• sábado, 20 de agosto de 2016 10:08

    Qual marca vai ficar em você?

    Olimpíada que encerra neste final de semana, campanha eleitoral que teve início há três dias e redes sociais inundadas por “santinhos” e publicações, por ora, tranquilas.
    Que marca ficará em você desta Olimpíada (no singular, por favor)? Ou talvez devesse questionar acerca do momento, da lembrança de valor - positivo ou negativo - que ficará em sua memória quando os jogos findarem, no domingo? Eu tenho alguns apontamentos, meus, uns animadores, outros constrangedores.
    Ficarei com a imagem do Diego Hipólito, que caiu feio em duas Olimpíadas (fiasco mesmo) e deu a volta por cima para conquistar a medalha de prata. O menino abandonado pelos pais que conquistou o alto do pódio no salto com vara. E derrotas doloridas no handebol e futebol feminino, onde claramente pesou o fato de estarem em casa, de perderem por sobrecarga emocional.
    Mas (sempre meu mas), a Olimpíada mostrou que ainda somos racistas demais. Exemplos de Rafaela Silva, alvo de ofensas em 2012, e o ginasta Nory, ele infeliz e já punido por ridicularizar um colega negro. É, racistas sim. E passando a limpo as arquibancadas, ainda vi poucos negros, na leitura de que não têm o mesmo poder aquisitivo para comprar ingressos nos melhores lugares.
    Para que não digam que apenas os brasileiros são corruptos, mais uma vez a Polícia prendeu um gringo ligado ao COI vendendo ingressos desviados... Eles também são corruptos e a FIFA e o próprio Comitê Olímpico já provaram sua sagacidade em apropriações indevidas. Ah, teve o caso dos atletas que mentiram sobre assalto... eles também mentem.
    Para bem ficaram as vaias constantes à goleira Hope, dos EUA, que era apupada em cada lance. Ela ridicularizou o Brasil nas redes sociais antes dos jogos. E não foi perdoada! Essas vaias são diferentes daquelas, desrespeitosas, ao francês no salto com vara (claro que ele também falhou feio em seu comentário posterior ao nos chamar de nazistas). Não somente ele, muitos atletas queixaram-se desta mesma falta de respeito, barulhos demais em esportes que exigem concentração...
    Também vi que ainda omitimos demais, escondemos todas as notícias negativas dos assaltos, das remoções forçadas dos camelôs, do turismo inexpressivo nas favelas do Rio... Não se fala para não ofuscar o brilho das estrelas.
    Como pouco se fala da força policial que impediu protestos (essa é a democracia desse governo?). Certamente lembraremos a passagem relâmpago do presidente Temer e a vaia, e a sua escolha de não ir ao encerramento. Isso demonstra que a marca do impeachment vai demorar a cicatrizar.
    E uma marca que carregarei por anos: minha falta de planejamento pessoal. Espero aprender com isso, aprender por não ter me planejado para ir ao Rio de Janeiro passar alguns dias em férias lá para ver os jogos... Planejado não custaria o olho da cara, tanto é que vi muitos amigos por lá.
    Em meio a tudo isso temos o início da campanha eleitoral... Sem traumas, por hora. E, bem por isso, acho que todos os candidatos e aqueles que lhes dão algum suporte, deveriam pautar suas ações a partir desta mesma pergunta: Que marca vai ficar em você? E eu a mudaria para: Como quero marcar as pessoas?

  • segunda-feira, 15 de agosto de 2016 09:17

    Histórias de Tereza e outras aniversariantes

     

    Quando a professora e historiadora Tereza Christensen disse ao microfone da Rádio Noroeste, no sábado, que o ex-prefeito Alfredo Leandro Carlson matou um homem que o atacou em pleno gabinete ficamos boquiabertos.

    Nunca ouvimos esta história, ela não é contada, desapareceu junto com tantas outras que fazem parte dos 85 anos de Santa Rosa. Amigos, de mais idade que eu, não conheciam o fato. A Tereza deu informações. Claro, se alguém quiser colocar no papel teria de ir mais a fundo, buscar mais dados. Tal como o suposto atentado ao prefeito Alvírio Scalco.

    É dos primórdios do município emancipado, época de homens corajosos, armas ao alcance das mãos, revoluções sangrentas e uma guerra mundial que atingiu em cheio essa terra de imigrantes. Tereza Christensen resume maravilhosamente bem esses homens sobre os quais há dezenas de histórias, onde bondade e banditismo estavam presentes nos mesmos personagens, como Artur Arão e Bráulio de Oliveira: “Eles eram frutos de seu tempo. Não havia como ser diferente naquela época”.

