• domingo, 5 de maio de 2013 12:06

    Área do Parcão não é um debate encerrado

    Iniciei o texto no blog do Jornal Noroeste e pretendo ampliá-lo, até mesmo como sinal de alerta ante a calmaria instalada.

    A notícia de capa do Noroeste, na semana passada, sobre a conquista de verba para um ginásio esportivo à altura de Santa Rosa, pôs panos mornos sobre o assunto. No entanto, a bolha continua ali. A venda da área não foi sepultada, creiam! Noutro texto expus que o terreno do Parcão vale R$ 6 milhões, segundo um corretor imobiliário confidenciou-me. Por isso, não é fácil esquecer uma "coxinha de frango" tão apetitosa.

    É urgente que a área seja utilizada com alguma finalidade maior que aquele ensaio de pista de bicicross. Hoje é um perigo cruzar, seja pelas macegas, seja pelos "bebuns" e afins que transitam em suas sombras assim que a lua desponta.

    Área da ferrovia: um novo debate

    Há sim um debate instalado quanto à venda da área frontal ao Parcão/Mercado Público, a atual pista de bicicross e eventual paradouro do parque infantil. A comunidade se deu em conta que aquilo é dela, que pode fazer uso agora e no futuro, para múltiplos fins. Prefeitura, Ministério Público Federal, entidades, enfim, ampliou-se a discussão.

    Quero propor um olhar ainda mais abrangente, não apenas com relação ao terreno que é do Município (continuidade do Parcão). Que tal ampliarmos a discussão para a área da ferrovia que vai do centro até a entrada da Vila Jardim, essa que a Cidade Interativa deseja ver transformada em uma grande opção de lazer. A saída/venda da Trevosul, cogitada, abriria espaço a este projeto, a menos que outro grande empreendimento se sobreponha aos interesses da coletividade santa-rosense.

    Então, as autoridades poderiam começar por instalar um grupo de trabalho para avaliar quem se utiliza atualmente da área de domínio da RFFSA e com que autorização. Não creio que seja apenas o piquete na entrada do pórtico da Oktoberfest que esteja sobre área pública. Tem mais gente que avançou na metragem. Prefeitura ou Ministério Público poderia inspecionar todo o trajeto, para começar, e iniciar um debate.

    Depois, o passo crucial é estabelecermos - nós, como comunidade - um projeto para a área que inicia na Rua Duque de Caxias. Quase ninguém se dá conta que a malha da ferrovia começa na rua que dá no portão do Quartel do Exército, lá pras bandas do Posto de Saúde do Centro. Um território nobre e imenso.

    Um projeto urbanístico pode contemplar este trecho com múltiplas ocupações, iniciando ali, na Rua Duque de Caxias, e passar pelo "canto do Parcão", seguir atrás da Janeco e do posto, até chegar na Praça Ernani Denardin (frente do Regimento San Martin). Trem algum voltará a circular aí. Depois se vai além, se amplia o projeto...

    Isso é urgente, até porque está no centro e completamente abandonado. Dar a esta área um ar de civilização, sem ébrios e outros drogados tomando conta e instalando pânico em quem passa ao largo da área, é uma medida para ontem.

  • sexta-feira, 3 de maio de 2013 16:14

    O cara que tentou “comprar” os brigadianos

    Aconteceu no final de semana, no município vizinho, onde um indivíduo, com uns tragos na cabeça, viu-se diante dos brigadianos. Sabedor que estava errado, ofereceu grana aos soldados. A um deles, ofertou R$ 500,00. É muito dinheiro, considerando o que ganha um praça da Brigada. Acabou preso. E na DP, cheio de coragem, ameaçou o plantonista da Civil.

    Tenho admiração por esses homens que não vendem a sua dignidade. Não sei quem são os soldados, mas confesso que um ato assim revela que ainda há alguma esperança... Nem tudo está perdido.

    Ouvi poucas e boas nos últimos dias a respeito da atuação dos brigadianos que multaram e guincharam automóveis no centro. Muitos “acharam” que foi exagerada. Mas, se fôssemos mais conscientes, a medida seria desnecessária. Ocorre que a hipocrisia mora na boca do homem. Muitos dos que aplaudem o soldado que multa ou que guincha o carro do outro, são os primeiros a infringir a lei... e nessa hora querem se livrar da punição.

    É preciso ter muita hombridade para não aceitar o suborno. Aplauso a esses homens.

  • quinta-feira, 2 de maio de 2013 16:05

    Um caso ruidoso

    Num município não muito longe de Tuparendi, um certo servidor público, com nome de imperador romano, algo como Claudius, foi demitido de sua função porque se negou a “furar” a fila de espera no Sistema Único de Saúde. Ou melhor, não quis passar alguns para trás para beneficiar certos apadrinhados.

