• sexta-feira, 5 de julho de 2013 14:44

    Dá-lhe Procon neles!

    A insatisfação das pessoas finalmente deixou a geladeira, ganhou força de apelo popular e apresenta resultados. Calma!

    Não vou escrever sobre os protestos, mas sobre outro tipo de "grito" dado pelos santa-rosenses nos últimos meses: "Dá-lhe Procon neles"! O consumidor resolveu gritar que possui direitos e quer vê-los respeitados, quer usufruir aquilo que tem pago. Há muitos segmentos que se provalecem com a ignorância do povo para elevar suas margens de lucros. Uso o termo ignorância não como sinônimo de "burrice", mas como desconhecimento acerca das leis e dos seus direitos.

    Moro em uma baixada, na Vila Oliveira. Ali, serviços de internet sempre foram complicados, por conta da localização, dificuldade para obter sinal. Na mais recente investida, optei pelo modem 3G. Pagava 50 pilas por uma net doméstica, básica. Lerda, lerda... Aumentei para 80 pilas, mais potencial e lerda, lerda... Concluí que melhor não ter uma em casa, afinal, baixar um vídeo ou uma música é coisa quase impossível. Ou seja, apenas desisti, cansei.

    Nesta semana falei com vários amigos, todos que enfrentaram situações semelhantes. Se depender disso para prestar serviços, então, já perdeu o negócio por conta da lentidão. Tanto é grave o problema que durante a Copa das Confederações, as principais queixas dos jornalistas e das seleções não eram os atrapalhos causados pelos protestos nas ruas: eram com a qualidade de alguns serviços.

    E se for cancelar, então, está lascado. É um parto!

    Guardei entre meus rascunhos um texto enviado pela Prefeitura, com os dados de atendimentos prestados no Procon de Santa Rosa. O número de pessoas que buscou o órgão de defesa do consumidor duplicou nos meses iniciais do ano. Em janeiro de 2012 foram 74, contra 157 neste ano. A proporção se repetiu nos meses seguintes. Em quatro meses mais de 740 pessoas procuraram orientações sobre como reclamar seus direitos. São cidadãos cansados de engodo, engano, explicações e mais explicações.

    Claro, a Prefeitura fez algumas adequações que contribuíram para o bom funcionamento do expediente, mas basicamente aumento a procura porque mudou a cultura do povo.

    Quem lidera a lista das reclamações? Quem? A nota explicativa do Procon diz, textualmente: "A telefonia bate o recorde de reclamações, principalmente, os planos que são ofertados e não são cumpridos, onde o consumidor tem dificuldade de cancelar e, também, o não funcionamento de internet 3G". Bingo!!!

    A matéria vai bem mais longe, prossegue a fazer um alerta aos consumidores que estão pagando por um serviço que não funciona, no caso da internet. "A multa só pode ser cobrada em caso de cancelamento sem motivo aparente, apenas por não desejar mais o serviço e não ter cumprido o tempo de contrato. Mas se o serviço não funciona, esta multa não pode ser cobrada".

    Que bom que este povo acordou. Que bom que as redes sociais finalmente estão funcionando. Que bom que a pimenta começou a arder naqueles que se faziam de cegos enquanto manipulavam as massas.

    Sugiro que os jovens e manifestantes incluam em suas listas de reivindicações futuras melhores e mais baratos serviços, principalmente de empresas internacionais, habituadas a explorar apenas a parte boa do bolo.

  • quinta-feira, 4 de julho de 2013 19:28

    Um ginásio no Parque

    O setor de Planejamento da Prefeitura já anunciou que o ginásio esportivo de grande porte do município deve ser construído no Parque de Exposições, com acesso pela rodovia, próximo da área dos CTGs. É uma boa. O local é amplo, tem área compatível, para uso público.

    No ano passado a imprensa levantou-se contra a doação de áreas no mesmo parque para duas entidades. No final dos debates, Orlando Desconsi, na condição de prefeito, recuou e engavetou o pedido. O Cofron já recebeu imóvel, no centro. Já a OAB não se manifestou mais.

    Ocorre que agora é uma situação bastante diferente. O ginásio vai receber/abrigar competições esportivas, shows e outros eventos de grande público. É para o povo como um todo, não para alguns.

    Hoje Santa Rosa está carente de um centro de convenções, um local com capacidade para receber três ou cinco mil pessoas. O Centro Cívico está sobrecarregado e já se tornou pequeno, logo ele, que era qualificado como “elefante branco” por ser gigantesco.

    Ah, e com o ginásio prometido para o Parque de Exposições, quem sabe esteja sepultada a ideia de vender o terreno público de esquina entre a Teixeira Mendes e a Expedicionário Weber.

  • sexta-feira, 28 de junho de 2013 15:58

    A voz do povo na Câmara

    Não sei se entendi bem o todo do projeto apresentado pelo vereador Valdemar Fonseca nesta semana, propondo ao Legislativo espaço para a Tribuna Livre. Creio, no entanto, que vem ao encontro do que já se aplica em algumas cidades, como Três de Maio, onde cidadãos do povo, seguindo os trâmites legais, podem usar o microfone (antes das sessões ordinárias) para expor anseios da coletividade.

