• sexta-feira, 1 de dezembro de 2017 14:46

    Tem gente passando fome em Santa Rosa

    A Dé chegou abalada num sábado desses porque dois pais foram ao projeto social em que ela trabalha para pedir comida.

    Hão de dizer que não é verdade, que o Banco de Alimentos da prefeitura e as muitas campanhas sociais suprem as necessidades daqueles que estão inscritos nos centros assistenciais. Diz isso quem não vai aos fundos das vilas porque tem medo de ver o carro riscado na periferia ou encarar pessoas que no primeiro olhar são pouco amistosas.

    Quando um pai ou mãe se encoraja (ou se humilha) a ponto de ir até pessoas que atendem seus filhos é porque está no extremo do desespero. Ninguém faz isso porque gosta. É o desespero de não ter como prover a mesa, alimentar as bocas que sentam à espera de um caldo mínimo. Os pais que foram até a Dé (e à entidade), estão desempregados.

    É o ponto em que estamos, é para onde voltamos depois do Brasil Livre. A coisa mais ridícula que já vi nos últimos anos em política foi aquela propaganda, na semana passada, que dizia que está melhor, está mais barato viver, que temos maior poder de compra. Falácia.

    Uma pesquisa divulgada nesta semana mostrou que metade dos brasileiros recebeu menos de um salário mensal no ano passado. Aplaudam! Aplaudam muito, todos os brasileiros livres. Os R$ 30,00 de aumento do salário pagam quantos por cento do aumento do combustível? Esses 30 pila não pagam sequer o aumento no preço do gás. Aliás, li na Folha de São Paulo (aquele jornalzinho mixuruca) que há famílias sem ter como cozinhar. Aqui, tem gente voltando aos capões de mato para catar lenha, isso quando ainda tem como usar os velhos fogões.

    Este é o estágio em que estamos, mas é claro, isso se você não usa venda nos olhos.

    Passe na porta das instituições de ensino, à noite, verá que os cursos técnicos e superiores minguam porque acabou a grana e o financiamento. Vá ao banco, pergunte na Caixa, e se tiverem coragem dirão das dezenas de casas que logo estarão em liquidação, que estão à venda porque os trabalhadores não têm como pagar a prestação.

    Ah, os prefeitos que aplaudiram o congelamento dos gastos públicos por 20 anos já perceberam em que enrascada se meteram. A cúpula somente não congelou os valores pagos aos deputados federais e senadores em emendas parlamentares, porque sem elas não se safam!

    Sim, também precisamos falar sobre gerar novas riquezas, atrair novos investimentos, dar solidez aos investidores. Precisamos caminhar, ou jamais será grande a nação. O empresário não é o vilão. A Lava-Jato tenta jogar a lama para cima dos empreiteiros, quando na verdade a lama foi urdida pelos políticos.

    Tem gente passando fome em Santa Rosa enquanto o governo comemora o fim da fila nos assistencialismos. O Nelmo Beck, advogado de respeito, disse que a Justiça manda o governo voltar a efetuar os pagamentos em cerca de 80% dos benefícios de auxílio doença suspensos pelo INSS. Ou seja, é falácia que todos são aproveitadores.

    A verdade é que o brasileiro não quer ver diminuírem as desigualdades, o brasileiro está nem aí para nada, desde que no domingo à tarde possa ver o jogo na TV. Que se lasque o pobre para quem vai faltar comida no dia do Natal!

     

  • sábado, 25 de novembro de 2017 12:10

    Política e políticos

    Vivemos um tempo em que a política é demonizada. Isso não é bom, vamos concordar, embora os políticos propriamente ditos não nos deem razões para pensar diferente. Mas a política sempre será importante. O quadro de descrédito da política brasileira nesse momento é preocupante.

    Aqui em Santa Rosa, por exemplo, as conversas de quem está de olho nas eleições de 2018 estão se intensificando rapidamente. E pelo que os passarinhos estão comentando, teremos um número de candidaturas inédito, tanto para deputado estadual quanto para deputado federal. Teremos muitos candidatos, e a eles caberá uma tarefa nada fácil, ou seja, recuperar, no coração dos eleitores, a confiança na política.