    Certo estava ele. A fila é para todos. Mas dois vereadores, o Pontaria e o Piquete, derrubaram o funcionário com nome de imperador. Eles quiseram impor no “grito” a sua vontade. Deu no que deu. Foi a agitação, o fato político da semana. Aí veio o feriado e tudo esfriou, como se nada tivesse acontecido.

    Outro vereador daquela mesma cidade confidenciou que chegou às suas mãos uma denúncia contra um colega, assim, de outros casos semelhantes ao “fura fila”. Disse que vai levar o caso adiante e que a chapa pode esquentar. Sei que ele tem peito para isso. Mas, sinceramente, creio que nesta hora “H” certas forças ocultas se movem e a fumaça desaparece atrás das cortinas...

    Ninguém é ingênuo em acreditar que é o coelho da Páscoa que traz os ovos de chocolate.

  • domingo, 28 de abril de 2013 21:22

    A pergunta que irrita

     

    Imagino que a metade da população já viu a pergunta, irritante, inquietante, que há algumas semanas ronda a mente dos santa-rosenses. Está lá, na parede da Trevosul, ao largo da avenida mais movimentada da cidade.

    Quantas horas do seu dia você vive?

    Há muito deixou de ser apenas uma frase na parede branca. Tornou-se uma sentença. Não apenas no termo lingüístico, mas algo mais completo e complexo, como se estivesse ali para nos punir pela pressa louca do "faz-me rir".

    A frase dói, tem o impacto de uma britadeira a quebrar a dureza da pedra. Eu a Dé a comentamos algumas vezes. Mas outras pessoas que dividiram assento comigo no Toda Hora nesse roteiro Centro/Cruzeiro também disseram que não conseguem ignorar o peso da pergunta.

    Quem a escreveu? Nem teria graça descobrir o autor, porque o que importa é a força com que ela nos agride. Agride, sim, porque quase sempre a vemos quando estamos na louca corrida do dia, a mil para vencer nossas agendas sem horas capazes de dar conta de tudo. Agride porque, no fundo, bem no fundinho, sabemos qual o sentido do verbo "viver" naquela sentença.

    Quantas horas do seu dia você vive?

    Pense nisso, pense com carinho, a começar pelo complexo que se esconde na palavra viver. Nesta semana, quando a cidade toda foi movimentada pelas intervenções culturais, a pergunta faz ainda mais sentido. Quantas horas do seu dia você se dá de presente para ouvir boa música, para matear com amigos, jogar futebol ou praticar alguma atividade de lazer? Quando foi ao cinema ou ao teatro pela última vez? Quantas horas do seu dia você se dá de presente a você e as pessoas que ama?

    A pergunta já faz parte das legendas históricas desta cidade, como aquela pichação na lateral de uma igreja no centro, que ficou por anos martelando aqueles que a leram...

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    Este cara também sou eu

    Há dias pretendia escrever sobre a música... então, como a crônica é existencialista, agora cai bem.

    Começa assim: sábado à tarde, após a soneca, a Dé ainda sob a coberta, fui escapulindo, de fininho, para catar ariticum no mato que circunda o Pessegueirinho na baixada da Oliveira. Nesse caminho, em uma casa ouviam a tal canção do Roberto Carlos. Eu, que deveria estar lá ao lado da esposa ia, sem romantismo algum, ao mato catar ariticum e chá de marcela...

    Aí pensei: Pô, esse cara também sou eu! Não, não o da música. Eu jornalista, professor, escritor, agente comercial, editor, marido, pai, filho e e e e... Este cara sou eu, com olhos para todos! É, mas existe um cara que gosta de jogar futebol com amigos, ouvir boa música, pescar nas sangas, pedalar por aí, caminhar sem rumo, catar ariticum... E esse também sou eu.

    Tenho minhas ideias malucas, minhas vontades na casa, meu tempo, meu silêncio, meu direito de não fazer a barba por alguns dias, meu dia de azedume, de bagunçar tudo...

    Essas pequenas coisas são básicas, sei, mas são facilmente esquecidas (por homens e mulheres), principalmente nos primeiros anos do casamento, quando as pessoas costumam pôr coleiras, como se fossem donas do outro. E aí matam, aí mínguam a fonte... Felizmente eu e a Dé não temos essas amarras, e talvez por isso sejamos tão comprometidos, justamente porque não prendemos. Acho que na música do Rei faltou algo do tipo: "Sou o mesmo de antes, e o amor só aumentará se eu puder continuar sendo eu enquanto sou você".