    Há muitas histórias sem versões oficiais, que pedem para ser narradas. A questão é, como fazer isso sem ferir familiares e amigos dos envolvidos? Não faz muito um livro sobre Antônio Carlos Borges foi impedido de circular porque nele constava uma alcunha (apelido) atribuída ao ex-prefeito. Foi grande a polêmica e foram muitos os bombeiros chamados a apagar o incêndio.

    Mas é preciso falar do passado, tal qual foi à época. A noite do quebra-quebra contra famílias de alemães não pode virar pó, nem Artur Arão ou o Pala Branco. Ou teremos uma história contada pela metade, tal qual querem os autores do projeto Escola Sem Partido, ao velho estilo “Pedro Álvares Cabral descobriu o Brasil”.

    Tereza é uma lenda. Ela tem bala na agulha para ir fundo. Na Rádio, falou muito de Alfredo Leandro Carlson, homem que entrevistou para escrever um livro. Prefeito, vindo de família que teve posses, ousado ao comprar a área para o Parque de Exposições que hoje leva seu nome. Político que morreu pobre devido a enleios amorosos, para não dizer que lhe restou quase nada ao final da vida.

    Políticos da época não enriqueciam. Vereadores não recebiam salários. Prefeitos eram empresários e lideranças que se doavam à comunidade em prol de desenvolvimento. Alvírio Scalco, prefeito na década de 60, também morreu pobre. Carlson, Carlos Denardin, Arno Pilz, Anacleto Giovelli, para citar apenas esses, queriam construir algo maior que coligações empregatícias.

    E, por fim, a partir dos próximos dias viveremos clima de campanha eleitoral. Estou me roendo de curioso para saber o que há de vir por aí. Com Orlando e Vicini no páreo, com ânimos que nem amainaram desde 2012, já era certo que teríamos alguns capítulos interessantes a assistir. E com o ingresso do Colla nessa frente, agora é que não se perde mesmo programa algum da eleição municipal. E, sinceramente, guardei minhas fichas no bolso. A esta altura não aposto em número algum!

  • sexta-feira, 5 de agosto de 2016 14:46

    Pela hora da morte

    Pela hora da morte estão os preços de alguns alimentos indispensáveis à mesa. Pela hora da morte está a reforma da Previdência e a estagnação do Rio Grande.

    O ônibus passou em frente a um posto de combustíveis em Apíuna, à margem da rodovia em Santa Catarina, onde li em letras garrafais: Gasolina comum a R$ 3,15. Limpei os olhos do sono da madrugada, atentei outra vez para me certificar do escrito e estava lá, tal qual. O preço mais elevado que encontrei no Estado vizinho foi R$ 3,49. Aqui em Santa Rosa, girando muito, se consegue a R$ 3,99. É uma bomba contra o desenvolvimento!

    Era a primeira constatação. Depois vieram outras, como a infestação de gaúchos em cidades como Joinville e Jaraguá, Mecas da esperança de retirantes. Tá, infestação é uma palavra pesada! A andar pelas ruas ou nas rodoviárias é fácil compreender o comentário de um ouvinte durante o Noroeste Debate na manhã do sábado. Ele escreveu mais ou menos assim: “Agora estou ainda mais convencido a ir embora”. Desesperança é o nome disso!

    Falávamos sobre o preço dos alimentos que estão pela hora da morte, como leite a R$ 4,30, dúzia de ovos a R$ 6,00, etc. Aumentos médios cinco vezes maior que a inflação em vários produtos da cesta básica ao longo da última década. Leis demais para quem comercializa itens da agricultura familiar. Custos elevados de produção, logística precária, mão de obra envelhecida no campo... Indicativos de que a situação vai piorar.

    A culpa disso tudo não é o preço da gasolina. Tem a ver com a falência do Estado, tem a ver com as exportações de soja e milho que monopolizam atenções dos produtores com preços nas alturas, tem a ver com falta de incentivos dos governos aos agricultores familiares. Tem a ver com um Brasil rico que não sabe enriquecer seu povo.