    Mas, pelo que estamos assistindo, o momento complicado não afastou ninguém. Ao contrário, parece que os cenários confusos estão atraindo mais gente.

    Politicamente, o próximo ano promete. Talvez o pleito traga novos ares, novas posturas públicas, e até alguma esperança. Todos esperamos por isso. Sou daqueles otimistas incuráveis que sempre veem novas possibilidades em eleições.

    ***

    Esta semana teve inauguração em Porto Mauá. Inauguração?? Tive de me informar a respeito do que estava acontecendo e cheguei a uma conclusão. O Rio Grande não está bem mesmo. Até conserto de asfalto tem ato inaugural...

    ***

    Prefeitos que ora estão em mandato contam o dinheiro no caixa. A constatação é de todos: a grana está diminuindo. Alguns cofres já estão raspados.

    Até 2020, quando encerram seus períodos, o quadro será de aperto financeiro. Depois, vai piorar e muito. O mais preocupante é que não há perspectivas de algo melhor no futuro.

    Talvez, com esse quadro, os políticos passem a compreender os efeitos da PEC 55, aprovada no ano passado. Vi muitos prefeitos defenderem a PEC. Não sabiam eles que estavam dando um tiro no próprio pé.

    Como sabemos, a emenda congela investimentos públicos, e já causa sensível redução nas áreas de infraestrutura, educação e saúde (basta ver os cortes em diversas áreas da saúde pública). Mas não congela o pagamento de juros da dívida, que só no ano passado consumiu 500 bilhões de reais.

    Em síntese, o dinheiro em giro está menor e deve sofrer redução ano a ano, pois a PEC tem seus efeitos previstos para os próximos 20 anos. Tudo isso tem reflexo indireto no caixa das prefeituras, que vão penar.

    Certamente esse aspecto já anda mexendo com a cabeça dos candidatos "prefeituráveis". Assumir uma prefeitura sem dinheiro é um péssimo negócio.

    ***

    Por outro lado, como notícias vindas de Brasília sempre nos surpreendem, já é voz corrente que se cogita simplesmente no adiamento das eleições.

    Claro que iniciativa desse naipe, capaz de desmontar de vez com a nossa democracia, precisaria de uma orquestração envolvendo o Congresso, a Presidência da República e o Judiciário.

    Pelo que já vimos nestes dois últimos anos, não é de duvidar que aconteça. E os eleitores? Ah, os eleitores são um mero detalhe. Um detalhe incômodo.

  • sábado, 25 de novembro de 2017 12:07

    Uma geração sem ícones

    Somos burras ovelhas, com todo o respeito ao burro, marchando em meio aos lobos, indo placidamente para onde nos arrastam porque estamos órfãos.

    Basta olharmos ao redor, em qualquer campo, para percebermos que há saaras de areias estéreis. Nada novo no futebol, nada novo na política, nada novo na música. Nada! Nossos heróis vivem dentro de portais no celular.

    Por isso o botijão de gás vale quase 10% de um salário mínimo e a gasolina é vendida aqui ao preço pago nos Estados Unidos (só que lá um trabalhador recebe 10 vezes mais). E por isso o presidente da República, através de assessores, diz que o gás sobe para nós porque se aproxima o frio nos Estados Unidos. Diz que eles têm dinheiro e podem pagar e se quisermos que paguemos também.

    Se tivéssemos um ícone para seguir, eles não fariam isso, eles não diriam isso e não proporiam elevar para 40 anos o tempo de trabalho de uma pessoa pobre que entre o local do emprego e os deslocamentos deixa escoarem de 10 a 12 horas diárias. Ah, que saudade do Brizola (e eu jamais votei nele)!

    Nossos ícones são youtubers abestalhados que fazem micagens para milhões aplaudir, ganham fortunas com o patético show, enquanto alguém que tencione alertar sobre os descalabros é ridicularizado.

    Uma geração sem ícones é uma geração medíocre e apática. É o que somos!

