marca mundial está investindo pesado no ramo de chás e refrigerantes à base de mate e entrou para valer na concorrência pelo produto in natura. E como tem muito "pila", pode pagar à vista, escolher as melhores lavouras, antecipar a compra... e inflacionar o mercado.

    Mas não é apenas esta marca que entrou pesado. Nos últimos anos muito se pesquisa a erva-mate crendo que nela há segredos para a longevidade dos gaúchos. Tem até japoneses de olho nas folhas verdinhas!!! Agora há refrigerantes, chás gelados, chás convencionais, cafés e produtos cosméticos feitos com uso da nossa nobre matéria-prima.

    Mais concorrentes, menos produto, mais preço. Quem ganha com isso é o produtor, que pode escolher para quem vender. E, no outro extremo da corda, quem paga a conta final somos nós, os mateadores. Sim, porque eu - como tantos viventes que conheço - nem imagina o que significa passar um dia inteiro sem chimarrão. Pago o preço e pronto! Mas dói no bolso.

    Um amigo, do ramo de erva-mate, com quem conversei, não me deu esperanças. Disse que para os próximos anos a situação não melhora. Um erval leva de oito a dez anos para produzir, de modo que são poucos os agricultores que investem no negócio. Também a falta de financiamentos governamentais para o setor só torna pior ainda o cenário.

    Pelo jeito, continuaremos com o mate bem amargo...

    Que fazer, gauchada? Boicotar a tal marca de refri? Boicotar os produtos que tiverem na fórmula itens de erva-mate? Não é uma má ideia, mas preciso de uma baita campanha nas redes sociais para atingir êxito... Vai que uma hora alguém lance um "feizebuk" ou algo parecido!

    Por enquanto, por mais que as indústrias do mate não gostem, creio que vão voltar velhos hábitos, tipo guardar a cuia na geladeira, usar a colherinha para reaproveitar a erva seca que sobrar no alto da cuia, e até fazer um reviro à lá castelhano.