sábado, 28 de outubro de 2017 09:38

A vaca atolada

Na semana passada eu voltava de Porto Vera Cruz, no maior calorão da tarde, quando vi as vacas, literalmente, enfiadas nas águas. Aí pensei: somos nós aquelas vacas ali.

Putz! Primeiro ri de mim mesmo, do funesto pensamento. Depois fui tecendo um cenário que me entristeceu. E nesta semana, quando o Temer saiu ileso mais uma vez e a Folha de São Paulo divulgou que o Governo gastou R$ 31 BILHÕES para safar o presidente, tive mais certeza ainda: o povo brasileiro é a vaca atolada!

Era cinco horas da tarde, uns 30 graus, sol de rachar, vento quase parado. Primeiro, vi cinco vacas dentro de um riacho cristalino. Depois vi três em um açude que era mais barro que água. E depois, mais adiante, vi outras, algumas em açudes que eram somente lodo. As vaquinhas, de fato, estavam atoladas.

Que alívio para elas aquela água, um refresco em tarde tão quente. Aí formou o filme em minha mente! Eu sou a vaca atolada. Você é a vaca atolada, a menos que esteja associado aos que detêm o poder. Nós, brasileiros, estamos em frescor falso. Sobre nossos lombos há um sol de torrar, um calorão de minguar as esperanças, mas nos contentamos com o refresco nas canelas, canelas que estão atoladas no barro.

O alívio nos pés não muda em nada o sol que fustiga. Aqueles deputados que livraram a quadrilha duas vezes usaram argumentos como retomada do crescimento, volta do pleno emprego, condução do país à credibilidade internacional. Balela! Estão com os bolsos cheios.

Nós, as vacas atoladas, pagamos a conta com os aumentos semanais do gás e da gasolina, com inflação no mercado, com pontos de retrocesso na reforma trabalhista, com a venda da Amazônia, a mudança da lei do trabalho escravo e logo com a reforma da previdência que farão valer. Tudo negociado com os pilantras.

Quanto discurso imbecil! Mais empregos? Como se eles não tivessem responsabilidade do caos! A grana de hoje vale a metade que há um ano. Perguntem na FEMA ou na Unijuí quantos universitários trancaram as faculdades ou quantas vagas há em cursos superiores. Aí terão uma noção mais exata da realidade semeada pelo MBL.

Insistirei até o último dia com meus leitores e ouvintes na Rádio Noroeste: não votem em ninguém que esteja nos cargos políticos atuais, independente de partido. Renovação 100%. Sejamos corajosos para propor uma revolução pelo voto.

Ou isso ou continuaremos vacas atoladas. Vaquinhas com pés na água ou no barro, mas as costas castigadas pelo sol inclemente desses corruptos que saqueiam a nação.

 

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