segunda-feira, 23 de outubro de 2017 07:20

Culto ao jeitinho brasileiro

Desde que me conheço por gente ouço falar do “jeitinho brasileiro”. O malandro, o esperto, aquele que leva vantagem em tudo; este homem é cultuado há décadas no País.

Pois é, esse culto à malandragem nos trouxe ao cenário atual. Deu no que deu! Deu na “nhaca” na qual mergulhamos. Esse “jeitinho” sempre foi visto com bons olhos, tanto é que nos apaixonamos pelo Zé Carioca dos quadrinhos. Ocorre que, aos poucos, o jeitinho entranhou no povo e fez do Brasil um dos piores exemplos mundiais.

Não sou eu quem afirma isso. É uma pesquisa realizada em 147 países que participam do Fórum de Davos, que é o local onde se discute o ‘futuro’ do Planeta (eca!). O estudo apontou que temos os piores políticos do mundo. Dá para crer nisso? Dá, infelizmente. Dá porque vemos os exemplos de corrupção e “jeitinhos para se safar” todos os dias.

Aliado a este comportamento do jeitinho malandro, nunca devemos ignorar que o brasileiro sofreu com séculos de escravidão e submissão a ponto de se acostumar a ela. E os exemplos de rebeliões são trágicos, pois as revoltas sempre foram repelidas a custo de muito sangue.

O brasileiro não conhece a sua história, se conhecesse ficaria horrorizado com os massacres sanguinários que o governo brasileiro já impôs ao seu pobre povo, a começar por Palmares, Cabanagem, Canudos, Contestado, os Muckers, etc e tal. Sempre venderam a imagem de grande vitória contra os rebeldes. Sempre venderam a imagem de que os culpados eram os miseráveis revoltos.

E a imprensa contribuiu muito para vender essa imagem. E segue a fazer um trabalho sujo. Na semana passada o brasileiro foi massacrado cruelmente em um único dia, no dia do jogo da Seleção do Brasil. A imprensa só falava da possibilidade de a Argentina (Messi) ficar fora da Copa. Naquele dia se safaram das malhas da lei, com artimanhas jurídicas e políticas o Maluf, o Jucá, o Franco, o Aécio (na decisão do STF) e o Temer. Para a imprensa nada importava. Era dia de zoar dos argentinos. Acordamos nus no dia seguinte!

O nosso Congresso, as Assembleias estaduais, o Senado e todas as instâncias de governo são exemplo desse jeitinho brasileiro. Há uma semana a RBS denunciou uma farra de assessores legislativos no Rio Grande do Sul, onde certos deputados têm 27 funcionários ligados a eles, tudo dentro da lei. Logo nós, os moralistas, os exemplos a sermos seguidos! Nada, nenhum pio nas ruas. Por que não? Porque só estamos esperando a hora certa de bajular algum político em vez de jogá-lo na lixeira como fizeram recentemente na Ucrânia.

O mais rico empresário americano do setor de imóveis, dias atrás, disse que não vem investir aqui porque não é possível pagar tanto corrupto! Bah.

Nosso 2018 está aí. Acorda, povo! A culpa dessa “nhaca” não é dos empresários corruptos presos e denunciados na Lava-jato. A culpa é dos políticos.

Faça seu comentário