• sábado, 31 de agosto de 2013 16:36

    Vamos pra rua, gurizada!

     

    Não pense a juventude que os empresários, que os idosos, que os trabalhadores, que a massa toda irá à rua propor um país digno. É sempre a "galera" que dá o primeiro passo.

    A juventude tem mais tempo, mas também tem mais sonhos. Quer mudar. Acredita que dá para brigar por algo maior que o pão na mesa!

    Esse pedido de agora (vamos pra rua, gurizada!) é para que não adormeça no coração dos jovens aquele grito que ouvimos nas ruas há poucas semanas e que sacudiu o Brasil. Esse meu texto é antes um clamor para que mantenham a união das redes sociais e façam ecoar os ecos quando a verdade destoa e agride quem ainda sabe qual o sentido da palavra ética.

    Quando um projeto ofende a sensibilidade comum, quero ver na rua a meninada, suas bandeiras, seus cartazes, sua ousadia. O jovem tem a mágica de ignorar o medo, a intrepidez, o não silenciar, sem contar o vigor para peleias. Sinceramente, eu esperava mais gente na Câmara de Vereadores na sexta-feira para defender aquela área que a Prefeitura quis doar à Receita Federal. Eu esperava mais porque faz pouco tempo eram milhares de estudantes marchando no centro desta cidade que tanto amamos, querendo um novo Brasil, um Brasil que os ouça.

    Então, aquele grito não pode ter sido em vão. Aquele "bafo" na nuca dos governantes de todo o Brasil não pode ter sido apenas um "ai, ai".

    Escrevo isso porque não podemos fechar os olhos ao que se faz nesta imensa gleba de terras chamada Brasil. Sei que daqui não sairá marcha para Brasília, mas sei que as redes podem pôr fogo nesta palha e outra vez levar o calor dos gritos até a capital federal, até aquele reduto que chamam Parlamento. O que eles, os deputados, fizeram nesta semana foi um acinte, foi uma ofensa ao brasileiro honesto, a todos os jovens que há poucos dias cercaram o mesmo prédio.

    Voto secreto para não cassar o deputado federal Natan Donadon, já condenado pela Justiça e preso por roubar recursos públicos? Voto secreto e uma quantidade sem fim de ausências parlamentares, de nobres companheiros que deveriam estar lá em nome do povo para tirar de lá o pilantra. Dos 31 deputados gaúchos, 14 não compareceram, como contou a Rádio Gaúcha. Quase a metade, inclusive o Bohn Gass, o Perondi, o Beto Albuquerque e outros tantos. Eles justificaram com outras agendas, outros compromissos. Ok, em parte se entende. Mas eles deveriam estar lá e votar pela cassação.

    "Vergonha, vergonha" gritavam alguns deputados após a votação. Bem mais que isso! Eu diria compactuaram com a ladroagem, como se o corporativismo fosse necessário para futuras votações. Se o deputado estava condenado pelo judiciário, como vai ser isentado pelos colegas? Isso é conluio, e só faz isso que está no mesmo saco.

    Pra rua, gurizada! Pras redes sociais, isso não pode ficar assim.

    E lembrem, em 2014 tem eleições para deputado outra vez.

    OPS!

    Caramba, quanto buraco na Avenida Expedicionário Weber no início desta semana. Entende-se que teve a chuva... mas de herança em herança, quem fica pobre é o motorista obrigado a arcar com os custos dos pneus, amortecedores e acessórios dos veículos.

    OPS!

    Foi quente a audiência pública que debateu a doação da área para a Receita Federal. Chegou a ficar tenso em alguns momentos. Santa Rosa é grande, muito maior que esse terreno. Áreas não faltarão, se a Receita realmente quiser instalar uma estrutura de porte.

  • sexta-feira, 23 de agosto de 2013 11:02

    Áreas que deveriam ficar aos nossos netos

    A cidade expande rapidamente seus tentáculos para todos os lados, como se de uma hora a outra metade da população

    tivesse resolvido construir casas ou apartamentos. Vilas novas surgem a cada dia. Obras, obras e mais obras. E com elas avanços que desconfiguram aquela Santa Rosa que conhecemos há décadas.

    Mas algumas áreas urbanas deveriam permanecer como legados aos nossos filhos e netos, não como pontos intocáveis na cidade que amamos, mas como espaços voltados especificamente ao lazer. Não é posicionamento contrário ao capital que financia os investimentos privados e obtém lucro com os imóveis, é, antes, um olhar de quem sabe que envelhecerá e pretende desfrutar de um pouco mais que concreto e asfalto nesta cidade.

