sábado, 25 de fevereiro de 2017 09:46

A espera é dos outros!

Hoje, escrevo uma coluna simples, dolorida, e talvez poética, com pretensão de pedir aos educadores que a levem às salas de aula.

Pleito estranho esse, certo? Admito que há certa falta de modéstia no desejo de ver o texto debatido em sala de aula, quem sabe por estudantes e professores do Ensino Médio. Jovens que estão na porta dos 18 anos, que mal saíram das fraldas e se inflamam com suas verdades. Bando de pirralhos que da missa sabem menos que o terço.

Pretendo ser poético, sim, mas hostil a ponto de esperar que me xinguem em encontro de olhos nos olhos. Porque, talvez, se gritarmos, nos ouçam. Porque, sinceramente, duvido que os jovens ouçam os soluços dos pais daquele garoto de Cândido Godói, de 18 anos, falecido em acidente na madrugada de domingo. Há seis meses a mãe enterrou outro filho imberbe, também vítima de acidente. Estão ouvindo os gritos agoniados dela?

É verdade, acidentes não ocorrem apenas com jovens. Mas, nos finais de semana, quase sempre.

Até quando, jovens, farão sofrer os vossos pais e aqueles que os amam?

Até quando, jovens, os pais deitarão a cabeça no travesseiro sem saber se vocês voltarão inteiros para casa?

Quem parte, é fumaça ao vento!

A espera é dos outros, dos que nos amam, que esperam que a gente volte.

Eu, sinceramente, não compreendo tanta dureza nos corações, tantos cérebros cauterizados, tanta gente na tribo “comigo isso jamais acontecerá”.

Há duas semanas, no sábado, houve cinco mortes em um único acidente de trânsito perto de Pelotas. Que horror aquilo! Uma notícia dessas acaba com o fim de semana da gente, mesmo que os mortos não sejam conhecidos. Aí você acorda no domingo e lê na web: “acidente em São Luiz Gonzaga deixa seis mortos”. Como pode?

Aí lhes conto que eu vi o rapaz sair da aula de reciclagem no CFC e fazer três “eme” em 20 metros. Eu presenciei a cena. Vi a mulher, com mais pessoas no carro, estacionar na frente da autoescola, entregar a chave ao “todo-poderoso” que recém saía de uma aula porque estava com o direito de dirigir suspenso. Crime! Ele estava com carteira retida e foi dirigir. Depois não deu pisca para sair do estacionamento. E não deu pisca na esquina para dobrar à direita. O que se faz com um indivíduo desses? Prende, ora, prende porque ou ele se mata ou ele mata alguém...

Perguntei ao tenente Azevedo, da Brigada, o que há com esse povo. Ele resumiu assim: negligência, impudência e imperícia. E eu acrescento uma lista que não termina nessa crônica.

E nesse todo quem agradece é o Zé, da Funerária. Infelizmente.

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