• segunda-feira, 27 de junho de 2016 09:29

    Velhas e surradas histórias para brasileiro dormir

    Ouvimos as mesmas histórias de sempre enquanto tentamos dormir em paz e contamos carneirinhos.

    Sabem, a ponte internacional Porto Mauá (ou Porto Xavier, que seja!), essa não sai, por ora! É assunto para mais 10 anos, pelo menos. Foi o que disse o deputado federal Jerônimo Goergen no debate do sábado. A barragem, idem! Claro, baixou a lenha no Governo Dilma que falava e não fazia...

    Sabem, as ligações asfálticas sonhadas há décadas por Senador Salgado Filho, Porto Vera Cruz, Alegria e São José do Inhacorá (20% dos municípios da nossa microrregião sem asfalto), esses tardam de governo a governo. O que não tarda é o governo em anunciar novas/velhas medidas para fazer caixa.

    Caso alguém não tenha lido nos jornais da capital no final de semana, consta neles o projeto para instalar pedágios em duas rodovias estaduais de nossa região. Na ERS 342 (Três de Maio a Cruz Alta) e na ERS 344, entre Santa Rosa e Santo Ângelo. Pedágio, sim. Claro, prometem obras de ampliação da capacidade de escoamento.

    Outra vez esse discurso de entregar rodovias à iniciativa privada para fins de exploração. Cadê a OAB? O dinheiro do IPVA não é exatamente para essa finalidade? Instalar pedágios na nossa microrregião, já tão pobre e insignificante, que representa 3% do PIB e tem 2% da população do Estado?

    E a gente pergunta aos governos: Virá o aeroporto? Virão todas as ligações entre municípios? Virá a ponte internacional? Virá reforço ao efetivo da Brigada e dos Bombeiros que têm quadros limitados? Ou virá privatização das rodovias? Venda de estatais? Criação de novos impostos para colocar em dia os repasses à saúde?

    Enquanto isso, o Brasil tão imenso em terras produtivas precisa importar feijão, trigo e arroz porque nossas terras são utilizadas apenas para milho e soja, e mais soja e mais soja que apenas deixam os grandes produtores mais ricos... Feijão caríssimo só pesa na mesa do pobre. Pobre de nós!

    Enquanto isso em POA o deputado Jardel vai à Justiça para evitar ser julgado em plenário. Nos bastidores pode sair ileso... Na “gatipal” Federal querem a todo custo barrar o jato que lava!

    Quem foi à rua com bandeiras verdes e amarelas pediu mudança! Pediu fim da corrupção e da velha política.

    E isso inclui a baixaria de distribuir um panfleto ridículo contra o ministro Osmar Terra. Ora, escreva isso tudo no Face, vivente, na cara e na coragem!

    É isso. Na dança de letras eu digito OBRAS que viram SOBRAS ou viram OBAS!

  • segunda-feira, 20 de junho de 2016 08:23

    Duas linhas mais sobre a greve

    Tenho que abrir a crônica com um pedido de desculpas aos ouvintes da Rádio Noroeste AM, pois na manhã do sábado, 11, não consegui ler as mais de 100 mensagens que chegaram ao celular da emissora enquanto apresentava o Noroeste Debate. Estava com sete convidados no estúdio, um clima “pegado” - mas respeitoso - e a comunidade a cutucar intensamente na rede social.

    Greve do magistério sempre rendeu muito pano para manga. Isso é fato. Não ficarei sobre o muro. Sou a favor da greve. Sou porque os professores têm que ganhar bem, muito bem, desde o primeiro dia em que assumem vaga, sabendo que terão reajuste anual com base nos índices inflacionários (pelo menos), sem precisar de greve. Sou a favor porque conheço a condição de trabalho nas escolas e nem sempre é a ideal, especialmente nas periferias, onde os pais não têm poder aquisitivo para mandar instalar climatizadores nas salas.

    Mas, sinceramente, o movimento grevista do CPERS já não tem mais eco social e caiu em descrédito na comunidade.

    Se querem resultado, a greve tem que marcar na veia, tem que sair para o desfile pátrio com protesto de fechar a avenida, tem que invadir o estádio do Grêmio ou do Inter em dia de jogo com cartazes e faixas que provoquem reação nacional! A greve tem que durar um ano, para que os estudantes percam um ano letivo e o bolo vire contra o governo. Ou isso, ou nada!