    Não faço referência ao Parcão, que volta novamente ao cenário das discussões, embora já tenha dito que sou contra a venda do terreno (ou doação). É uma discussão bem mais ampla, que envolve outros espaços privados e públicos, um debate que ninguém quer fazer e registrar em ata, da mesma forma como ocorre com as construções antigas que deveriam ser preservadas e, por enquanto, seguem em demolições rápidas.

    Sempre que falamos em lazer, em espaços urbanos que devemos legar às gerações futuras, falamos no Parcão e na sua extensão, que inicia na Rua do Quartel (Duque de Caxias) e vai até a entrada da Vila Jardim. Esses que hoje se opõem à ocupação do terreno da ferrovia para fins de um projeto de reflorestamento, ciclovia, quiosques, academias e tais, verdadeiramente não amam Santa Rosa.

    Quero me atrever a pensar mais longe, a chamar atenção a outros espaços que desaparecerão no avanço das vilas se não houver uma discussão coletiva e bom senso do poder público e dos empresários em torno da exploração comercial dos lotes. A área do chinês, ao lado da Botolli, até a entrada da Fellice, na Vila Santos, onde nasce a Sanga do Inácio, é uma delas. Esse espaço nobre mereceria trilhas para caminhadas, uma praça esportiva, um complexo de lazer.

    Assim como este espaço, há muitos outros, com muito verde, banhados, árvores nativas, onde nossos filhos e netos poderiam desfrutar de contato com a natureza, conhecer árvores e pássaros pelos nomes. É o caso do matinho entre as vilas Jardim e Oliveira (onde nasce um veio do Pessegueirinho), a cascatinha da Sulina, o mato atrás do SESC, a pequena floresta da Vila Glória, as nascentes do lajeado Figueira/Bomba, o entorno da Sanga do Inácio na Vila Kerber, aquele pulmão verde no centro, atrás do Hospital Dom Bosco... e tantos outros.

    Chega de radicalismos, mas também chega de especulação que tudo engole. Deixar áreas assim fechadas, isoladas, sem qualquer possibilidade de convivência entre o homem e a natureza também é bobagem. Só faz sentido manter áreas como estas se a comunidade puder desfrutar delas, caminhar em meio ao arvoredo...

    OBS: sem nomes, sem estampas, a mais profunda estima a cada um que contribuiu para que a Feira do Livro obtivesse tal êxito. E, obrigado pelo carinho.

  • sexta-feira, 16 de agosto de 2013 17:10

    Eu, os leitores e a Feira

    Não costumo escrever a meu respeito, até porque o que interessa ao leitor é a comunidade e as questões que a permeiam. Mas, com a Feira do Livro em curso, mergulhado nela, não me ocorre outro pensamento além deste: escrever sobre a relação com você, com quem lê semanalmente a crônica.

    Se estou patrono da Feira, muito devo ao Dr. Sérgio (como a gente o chama), pois é o Jornal Noroeste (e rádios e site) que permite a exposição das ideias. E o "patrão" é uma figura extraordinária. Foi aqui que durante um período publiquei poesias, mais tarde reunidas em livro. Depois vieram textos assinados, depois esses Rescaldos. São quase 18 anos nesta casa, nesta família brilhante, neste convívio com uma equipe que é fantástica. Que aprendizado!

    Confesso que esperava ser, um dia, patrono da Feira do Livro de Santa Rosa. Sou, antes de qualquer outra coisa, escritor. Estou no sexto livro próprio, mais umas quatro dezenas de participações em coletâneas. Sou jornalista, professor, palestrante, editor de livros... mas a alma, lá naquela frincha onde só a gente conhece, lá ela é escritora.

    A foto no jornal não me alimenta. Embora tímido, interiorano que sou, gosto quanto leitores, especialmente desconhecidos, me identificam, puxam prosa, trocam ideias. Isso conta, porque é o pagamento real. E, volta e meia, principalmente através dos e-mails, alguns "pegam pesado" porque discordam do ponto de vista apresentado. Faz parte do processo. Se os leitores todos concordassem com as ideias, então teríamos uma comunidade que não pensa, e isso sim entristeceria o escritor. Feliz da sociedade que é plural, que se permite ser plural.

    Então, até sábado, quero partilhar com os leitores essa experiência única que é estar patrono da Feira do Livro. Embora com todo o agito de ser expositor (Café Pequeno), dos lançamentos de livros e das atividades do próprio evento, quero aproveitar cada instante com aqueles que semanalmente leem os Rescaldos. Espero que venham, que partilhem, que se aproximem na troca de experiências. Não há sentido em escrever para gavetas...