    Nossa geração cantava ao som de Renato Russo, ao passo que a atual se delicia com Anita. Nossas referências esportivas eram Senna e Pelé, hoje pelamordedeus com Rubinho e tantos outros meia-boca. Nossos esteios políticos eram Brizola, Ulisses Guimarães e Tancredo. Olha o que nos restou!

    Não temos ícones. Fiz um cartaz com os prováveis candidatos a presidente nas próximas eleições: Ciro, Bolsonaro, Doria, Huck, Marina, Temer... Eu não tenho coragem de votar em nenhum deles.

    Esperamos um salvador político, um mito. Queremos avidamente alguém que nos dê um mínimo de dignidade e orgulho para sair à rua e dizer “sou brasileiro”. Por isso o Bolsonaro está tão bem conceituado, porque esperam que seja o salvador da pátria. Eu já vi esse filme com o Collor em 89, e nem preciso escrever uma palavra para desqualificar o nobre senador que está a toda hora enlameado.

    Nossos ícones são incapazes de escrever corretamente meia dúzia de linhas ou de compor uma boa música. Estamos órfãos.

    E como órfãos - sem pai, sem mãe - só nos restaria a rua. Mas a rua se aquieta. Talvez estejamos órfãos depositados no lixo. Ou logo estaremos todos na rua da amargura.

    Sim, concordo, o Brasil saiu do vermelho. Mas o povo brasileiro está vermelho de vergonha!

  • sábado, 18 de novembro de 2017 11:54

    Uma lenha na fogueira do Parque

    É para ontem que se faça uma discussão mais profunda em torno do uso do Parque de Exposições de Santa Rosa, reconhecidamente um dos mais bonitos do Estado. Quem tem que puxar a frente? A Prefeitura, ora.

    Cabe impor certas medidas, mesmo a contragosto. E não penso no dito custo mensal. A Prefeitura, segundo dito pelo secretário Rodrigo Burkle, gasta mais de R$ 60 mil mensais com a manutenção, limpeza e segurança da estrutura. Ou seja, R$ 720 mil ao ano.

    Parece muito, mas apenas a Fenasoja, dito pelo presidente Alexandre Maronez, investiu R$ 6,6 milhões em melhorias e estruturas novas nos últimos anos. Junte a este valor o agregado pelas etnias nas Praças das Nações, associação de kart, Hortigranjeiros, etc e tal, e teremos um número bem maior.

    Colocado assim, vê-se que a prefeitura muito ganha com a presença das entidades diversas, e que seu valor mensal aportado é pequeno. E a Prefeitura não pode se eximir de cuidar do espaço que é seu.

    No entanto, fica claro em qualquer discussão mais franca, como foi o debate na Rádio Noroeste no último sábado, que o Parque de Exposições carece de formar um grupo gestor, um núcleo de decisões, e isso é para ontem. Um conselho que reúna todas as entidades sediadas lá, e não são poucas, com poder decisório.

    A Prefeitura já fez tentativas nesse sentido, de estabelecer um plano diretor e formar um grupo capaz de decidir uso do espaço. Freou nas reações de alguns. Recuou. Tem que bater pé, bater martelo, e pronto.

    Do modo como está, a Prefeitura se omite e é refém dos contratos de concessão já assinados. Simples assim, há vários espaços em que a Prefeitura não manda. É do Município, mas também não é. Não estou citando esta ou aquela entidade, até porque seria injusto.

    Convenhamos, o Parque de Exposições é público e administrado pelo ente público, que tem todos os custos. Quem paga algo para a Prefeitura? Uma taxa de uso de R$ 1.500,00 por dia de evento promovido é nada diante do lucro que alguns eventos auferem.

    Meu pensamento é simples. Parte do lucro de todas as entidades que promovem eventos (rodeios, bailes da terceira idade, kart, shows, etc.) deve ficar para o caixa comum do Parque de Exposições. Não para a Prefeitura. E esse conselho gestor decide como investir.

    Essa discussão é para ontem.

    Ah, tem Festa das Etnias no Parque neste final de semana.