    O taxista catarinense tinha 65 anos, aposentado, que parou de “trabalhar” após 35 anos em serviços gráficos. Ganhava do governo 3,5 salários no primeiro mês. Hoje ganha 1,5. Deveria receber R$ 3.080,00. Ganha tão-somente R$ 1.320,00. Está na ativa a 50 anos e não pode nem pensar em parar. Pior, ele não é exceção! É regra! E aí vem o governo e um bando de parlamentares que nem aí estão para nossos sofrimentos e querem fixar a aposentadoria aos 65 anos? É medievalismo!

    Como medieval é o nosso Estado, completamente estagnado há anos. Nessa briga de republicanos versus imperialistas, hoje somos todos farrapos (com F minúsculo mesmo). Santa Catarina não parcela salários. Santa Catarina não manda embora empreendimento de R$ 150 milhões e que geraria 1.200 empregos. Ah, isso não foi no governo do PT. Foi em julho deste ano (Sierra Móveis, de Gramado). Talvez esteja na hora de alugarmos o nosso Rio Grande para os catarinenses ou paranaenses por algum tempo, tipo um arrendamento, e ver no que dá. Nosso orgulho já não produz mais façanhas!

    P.S.

    Parabéns Santa Rosa. Bem não estamos, mas ainda somos uma ilha de paz e desenvolvimento em meio a um cenário de poucas esperanças. E tenho imenso orgulho de ter minhas raízes fixadas aqui.

  • sexta-feira, 29 de julho de 2016 17:31

    O Brasil que mete medo

    A partir da próxima semana os brasileiros, e eu também, estarão à frente do televisor, aprisionados pela Olimpíada.

    Há semanas que leio a respeito de atletas de vários países que desistiram de competir no Brasil nestes jogos olímpicos. A explicação oficial é medo do Zika Vírus. Microcefálicos não, mas um tanto acéfalos são eles! Ora, um brasileiro não deixa de ir à França por conta de um bando de radicais que vivem na idade da pedra a cometer atentados. Ou deixa de ir ao parque da Disney devido os confrontos raciais que agitam os queridos Estados Unidos da América!

    A verdade é que a imagem que vendemos de nós mesmos é péssima. Mostramos praias lindas em ridículas produções da “Bobo Filmes”, mas um simples acesso à internet mostrará ao estrangeiro mortes de indígenas nas lutas por terra, estupro coletivo no Rio, roubo dos equipamentos da TV da Alemanha, presidente deposto por Impedimento, corrupção generalizada, chacinas e decapitações nas periferias assoladas pelo tráfico.

    Os Estados Unidos não são um paraíso, mas fazem questão de apregoar que o inferno são os outros. O Brasil não! Ele faz questão de mostrar que engatinha em todas as áreas, a começar pela segurança pública. Aí, para desmentir sua incompetência prende uma dezena de amadores e vincula-os ao terrorismo!

    A nossa violência policial não difere da norte-americana, nem os alvos são outros (negros, pobres e favelados). Isso só quer dizer que o problema é o mesmo dos EUA: perdemos a guerra para as drogas. E para piorar não conseguimos produzir uma sociedade justa economicamente. Educação pública sucateada, cultura inexistente e zero opção para subir na vida. Sobra o quê? Droga, assalto, prostituição, etc...

    Eles estão com medo do Brasil por causa do Zika Vírus ou da violência nas grandes cidades? Ou de atentados terroristas? Ou da incompetência que o país apresentou em suas obras de infraestrutura? Sequer conseguimos concluir as obras da Copa (que acabou já faz dois anos). O que eles veem é um País de terceiro mundo. E não somos... somos de segundo.

    Um maluco invade uma clínica no Japão e mata 19 pessoas... É um país top! O Rio de Janeiro foi comparado a Atlanta em patamar de violência. Como assim? Atlanta, nos Estados Unidos? Ué, eles são top! É isso, eles não divulgam para o mundo os seus problemas. Preferem mostrar os bombardeios na Síria. Assim tornam menos cruéis os massacres nas escolas ou a onda de violência racial que sacode o país na ferida que sangra sem cessar desde a Guerra da Sucessão há 150 anos.

    O Brasil que mete medo nos atletas e delegações que devem ou deveriam vir à Olimpíada é real, é problemático. Mas também existe outro Brasil, imenso em terras ricas, em biodiversidade e pessoas maravilhosas, com potencial de crescimento para se tornar potência mundial em poucas décadas. Esse País que os atletas preferem não ver mete medo nas lideranças planetárias. Somos potencialmente gigantes. Por ora, eles não precisam depor contra nós para nos boicotar. Infelizmente, nós mesmos depomos ao não resolver nossos problemas internos e jogá-los ao ventilador mundial.