    Vale o mesmo com a meninada do “OCUPA”. Não é democrático fechar escolas. Como não é democrático o governo mandar reforçar a segurança na frente de escolas como se os estudantes fossem marginais. Sou a favor do movimento de ocupação, sim, mas ocupar o pátio, a quadra, os corredores com atividades culturais, com competições esportivas, com discursos que se estendam por uma manhã, com agitações filosóficas, com conscientização. A favor sim, porque sempre sou a favor de classes mobilizadas, de pessoas com o pensamento acordado....

    Das 100 mensagens que recebi, a maioria era contra a greve e trazia palavras pouco amistosas aos professores. Ninguém mais dá bola para a greve, e quando dá, fica ao lado do governo.

    Algo está errado. Algo está errado com o movimento do CPERS se há indisposição geral. E algo está errado com a sociedade se ela pensa que professor insatisfeito tem que procurar outra carreira. Certo é o governo pagar bem para que nossos filhos tenham educação de qualidade.

    Mas é fato que, como sociedade, precisamos discutir o plano de carreira e o piso do magistério, as aposentadorias aos 25 anos. Tem que discutir regras novas para quem vai ingressar agora, aquele que prestará concurso sabendo o que terá pela frente.

    A palavra é construção! Chega de “ismos”! Chega de brizolismo, petismo, getulismo, chavismo e, claro, esse selvagem capitalismo... O tempo é outro. É mais moderno, é de WhatsApp ou Messenger. Mais leve!

  • domingo, 12 de junho de 2016 11:00

    A geada, a greve e o turno único

    A geada não veio intensa, assim, na manhã de quinta-feira como um acaso. Fazia frio há dias, o solo estava mais seco e o céu límpido. Perfeito para a moldura se completar.

    A greve do magistério estadual não se implantou do nada. O governo sabia que em algum momento lidaria com ela na intensidade atual, porque as ideologias de comando do movimento são contrárias à sua, e porque a Brigada reprimiu o protesto no ano passado e porque parcela os salários há meses. A greve era favas cantadas!

    Mas, sempre o mas, quando a greve do magistério eclodiu, um dia após a posse do Temer como presidente interino, eu disse à Dé: “Que hora! Não tem como escapar do rótulo de greve partidarizada”. Bingo!

    Crer que não há componentes políticos na greve do magistério estadual é pôr óculos solares em noite sem lua. Basta ver quantos educadores e escolas aderiram à paralisação! Porém, dizer que os professores estaduais não têm razão em reivindicar melhores salários e condições de trabalho também é atestar cegueira. Educação nunca foi prioridade.

    O governo, no entanto, tem a simpatia da população nessa queda de braço, porque as greves são quase anuais e porque o discurso de que não possui dinheiro colou com a crise nacional que impacta no bolso do cidadão. Assim ficou fácil ao Sartori explicar e sustentar a fala de austeridade e parcelamento salarial.

    É o mesmo tom da crise nacional que permitiu ao Vicini sustentar tão prolongado turno único na Prefeitura: a crise nacional. Ele veio ao ar, na Noroeste, ontem para dizer que encerra o expediente reduzido no dia 30 de junho. Eu entendo o discurso de economia, os R$ 120 mil mensais gastos a menos que permitem pagar outras contas. Entendo, mas isso nunca me convenceu!

    Assim como nunca me convenceram as pedaladas fiscais. O PMDB tem Jucá, Sarney, Calheiros e Cunha atolados até o pescoço com os rolos da Lava-Jato. Por motivo igual, obstrução da Justiça, o senador petista Delcídio do Amaral foi varrido do parlamento. E agora, quem vai para rua para pedir a prisão e a cassação dos moços?

    Caso não ocorra o encerramento do mandato desses quatro, ficará ainda mais evidente que toda a movimentação do Congresso para depor a Dilma era apenas ideológica, era contra um partido, e não contra os corruptos.

    Não há nada mais fácil que bater o Haiti por 7 x 1. Cego vê goleada. Outros veem adversário inexistente.

    Venezuelanos catando comida no lixo é fato. A miséria por lá campereia solta. É o fracasso do socialismo sem capital.

    A geada ainda não afetou meus neurônios... Ainda dá para escrever que não queremos mais ser tratados como os bobos da história. Só isso!

  • terça-feira, 7 de junho de 2016 14:59

    Trabalhadores têm poucas expectativas com novo governo

    Para Gilberto Kieling, bancário aposentado e advogado, a crise política é o pior entrave ao desenvolvimento do Brasil na atualidade. É pouco esperançoso neste sentido. “Tende a continuar esse clima. Embora seja real, eu nunca vi a crise econômica com a dimensão que apontavam, inclusive com sinais de retomada do desenvolvimento. Então, creio que vai melhorar na economia, mas não por conta do governo que assumiu. Havia todo um clima de insegurança, estimulado por aqueles que apostavam no clima de quanto pior, melhor”, explicou.

