• sexta-feira, 8 de março de 2013 16:26

    A mulher se lê pelo cabelo

    Um cronista é, antes de mais nada, um enxerido. É um observador que carregada uma lente multifocal e tem um chip com sensor voltado ao “fora do prumo”. Não fosse assim, seria mero reprodutor de conceitos, aquele mais-um na multidão. Daí que, volta e meia, vêm o cronista com aquelas tiradas estranhas, maluquices da hora.

    Guardei, faz dias, no bolso do cérebro, uma dessas pérolas cotidianas, para lançar à luz em momento oportuno. Eis a chance: o Dia da Mulher! Sim, tinha de ser num dia desses para abrir o zíper da minha teoria. É possível “ler” a mulher pelo seu cabelo!

    É claro que há outras formas de se ler uma pessoa, mas o cabelo é 10... Dê uma rápida olhada ao seu redor e verá que é verdade. O homem também pode ser lido pelo cabelo, mas a mulher é um universo mais complexo, uma fauna (no bom sentido) mais rica a ser explorada.

    Não sei quando comecei a reparar, mas acho que foi numa dessas manhãs em que a Dé “arrumou” os fios em 30 segundos e saiu disparada por a fora.

    Depois disso posso saber o humor dela, o compromisso dela, a pressa dela e até algumas coisas mais (dá até para saber se está pra chuva... é sério isso!).

    Eu creio nisso. Ando cá e lá com essa ideia na cabeça. A mulher de hoje, embora preserve o mesmo nome e a fisionomia, não será a mesma de amanhã. E, conforme estiver o seu penteado, assim estará seu interior, a sua vida como um todo.

    Há dias observo isso e penso que, nessa sociedade maluca, rápida e exigente, o cabelo diz mais que o rosto, mais que o olho, mais que as vestes. É uma estampa, é quase um outdoor a dizer: - aproxime-se, ou então um gritante, cai fora!

    Entro no ônibus, de manhã, rumo ao Jornal Noroeste, e leio alguns cabelos nos bancos à frente. Ao meio-dia, faço o mesmo exercício. Na rua, com freqüência, me flagro imaginando que história há por trás daquele penteado. Ah, e quase sempre é momentâneo, coisa que muda no dia, na semana, numa revolução tão rápida quanto a alma feminina.

    Dá para saber se a mulher é vaidosa, se ocupa função gerencial numa empresa, se saiu às pressas, se dormiu demais, se deixa toda a louça uma semana na pia, se está enamorada ou não têm olhos que a admiram.

    Saber, saber, na verdade não dá, porque as mulheres continuam indecifráveis. E quando a gente souber, elas mudarão. É próprio da espécie esse estar à frente do homem.

    (À minha namorada)

    Como podem numa só

    Serem belas e feras

    Alvos de nossos amores

    E nossas guerras?

    Como podem parecer frágeis

    Se são senhoras de nossas vidas

    Tão donas das nossas partidas

    E donas das nossas esperas?

  • quarta-feira, 6 de março de 2013 14:21

    Os temporais do Musicanto

    Há alguns dias, no Bem-te-vi, anunciávamos que havia um nome antigo do PP indignado com os rumos do Musicanto. Os rumores, traduzidos em verdade logo em seguida, indicavam o descontentamento de Aquiles Giovelli com a indicação da jornalista Nice Richter para presidir o festival deste ano. A rusga foi além, tendo o advogado retirado seu nome das fileiras partidárias nas quais militou a vida toda.

    Mas, passado este vendaval, quando tudo indicava a um encaminhamento, surgem nas ruas novas informações, desta vez sobre um desalinhamento entre o secretário de Cultura, Anderson Farias, e a presidente recém-empossada. Em geral, nestes falatórios sempre há um fundo de verdade... mesmo que apenas fundo.

    Averiguamos no final de semana, cientes que o episódio relatado a nós era verdadeiro. Na segunda-feira, em contato com Anderson, ele mesmo confessou que houve o atrito, que classificou como irrelevante.

    A esta altura já circulava nos bastidores a notícia que Nice renunciaria. Anderson mostrou-se surpreso, pois estava em Porto Alegre. O fato se confirmou ontem, e, o festival agora corre mais uma vez contra o tempo.

    De tudo isso, a certeza: o Musicanto sobreviverá. Ele é maior que as desavenças que o cercam desde a sua criação, isso há 30 anos.