    Para um menino criado na Linha Giruazinho, que aprendeu falar em português aos seis anos, que fez faculdade em tempos difíceis, ser patrono tem um significado único. A mente vai da mãe ao "liquinho" a gás com o qual estudava, lembra os professores, do Romeu Clauss ao Vicini, pelo quanto contribuíram no aprendizado... Vida, muita vida e experiências. E a bagagem adquirida está na literatura, está no livro com a Dé, no Mapa Hídrico e Poético, no Zito, no livro coração (assim o pessoal da Coli o apelidou).

    Então, fechando o texto, obrigado ao Vilson da Coli, às empresas que apoiaram o Mapa, a cada um dos amigos e leitores que partilhou vivências e opiniões. Obrigado equipe, povo da Noroeste, povo da ASES, turma da Feira, amigos pessoais, Dé, Iça, etc e etc e etc....

    E, na próxima semana volto aos temas sociais, ao governo de Santa Rosa, aos pitacos nacionais - quando relevantes, àquilo que merece uma reflexão. Valeu, por tudo!

  • sábado, 10 de agosto de 2013 00:27

    É melhor ser pai aos 40!

    A semana pede que eu escreva uma coluna sobre os 82 anos de Santa Rosa - poderia inclusive falar do meu livro

    80 Imagens Poéticas - mas, ao mesmo tempo, não posso deixar de pensar que domingo é Dia dos Pais...

    Então, deixando de lado o flerte que o comércio impõe à data, perguntava-me: "é melhor ser pai em que idade?" Imagino que seja uma resposta muito pessoal, com variantes diversas. Eu, no entanto, creio que a paternidade tardia tem maravilhosas vantagens. A começar pela relação com o próprio tempo.

    Os netos curtem mais os avós que os próprios filhos curtiram, isso porque os avós estão disponíveis, dispostos a brincar, a dar atenção. Os pais, por sua vez, envolvidos com trabalho, estudos e problemas cotidianos, muitas vezes não conseguem atentar tanto quanto gostariam aos pequenos. Os avós, especialmente os aposentados, fazem a festa da criançada... além do mais, xingam-repreendem bem menos.

    Mas tem outro aspecto dos avós que os pais não percebem: pessoas com mais idade dão menor importância ao que os outros vão pensar! Sério! Hoje, ingressando nos 40 anos, meus grilos se foram, tô me lixando se precisar usar cor-de-rosa, se vou brincar com as bonecas, se a filhota vai querer trocar de "bici" e me deixar com aquela que tem a cestinha. Quando era mais guri eu iria torcer o nariz e tascar um "sai fora"!

    Sou menos "quadrado" hoje, moldado que fui com a Thaíssa - a filha única, por enquanto. Dia desses, na escola em que ela estuda, umas coleguinhas se aproximaram, me rodearam com prosa, até que uma delas se saiu com a seguinte pérola: "Tio, é verdade que o senhor brinca de boneca?" Vergonha do quê? Brinco sim, fazemos castelos e vivemos altas histórias. É o óbvio, porque se a filhota fosse piá, claro que jogaria bola, pescaria, etc.

    Numa tarde, em meio a uma brincadeira no quarto-cama e tais, a mocinha saiu com um enredo bem original. Gostei, dei corda, para ver onde ia dar. No fim das contas, anotei tudo num bloco e hoje tenho um livro que escrevi com o que juntos criamos. Ano que vem tiro da gaveta, se der nos pilas.

    Além disso, os avós são mais pacientes, sabem pegar as prosas na outra esquina... Hoje me falta vigor físico de outrora, aquela disposição para subir em árvore e correr duas horas a fio. Mas amadureci muito, aprendi a ser avô na minha essência, com menos pressa para semear e colher, com a cabeça mais aberta e a alma mais criança.

    Então, enquanto eu rabiscava essa crônica, eu pensava que deveria escrever uma coluna sobre o aniversário de Santa Rosa. Mas, assim, de repente, me ocorreu que a cidade onde vivo há 25 anos é como um homem amadurecendo, se tornando melhor, mais consciente, acolhedora, justa e plena. É sinal que está no rumo certo! Também quero chegar aos 82 anos, com mais dois ou três filhos, se Deus nos der, e encarando a vida de braços abertos. E quando vier o restante do piazedo, terei mais algumas histórias para contar.