sexta-feira, 24 de março de 2017 15:15

Entre a utopia e o pragmatismo

A utopia pura e simples levou Cuba ao fracasso. O pragmatismo fez a Rússia exterminar os chechenos diante do silêncio mundial. Há quem pense que reiteradamente escrevo contra o capitalismo, e que minha visão é demasiadamente à esquerda. Nego. Meu olhar segue a lógica de construir o justo, e este precisa ser voltado ao coletivo.
Nesses debates de esquerda versus direita, movidos a ranços de ambos os lados, perdeu-se a noção do socialmente justo. Em geral, as propostas em discussão nas mais altas esferas do poder não conduzem à construção de um país com justiça social. Da mesma forma, também muitos dos movimentos de resistência pouco estão preocupados com o coletivo.
Quem defenderá o desvalido povo? O que temo é que, no andar da carruagem, tudo que os pobres desse país obtiveram de avanços nos últimos anos estará perdido em uma década se forem aprovadas todas as mudanças propostas. Ah, então Clairto, tu és contra tudo que o governo propõe? Devagar com esse andor.
Leonardo Vicini e Maria Inez Pedrozo, no Noroeste Debate do sábado passado, usaram dois termos bem distintos para delinear o momento atual. A professora e escritora falou em viver e edificar um mundo a partir das utopias (algo mais justo e com sonhos). O jovem político usou o termo pragmatismo para defender seu ponto de vista (praticidade para construir desenvolvimento e progresso, e então devolver justiça social).
A utopia desenhada pelos brasileiros é contar com saúde, educação pública e segurança. O restante o povo buscará no braço, no trabalho, porque ao contrário do que a corja política apregoa, o brasileiro é sim muito trabalhador e esforçado. O brasileiro apenas quer oportunidade.
Bem, no olhar do pragmatismo essas oportunidades não virão se não abrirmos mão da aposentadoria, dos direitos trabalhistas e dos financiamentos públicos para casa própria e estudos. Em tese, o que se lê é assim: “se os pobres não ajudarem os ricos a construir uma riqueza maior ainda (desenvolvimento do Brasil), eles (os pobres) nem com as migalhas ficarão.
Não sou contra o capitalismo. Sou contra o comunismo. Sou contra modelos totalitários. Mas também sou contra esse modelo que propõe que a classe menos favorecida pague a conta dessa roubalheira toda que financiou não o PT apenas, mas sim a compra de praticamente todos os parlamentares desse país, comprovado pela Lava Jato. Sou contra vender nossa terra aos estrangeiros. Sou contra me aposentar aos 65 anos. Sou contra tudo que soe injusto para a maioria.
A utopia de um país perfeito não funciona, tampouco o pragmatismo simples. É preciso construir um equilíbrio. Precisamos da reforma política, sim, mas não pode ser proposta pelos políticos. Tem que ser proposta pelo Judiciário ou pelas entidades organizadas. Esse é o meio-termo entre a utopia e o pragmatismo. Isso se aplica a todo o contexto. Precisamos da reforma da previdência, sim, da reforma trabalhista também.
Mas é preciso ouvir as ruas (que por ora estão apenas em rumores)... Antes que elas, as ruas, tenham que marchar outra vez.

 

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