    No ano passado, um jovem suplente de vereador, André Eduardo da Rosa, à época do PDT, sugeriu algo semelhante na única vez que assumiu vaga do Legislativo. Embora aprovado, o pleito não foi levado adiante. Agora, como Fonseca é titular, imagino que a medida pode se concretizar, vindo a ser importante ferramenta às minorias e aos representantes das comunidades.

    Imagino que algum leitor questionará assim: "se os vereadores são nossos representantes legais na Câmara, por que se precisaria de uma tribuna livre?" Isso seria redundância, repetição. A resposta pode ser parecida a de certos sujeitos que em juízo recusam a defesa de um advogado experiente para fazerem eles mesmos suas considerações e argumentos. Eles confiam que se representarão com mais resultados. E, desconfiam da própria sombra.

    A verdade é que nem todos os cidadãos se sentem representados pelos "seus" representantes. Aliás, esse é um dos grandes motivos de termos tanta gente nas ruas nas últimas semanas. O povo cansou com aqueles que legislam em causa própria, fazendo leis para seus próprios intentos, sem qualquer consonância com aqueles que os elegeram. Vereadores, deputados e senadores agem como se os mandatos fossem deles, apenas deles, esquecendo que os levou lá.

    Eu mesmo posso dizer que tenho afinidade com alguns vereadores, mas, com certeza, vários deles não me representam devido suas ações no exercício do poder e na vida social. Sim, porque eu observo também o que se faz fora da Câmara. Não é de minha relevância se um vereador tem uma amante ou se gosta de uma cerveja, afinal, isso é sua vida pessoal. Mas alguns atos são de meu interesse sim, enquanto eleitor, mesmo quando não dizem respeito direto ao cargo que ocupam.

    O projeto do Fonseca é bem-vindo neste novo momento vivido pelo Brasil, em que os jovens voltaram a fazer política, mesmo que nem se deem conta que estejam militando nesse terreno. Um jovem que sai à rua com cartaz a exigir seus direitos, nossos direitos, é sim agente político, bem mais que muitos destes que têm filiação e cores ideológicas.

    A Tribuna Livre é a verdadeira democracia, é a chance de olhar no olho dos nossos "representantes" locais e dizer aquilo que queremos para nossas comunidades e entidades. Sei que os vereadores podem lutar pelos nossos direitos (aliás o verbo poder não serve aí. O correto é DEVEM), mas a defesa pessoal é igualmente ampla e completa. A comunidade ganhará um nobre espaço. E estão cheia de jovens querendo dizer o que pensam...

  • sexta-feira, 21 de junho de 2013 18:04

    As rachaduras da casa

    Você já fotografou a casa onde mora? Aposto que já fez aquela foto sem intenção alguma, que focaliza vários ângulos,

    como se fosse uma criança que brinca com o celular...

    Dia desses, a matear nos fundos de casa, fiz com a câmara digital algumas fotos daquela que é a parte mais feia de minha residência. Nem lembro o motivo que me levou a registrar as imagens. Algumas semanas depois, ampliadas no computador, as fotos me assustaram: na hora da verdade, tudo era muito mais feio do que aquilo que meu olho registrava.

    Caramba!, pensei: É mesmo a minha casa?

    Eu não sabia que a parte sem reboco era tão sem graça, que as madeiras jogadas no canto emprestavam ar de abandono, isso sem contar detalhes menores, como o galho da árvore, a telha torta, a calha fechada...

    Aí me dei conta que a gente pode enxergar tudo de um jeito lindo, bem organizado, com grama aparada, com flores nos vasos... É verdade. Acontece que olhamos somente para as coisas maiores.

    Mas, quando fazemos inúmeras fotos, de ângulos diferentes, nos damos conta que não é bem assim. A foto é fria, imperiosa, aponta falhas, capta rachaduras, denuncia.

    Pois, nesta semana, os governantes brasileiros fizeram as fotos da casa. Governantes, sim. Não foram protestos contra a Dilma ou contra o PT. É uma marcha bem mais ampla, porque está em todas as capitais e não aceita cores partidárias, antes, as repudia. E mais uma vez, quem tomou a frente foi a juventude, com seus gritos de BASTA!

    Até agora, na construção do Novo Brasil tudo era lindo, encantador, tudo estava em ordem, em progresso... Mentira. Muitas bocas travadas, muitas mãos amarradas com nobres cédulas gordas. Mas as fotografias das ruas mostraram que não é bem isso, que por trás da beleza estão rachaduras. A parede da frente, a porta de entrada - essa da Copa do Mundo - até está bonitinha. Mas, a parede dos fundos está sem reboco e desabando.

    A juventude foi às ruas para mostrar que quer mais que pão e circo, quer mais que oportunidades de trabalho e de estudos, quer mais que expectativa de ter uma casa mobiliada e carro financiado em 80 suaves prestações. Mostrou a cara pintada para dizer CHEGA de corrupção, chega de os políticos legislarem em causa própria. BASTA de obras superfaturadas, basta de mil conchavos em nome do "bem comum". Basta!

    Os governantes, todos eles, fizeram fotos novas da casa nesta semana. Fotos que precisam ser analisadas com devidas ampliações. E nestas fotos se deram conta que há enormes rachaduras na casa, que determinadas partes ameaçam desabar. A água infiltrou e se continuar chovendo, logo os quartos estarão tomados, e até mesmo os ratos que se escondem nas áreas elevadas e inacessíveis ficarão acossados.

    Viva o povo, ordeiro povo, cansado povo... As fotos mostram que nem tudo são flores.