• quinta-feira, 4 de abril de 2013 11:17

    O minuto de fama

    Os crimes passionais aumentam a cada dia, geralmente cometidos por homens que se sentem ofendidos no seu “amor”, magoados no ego, no seu brio de macho... matar mulher (ou ex) e filhos se transformou em rotina nos últimos anos, em cenas cada vez mais bárbaras.  

    Crimes assim sempre existiram. Mas certamente o caso “Lindenberger  / Eloá” ajudou a plantar essa semente maleva na mente das pessoas com distúrbios. Com tantos holofotes e exposições, esses doentes se veem como atores.

    A isso adicione a sensação de impunidade, essa que faz um homem vir de Santo Ângelo a Santa Rosa para atirar na ex-companheira e num outro indivíduo que estava com ela. Não é o amor que faz isso, é o minuto de fama...

  • quarta-feira, 3 de abril de 2013 08:11

    Impressionam nossos finais de semana

    Nós, repórteres, temos acesso às ocorrências policiais da Brigada Militar e da Polícia Civil. Divulgamos algumas, outras ignoramos, mas colocamos nelas nossos olhos, pelo menos para cruzar de relance na informação.

    O que chama atenção, mesmo é a grande quantidade de casos qualificados como Lei Maria da Penha. Especialmente nos finais de semana. É pelo menos um caso em cada dia de sexta a domingo, mas, em geral, há mais registros. Os números da Brigada Militar estão aí para confirmar isso.

    É tudo álcool, é tudo em casa.  É a explosão da covardia de quem não pode agredir o mundo e passa a agredir aqueles que são o seu mundo.

    É quando o homem não trabalha, vê sua miséria, suas frustrações pessoais, se joga no álcool, e para não se dar conta dessa miserabilidade, violenta o mundo ao seu redor.

    Os finais de semana são de terror para muita gente. Muita mesmo.

  • terça-feira, 26 de março de 2013 09:56

    Nós fazemos a nossa parte

    De quinta-feira até hoje, um dos temas que centraliza as discussões é o caos logístico nacional. Não bastasse o embargo chinês devido os atrasos na entrega de soja, vemos o início da colheita no Rio Grande e preocupações das entidades quanto ao escoamento da safra.

    A boa notícia é a supersafra e o bom preço da soja. A má notícia é que não há como escoar toda a produção. Mais uma vez estamos reféns dos investimentos dos governos Estadual e Federal, principalmente.

    Santa Rosa, no seminário organizado pela Agência de Desenvolvimento, encerrado em novembro último, apontou que a falta de logística - transporte adequado - era o principal entrave ao desenvolvimento desta região. Era item um na pauta.

    O segmento empresarial (comércio, indústria, agronegócio e serviços) acusa o problema. O segmento produtivo tem dado conta, gerado resultados altamente satisfatórios, em todos os setores... mas, na hora de contar com a infraestrutura básica, fica refém do sistema.

    Continuamos sem ponte internacional, estamos sem voos no aeroporto de Santa Rosa, sistema ferroviário deficitário e com visíveis problemas nas rodovias.
    Que mais podemos esperar?

  • sexta-feira, 22 de março de 2013 14:45

    A imagem não é tudo

    Vem aí a Copa das Confederações, e logo ali adiante, a Copa do Mundo de futebol. E neste caso, a imagem é tudo.

    Nada importa mais aos caciques deste país que mostrar ao planeta o quanto somos evoluídos, quão desenvolvidos nos tornamos. Mesmo que para conseguir isso tenhamos que varrer para debaixo do tapete, para bem longe das lentes mais argutas, toda a sujeira e esculhambação que nos ronda.

    Tudo é mídia, tudo é superficial, e um mergulho logo abaixo da linha mínima exige um pouco mais de oxigênio (no cérebro) e nem todos têm. Nessa grande mentira que se prega como verdade, o que conta é a imagem. Ela é tudo. Não é debalde que os norte-americanos que a palavra que alicerça o sucesso é marketing. O que conta é estar na foto, de preferência com a melhor roupa, mesmo que a roupa de baixo esteja em fiapos.

    O Brasil quer vender ao mundo a imagem de um País fabuloso, sem mazelas, no ápice do desenvolvimento. E estamos bem mesmo, comparados a épocas bem recentes. E se quiséssemos mesmo mostrar que estamos no caminho certo, que nos afirmamos como País, deveríamos nos fazer respeitar como tal. Não deveríamos nos curvar à vontade da FIFA para sediarmos aqui a Copa. Eles é que deveriam querer estar aqui porque somos grandes e não porque aqui é fácil fazer de tudo e mais um pouco.

    Há alguns meses a diretora do Instituto Da Paz me externava sua preocupação com a Lei da Copa. Não com a tal venda de bebidas alcoólicas nos estádios, que foi só o que se falou até agora. A Leila dizia-me que pensava em como seria difícil levar o ano letivo de 2014 diante da imposição da legislação específica que exige o cumprimento dos 200 dias de aula no ano, mas (detalhe) sem aulas durante o mês dos jogos. Isso mesmo! E não valeria somente para as cidades onde acontecem os jogos... é para todo o País.

    Por que isso? Para diminuir o movimento de trânsito, desafogar as ruas. Bela mágica do governo para encantar os turistas que vierem aos jogos. Ou seja, para fazer de conta que temos um trânsito bacana, fluindo bem, vamos tirar os estudantes (os carros dos pais) das ruas nos horários de pico. É assim mesmo que se resolve um grande problema, varrendo para debaixo do tapete!

    E depois que a Copa acabar? Aí que se lasque o povo brasileiro, que volte tudo ao caos de antes. É como se dissessem que nós, os que trabalhamos e pagamos os impostos não merecemos esse respeito.

    Mas a Leila não estava preocupada com isso. Estava questionando como bancar os custos dessa parada obrigatória que atingirá a todos os municípios. As escolas particulares têm professores e funcionários para pagar e não podem dar férias duas vezes. Terão de arcar com o custo. E os alunos terão aulas em outros dias alongados ou aos sábados, etc... E a escola pagará horas-extras. Custo, tudo custo. Quem banca o prego?

    Nesta semana o assunto veio à tona, pois o Estado também não sabe como se enquadrar ao calendário. Não dá para fazer mágica sempre.

    Tudo é uma questão de imagem. O governo quer vender lá fora uma imagem linda, de um Brasil fantástico. Avançamos, sim, e muito, mas estamos longe de ser essa “belezura” toda.

    Acho sim que vamos tem uma Copa mais pacífica, porque haverá acordos secretos entre os agentes do Estado e os líderes da bandidagem, para que não mostrem as garras no auge da festa.

    A prostituição infantil será encoberta, as cracolândias ficarão longe dos olhos e das lentes da grande imprensa, como já foi na semana passada quando não falaram de uma mortandade de 65 toneladas de peixes na lagoa Rodrigo de Freitas, no Rio, no exato momento em que ocorria uma prova de esporte aquático.

    A imagem que tem de ficar é essa: temos o Pelé, o Lula, a Dilma e mulheres lindas seminuas nas praias.