    Os sindicalistas pegam pesado na argumentação. João Roque dos Santos, do Sindicato dos Metalúrgicos, lembrou que somente no ano passado o setor deixou 1.200 desempregados e outros 300 neste ano na região de atuação. “Achávamos que era o fundo o poço. E não era. Porém, eu tenho boas-novas, sim. Vou dizer em primeira mão, aqui no debate, que a AGCO vai contratar logo, logo, por conta da nova legislação ambiental que entrará em vigor e que vai obrigar a promover mudanças nos motores das colheitadeiras. E isso é para os próximos meses”, disse, mencionando com expectativa o mês de setembro deste ano.

    Nestor Kalsing, presidente do Sindicato dos Comerciários, justificou que a crise é política, totalmente, tanto que ela nasceu já na campanha da reeleição de Dilma. E só piorou desde então. Quanto ao cenário local do emprego e renda, disse que o comércio virou, mais ainda, setor de passagem. “Tínhamos, em média, 10% de trabalhadores que pediam demissão. Hoje, são31%. O principal motivo é o baixo salário pago pelo comércio e a falta de estímulos. Um indicativo disso se vê com as mulheres. Pagar uma doméstica e ir trabalhar fora é trabalhar para empatar”, explica ele.

    Em 2014, quando vivíamos em Santa Rosa o pleno emprego, tínhamos 23 mil pessoas no mercado de trabalho formal, segundo dados levantados junto ao CAGED. Agora são apenas 20 mil. Uma redução de 11,2% em apenas dois anos, acompanhando a tendência nacional. Quem trouxe os dados ao Noroeste Debate foi o empresário do setor de consultoria Renato Bastos Moraes. “Porém, o cenário é muito pior, principalmente se levarmos em conta aqueles que estão na informalidade e que não aparecem em nenhum levantamento oficial. Para estes, certamente a crise é ainda mais impactante”, argumenta. E mencionou ainda os acordos coletivos entre classes patronais e laborais que reduziram jornadas e impactaram diretamente nos salários dos trabalhadores. “O que se vê hoje é menos empregos e menor renda ao trabalhador”, resume.

    Ao que o sindicalista metalúrgico João Roque dos Santos completou: “Estão se valendo do cenário para achatar os salários outra vez. Agora se demite aqueles que têm rendimento maior para, logo ali adiante, quando houver retomada da produção, contratar outros com valores menores”.

    Em um ponto todos os debatedores concordam: as mudanças sinalizadas são ruins aos trabalhadores, mais uma vez chamados a pagar a conta. “Há três males a combater no país, na atualidade: a reforma trabalhista, a reforma previdenciária e o governo Temer”, disse Nestor Kalsing. João Roque acrescentou um quarto item, a terceirização da mão de obra no setor produtivo.

    A reforma da Previdência preocupa muito os sindicatos de trabalhadores. Kieling, que é presidente da OAB Santa Rosa, argumenta que ninguém sabe qual é a situação real. “Há estudos que apontam que a Previdência é superavitária. Essa caixa-preta precisa ser aberta antes de falar em reforma”, disparou. No mesmo tom da conversar, Nestor Kalsing lembra que em cinco anos a desoneração da folha de pagamento causou um rombo de R$ 125 bilhões à Previdência, de modo que imputar ao trabalhador a culpa pela falência é muito simplista.

    Por fim, Renato Bastos Moraes sinalizou algumas medidas que vê de maior urgência, a começar por levantamentos de dados com base na realidade local e que permitam traçar uma radiografia real da crise. “Números do CAGED e do Boletim de Emprego da Unijuí são insuficientes para nos dar parâmetros. É preciso ir mais fundo nas pesquisas, fazer outras perguntas. E, sim, o Poder Público e a Comissão Municipal de Emprego e Renda têm obrigação com isso e com medidas práticas”, disse.

    João Roque, que até a semana passada presidia a Comissão, disse que a entidade está ativa. A nova gestão está na mão dos segmentos patronais, muito embora tenha membros do setor trabalhista e do poder público. Mas cobrou intermediação da Prefeitura junto ao Ministério do Trabalho para medidas que ampliem o Seguro Desemprego ou assegurem condições dignas aos desempregados neste momento crítico.

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