sexta-feira, 23 de fevereiro de 2018 08:46

As facções estão em nosso meio

Ouvimos falar de drogas todos os dias. Todos conhecem usuários. Ademais, percebemos aumentar o poder de fogo do tráfico.

Amigos meus reiteram seguidamente que as facções do tráfico que disputam à bala e sangue os pontos de venda de drogas na capital do Estado estão em Santa Rosa. Há muito ouço esse zunzum. Várias vezes, durante esta semana, ouvi isso. Nomes das facções também surgem, bairros onde atuam. Não é novidade. Quem lê notícias sabe que outras regiões do interior também entraram na rota delas.

Com as gangues presentes em nosso meio muda também o perfil do consumo. E do tráfico. Esse crime é organizado, é empresarial, não se contenta com a procura... Ele vai atrás de consumidores. Ele fará de tudo para expandir seus negócios. Ofertará de tudo. E cobrará um preço social que sequer estamos perto de imaginar.

O tráfico “romântico”, se já não desapareceu, vai desaparecer. Até agora o comércio regional estava na mão de meia dúzia de sujeitos que ofertavam o produto que o cliente quisesse. Com as facções o ritmo é outro. É jogo pesado. A polícia sabe isso, monitora, prende, acompanha. Certamente também está muito preocupada.

Daí chegamos à intervenção federal no Rio de Janeiro... Nem vou entrar na discussão a respeito do lance midiático e político do fato. Pulo essa parte da prosa.

A intervenção não resolverá o problema do tráfico. Pode levar alguma paz aos nobres da praia.

As UPPs poderiam ter resolvido, caso os governos tivessem feito as ações complementares de educação, cultura e estrutura. A intervenção é guerra. O Exército não ficará para sempre nos morros.

Há um desejo por penalizar o traficante, querem que a polícia extirpe esse “mal” para que possamos viver em paz em nossas casinhas de cimento. No entanto, quem alimenta o tráfico? Sim, porque ele existe em função do usuário. Quem faz o grande giro financeiro do esquema é a classe média ou a classe mais nobre. O tráfico só existe porque há quem pague pelo produto. Pai, o bandido não procura seu filho; é o oposto!

E mais, os grandes financiadores do tráfico, os barões, os empresários que aportam muito dinheiro nas redes, vão cair? Aqui em Santa Rosa, 60% dos apenados estão lá por ligação com o tráfico. Quase sempre são pés de chinelo, como a gente vê pelas fotos nas operações policiais. E os grandes? Os financiadores da organização, muitos deles empresários e políticos “de respeito”, não caem nas malhas.

É preciso combater, sim, mas a ação no Rio precisa ser muito mais que ato político em ano eleitoral. Deve ser ato social. Terá efeito se discutirmos o Brasil que queremos, o sistema de lei e o modelo prisional que queremos. É preciso reformar a polícia, estruturá-la, dar poder, tecnologia e armas a ela. E na outra mão levar escolas, obras de estrutura e dignidade às periferias.

Ou isso, ou comprem helicópteros para sobrevoar as cidades, armem esquemas fortíssimos de segurança pessoal e comprem carros blindados.

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