• sexta-feira, 5 de abril de 2013 17:02

    Eu tenho medo...

    Eu tenho medo, todos têm. Não o medo que me impeça de viver as boas coisas da vida, mas medo de que as boas coisas da vida simplesmente deixem de ser boas...

    É filosofando trivialidades que abro um assunto pesado: a violência que ronda Santa Rosa e se instala sorrateira outra vez. E é aí que registro o meu medo. Não medo de ser assaltado na esquina ou deixar de matear na área da ferrovia por conta de baderneiros. Escrevo sobre esse sentimento que classifico como temor social, temor sim... 
    Quanto observo o trânsito e o caos atual na cidade, tenho “medo = temor” que a situação piore. Mas, o tema aqui é outro, é violência urbana, essa que nos atinge aqui em Santa Rosa, no mais longínquo recôndito do Rio Grande. Eu acreditava que essa violência comum e “gratuita” havia sumido, evaporado, banida pela atuação das forças policiais. Era engano. Ela está aí, insidiosa, movimentada especialmente pelo tráfico de drogas. 
    A Polícia não vai dizer isso abertamente, mas todos sabem que há certas ruas onde somente entram se forem em bloco, em tropa. No final do ano passado, todos recordam das notícias sobre a Brigada ser recebida a pedradas em determinada área da Auxiliadora e praticamente bater em retirada. Foi ação de muitos contra poucos policiais. Muitos moradores? Não, gente boa não faz isso porque trabalha no dia seguinte. São marginais, mesmo, infiltrados na comunidade, e não apenas nesta comunidade, que se apropriam de partes da cidade como se elas fossem suas. 
    Eu tenho medo! Tenho medo que, aos poucos, Santa Rosa volte a conviver com a violência que encontrei ao chegar aqui, no final de 1987. As pessoas viviam em pânico. Havia claramente áreas onde a marginalidade era tanta que as pessoas eram orientadas a evitar certas vilas. Ir lá à noite, especialmente à noite, somente com salvo-conduto de moradores conhecidos. Ou alguém acha que o nome da vila “Pau-pega” era um elogio?
    Tenho medo que estejamos voltando àquele tempo. Foi aquela banalização que levou ao assassinato do motorista Ademar Pereira da Luz e logo depois motivou a vinda do Batalhão de Operações Especiais para uma “limpeza” em larga escala. Somente então melhorou. 
    xxx 
    Imagino que todos leram em algum jornal ou site, nesta semana, matérias sobre o índice de desarmamento. O Sul é a única região onde o fluxo se inverteu. Em vez de se desarmar, a população está comprando armas. 
    Aí vem um estudioso de instituto dizer que isso é cultural, que o gaúcho sempre gostou de armas, como se estivesse no seu DNA. Mentira! Outros registram que é porque somos pequenos proprietários rurais, donos de sítios, em busca de alguma proteção. Meia-verdade! 
    Eu nunca tive uma arma e espero não ter. Mas entendo quem está se armando. É medo que leva a isso. O povo quer é segurança, viver em paz e usufruir do fruto do seu trabalho, e quando o Estado não consegue dar essa segurança, esse mesmo povo encontra seu meio de se proteger. 
    O Sul, especialmente Santa Catarina e o Rio Grande do Sul, estão sofrendo com a escalada de violência. É fora da normalidade. E com ela, o cidadão se arma. E também se torna bárbara, basta ver como há “comemorações silenciosas” quando a Polícia metralha algum bandido.

  • quinta-feira, 4 de abril de 2013 12:40

    Frota dobrou em 10 anos

    Os dados constam no site do Departamento de Trânsito do Rio Grande do Sul e são discriminados por municípios. As tabelas permitem ver toda a evolução de 2004 até 2012.

    Santa Rosa possui hoje uma frota de 41.916 veículos, dado levantado no ano passado. Em índice, significa que 61% da população têm veículo, contra um número que era de apenas 37% em 2004. Os carros de passeio são praticamente 24 mil nas ruas, mas já são mais de 10 mil motos.

    Outro número que chama atenção é que há apenas oito anos atrás, a frota total de Santa Rosa era composta de 24.269 veículos, um aumento de 70%.

    E vias novas, quantas foram abertas? Na ligação Cruzeiro - Centro continuamos apenas com a Expedicionário Weber.

  • quinta-feira, 4 de abril de 2013 11:17

    O minuto de fama

    Os crimes passionais aumentam a cada dia, geralmente cometidos por homens que se sentem ofendidos no seu “amor”, magoados no ego, no seu brio de macho... matar mulher (ou ex) e filhos se transformou em rotina nos últimos anos, em cenas cada vez mais bárbaras.  

    Crimes assim sempre existiram. Mas certamente o caso “Lindenberger  / Eloá” ajudou a plantar essa semente maleva na mente das pessoas com distúrbios. Com tantos holofotes e exposições, esses doentes se veem como atores.

    A isso adicione a sensação de impunidade, essa que faz um homem vir de Santo Ângelo a Santa Rosa para atirar na ex-companheira e num outro indivíduo que estava com ela. Não é o amor que faz isso, é o minuto de fama...

  • quarta-feira, 3 de abril de 2013 08:11

    Impressionam nossos finais de semana

    Nós, repórteres, temos acesso às ocorrências policiais da Brigada Militar e da Polícia Civil. Divulgamos algumas, outras ignoramos, mas colocamos nelas nossos olhos, pelo menos para cruzar de relance na informação.

    O que chama atenção, mesmo é a grande quantidade de casos qualificados como Lei Maria da Penha. Especialmente nos finais de semana. É pelo menos um caso em cada dia de sexta a domingo, mas, em geral, há mais registros. Os números da Brigada Militar estão aí para confirmar isso.

    É tudo álcool, é tudo em casa.  É a explosão da covardia de quem não pode agredir o mundo e passa a agredir aqueles que são o seu mundo.

    É quando o homem não trabalha, vê sua miséria, suas frustrações pessoais, se joga no álcool, e para não se dar conta dessa miserabilidade, violenta o mundo ao seu redor.

    Os finais de semana são de terror para muita gente. Muita mesmo.