sábado, 2 de junho de 2018 11:47

A volta dos militares ao poder

Desde o ano passado, quando a candidatura de Bolsonaro à presidência da República ganhou força, há grupos ativos que associam sua figura ao militarismo e que clamam para que os milicos retomem o poder.
Ainda que sejam, majoritariamente, jovens alinhados à direita e saudosistas envelhecidos, é preciso admitir que produzam ecos em seu movimento, como se viu no alinhamento à paralisação dos caminhoneiros, ao qual os “nacionalistas” se juntaram.
Não sou favorável a um governo militar, especialmente, pelo cerceamento das liberdades individuais. Porém, se esses grupos têm conseguido milhares de seguidores em todo o país, a ponto de gritar alucinadamente na porta dos quartéis, é preciso, pelo menos, dar-lhes ouvidos.
Quem pede os milicos de volta ao poder está dizendo o quê? Em tese, está a clamar por um país sério, que seja honesto, que tenha ética na política, que ofereça segurança ao cidadão e esteja livre dos políticos corruptos que nos afundaram nesse mar de lama (claro, que fazem ouvidos moucos à tortura, prisões e outras).
Tudo isso, que é decente, eu também quero. É o sonho de qualquer cidadão que paga os impostos e se vê achatado dia após dia. Porém, nem todo o caos é problema da democracia. O que está claro a todos os brasileiros é que o modelo republicano atual não serve, porque foi construído para uma classe de privilegiados que governa a seu bel-prazer.
A violência não nasceu na democracia. Estava aí, mas foi agravada pela ausência do Estado. A corrupção está no brasileiro, desde sempre, porque o jornal francês Le Monde expôs milhares de casos de desvios de recursos públicos durante o regime militar (é, até eles, os milicos). Sem contar as pensões, aquelas.
Não quero a intervenção militar como forma de governo. Não. Estou muito bem com minha pobre liberdade.
Porém, confesso que o povo brasileiro perdeu uma grande oportunidade de sacudir esse país. Faltou dar apoio aos caminhoneiros. Era a hora exata para derrubar o governo mais impopular da história.
Não quero a intervenção, não como figura que fique no trono de governo, mas comemoraria se nesse instante houvesse uma dissolução geral do Congresso e do Senado até o final desse mandato.
Quem está nas ruas pedindo a volta dos militares ao poder não quer que eles mandem “na ponta do coturno”. Quem está nesse bloco apenas não quer mais ser mandado pelos 513 parlamentares e meia dúzia de senadores que fazem o que querem e riem de nossa miséria e inércia.

 

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